CHAPTER 1: INTRODUCTION AND THEORETICAL APPROACH
1.3 METHOD
Funcionário da Prefeitura trabalha na limpeza da Praça Rio Branco
Foto da Praça com vendedores ambulantes
Vista Noturna do movimento em torno da Praça Rio Branco
34.3 - O Centro “nobre”
Considerando a Praça Sete como ponto de partida, a terceira paisagem se opõe geograficamente ao conjunto do Terminal Rodoviário. Ela se conforma nas imediações da rua da Bahia, acima da Avenida Afonso Pena e se trata de uma área do Hipercentro que se pode considerar “nobre”. Existe uma concentração maior de prédios residenciais de classe média, faculdades e cartórios. O comércio, tanto as lojas quanto os bares e restaurantes, é voltado para um público de maior poder aquisitivo. Nas proximidades, está o Shopping Cidade, empreendimento voltado para o consumo da classe média.
Neste conjunto, a diversidade nos usos da rua é grande , como foi constatado nas outras regiões do Hipercentro. Porém algumas diferenças foram anotadas nas derivas. O comércio, diferente do que acontece em outras regiões, não sai tanto do espaço das lojas para a interação com o consumidor que está nas ruas. As exceções são os bares e lanchonetes que têm mesas na calçada e que têm uma importância grande na configuração da paisagem neste lugar.
Neste conjunto é difícil falar em um atrator que polarize o lugar em termos comunicacionais. No entanto algumas edificações, os traços de outras, e a proximidade com algumas regiões da cidade parecem marcar o lugar. A presença de faculdades na região, em particular a Faculdade de Direito da UFMG, uma das primeiras da cidade, parece ser decisiva para algumas presenças no local. Pode-se citar o comércio com mais livrarias, papelarias , copiadoras e também a presença de cartórios.
Uma outra presença que aparece como importante para a configuração do lugar é a do Edifício Maletta. Construído no início da década de 1960 no lugar do Grande Hotel, o prédio, misto de salas comerciais e apartamentos residenciais, marcou de forma importante a história da cidade. Sua escada rolante foi a primeira da cidade e sua história se confunde com um outro tipo de zona boêmia da cidade, formada por intelectuais, artistas, jovens universitários. O edifício carregou durante anos a fama de ter inferninhos e da liberalidade dos jovens que moravam em seus apartamentos e frequentavam seus bares. Atualmente, uma certa nostalgia cerca o edifício, cuja movimentação continua intensa. Além dos bares, o Maletta tem atualmente um concentração de sebos
e livrarias, sem igual na cidade. Sua comunicação com a rua é intensa pois o edifício tem uma galeria de passagem entre a rua da Bahia e a Avenida Augusto de Lima.
Os bares e restaurantes das proximidades participam desta zona boêmia mais intelectualizada e rebelde ocupando calçadas e movimentando as ruas sobretudo no horário noturno. Junto com as três praças da região, os pontos de ônibus e as bancas de jornal, estes bares compõem as ambiências comunicacionais visíveis nas ruas do local. As Praças do local são a Levi Coelho da Rocha, Afonso Arinos e Alberto Deodato. A Afonso Arinos próxima à Escola de Direito é referência para a população como ponto de partida de manifestações políticas.
Um fator a ser notado é que esta paisagem mostra pequenos sinais de algumas ausências importantes. Uma delas é a do Cine Metrópole, antigo Teatro Municipal da cidade que foi derrubado na década de 80. O ponto do ônibus se chama Cine Metrópole e próximo está a Gruta e Café Metrópole. A outra é da redação do Jornal Estado de Minas, durante anos o maior jornal do estado, que funcionava na Rua Goiás próximo à Praça Alberto Deodato e se mudou para o bairro Funcionários.
Outro fator notável para quem caminha por suas ruas é que esta é uma região cujos equipamentos mereceram mais atenção da gestão da cidade. Isto parece corresponder ao padrão de moradia e comércio que a paisagem abriga. Pode- se acrescentar a isto a presença ou proximidade de serviços públicos comos a Receita Federal, Correio Central, Prefeitura e Tribunais. Ainda devem ser citados alguns equipamentos culturais como o Centro de Cultura de Belo Horizonte, os teatros da Cidade e da Praça, além da proximidade com o Palácio das Artes, Parque Municipal, Teatro Francisco Nunes e o Conservatório da UFMG.
Nas ruas e nos pontos de ônibus foi observados que os transeuntes estavam mais bem vestidos do que podia se observar em outros locais sendo que e vários deles usavam trajes mais formais. No entanto, como em outros lugares do Hipercentro, a diversidade é grande. Ocupam o espaço das ruas e das 3 praças do local pessoas de todos os tipos, idades e classes sociais.
Esta primeira leitura das paisagens escolhidas nos mostrou que o Hipercentro se constitui em termos comunicacionais de formas diversas. Alguns lugares são percebidos e vividos de formas diferentes e isto aparece nas configurações que a comunicação assume no seu espaço. Ao mesmo tempo mostrou também que algumas ambiências e situações comunicativas acontecem de forma similar em todos os seus lugares. Esta é, como se disse anteriormente, é uma leitura da superfície dos lugares constituída a partir do material coletado ao longo das derivas cartográficas. Seu objetivo foi construir uma primeira aproximação da comunicação nas paisagens onde estão situadas as bancas de jornal e revista, as ambiências comunicacionais que estudamos.
Fotos Centro “nobre” – 2006 – Projeto Cartografia dos Sentidos
Homem lê jornal e pessoas conversam na Praça Afonso Arinos
Ponto de ônibus em frente à Faculdade de Direito da UFMG
Rapaz abraça estátua de escritor mineiro na Praça Alberto Deodato
Orelhão na Praça Alberto Deodato