4 Metode
4.4 Dataanalyse
Fonte: Pesquisa de Campo / 2008.
Como se vê, somente 35% (trinta e cinco por cento) das mulheres do Complexo Penal são brancas, a maioria quase absoluta é negra ou parda. Tal dado
revela que a desigualdade e pobreza atingem mais perversamente as mulheres negras ou pardas e com pouca escolaridade, como são as mulheres do Complexo.
Segundo Carreira (2004), as diferenças de rendimentos no Brasil entre homens e mulheres, são as mais cruéis dos países do Mercosul. Acirrando-se quando se acrescenta a inserção no setor informal e a questão da raça/etnia. Ainda segundo o autor, as negras estão na base da pirâmide, recebendo cerca de metade dos rendimentos das brancas. Entre as nossas entrevistadas, apenas uma era negra. Mas não relatou em nenhum momento a questão da sua raça como fator atenuante no seu crime.
Os rendimentos dos trabalhadores brasileiros são baixos e extremamente más distribuídos. Grandes disparidades regionais contribuem para isso; porém, a associação entre discriminação racial e a inegável desigualdade entre os sexos presentes no mercado de trabalho brasileiro, é fundamental. Afinal, a ponta mais visível e incontestável da sobreposição discriminatória – sexo e cor – que atinge as mulheres negras revelam-se quando são analisados os rendimentos do trabalho. Engajadas em ocupações caracterizadas pela precariedade e enfrentando dificuldades para ascensão em suas carreiras profissionais, as afrodescendentes apresentam remunerações substancialmente mais baixas que os demais seguimentos da população (DIEESE, 2003).
E em se tratando de mercado de trabalho, entre as nossas entrevistadas os espaços ocupados no mercado de trabalho ainda são aqueles considerados como espaços tradicionais e extensão do doméstico. Isto não denuncia somente à questão da divisão sexual do trabalho, mas acima de tudo a questão da precariedade de ensino e de qualificação relacionado à forma de inserção no mercado de trabalho. Ao longo da história temos a mulher no mercado de trabalho desempenhado funções que reafirmam a sua representação caricatural de “bondosa”, “educada” e “solidária” 80.
Essa questão do desemprego assola mais o público feminino, em especial as mais jovens, temos também, os dados de que são as mais jovens que inserem-se no meio criminal, em busca de alternativas de sobrevivência. Se por um lado vivenciamos historicamente a evolução da mulher e sua conquista dos espaços públicos, por outro lado, não podemos deixar de considerar as jornadas triplas de trabalho, considerando que a mulher ganhou o mercado de trabalho, mas não deixo
80 Brushini (1998), afirma que de qualquer forma, qualquer que seja a resposta para justificar
a inserção da mulher no mercado de trabalho, elas ainda não deixaram de estar inseridas nos campos mais precários, em ralação ao masculino. A desigualdade de gênero continua demarcando o mercado de trabalho brasileiro. Uma delas pode se encontrar nos locais onde as trabalhadoras desempenham suas atividades. Nesse caso, uma parte considerável ainda trabalha no próprio domicílio ou no domicílio do patrão.
de lado suas atribuições domésticas e o cuidar dos filhos, assim como ainda são as mais afetadas pela questão do desemprego81, apesar de apresentarem os maiores índices de escolaridade em relação aos homens -- cerca de 50,17% das mulheres tem mais de 11 anos de estudo em relação a 36,64% dos homens ocupados.
Segundo Brushini (1998), as mulheres mais instruídas apresentam as taxas mais elevadas de atividades, não só porque o mercado de trabalho é mais receptivo com o trabalhador mais qualificado de modo geral, mas também porque elas podem ter atividades mais gratificantes e melhores remunerações, que compensam os gastos com a infra-estrutura doméstica necessária para suprir sua saída do lar, como por exemplo, a contratação de babás para o cuidado com os filhos. Só lembrando que, nesses casos, apesar da mulher não trabalhar diretamente nos serviços de seus lares, a responsabilidade de preparar a estrutura para suprir a saída para o público é sempre dela, ou seja, mesmo não trabalhando diretamente no lar, precisa administrá-lo, garantindo todo o conforto necessário para suprir sua ausência. Os próprios homens cobram isso. É como diz o dito popular: “você quer trabalhar fora, então pague por isso”, portanto muitas vezes, parte do salário que a mulher ganha no espaço público se remete ao orçamento de manutenção das atividades do ambiente doméstico.
Em dados expostos em 2008 pelo IBGE, acerca de uma década de pesquisa (1990 a 2000), temos que em Natal, por exemplo, no ano de 2000, a cada 100 (cem) homens empregados, tínhamos 81 mulheres. Por outro lado, os maiores índices de desempregados82, são entre as mulheres, cerca de 51,68% da PEA, segundo IBGE, no mesmo ano, sobretudo entre as mais jovens.
81 Segundo o IBGE (2002), desempregada é toda pessoa com 16 anos (dezesseis), ou mais,
que durante a semana em que se faz à pesquisa tomam-se medidas para procurar trabalho ou que procurou estabelecer na semana precedentes. Já para o DIEESE (2002), pra estabelecer esta informação utiliza-se um prazo de trinta dias, além de incluir o desemprego oculto, representado pelo trabalho precário.
82 As altas taxas de desemprego feminino resultam, em grande parte, da dificuldade imposta
pelas empresas para contratá-las. Os empresários, com freqüência alegam altos custos relacionados à manutenção de mulheres no emprego devido ao risco de engravidarem. Colocam obstáculos também diante de obrigatoriedade de conceder algumas flexibilidades nos horários das mães para que possam amamentar seus filhos nos seis primeiros meses de vida, e, ainda, por ter de arcar com custos de manutenção de creche, onde as crianças fiquem no horário de trabalho das mães. No entanto, parte dos benefícios a que a mãe tem direito é de responsabilidade do sistema de seguridade social, e não significa custos diretos da empresa(DIEESE, 2001).
O gráfico a seguir, mostra o item que remete a Faixa Etária do total das apenadas do Complexo e nos levanta duas observações sobre as realidades destas mulheres. Da faixa etária entre 19 (dezenove) e 30 (trinta) anos de idade temos o maior percentual de mulheres 51% (cinqüenta e um por cento), ou seja, mais da metade das mulheres encontram-se na faixa etária considerada de maior índice de desemprego segundo o IBGE. Por outro lado, temos outra os dados nos denunciam também o grande índice de mulheres com a faixa etária maior de 39 (trinta e nove) anos, apontando que a questão do desemprego não assola somente os jovens, como também, os mais velhos em virtude, principalmente, das novas tecnologias que “tiram” do mercado aqueles não “atualizados”. Esta população mais velha quando inserida no mercado, de acordo com Bruschini (1998), encontra-se em atividades consideradas de produção familiar ou autoconsumo, que aumentou dos anos noventa para a atualidade, tendo em vista a ausência de empregos nos setores formais da economia.
GRÁFICO 06 – FAIXA ETÁRIA DAS PRESIDIÁRIAS DO COMPLEXO PENAL DR.