7.1 Implementeringsprosessen
7.1.2 Midtfasen
Esta é a situação mais complexa de ser caracterizada, dado que ao longo dos tempos a sua tentativa de definição não tem promovido consensos. Por outro lado, é uma situação menos perceptível que outras formas de abuso. Aqui encontramos um tipo de abuso que é entendido como um acto intencional caracterizado pela inexistência e inadequação, constante e significativo, activo ou passivo, de apoio afectivo e de tomada de consciência das necessidades emocionais da criança. Por outras palavras, os maus-tratos psicológicos podem manifestar-se por uma ausência de afecto e bem-estar emocional, hostilização verbal, ameaças e humilhações, rejeição, abandono temporário, entre outros, que surgem de situações de intensa pressão, isto é, conflitos familiares que originam um ambiente de medo e de terror (Arruabarrena, Paul e Torres, 1994; Canha, 2003; Magalhães, 2005).
O’Hagan (2006) define abuso psicológico como um comportamento que se mantém, repetitivo, inapropriado que danifica ou reduz substancialmente a criatividade e o potencial das faculdades mentais e do processo cognitivo. Estas faculdades e processos incluem: inteligência, memória, imaginação, atenção, percepção, cognição e senso moral. Este tipo de maus-tratos impede e dificulta o desenvolvimento da criança no que diz respeito à compreensão e à adaptação ao contexto ambiental que a envolve, dado que a torna menos confiante e segura. Perante um abuso emocional a criança constrói-se de uma forma vulnerável, confusa, insegura e menos sociável.
Barudy (1998, citado por Azevedo e Maia, 2006, pp.34) diz tratar-se de um tipo de mau- trato activo. A criança é agredida através de palavras que a humilham, a denigrem ou a ameaçam, ou por um ambiente relacional caracterizado por gestos inconsistentes que comunicam confusão ou isolamento. Este autor salienta ainda que o dano causado pela violência psicológica é proporcional à sua invisibilidade porque, por um lado, é muito difícil para a vítima reconhecer-se como tal e, por outro, as possibilidades de detecção dos maus-
tratos são escassas devido à ausência, mais uma vez, de vestígios directos sobre o corpo da criança.
De acordo com alguns teóricos, é possível distinguir algumas situações específicas que espelham este tipo de maus-tratos de carácter psicológico, nomeadamente, a rejeição, o aterrorizar, o isolamento, o ignorar, a corrupção. Especificando, a rejeição tem por base uma atitude do cuidador que impede a criança de estabelecer uma relação de vinculação, impedindo qualquer aproximação espontânea. Por outro lado, pode ocorrer uma exclusão da criança em participar em reuniões familiares com recurso a reforços negativos. Neste tipo de relação os cuidadores minimizam o diálogo com a criança, bem como o afecto. Levado ao extremo, a rejeição pode traduzir-se no não assumir a responsabilidade de cuidar a criança, delegando noutro elemento da família essa tarefa (Azevedo e Maia, 2006). Quanto ao aterrorizar, a relação de poder estabelecida com a criança fundamenta-se no terror, o cuidador provoca-lhe medo para obter o desejado. Podemos aqui incluir as ameaças e chantagens de acordo com aquilo que a criança tem medo, desenvolvendo nela uma atitude de pânico ou terror. O isolamento diz respeito aos comportamentos por parte dos pais que conduzem a criança a reduzir as suas relações interpessoais. A criança vê-se, assim, isolada de tudo e de todos, onde não consegue estabelecer uma relação afectiva com ninguém, inclusive a família. Outra forma de maus-tratos passa por ignorar, o que consiste numa atitude parental desprovida de atenção para o desenvolvimento da criança. Existe, deste modo, uma falta de disponibilidade para com as necessidades da criança, colocando em causa o seu crescimento saudável. Por último, a corrupção caracteriza-se por uma ausência de honestidade e sinceridade, por outras palavras, a educação transmitida baseia-se em atitudes pouco dignas para um ser que está em desenvolvimento (Arruabarrena, Paul, e Torres, 1994; Azevedo e Maia, 2006).
Para se identificar este tipo de situação de risco, os profissionais deverão ter em atenção que este quadro pode apresentar-se de várias formas, nomeadamente associado a outras situações de risco. Assim, propomos que nos debrucemos sobre possíveis sinais e sintomas que possam emergir numa situação de maus-tratos psicológicos. Consequentemente, Magalhães (2005) refere que podem estar presentes determinados sinais, como por exemplo: anomalias não orgânicas de crescimento, com reduzida estatura e outros sinais que podem ser, infecções, doenças cutâneas, alergias e auto-mutilação. No Quadro 2 é feita uma descrição pormenorizada de outros indicadores que podem estar presentes (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997; Magalhães, 2005).
Perturbações das funções vitais
Perturbações do apetite: anorexia, bulimia;
Perturbação do sono: pesadelos, terrores nocturnos; Perturbações do controle esfincteriano: enurese e
encoprese;
Perturbação da fala: gaguez;
Tonturas, dores de cabeça, dores musculares e abdominais sem causa aparente, interrupção da menstruação na adolescência;
Perturbações cognitivas
Atraso no desenvolvimento da linguagem;
Alterações da memória face às experiências de maus- tratos;
Reduzida auto-estima e auto-confiança;
Dificuldades de concentração, atenção e memória; Dificuldades de aprendizagem;
Perturbações emocionais
Choro fácil;
Sentimentos de culpa e de inferioridade; Medos;
Introvertido;
Excessivamente imaturo (agitado, regressivo, enurese) ou excessivamente responsável (age como se fosse um adulto);
Regressões no comportamento, nomeadamente voltar a chupar no dedo, linguagem mais infantil;
Pouca tolerância para situações de stress;
Perturbações do comportamento
Falta de investimento na sua pessoa, no que diz respeito à sua higiene, vestuário, aspecto;
Excessivamente complacente, passiva, nada exigente, sem curiosidade pelo mundo que a rodeia; falta de entusiasmo e interesse para actividades lúdicas;
Défice nas relações interpessoais, associado a uma elevada ansiedade: a criança ou o jovem procura o isolamento, uma vez que revela dificuldades em confiar nos outros, principalmente nos adultos;
Comportamentos de raiva e agressivos contra outrem, a criança ou o jovem facilmente agridem outra criança ou adulto;
Mudança de comportamento, tanto é muito dócil como facilmente se torna negativista e violento;
Pouca noção de perigo;
Problemas no contexto escolar;
Comportamento desviante: delinquência, consumo de substâncias, prostituição;
Outras Perturbações: Défice de atenção e hiperactividade; Perturbação do humor;
Comportamentos obsessivos-compulsivos; Psicoses.
Quadro 2 Caracterização dos sinais associados ao mau-trato psicológico
Este tipo de maus-tratos, conforme podemos constatar no quadro anterior, apresenta inúmeros sinais e pode ocorrer em qualquer meio familiar, não escolhe idade, raça, estatuto social e económico, dado que muitos pais acreditam que a sua única responsabilidade
consiste em alimentar os filhos, vesti-los e colocá-los nos melhores colégios. Na realidade, desconhecem que para existir um desenvolvimento saudável é fundamental disponibilizar tempo do seu tempo para os amar, compreender e ajudar. Este tipo de suporte parental é imprescindível para que haja uma lubrificação da estrutura afectivo-emocional da criança (Gallardo, 1994).