5. Analyse av familieliv
5.2. c. Foreldre og økonomi
Fica clara a intenção de conexão entre ação e perceção, como a principal motivação arquitetónica no desenvolvimento da requalificação deste museu. Como sabemos, alguns dos espaços internos do Museu Nogueira da Silva utilizam recursos digitais na construção do espaço, através de sensores, projeções, luzes e sons, o que juntamente com o espaço arquitetónico conformam um todo. Partindo da conceção que estamos a interpretar esta requalificação através da fenomenologia, cabe clarificar que não se pode pensar que estes sistemas informacionais não fazem parte da realidade deste museu, não podendo dizer que estas simulações são falsas ou passíveis de dúvida quanto à sua existência, pois estaríamos a pensar como um metafísico. Aqui, o físico e o virtual coexistem, conformando uma unidade. O mundo fenomenológico é um todo onde não existe aquilo o que é fato e aquilo que é ideia. Assim, o que existe é o mundo e nossa existência nele, e não um mundo da experiência, e um mundo ideal que conhece a verdade das coisas. A razão não é antes do mundo. Ao contrário, a razão emerge do mundo, está radicada no mundo364. A fenomenologia substitui o tema
clássico da metafísica, a representação, ao colocar o ser no mundo, ao que Merleau-Ponty argumenta que “as representações científicas segundo as quais eu sou um momento do
mundo são sempre ingênuas e hipócritas, porque elas subentendem, sem mencioná-la, essa outra visão, aquela da consciência, pela qual antes de tudo um mundo se dispõe em torno de mim e começa a existir para mim”365. Merleau-Ponty complementa ainda que, quando
falamos em corpo, em carne, queremos expressar e reconhecer o nosso enraizamento no mundo, “l’homme est au monde”366, mais especificamente “o homem não é um espírito e um corpo, mas um espírito com um corpo, e que só acede à verdade das coisas porque o seu corpo está como que nelas implantado”367. Por conseguinte, as coisas não são apenas coisas,
mas sim mantemos uma relação ambígua com o nosso entorno: o percebido tem uma relação vital connosco, constitutivos da nossa existência. É do e no corpo que nos situamos e situamos o mundo, mundo enquanto “Lebenswelt”368.
Nestes espaços as imagens projetadas emergem no seu interior para os compor no momento da visita, da interação dos visitantes com o espaço onde se encontram. Assim, as paredes não permanecem paredes, elas são sim elementos que se deformam, que assumem as
364 “O sujeito fenomenológico na arquitetura” (2010), por Marcela Alves de Almeida,
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.125/3541>. Acesso em Abril2013.
365 MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) - Phenomenology of Perception. London : Routledge (página 4),
<https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.
366 Idem, (página 5).
367 MERLEAU-PONTY, Maurice (2006) - A estrutura do comportamento. São Paulo: Martins Fontes, (página
32).
368 MERLEAU-PONTY, Maurice (1962) - Phenomenology of Perception. London : Routledge (página 5),
<https://wiki.brown.edu/confluence/download/attachments/73535007/Phenomenology+of+Perception. pdf>. Acesso em Abril de 2013.
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51O espaço-tempo.
Este diagrama simplifica o pensamento descrito no artigo “Merleau-Ponty e a ontologização: uma inquirição fenomenológica” de Osvaldino Marra Rodrigues (2009).
Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim
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“I’homme est au monde” (Merleau-Ponty). Este diagrama simplifica o pensamento descrito no artigo “Merleau-ponty e a ontologização: uma inquirição fenomenológica” de Osvaldino Marra Rodrigues (2009).
Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim
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características empenhadas pelo visitante na sua inter-relação com o espaço369. Esta
interpretação relaciona-se com um exemplo que Merleau-Ponty descreve na sua obra “O olho e o espírito”, onde fala da inseparabilidade das coisas com o mundo, “Quando vejo através de
espessura da água, dos reflexos, vejo-o justamente através deles, por eles. Se não houvesse essas distorções, essas zebruras do sol, se eu visse sem essa carne a geometria dos azulejos, então é que deixaria de vê-los como são, onde estão, a saber: mais longe que todo lugar idêntico. A própria água, a força aquosa, o elemento viscoso e brilhante, não posso dizer que esteja no espaço: ela está alhures, mas também não está na piscina. Ela habita, materializa- se ali, mas não está contida ali, e, se ergo os olhos em direção ao anteparo de ciprestes onde brinca a trama dos reflexos, não posso contestar que a água também o visita, ou pelo menos envia até lá sua essência ativa e expressiva”370. As coisas não estão no espaço como destaca o
filósofo, o espaço não é um elemento constituído onde as coisas se dispõem, mas sim uma “sobreposição” onde o sujeito está nas coisas e as coisas estão no sujeito371. O espaço não é,
como crê a maioria dos arquitetos, uma realidade rígida e válida para todos. Ele em si é tão plástico e imaterial como o próprio tempo, variando com os indivíduos, com os povos, com as épocas, e principalmente, com os pontos de vistas. Não existe um espaço objetivo e autônomo do ser humano, mas existem sim, diferentes maneiras de perceber e compreender esse espaço “bruto”, lá fora, sem significação, à espera da presença do homem372.
Embora sejam poucos os espaços internos tratados com o uso da virtualidade, ambos têm em comum a criação de uma conexão emocional com o visitante, ou seja, com o sujeito presente no museu. A impossibilidade de projetar experiências baseadas em conceitos da fenomenologia ficou clara, mas foi através desses conceitos defendidos por filósofos e arquitetos que se evidenciou a possibilidade de projetar espaços físicos que propiciem a vivência dessas experiencias. Os limites de um espaço, ou ambiente, são entendidos através da visão e da cinestesia. Zucker afirma que “o espaço é percebido através da visualização de seus limites e pela experiência cinestética, ou seja, pela sensação dos nossos movimentos”. Assim, quando subimos uma escada, os músculos de nossas pernas informam-nos o quanto ela é íngreme, se os degraus têm a mesma altura ou se há em algum lugar ou patamar para descansar373. É importante referir que o nosso sistema básico de orientação fundamenta-se na
relação entre o plano horizontal, o chão, e nossa postura vertical, sendo responsável pelo nosso equilíbrio, entendimento de escala, proporções do ambiente e pela perceção geral do
369 “O sujeito fenomenológico na arquitetura” (2010), por Marcela Alves de Almeida,
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.125/3541>. Acesso em Abril2013.
370 MERLEAU-PONTY, M. (1984) [1960]. “O olho e o espírito”. Em: Textos escolhidos. Trad. Marilena
Chauí. São Paulo: Abril Cultural, (página 37), <http://www.slideshare.net/gabmarcondes/merleau- ponty-o-olho-e-o-espirito>. Acesso em Abril de 2013.
371 Idem, (página 38).
372“O sentido do espaço. Em que sentido, em que sentido?”, por Fernando Freitas (2004), em
Arquitextos, nº 048, < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.048/582 >. Aceso em Junho de 2013.
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53A diferença entre paisagem e lugar.
Este diagrama simplifica o pensamento descrito no artigo “O sentido do espaço. Em que sentido, em que sentido?”, por Fernando Freitas (2004). Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim
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O espaço versus o lugar.
Este diagrama simplifica o pensamento descrito no artigo “Compreender a fenomenologia”, por Akshay Anand (2008).
Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim
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55O sistema básico de orientação.
Este diagrama simplifica o pensamento descrito na página 59 do livro GIBSON, J. J. (1966) - The Senses considered as perceptual systems. Boston: Houghton Mifflin Company (página 59). Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim
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A base da experiência arquitetónica.
Este diagrama simplifica o pensamento descrito na página 6 do livro ZUCKER, P. (1970) – Town and square. Cambridge: MIT Press.
Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim
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lugar. É com base na relação entre o nosso corpo e os planos espaciais que mensuramos imediatamente o ambiente, aferimos a sua grandeza e definimos o trajeto a ser percorrido374.
Pallasmaa defende, como tínhamos abordado no capítulo anterior, que o entendimento da escala arquitetónica implica o medir inconscientemente um objeto ou um prédio, a partir do próprio corpo e projetar-se no espaço em questão. Desta forma, os visitantes do Museu Nogueira da Silva, sentem o prazer e a proteção ao perceberem a ressonância do seu corpo nos diferentes espaços, sendo também este sistema responsável pelo seu norteamento espacial, sabendo de que lado ficam a saída e a entrada. Um sentido de direção, este sistema está sempre presente, comunicando com os visitantes a direção para a qual devem se locomover no museu375.