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3. FORSKNINGSDESIGN OG METODE

3.2 METODE

A escola para crianças, com os adultos que nela trabalham, torna-se um lugar com experiências, culturas e hábitos diferentes, de maneira que, na vivência coletiva, outras formas de viver vão sendo descobertas, acabam por ser realizadas por todos os envolvidos nessa experiência coletiva, pela sobrevivência diária.

Barbosa (2006) define a rotina como uma categoria pedagógica, a partir da compreensão desse conceito ao longo da história, no campo social, sendo este mais amplo, para depois entender como este vem se configurando em seu uso, na pedagogia da educação infantil. Destaca que “[...] as regularidades das rotinas fazem com que elas se constituam de uma série de ações que se repetem, com um padrão característico, que possui uma certa invariância e é reconhecível por todos aqueles que pertencem à área” (p. 115).

Diversos tipos de atividades envolverão a jornada diária das crianças e dos adultos, como a chegada, a alimentação, as brincadeiras, a higienização, a hora do conto, entre outras, e é nesse momento de organização e do tempo de duração de uma atividade para outra que está ocorrendo a padronização. “Em função como organizadora e modeladora de sujeitos, a rotina diária na educação infantil segue um padrão fixo e universal na sua formulação, [...] estrutura e no modo de ser representada”, afirma Barbosa (2006).

A relevância desse ponto de padronização é trazer para a reflexão que as crianças possuem suas especificidades, elas são diferentes umas das outras, cada uma nasce e cresce numa cultura específica. A realidade que as circunda é distinta, como são muito particulares os brinquedos, canções, palavras, gestos, modos de ser e de viver.

Para a autora, “[...] esse modo como é padronizado de elaborar as rotinas procura dissimular as diferenças, criando um discurso único, que não considera questões como gêneros, idade, classe social e culturas” (BARBOSA, 2006, p. 178).

A definição da rotina nem sempre leva em conta as necessidades da criança, sendo organizada de forma independente; por isso, sua função passa a ser mais de controlar do que de permitir sua reconstrução, a cada dia.

O que a autora propõe sobre a rotina é simplesmente que o profissional da educação infantil saia da visão adultocêntrica, olhe para a criança e promova uma realidade que atenda realmente às suas necessidades:

É possível pensar numa rotina sob a forma de um cotidiano, prestando a atenção às práticas, os motivos pelos quais se fazem as coisas de um jeito ou de outro, criar contrapoderes, mudar a vida. Para isso é preciso sair da visão adultocêntrica, que “sabe o que é melhor para as crianças”, e estabelecer novas relações entre adultos e crianças, não pautadas por visões essencialistas, mas sim, pela idéia de que se está permanentemente reconstruindo com práticas de vida. (BARBOSA, 2006, p. 205).

Nesse sentido, educar e cuidar desvelam uma questão de práticas educativas, as quais se constituem nas relações adulto e criança, que formam crianças em seus aspectos afetivos, sociais, cognitivos e físicos, exercendo influências intencionais ou não, sendo oportuno que o professor reavalie e ressignifique a rotina realizada em suas aulas.

Nas duas instituições15 pesquisadas, tanto da professora Antônia como da professora Helena, as rotinas são praticamente iguais, embora organizadas em períodos diferentes, já que uma trabalha no período da manhã e a outra no período da tarde, conforme apresentado no quadro abaixo:

Quadro 2 – Rotina dos berçários I e II

Período da manhã Escola Cinderela

Período da tarde Escola Peter Pan -Acolhida: a professora Antônia recebe as

crianças, coloca um musical infantil para assistirem, enquanto esperam os colegas; -Alimentação: as crianças recebem suas mamadeiras, deitam-se no tapete;

-Roda de leitura:a professora conta uma história ou deixa as crianças manusearem os livros, de acordo com as preferências de cada um; -Eixo trabalhado: neste momento, é realizada uma atividade relacionada às disciplinas que compõem o currículo;

-Despertar: a professora Helena coloca um musical infantil para as crianças despertarem do soninho;

-Alimentação:conforme as crianças vão

acordando, recebem suas mamadeiras no berço; -Roda de leitura:a professora conta uma história ou deixa as crianças manusearem os livros, de acordo com as preferências de cada um, no colchonete da área externa;

-Eixo trabalhado: neste momento, é realizada uma atividade relacionada às disciplinas que

15Ratificamos que os nomes das professoras como das escolas envolvidas nesta pesquisa são fictícios,

-Cantos de aprendizagem: as salas possuem cantos temáticos, com objetos diversos ao alcance das crianças, para que possam escolher o espaço para brincar;

Banho: enquanto umas tomam banho, outras permanecem brincando na sala;

Almoço: as crianças almoçam no refeitório com as demais turmas dos maternais I e II;

Descanso:hora do soninho.

compõem o currículo;

-Cantos de aprendizagem: as salas possuem cantos temáticos, com objetos diversos ao alcance das crianças, para que possam escolher o espaço para brincar;

Banho: enquanto umas tomam banho, outras permanecem brincando na sala;

Jantar: as crianças jantam na área externa da sala;

Descanso: hora do soninho.

Saída: algumas crianças acordadas ficam no colchonete da área externa, outras permanecem dormindo até a chegada dos pais.

Além dos momentos de cuidados físicos, que são preponderantes nas rotinas do berçário, há um tempo de brincadeiras com materiais e com o corpo, aparecendo também a atividade direcionada pela professora, envolvendo os eixos que compõem o currículo: Linguagem oral e escrita; Matemática; Natureza e Sociedade; Artes Visuais; Música e Movimento. Conversando com as professoras, elas relataram que esta era a rotina do cotidiano das crianças e que raramente se alterava; quando necessário, na maioria das vezes, a alteração era por motivo de festividades na instituição.

Barbosa e Horn (2001), a propósito dessa questão, comentam que, para dispor da organização das atividades no tempo, é preciso levar em conta as necessidades biológicas das crianças, como as relacionadas ao sono, alimentação, higienização e à sua idade, bem como o tempo e o ritmo que cada criança leva para realizar as atividades propostas, a forma organizativa da instituição infantil, além das necessidades sociais e históricas da comunidade na qual a escola está inserida, a fim de realizar atividades significativas ao seu estilo de vida. Mencionam-se ainda alguns pontos de apoio para essa organização: que tipo de atividade poderemos propor; em que momentos são mais adequadas; em que local serão mais bem realizadas.

Nas instituições Cinderela e Peter Pan, apesar de as rotinas parecerem rígidas, as atividades eram realizadas com alternância, se necessário, como, por exemplo, quando uma criança necessitava de trocar a fralda e ainda não era hora do banho, a EAC (auxilia o trabalho da professora) realizava essa atividade com prontidão; ou se, durante as atividades, a criança demonstrava sono, no mesmo momento era colocada no berço ou colchonete no chão, ou até mesmo no colo, sendo ninada pela mesma funcionária, revelando respeitar o tempo da criança.

Barbosa (2006), questionando sobre a quem pertence o tempo, se às instituições, se aos professores ou se às crianças, em sua singularidade ou em grupo, assinala que “[...] um

dos objetivos centrais de temporização da vida das crianças está relacionado à estruturação do tempo coletivo, mas deve-se fazer isso sem deixar de respeitar os tempos pessoais” (p. 151).

Segundo Dornelles e Horn (1998, apud BARBOSA; HORN, 2001), podemos pensar em atividades de diferentes tipos, como de livre escolha, possibilitando à criança escolher o que deseja fazer (brincadeiras individuais ou coletivas, cantos na sala de fantasia, casa de bonecas, jogos); já as atividades opcionais são organizadas coletivamente, a partir do interesse do grupo diante de algum fato ou acontecimento (passeios, visitas a comunidade, piquenique), enquanto há também atividades coordenadas pelo adulto de forma a trabalhar a atenção, a concentração e as capacidades da criança, realizadas em espaços internos ou externos (planejamento e execução de projetos, passeios, relatos de experiências, pesquisas, relatos de histórias).

Assim, compreendemos a necessidade de organizar o dia a dia com tempos flexíveis, escutar a criança em seus interesses, atendendo às suas necessidades, rompendo a padronização, a uniformização, respeitando o direito da criança em viver sua infância na instituição infantil, ressignificando as ações pedagógicas sem se tornarem uniformes e repetitivas.