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Exemplo: Á Embasa; Senhores Pais; Prezado Subprefeito, etc.

Função: Marcar quem é o interlocutor da carta, a quem ela se dirige.

3. Apresentação da solicitação/reclamação com argumentação

É o núcleo da carta, que costuma ser composto por dois ou três parágrafos.

Nas cartas de reclamação, o histórico do que aconteceu e fundamental para convencer o interlocutor de sua responsabilidade no problema e, claro, deve ser escrito no passado,

Exemplo: No último dia 27/8, entrei em contato com a Eletropaulo, que me orientou a ligar para o “Ligue Luz”.

4. Encerramento

Há várias maneiras de encerrar cartas de solicitação e de reclamação. Além de marcar o fim do texto, essa parte pode reforçar os efeitos pretendidos. Exemplos:

Sem mais para o momento. Atenciosamente.

Obrigado. Contando com sua colaboração.

É importante salientar que estas instruções são dadas após uma exaustiva sequência de atividades, nas quais são apresentados aos alunos modelos, definições e vários exercícios sobre o gênero textual carta.

Em relação à avaliação das produções textuais, a orientação ao professor se limita às características do gênero e à ortografia. O aspecto estilístico da escrita em nenhum momento é apresentado como parâmetro para avaliação, o que a torna incompleta.

Acreditamos que ao avaliar o estilo de escrita, é possível verificar se a atividade desenvolvida obteve êxito, uma vez que o aluno que transpõe a institucionalidade e produz um texto com características pessoais, possivelmente, tenha transformado a informação sobre o gênero estudado em conhecimento.

O segundo exemplar que apresentaremos faz da parte 3ª edição do livro Língua Portuguesa – Coleção Tecendo Linguagens, publicado pela Editora IBEP – São Paulo – 2012 - autores: Tania Amaral Oliveira56, Elizabeth Gavioli de Oliveira Silva57, Cícero de Oliveira Silva58 e Lucy Aparecida Melo Araújo59. O livro apresenta duas divisões: uma destinada aos alunos (264 páginas) e outra aos professores (112 páginas).

A primeira parte, que é direcionada aos alunos, está organizada em seções:

 Pra começo de conversa (propõe uma discussão prévia sobre o assunto a ser estudado);

 Prática de leitura (envolve leitura de textos verbais e não verbais);  Hora do conto (leitura feita pelo professor de textos narrativos);  Hora da pesquisa (trabalho extraclasse);

 De olho na ortografia (atividades ortográficas);

 Reflexão sobre o uso da língua (atividades gramaticais);

 Atividade de criação (produção de colagens, ilustrações e pequenos textos escritos); Na trilha da oralidade (atividades sobre oralidade);

 Produção de texto (produção textual: oral e escrita);  Projetos em ação (produção comum à classe);  Leia mais (sugestões de leitura);

 Preparando-se para o próximo capítulo (atividades sobre o tema seguinte).

56 Professora do Ensino Fundamental das redes pública e privada de ensino de São Paulo. Formada em

Letras, Pedagogia e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Formadora de educadores nas áreas de Língua Portuguesa e de Comunicação.

57 Professora do Ensino Fundamental da rede particular de ensino de São Paulo, Bacharel e licenciada

em Língua Portuguesa e Linguística pela Universidade de São Paulo (USP).

58 Bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP),

Educador e professor em Projetos Sociais nas áreas de Comunicação e Educação para a Cidadania.

59 Professora da rede particular de ensino de São Paulo. Bacharel e licenciada em Língua Portuguesa e

Linguística pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A segunda parte - Manual do Professor - também apresenta subdivisões:  De professor para professor (apresentação da coleção);

 Objetivos Gerais (objetivos gerais de Língua Portuguesa e objetivos gerais de Língua Portuguesa do 6º ao 9º ano),

 Pressupostos Metodológicos (explanação sobre a didática desenvolvida no livro);

 Pressupostos Teóricos (fundamentação teórica);

 A Estrutura da Obra (divisão do livro e como deve/pode ser trabalhado); Avaliação (instruções de como os alunos devem ser avaliados);

 Incentivo à Leitura (orientações sobre a importância de estimular os alunos à leitura);

 Atividades Suplementares (sugestões de atividades audiovisuais);  Sugestões para Pesquisa na Internet (indicações de sites);

 Sugestões de Vídeos (indicações de vídeos educativos e sinopses);  Sugestões de Filmes (sinopses de filmes);

 Parte Específica (são apresentados os objetivos de cada unidade e sugestões de desenvolvimento das atividades);

 Atividades complementares (sugestões de atividades extras de acordo com as unidades do livro);

 Coletânea de Contos (seleção de textos que são sugeridos para leitura na seção Hora do conto.)

Selecionamos duas atividades sobre Carta Pessoal que estão contidas no exemplar destinado ao 7º ano:

a) A primeira atividade faz parte da seção Prática de Leitura e é iniciada com a apresentação de imagens de uma carta pessoal manuscrita com características infanto-juvenis - papel colorido e desenhos feitos pela remetente - e respectivo envelope de uma menina, Júlia Branca, para seu avô Antônio.

Logo em seguida, há 10 perguntas em relação ao conteúdo e estrutura textual; essas questões consistem em, apenas, retirar informações do texto. Sequencialmente, um e-mail é apresentado da mesma remetente – Júlia Branca – a sua mãe, para leitura e análise comparativa entre os gêneros textuais: a carta e o e-mail. O e-mail é utilizado, também, para uma atividade de produção textual. Reproduziremos a atividade proposta:

Como vimos nas atividades anteriores, Júlia Branca escreve o e-mail numa linguagem informal, em um texto que contém marcas de oralidade. Há momentos em que a menina deixa de empregar os sinais de pontuação, ou seja, o texto transcorre sem muitas pausas. Reescreva essa mensagem, transpondo-a para o gênero carta pessoal informal, mas agora sem as marcas de oralidade.

Observe as alterações que você terá de fazer na estrutura do texto. a) O texto deve ser organizado em parágrafos.

b) Precisa apresentar a organização básica de uma carta: local e data, nome do destinatário, corpo da carta, despedida e assinatura.

c) A pontuação deve ser inserida no decorrer dos parágrafos. Caso haja necessidade, acrescente vírgulas, ponto final, de exclamação ou interrogação e palavras de ligação.

Parece-nos que a atividade de transposição do e-mail para carta pessoal informal sugere que em uma carta pessoal e, ainda, informal não ocorrem marcas da oralidade e que em um e-mail o texto não precisa estar organizado em parágrafos, que a pontuação e os elementos coesivos não são necessários.

A segunda atividade também faz parte da seção Prática de Leitura. Inicialmente, uma carta digitada é apresentada para leitura. Em seguida, são propostos exercícios sobre a intencionalidade do remetente, a construção do texto e de figuras de linguagem, especificamente, metáfora e comparação. A sequência de atividades é finalizada com uma produção de cartas pessoais a alunos de outra sala. Abaixo, a imagem e a transcrição da proposta de produção textual (p.60):

Produção de texto

O grupo deve produzir uma carta que fale um pouco sobre o que os integrantes pensam a respeito das guerras no mundo e das situações de violência em nosso país. O destinatário da carta será um grupo de outra classe de 7º ano.

Planeje seu texto

Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens se precisar. Verifique se cumpriu se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto.

PARA ESCREVER A CARTA 1.Qual o público leitor do texto?

2.Que linguagem vou empregar? 3.Qual a estrutura que o texto vai ter? 4.Onde o texto vai circular?

Há na proposta da produção textual o tema e o destinatário da carta, porém na seção Planeje seu texto no quadro Para escrever a carta, são apresentadas questões que já estão determinadas na proposta como o público alvo, a linguagem que deve ser usada, a estrutura do texto e onde o texto irá circular.

O último livro que apresentaremos faz parte da 1ª edição do Português uma Língua Brasileira – Editora Leya – 2012 - Autores: Lígia Regina Máximo Cavalari Menna60, Maria

Regina Figueiredo Horta61 e Maria das Graças Vieira62.

O livro está organizado em duas partes. Na primeira, há atividades direcionadas aos alunos (312 páginas) e apresenta os seguintes tópicos:

 Olhe e veja (apresenta uma imagem de um selo seguida de perguntas para verificação dos conhecimentos prévios dos alunos);

 Leitura (texto de acordo com o gênero textual que será trabalhado no capítulo), Estudo do texto (atividades sobre o conteúdo e estrutura do texto);

 Linguagem e Recursos Expressivos (exercícios sobre a linguagem e recursos gráficos, sentido figurado das palavras ou expressões);

 Outra Leitura (leitura de textos verbais ou não verbais);  Para Refletir sobre a Língua (atividades gramaticais);  Produção oral (trabalho sobre e com a oralidade dos alunos);

 Produção Escrita (proposta de produção, planejamento, revisão e avaliação do texto);

 Veja como se escreve (atividades sobre grafia, pontuação e acentuação);  Atividades de Ampliação (atividades de leitura ou produção de textos);  O que você entendeu (resumo dos conteúdos do capítulo);

 Para saber mais (são apresentados textos intertextuais);

 Para ler, para ver, para navegar (quadros com sugestões de livros, filmes, vídeos e sites);

 Projeto (atividades que são o produto final de produções orais ou escritas desenvolvidas ao longo do estudo de gêneros textuais).

A segunda parte é destinada aos professores e é denominada “Assessoria Pedagógica” (com 111 páginas) está subdividida em duas partes. Parte 1:

 Fundamentação teórico-metodológica (explanação dos aspectos teóricos que envolvem a coleção),

60Mestre em Letras na área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela

Universidade de São Paulo (USP). Professora e coordenadora local do curso de Letras da Universidade Paulista (UNIP).

61 Graduada e Licenciada em Letras e em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Formadora de

Professores da rede pública para ensino de leitura e produção de textos.

62 Licenciada em Filosofia pela FFCL de Sorocaba e em Letras pela Universidade de São Paulo.

 Apresentação da coleção (explicação sobre a organização dos capítulos e a finalidade de cada seção);

 O trabalho com a diversidade de gêneros textuais (abordagem teórica de o porquê trabalhar com gêneros textuais);

 Avaliação (fundamentos teóricos utilizados para elaboração da avaliação e fichas avaliativas);

 Textos de apoio didático para o professor (explicação teórica sobre variação linguística e ensino de gramática);

 Bibliografia.

Parte 2: Desenvolvimento dos capítulos (exposição dos objetivos, conteúdos e orientações didáticas).

O capítulo destinado ao trabalho com cartas é o de número sete e é iniciado com a caixa de texto O que você vai aprender neste capítulo, no qual aparecem os itens que serão desenvolvidos:

Principais características do gênero carta pessoal.

Outras formas de comunicação pessoal.

Hipérbole.

Revisão: variação histórica.

Preposição.

Transitividade verbal: objeto direto e objeto indireto.

Uso de por que e porque.

A primeira atividade é apresentada na seção intitulada Olhe e Veja, na qual são apresentados imagens de selos de cartas e perguntas sobre os mesmos. Sequencialmente, na seção Leitura temos o texto intitulado Carta de Mário de Andrade a Anita Malfatti (organizado por Marta Rossetti Batista), também, há pequenos quadros informativos com glossário e as biografias resumidas de Mário de Andrade e Anita Malfatti.

No tópico Estudo do texto, são apresentadas 15 questões sobre estrutura, intencionalidade, ampliação vocabular e caracterização linguística do gênero carta pessoal. Em Linguagens e Recursos Expressivos, há 15 perguntas que envolvem análise gramatical sobre a linguagem empregada na carta: pronomes pessoais do caso reto, modos verbais, adjetivos e figura de linguagem, especificamente, a hipérbole.

Parece-nos que a belíssima carta de Mário de Andrade a Anita Malfatti foi utilizada, somente, como pretexto para incansáveis questões de localização de informações técnicas sobre estrutura, linguagem e exercícios gramaticais.

São trabalhados dois textos na seção Outras leituras: “Como fazíamos sem internet” de Bárbara Soalheiro e “Dicas para jovens” (sem autoria, com o endereço eletrônico), para os quais são apresentadas questões, novamente identificativas, que abordam o tipo de público alvo, a linguagem, a intencionalidade e expressões da língua inglesa presentes no texto.

Na seção Produção Oral é sugerido que o professor leve o filme Central do Brasil para classe, que os alunos anotem os principais fatos do filme, principalmente que opinem sobre a história da escrevedora - como denominada no livro - de cartas para uma roda de comentários sobre o filme. Nesta atividade, acreditamos que há a banalização da discussão do tema que envolve o filme, uma vez que não há instruções claras em relação ao que deve ser observado no filme.

No tópico Produção Escrita, são propostas duas atividades. A primeira corresponde à escrita de uma carta e a segunda à produção de um e-mail; para ambas as atividades, o aluno decidirá o destinatário e não há um tema definido, o que – a nosso ver – caracteriza mais uma vez a banalização da atividade, ou seja, o aluno pode escrever qualquer coisa a qualquer pessoa.

Os objetivos apresentados na Assessoria Pedagógica (p.82) para o capítulo 7 são:

Reconhecer as principais características do gênero carta pessoal.

Conhecer outras formas de comunicação pessoal.

Identificar o uso da hipérbole.

Revisar o estudo sobre variação linguística: variação histórica.

Estudar a classe gramatical das preposições.

Analisar a transitividade verbal: objeto direto e objeto indireto.

Observar o uso de por que e porque.

Para tais atividades, as coleções apontam os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa do 6º ao 9º ano como eixos norteadores da elaboração das propostas das atividades. O trabalho de leitura, interpretação, produção oral ou escrita de textos é direcionado por meio de gêneros textuais, pois

Os textos organizam-se sempre dentro de certas restrições de natureza temática, composicional e estilística, que os caracterizam como pertencentes a este ou àquele gênero. Desse modo, a noção de gênero, constitutiva do texto, precisa ser tomada como objeto de ensino.

Nessa perspectiva, é necessário contemplar, nas atividades de ensino, a diversidade de textos e gêneros, e não apenas em função de sua relevância social, mas também pelo fato de que textos pertencentes a diferentes gêneros são organizados de diferentes formas. (PCN, 1998, pp.23-24)

Logo, o trabalho com o gênero textual carta deveria ser tomado como objeto de ensino, para que o aluno conhecesse a organização estrutural, a temática proposta, o estilo utilizado, a linguagem escolhida, o suporte e ao redigir seus textos neste gênero

[...] realize escolhas de elementos lexicais, sintáticos, figurativos e ilustrativos, ajustando-as às circunstâncias e propósitos da interação;

utilize com propriedade e desenvoltura os padrões da escrita em função das exigências do gênero e das condições de produção; analise e revise o próprio texto em função dos objetivos estabelecidos, da intenção comunicativa e do leitor a que se destina, redigindo tantas quantas forem as versões necessárias para considerar o texto produzido bem escrito. (PCN, 1998, 51-52)

Segundo os PCN (1998, p.78), no processo de produção textual, no qual o aluno deve realizar escolhas (lexicais, sintáticas, figurativas e ilustrativas) de acordo com os propósitos de interação do contexto de produção, é necessário que o professor elabore estratégias avaliativas e o oriente a analisar e revisar o próprio texto e reescrevê-lo quantas vezes forem necessárias.

CAPÍTULO 6