Os pais foram unânimes em relatar a importância que atribuem à escola e à escolarização. Destacam a importância do conhecimento que ela proporciona.
“A escola é boa, promove educação na comunidade” (Carla).
“É importante, né, com certeza, porque ajuda até... a educação vem de casa, né, mas ajuda muito, como eu digo, ajuda os pais. Ocupa, ocupa algumas
horas e, nossa! É tudo muito importante. Ajuda a desenvolver, dá desenvoltura da criança. [...] Falam coisas boas com os alunos. Que tem muitos pais que não conversam certas coisas com os filhos e eles conversam na escola, né, explicam. Vários tipos de coisa, né, sobre a violência, cuidar da saúde, falam das drogas, porque antigamente não tinha essas coisas, mas agora tem, né. A minha mãe não conversava com a gente, e tem muito pai e mãe que não conversa com os filhos. E hoje em dia eles conversam, orientam, teve até encontros, assim, com palestra. A Rita chega em casa contando novidade” (Wilma).
“A escola é muito importante porque dá o ensino e o desenvolvimento pro aluno. Eu me preocupo com o estudo dos meus filhos porque hoje em dia, se quiser ser alguém, precisa estudar. Eu não estudei, não tive essa oportunidade, a gente não tinha escola perto e tinha que ajudar o pai; agora to correndo atrás, mas o que eu posso fazer pros meus filhos não parar de estudar eu faço, porque senão como vai conseguir um bom emprego?”
(Erilene).
“Ela educa, né, faz a parte de formação da criança, é um complemento pra família. A família é importante, porque se você não souber educar seu filho não adianta ele ir pra uma escola [...] mas também se não vai pra escola não aprende as coisas que são importante, o conhecimento que ele vai ter que é dado pela escola” (Miguel).
“Na escola ensina muitas coisas, aprende do que é bom e do que não é também; ler e escrever, mas não é só ler e escrever, isso é o principal, é o que a escola tem que ensinar. Agora, ela ajuda na educação geral, os meninos brinca, desenha, todo dia tem uma atividade, coisas que a gente não pode ta fazendo em casa, porque nem sempre a gente tem” (Rosa). “Eu acho (importante). Porque ela..., aprende as crianças, né. Porque acho isso muito importante, gente que sabe, que dá a resposta certa” (Paulo).
Os pais atribuem um bom conceito à escola pelo ensino ministrado, por ter bons professores e uma diretora muito acolhedora, a quem conferem o reconhecimento por todas as conquistas conseguidas, considerando-a pessoa bastante dedicada ao trabalho e aos alunos. A importância também se relaciona ao fato de trazer melhorias para os alunos e para a comunidade, e de contribuir para diminuir desavenças na comunidade.
“Acho que é bom, tem atividades, o estudo é bom, tem bons professores”
(Rosa).
“Ela conseguiu muitas coisas. [...] se não fosse pela diretora, não teria ônibus, os professores também, ela não deixa ficar sem” (Carla).
“A escola é um benefício que teve pra comunidade. Aqui não tinha nada [...] a gente tinha que andar até lá no São Francisco pros meninos estudarem
[...]. Aqui tinha muita... confusão. As pessoas, algumas, não queriam a Carla
na frente da associação. Então teve problemas com a água, que ela queria tomar, mas não era direito dela. A diretora chegou, e teve uma conversa
com ela, explicou isso de representação, sei lá, mas que o presidente tem que conversar também com a comunidade. Acho que diminuiu as desavenças, pelo menos no problema da água” (Erilene).
Ainda como característica de uma boa escola, os pais salientam o tratamento que professores e diretora dispensam, sugerindo um diferencial em relação a experiências escolares anteriores.
“Acho que é bom, todos atendem bem a comunidade, as pessoas são bem tratadas” (Rosa).
“A gente chega, e é recebido. Quando ela ta, ela vem, fala, conversa, explica as coisas” (Raimunda).
“A diretora é muito boa, ela trata bem, todo mundo que chega lá, ela recebe” (Erilene).
Em relação aos professores, consideram que ter bons professores é um requisito para uma boa escola. Ser bom professor envolve o bem querer. O bom professor é aquele que exige, mas também o que é carinhoso com os alunos.
“Se ele trata bem meus filhos, você vai gostar, né” (Raimunda).
“[...] gostava mais da Sonia, ela era muito boa, e dedicada. Não tinha esse negócio de paparicar, não, mas a gente via que ela gostava das crianças e ensinava mesmo” (Rosa).
“Ele ensina, é bom professor. Dá duro nos meninos, não tem essa de ficar fazendo bagunça não, mas se vai pra escola é pra estudar mesmo. Eu não acho bom professor que não passa trabalho, acho que toda mãe deve ver no caderno o que o aluno ta aprendendo [...] a gente vê que ele apóia os meninos” (Eliane).
Alguns pais referem-se a problemas com um professor.
“Eu acho que a escola não tá boa não, antes era melhor. Tem um professor aí que só vive gritando com os alunos, daqui a gente escuta. Pra minha filha, ele que não grite não” (Eliane).
“É, ele não tem paciência, fala alto, se irrita. Às vezes grita com os alunos”
(Raquel).
Outro problema mencionado relaciona-se às trocas de professores durante o ano.
“O estudo, também, também é bom, os professores passam trabalho, só o que teve, é que mudou uma, né, que acho que é nova, ela é bem novinha, é
boazinha, mas o Miquéias, ele tava indo bem e deu uma parada. Não sei se sentiu falta da Sônia, [...], porque com a Sônia, ela puxava mesmo por ele. Ele fica meio desatento, às vezes, ela dava atenção, cobrava, quando tinha alguma coisa ela chamava a gente, né, pra vê, pra saber como ele tava em casa, se não fazia o exercício era pra saber por que” (Rosa).
“Não sei não, acho que teve muita troca de professor e isso atrapalhou muito. Num mês mudou duas vezes, ou foi três? Não, é porque voltou de novo pra outra professora. Aí quando a gente viu chegou professor novo, e
muda tudo outra vez” (Carla).
A oportunidade de estudar também é ressaltada, considerando que muitos pais não tiveram acesso à escola.
“Eu sempre digo pros meus filhos, olha vocês tem que estudar, tem que se esforçar, porque eu, eu não tive oportunidade” (Raimunda).
“Quando meu pai chegou aqui não tinha nada, ali onde hoje é a escola, dali pra baixo, tinha muita bacaba, a gente entrava na mata para tirar bacaba, tucumã, pesca tinha muita variedade [...] não tinha como ir pra escola, tinha escola, mas era longe, porque esse caminho que tem hoje, antigamente não tinha, precisava dar a volta de barco, só tinha a escola lá do Abdias e da irmã. A mãe não deixava agente ir só porque tinha medo de fera (sucuri,
pirarara, piraíba, dentre outros). Eu vim estudar um pouco já depois de
grande, junto com meus irmãos” (Rosa).
Alguns pais consideram que a escola precisa de melhorias, tanto em relação à ampliação do espaço físico como na organização do ensino. Sugerem que o aumento da demanda pode ter contribuído para a perda da qualidade.
“Acho pouco o tempo de aula, os alunos não aprendem quase nada”
(Graça).
“Devagar, ta muito devagar, as crianças não aprendem porque tem muito pouco tempo de aula. Antes tinha educação física, esse ano meu filho falou, mãe, a gente só fica na sala de aula” (Eliane).
“Essa escola era boa, piorou. [...] Acho que é porque aumentou muito, não sei, mas quando tinha a Mara, a Sônia era muito legal, ela gostava dos alunos, se dedicava” (Carla).
“Ah, tem que aumentar, ou menos mais uns dois ou três quartos, tem dois só, não dá pra todos os alunos, e quando chega na terceira, tem que ir lá pra baixo. Murar também, e a gente vê que, tem que ter uma quadra também, pras crianças, aqui não tem lazer. É três que tem que ter: uma quadra poliesportiva, o muro e as salas” (Mário).
“Espero que melhore, né, tipo assim, em termos de escola está bom, mas pode melhorar, né. [...] que a escola se abrisse, oferecesse mais atividades, como esporte, que tivesse uma recreação pras crianças. Esporte é melhor
pra qualquer um. Esses meninos ficam por aí o dia todo, podia estar ocupando melhor o tempo, e aprendendo porque o esporte ensina muito. Dá disciplina, socializa, né? [...] Alguns professores tinham que ser mais da comunidade, não assim, meio general” (Miguel).