5 Analyse
5.1 Hvilke endringer har digitalisering medført for mellomlederrollen i NAV?
5.1.2 Mellomlederne veksler mellom ulike roller og funksjoner
Fonte: Pesquisa de Campo / 2008.
Podemos considerar que a maioria residia antes da prisão na Capital do nosso estado. Porém residem em locais considerados de maior vulnerabilidade social e de maior índice de pobreza. Em número absoluto temos que 26 das 80 mulheres que cumprem pena no Complexo, residiam nas Zonas Norte e Oeste da capital. Zonas estas que, considerando-se o índice de qualidade de vida dos bairros de Natal, temos, segundo Freire (2005), os maiores índices populacionais, cerca de 318 mil pessoas, ou seja, 45% da população total da capital, vivem em bairros com menores índices de qualidade de vida. Essa realidade reflete diretamente no direcionamento de desenvolvimento pessoal dos indivíduos que habitam estes locais, pois são inseridos em um contexto social marcado pela violência, pela fome e miséria, por educação precarizada e por políticas assistencialistas, centralizadas e seletivas de combate à pobreza e a questão social, que não resolvem as problemáticas conjunturais e reafirmam as políticas neoliberais, pois permitem e incentivam a expansão do “Terceiro Setor”. Outro fator importante sobre estas áreas é a questão de serem considerados “currais eleitorais” de campanhas
sensacionalistas e alienadoras da população. Observamos isso na última campanha para a prefeitura do Natal, e ainda, observamos que apesar do Complexo está localizado justamente na Zona Norte da capital, sabemos que é regido pelo governo estadual, mas nenhuma proposta foi levantada nas campanhas para resolver a questão carcerária, mesmo em conjunto com o Estado que é o órgão responsável.
Ainda na leitura do gráfico verificamos que tem-se uma grande parcela de mulheres oriundas de outros estados do país, o que reafirma a função de “mula” – transporte de drogas – desenvolvidas pelas mulheres no tráfico. Estas geralmente são presas nos aeroportos e pela policia federal, depois encaminhadas para o Complexo. Outro fator preponderante sobre estes casos é à distância da família, algumas conseguem o pedido de transferência, mas estes casos são considerados raros, tendo em vista que a legislação penal prevê o cumprimento da pena no local em que a pessoa foi presa. O caso de nossas entrevistadas, duas delas são naturais de São Paulo, a “mais velha” acabou conseguindo trazer os pais para próximo, mas a outra, tem sua família toda por lá, o caso desta última ainda é mais complicado tendo em vista que a mesma foi mãe no presídio e a legislação prevê que o tempo de permanência para o recém-nascido é de apenas 6 (seis) meses, ou seja, o período de amamentação. Depois deste prazo, na ausência de outros membros da família, a criança é encaminhada pelo serviço social do presídio para uma Casa Abrigo. Quando foi entrevistada, faltavam apenas 2 (dois) meses para ela perder a guarda provisória do filho. Em sua fala a angústia é nítida:
Aqui recebo todas as formas de violência, além da privação da liberdade, ainda tenho que enfrentar o meu emocional e o psicológico que tá sendo violado ao tirar o meu filho de mim (Relato de Maria).
Reportando a questão da maternidade, estas mulheres vêm de famílias numerosas. É um dado preocupante tendo em vista que muitas não se preocupam com o planejamento familiar, claro que por falta de acesso e por desinformação, dificultando assim o sustento da família numerosa. Sabemos também que em nossa contemporaneidade o número de mulheres chefes de família é enorme e relacionando-se tal dado com a condição salarial dessas mulheres e as próprias atividades desenvolvidas, ou melhor, as profissões, podemos inferir a baixa qualidade de vida a qual estas famílias estão sujeitas. Por estarem presas, geralmente, estes novos rearranjos familiares, onde a mulher é a matriarca do lar, acaba comprometendo também a questão da educação destas crianças que, em
sua maioria, acabam sozinhas, nas ruas ou até mesmo envolvidas na criminalidade desde cedo, tendo como “espelho” os pais ou a mãe que está presa.
Segundo Freire (2005), das 318 mil pessoas que estão na linha de pobreza em Natal, 54% são crianças e adolescentes, sendo, 18,18% indigentes e 41,78% de pobres, ou seja, estas crianças e adolescentes já nascem sem nenhuma perspectiva de melhoria na sua qualidade de vida, ficando a mercê de políticas seletistas do governo, numa conjuntura familiar marcada por conflitos e contradições ou inserindo- se também no meio criminal e até na prostituição como alternativa de sobrevivência. “Conheci o pai do meu filho na cadeia, e fazem três anos que não vejo meu filho, isso pra mim é violência” (Relato de Josefa).
Meu primeiro filho tive aos 17 (dezessete) anos do meu primeiro namorado. Depois casei e engravidei novamente, mas este eu perdi depois de uma surra que levei do meu marido. Este que tenho agora era para ser o meu terceiro, se eu não tivesse perdido o outro (Relato de Maria).
Apesar de estarem presas, as mulheres não esquecem os seus filhos e as suas “atribuições” enquanto mãe. Relataram a preocupação com o futuro de suas crianças.
Tenho um casal: o menino tá com seis anos e a menina com oito. Eu não quero que eles venham me visitar. A menina vem aqui na frente, mas não entra. A gente nunca falou que isso era uma cadeia. O menino veio aqui duas vezes e fica perguntando: mainha por que aqui tem polícia? A menina vai de vez em quando no meu trabalho, lá no custódia onde sou cozinheira. Prefiro me apresentar pra ela trabalhando. O nosso modo de criação, não admite nenhum „palavrão‟, outro dia quando o menino veio, uma presa falou um „palavrão‟. Do mesmo modo que eu não quero que meus filhos escultem algumas frases ou tenham convivência com algumas presas, eu acho que muitas aqui também não querem. Cada um tem um modo de preservar a sua família, o meu modo é esse. Prefiro que minha mãe, minha irmã e meus filhos vão lá no meu trabalho, que me vejam trabalhando, mesmo que tenham pouquíssimo tempo, mas que falem numa boa, do que vir aqui (Relato de Joana).
GRÁFICO 8 – NÚMERO DE FILHOS DAS PRESIDIÁRIAS DO COMPLEXO