4. Teori og metode
4.7. Metode
Na obra “Questions of Perception, Phenomenology of Architecture" (1994), Holl analisa a maneira como compreendemos a arquitetura e as suas particularidades, argumentando que a nossa experiência e sensibilidade podem-se evolucionar mediante uma análise reflexiva e silenciosa305. Mas, para nos abrirmos à perceção, devemos transcender a urgência mundana
301 HOLL, S. (2000), “Parallax”, Basel, Birkhäuser, (página 68), <http://www.pdfebookes.com/Steven-
Holl-PDF6-1144663/>. Acesso em Março de 2013.
302 HOLL, S. (1989), “Anchoring”, New York, Princeton Architectural Press, (página 11),
<http://www.scribd.com/doc/123769270/Steven-Holl-Anchoring>. Acesso em Março de 2013
303 HOLL, S. (1996), “Intertwining”, New York, Princeton Architectural Press, (página 16),
<http://www.pdfebookes.com/Steven-Holl-PDF7-1260136/>. Acesso em Março de 2013.
304 HOLL, S. (2000), “Parallax”, Basel, Birkhäuser, (página 302), <http://www.pdfebookes.com/Steven-
Holl-PDF6-1144663/>. Acesso em Março de 2013.
305 HOLL, S., PALLASMAA, J. & PEREZ_GOMEZ, A. (1994), “Questions of Perception, Phenomenology of
Architecture”, Tokyo, A + U Publ. Co, (página 40), <http://booksrating.com/Questions-of-Perception- Phenomenology-of-Architecture/p268181/>. Acesso em Março de 2013.
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das “coisas que há que fazer”, devemos tentar aceder a essa vida interior que nos revela a intensidade luminosa do mundo. Mas, só por meio da solidão é que podemos começar a nos adentrar no segredo que nos rodeia, visto a consciência da existência única e própria no espaço ser crucial no resultado do desenvolvimento de uma consciência percetiva. A verdade é que, na solidão estamos livres dos assuntos comuns, atenções comerciais e desejos de rotina, afirmando Holl que para avançar estas experiências ocultas, devemos atravessar o véu onipresente dos meios de comunicação em massa, devemos fortalecer as nossas defesas para resistir a distrações calculadas que minguam tanto a psique como o espírito, e devemos prestar atenção a tudo aquilo que está tangivelmente presente. Concluindo Holl que se os meios de comunicação nos convertem em recetores passivos de mensagens vazias, nós devemo-nos posicionar firmemente como ativistas da consciência306. Numa época que
substitui identidades multinacionais com as especificidades das culturas locais, esta sobrecarga de informação e oferta de novas tecnologias crescente, privam-nos a vida dos fenômenos naturais, "A arquitetura, com sua espacialidade silenciosa e materialidade tátil,
pode essencialmente reintroduzir, os intrínsecos significados e os valores da experiência humana"307. Ao unificar o primeiro plano, o plano médio e as vistas longínquas, a arquitetura
cria uma ligação entre a perspetiva ao detalhe e do material ao espaço. Holl exemplificou com uma experiência cinemática a uma catedral em pedra, visto que esta pode levar o observador através e por cima dela, ou inclusive fazê-lo retroceder fotograficamente no tempo, mas só o edifício real permite que o olho deambule livremente por entre os detalhes engenhosos; só a arquitetura oferece as sensações táteis da textura da pedra e dos bancos polidos de madeira, da experiência da luz cambiante com o movimento, do cheiro e os sons que ecoam no espaço e das relações corporais de escala e proporção. Todas estas sensações se combinam em uma experiência complexa que passa a estar articulada e a ser específica, embora sem palavras; "O edifício fala dos fenômenos percetivos através do silêncio"308.
Segundo Franz Brentano, os fenômenos físicos captam a nossa “perceção exterior”, enquanto os fenômenos mentais referem-se à nossa “perceção interior”309. Os fenômenos mentais têm
uma existência real e intencional. Desde o ponto de vista empírico, um edifício poderia nos satisfazer como uma entidade puramente físico-espacial, mas no ponto de vista intelectual e espiritual, necessitamos entender as motivações que o encerra. Esta dualidade de intenção e de fenômenos é similar à interação que existe entre o objetivo e o subjetivo, ou seja, entre o pensamento e o sentimento. “O desafio da arquitetura consiste em estimular tanto a
306 HOLL, S., PALLASMAA, J. & PEREZ_GOMEZ, A. (1994), “Questions of Perception, Phenomenology of
Architecture”, Tokyo, A + U Publ. Co, (página 40), <http://booksrating.com/Questions-of-Perception- Phenomenology-of-Architecture/p268181/>. Acesso em Março de 2013.
307 HOLL, S. (1996), “Intertwining”, New York, Princeton Architectural Press, (página 11),
<http://www.pdfebookes.com/Steven-Holl-PDF7-1260136/>. Acesso em Março de 2013.
308 HOLL, S., PALLASMAA, J. & PEREZ_GOMEZ, A. (1994), “Questions of Perception, Phenomenology of
Architecture”, Tokyo, A + U Publ. Co, (página 40), <http://booksrating.com/Questions-of-Perception- Phenomenology-of-Architecture/p268181/>. Acesso em Março de 2013.
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perceção interior como a exterior, em realçar a experiência fenoménica enquanto, simultaneamente, se expressa o significado, e desenvolver esta dualidade em resposta às
particularidades do lugar e da circunstância”310. Neste sentido, Holl acredita que nos novos
edifícios há a intenção de aclamar uma série de movimentos de erros, mas quando nele entramos, descobrimos que são menos do que no lado de fora nos pareceu; eles “gritam” para atrair a nossa atenção e afetar fortemente a nossa visão exterior, mas o seu interior é dececionante, não havendo nenhum detalhe poético. Holl chama a este tipo de edifício "pincel largo”, argumentando que uma boa arquitetura é que a arquitetura que é vista quando nos deslocamos ao interior do edifício do que o lado de fora311.
Holl enfatizar que a arquitetura está fundamentalmente condicionada pelo lugar, no entanto, o lugar não é apenas as implicações físicas que o importam, mas sim, a união destas com os problemas metafísicos. Pois, uma construção vai além dos aspetos funcionais, de circulação, do ângulo do sol, entre outros aspetos que se fundem com um lugar, e completam o significado de um local; "A arquitetura e o lugar devem ter uma conexão experiencial, uma
ligação metafísica, uma ligação poética"312. No entanto, o resultado da união bem-sucedida
da construção e localização, é uma nova situação: um "terceiro estado". Assim, Holl afirma que cada prédio tem um lugar, apenas um lugar, o seu próprio lugar. Esta interdependência entre o lugar e a arquitetura é uma questão autêntica na arquitetura desde o início, acreditando Holl que, no passado, esta conexão era feita inconscientemente com a utilização de materiais e artesanato local. A terceira situação conduz-nos a um espaço relativo, ao invés de um espaço universal que indica a especificidade, em vez da generalidade313.