• No results found

Metodisk tilnærming

Um aspecto relacionado ao que os professores entendem como componente necessário ao desenvolvimento do aluno, e parte de seu trabalho pedagógico, envolve atentar para as dificuldades escolares, mencionadas por todos os agentes institucionais. Como pauta ordinária nos cotidianos escolares, as dificuldades de aprendizagem estão presentes e geralmente relacionadas às condições intrínsecas ao aluno, sua família ou a vida rural. De alguns alunos, pouco se espera; mas, para os professores, também interessa poder compreender o porquê das dificuldades.

“Eu me senti muito prejudicado neste espaço aqui, isso aqui é muito aberto, onde tudo tirava atenção dos meninos, e eu tava com uma turma que (...) eu percebi assim, todos tinham, do pequeno ao grau maior, uma questão de, comprometimento, sabe?” (Prof. Jacó).

“É. As crianças têm muita dificuldade, eu acho muita dificuldade no aprendizado. Eu não sei se é falta de interesse, eu não sei se é problema familiar. Eu sei que... a gente, às vezes, repete... Eu, eu, conversando com o pessoal do distrito, no mês passado, quando eles vieram aqui, aquela equipe, (a equipe pedagógica da SME sugeriu mudar a metodologia). Aí então vamos mudar a metodologia. Agora eu te pergunto: a minha metodologia é uma, a sua é outra, a de cada professor é de uma. E quando a turma! Não é um, nem dois, nem três, a turma num todo! Tira-se três, quatro que houve rendimento, e o resto... Já passou por várias metodologias. E aí? (...) Então quatro professores não acertam a metodologia?” (Profa. Lúcia)

As dificuldades de aprendizagem são explicadas em função das condições específicas da população rural e dos problemas familiares. Destes, destacam a falta de acompanhamento por parte dos pais, em geral atribuída à baixa escolarização ou ausência dela. Os professores também fazem referência à falta de assistência, sugerindo certo abandono e questões morais.

“Você pode perceber, assim, a gente tem uma diferença muito grande entre o aluno que ta na rural, e vai para uma urbana, a gente vê que ele tem essa diferença, eles dois. Eles são diferentes, principalmente no desenvolvimento, no psicológico dele, é diferente, o investimento dele é diferente, a aprendizagem dele é mais lenta. É mais lenta que o pessoal da urbana, porque os meninos da urbana eles são mais desenvolvidos, são mais ativos; eles aqui não, são tímidos, eles já são assim mais retraídos. Outros têm dificuldade de ler, porque eles... os pais são analfabetos, às vezes, é muito difícil ter um pai que tenha um estudo melhor (...) E muitas vezes a criança ela fica na lavoura, em vez de estar estudando, ta na roça, chega da escola e vai trabalhar. E se ele estuda de tarde, às vezes ele nem almoça, não come nada e já vai para escola, ou chega do trabalho e vai para a escola, então isso aí puxa, cansa o psicológico da criança, e quando chega na escola já ta cansado. Então, eu acho que é essa a dificuldade da rural, pra criança. Muitas vezes a criança tem que andar, olha, km e km para chegar na escola, outras vezes tem que pegar, às vezes pega motor, e anda a estrada dois, três quilômetros de estrada. Aí, isso tudo dificulta a aprendizagem” (Profa.

Diva).

“Aonde existe a, a falta de uma formação maior dos pais, há dificuldade maior de acompanhamento. Pais analfabetos não tem muitas vezes nem como ver ou saber o que o aluno ta fazendo. Então o rendimento lógico que é menor. Se você trouxer os alunos da rural para fazer alguma atividade competitiva com quem é da urbana, normalmente perdem. Raros são os casos quando um aluno ou outro tem a capacidade, habilidade mental, se destaca mais ele ganha, alguma coisa, e tal” (Profa. Lúcia).

“Olha, eu já tive em três localidades rurais de trabalho. A que achei maior dificuldade de trabalho, com a questão de aprendizagem foi essa (...) Porque a assistência dos pais é muito pouca. Chama-se pais, chama-se pais, não

vem, quando vem, sempre tem uma desculpa porque trabalha, trabalha, não tem como, eu não posso, eu deixo com não sei quem, quando penso não tá, e quem padece é a criança. Então, fracos, fracos, fracos. (...) Tem muitas casas, pelo menos cinco, a criança sozinha dentro de casa. Muitas vezes, teve aqui, disse a mãe aqui numa reunião, ai meu deus do céu tenho que ir porque deixei meus três filhos sozinhos dentro de casa. E agora você sabe, tudo o que acontece na casa, desses meninos sozinhos. Tudo que acontece”

(Prof. Jacó).

“Eu tive no ano passado, uma aluna que, a outra colega era tia, tendo assim, mesma idade e tamanho, né. Embananou a minha cabeça” (Profa.

Sônia).

“Então essas crianças acabam tendo problemas em casa, muitos casos, eu digo que a maioria tem, e isso reflete na escola” (Profa. Lúcia).

Observaram-se as baixas expectativas dos professores a respeito dos alunos, em virtude do local onde moram e das características da população rural, que diferem bastante do padrão ideal de aluno. As famílias também são estigmatizadas. Essas expectativas não só norteavam as práticas dos professores, mas também eram introjetadas pelas crianças, especialmente por aquelas que apresentavam maiores dificuldades de aprendizagem.

Referem-se a comportamentos inadequados em função da falta de educação.

“Eu vou construir uma praça num bairro popular onde eles não sabem cuidar de uma praça? Destroem tudo! Né? O que aconteceu uma vez aí que, é..., tiraram o pessoal da favela, construíram um conjunto habitacional novo, passaram eles para esse conjunto, em poucos meses não existia mais pia, não existia vaso sanitário, não existia torneira, não existia, detonaram! Porque não tem educação. Não é? Pra isso, tem-se que desde pequeno, já começar” (Prof. Jacó).

Isso justifica que a escola deva promover a aquisição de comportamentos relativos ao convívio social e de informações que são consideradas necessárias à educação da criança rural.

“Temos que dar os benefícios, o que é bom de um, tipo..., um grupo de pessoas, como se diz, já desenvolvido, né, que passou por uma evolução, que eles não passaram (...) então você vem ensinando, no convívio, saber como se portar na cidade, cuidar de uma praça...” (Prof. Jacó).

Lidar com as dificuldades de aprendizagem envolveria uma disponibilidade por parte do professor para se dedicar aos alunos; mas, também, a possibilidade de separá-los por níveis, a fim de poder fazer um trabalho intensivo com os que apresentam maiores

dificuldades, pois, em sala com diferentes níveis, um aluno atrapalha o outro. Envolve também preparar o professor.

“Agora, se você tivesse esses alunos, é..., como ele, com um número menor, onde você não tivesse responsabilidade de tá ensinando, com níveis diferentes; se fossem separados em níveis, você tem todo como fazer um trabalho com eles, tudo no mesmo nível. O problema é esse: você tem que ter a resposta daqueles alunos, a resposta daquele outro grupo, a resposta desses, quando esses atrapalham que tenha o desenvolvimento desses, desses e desses. E ainda mais, tem a questão da preparação do professor que está trabalhando, a questão da inclusão o problema é esse. Sim! Falam da inclusão papápá, nas salas normais... Prepararam os professores? Deram cursos? Como trabalhar com os vários níveis de, como detectar, como trabalhar, não sei o quê?” (Prof. Jacó).