• No results found

4. Teori og metode

4.6. Kildekritikk

A experiência auditiva mais fundamental criada pela arquitetura é a tranquilidade. A arquitetura apresenta-nos o drama da construção silenciado na matéria, no espaço e na luz. ”O silêncio da arquitetura é o silêncio afável e memorável. Uma experiencia poderosa de

arquitetura silencia todo o ruído externo; ela foca nossa direção e nossa própria existência, e, como se da com qualquer forma de arte, nos torna cientes de nossa solidão original”283. Pallasmaa também argumenta que as nossas reações às qualidades espaciais e situações estão enraizadas nas condições de vida dos nossos antecessores. Todas as sensações e sentimentos humanos existenciais e fenomenologicamente profundos, tal como as direções, acima e abaixo, aqui e ali, entre outros, estão fortemente enraizados no nosso inconsciente coletivo. Neste contexto, Pallasmaa afirma que “O corpo sabe e lembra. O significado da arquitetura

deriva das respostas arcaicas e reações lembradas pelo coro e pelos sentidos. A arquitetura tem de responder às características dos comportamentos primitivos preservados e transferidos pelos genes. A arquitetura não apenas responde às necessidades sociais e intelectuais funcionais e conscientes dos moradores urbanos; ela também deve lembrar o caçador e agricultor primitivo escondido em nossos corpos. Nossas sensações de conforto, proteção e lar estão enraizadas nas experiencias primitivas de incontáveis gerações”284.

282 PALLASMAA, J. (1996), “The Eyes Of The Skin, Architecture and the Senses”, London, Academy

Editions, (página 71), <http://www.scribd.com/doc/43177083/The-eyes-of-the-skin>. Acesso em Abril de 2013.

283 Idem, (página 52). 284 Idem, (página 60).

66

19

A visão e a transferência subtil com o tato e o paladar.

Este diagrama simplifica o pensamento descrito por Juhani Pallasmaa na página 59 do seu livro “The Eyes Of The Skin, Architecture and the Senses”, London, Academy Editions.

Diagrama de apoio ao texto, de Paula Amorim

20

A importância da relação obra-função.

Este diagrama simplifica o pensamento descrito por Juhani Pallasmaa na página 62 do seu livro “The Eyes Of The Skin, Architecture and the Senses”, London, Academy Editions

67

Ao que Bachelard chama de “imagens que trazem à tona o primitivo que está em nós”285.

Desta forma, Pallasmaa acredita que os nossos aspetos fenomenológicos de “ser” continuam nas nossas vidas, inconscientemente. Pallasmaa acredita que as dimensões existenciais humanas são estruturadas nas obras arquitetónicas e é a arquitetura que nos dá a oportunidade de perceber a dialética de permanência e mudança, para habitar no mundo e perseverar o sentir da continuidade da cultura. “Uma memória incorporada tem um papel

fundamental como base da lembrança de um espaço ou um lugar. Transferimos todas as cidades e vilas que já visitamos, todos os lugares que já conhecemos, para a memória encarnada de nossos corpos (…) Em experiências memoráveis de arquitetura, o espaço, a matéria e o tempo fundem-se em uma dimensão única, na substancia básica da vida, que penetra nas nossas consciências. Identificamo-nos com esse espaço, esse lugar, esse momento, e essas dimensões tornam-se ingredientes de nossa própria existência”286.

Pallasmaa expressa que a arquitetura é fortemente enraizada nos "sentimentos primários" que formam o verdadeiro "vocabulário básico" da arquitetura. Apenas a verdadeira arquitetura é capaz de cumprir as condições básicas, os sentimentos emocionais e os aspetos existenciais dos seres humanos, pois caso contrário, a arquitetura reduz-se a uma escultura em grande escala ou cenografia287. Arquitetura como a expressão direta da existência e da presença

humana no mundo, produz os seguintes tipos de sentimentos primários:

 "A casa como um signo de cultura na paisagem, a casa como uma projeção do homem e um

ponto de referência na paisagem;

 Acercar-se de um edifício, reconhecer uma habitação humana ou uma determinada

instituição sob a forma de uma casa;

 Entrar na esfera de influência de um prédio, pisar em seu território, estar perto do

edifício;

 Ter um teto sobre sua cabeça, estar abrigado e à sombra;

 Entrar em um aposento da casa, sensação de segurança, sensação de intimidade ou

isolamento;

 Chegar em casa ou entrar em casa para uma finalidade específica, expectativa e satisfação,

sensação de alienação e familiaridade;

 Estar na sala, a sensação de segurança, um sentimento de união ou de isolamento;

 Entrar na esfera de influência dos pontos de convergência da construção, como a mesa, a

cama ou a lareira;

285 BACHELARD, Gaston (1971), “The Poetics of Reverie”, Beacon Press, Boston, (página 91). 286 Idem, (página 672).

287 PALLASMAA, J. (1996), The “Geometry Of Feeling, a look at the phenomenology of architecture”,

(página 451). Em: Nesbitt, K., ed. (1996) Theorizing A New Agenda For Architecture: Na Anthology of Architectural Theory 1965 – 1995. New York, Princeton Architectural Press, <http://www2.latech.edu/~wtwillou/A310images_sum05/Readings/Pallasmaa.pdf>. Acesso em Abril de 2013.

68

 Deparar com a luz ou a escuridão que domina o espaço, o espaço de luz;  Olhar pela janela, a ligação com a paisagem”288.

Todos estes sentimentos derivam de aspetos existenciais do ser humano, os sentimentos primários e básicos da humanidade. Pallasmaa explica outro sentimento básico dado pela arquitetura, experimentar a solidão e o silêncio. Ele afirma que a experiência arquitetónica poderosa sempre cria a sensação de solidão e silêncio, embora haja um grande número de pessoas e ruídos no local, mas o certo, é que “a arquitetura silencia todo o ruído externo”289.

Pallasmaa afirma que, em um mundo que se está a tornar cada vez mais semelhante e o mesmo, todas as diferenças vão desaparecer, a tarefa de arquitetura, e da arte também, é manter a diferenciação e articulação qualitativa do espaço existencial e, em vez de participar no processo de acelerar ainda mais a nossa experiência no mundo, do ruído excessivo e comunicação sobrecarregada, a arquitetura deve manter e defender o silêncio. Pallasmaa propõe uma arquitetura do silêncio que visa à espontaneidade e a autenticidade da experiência individual, ao invés da atual arquitetura, superficial e desumana 290.