2.2 Hegel og hegelianisme
2.2.4 Mediering i teologien. Filosofien som opponenten
O ribeirão Mestre D’Armas possui uma área de drenagem de 186,58km2 e uma extensão
de 15km com fluxo de vazão média que varia de 6,26 a 1,96m3/s nos períodos de chuva e seca,
respectivamente. A bacia é ocupada, principalmente, por áreas de preservação ambiental (Estação Ecológica de Águas Emendadas – ESECAE), área sem uso definido, com atividades agropecuárias, de reflorestamento e loteamentos residenciais (Pinelli, 1999). Nos ribeirões Mestre D’Armas e Pipiripau foram verificadas, em junho de 1997, concentrações de mercúrio cerca de 3,5 vezes maiores do que o registrado para águas não poluídas (Caesb, 2001).
Esta bacia possui uma significativa área de preservação, em torno de 20%, referente à Estação Ecológica de Águas Emendadas, além de lagoas naturais como a Mestre D’Armas (ou Bonita), a Joaquim Medeiros e a dos Carros (Pinelli, 1999). Nesta sub-bacia foram selecionados 14 pontos de amostragem (Figura 11), de modo a se obter uma máxima representatividade geográfica da área e dos processos envolvidos na sua caracterização (Tabela V).
Figura 11 – Localização dos pontos amostrados na sub-bacia do Mestre D’Armas. (Darm1-14). Modificado de Pinelli (1999).
As principais fontes de contaminação reconhecidas na área foram: efluentes domésticos provenientes da cidade de Planaltina e dos assentamentos urbanos recentemente implantados, resíduos da adubação química e defensivos agrícolas, óleos e graxas provenientes de oficinas na área urbana e de manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas.
Tabela V – Descrição dos pontos amostrais na sub-bacia do ribeirão Mestre D’Armas em relação ao uso da terra e coordenadas geográficas (modificado de Pinelli, 1999).
Ponto Coordenadas Geográficas Usos e Principais Impactos
Darm1 15° 35' 32,1'' S 47° 38' 13,6' W Área de preservação/ESECAE/solo pedregoso.
Darm2 15° 35' 18,9'' S 47° 39' 34,4'' W Área de preservação/ESECAE/solo arenoso/área de captação da Caesb. Darm3 15° 35' 32,6'' S 47° 40' 00,0'' W Área de preservação/ESECAE/área de captação da Caesb.
Darm4 15° 36' 23,0'' S 47° 41' 28,2'' W Água turva/núcleo urbano/solo escuro. Darm5 15° 35' 42,3'' S 47° 44' 45,2'' W Mata de galeria/área bem preservada.
Darm6 15° 35' 12,9'' S 47° 43' 57,7'' W Mata de galeria/área de plantio de milho/Embrapa.
Darm7 15°59'14,1"S 47°71'36,8"W Mata de galeria estreita/pecuária de subsistência/tanques de piscicultura.
Darm8 15°35'88"S 47°40'23"W Mata de galeria estreita/água turva/tanques de piscicultura.
Darm9 - Água turva/núcleo urbano/usado por banhistas.
Darm10 15°62'08,6"S 47°66'44,9"W Água turva/núcleo urbano/usado por banhistas/solo escuro. Darm11 15°37'79"S 47°38'83"W Mata de galeria ausente/área urbana/água turva.
Darm12 15° 38' 49,8'' S 47° 40' 32,5'' W Água turva/descarte de esgoto da ETE Planaltina. Darm13 15° 38' 46,5'' S 47° 41' 37,7'' W Setor de chácara/agricultura doméstica/recreação. Darm14 15° 39' 29,8'' S 47° 40' 35,0'' W Setor de chácara/agricultura de subsistência.
Os pontos Darm1, 2 e 3 ficam localizados na área de abrangência da Estação Ecológica de Águas Emendadas, mais precisamente nos córregos Brejinho, Monteiro e Fumal. No córrego Monteiro o sedimento é predominantemente arenoso, com águas cristalinas e mata ciliar preservada, localizado a jusante da barragem destinada à captação de água para abastecimento urbano (Figura 12).
Figura 12 – Aspecto geral do córrego Monteiro onde se localiza o ponto Darm2, ESECAE, em período de seca/05. A área sombreada no córrego revela o nível de integridade da mata ripária.
No córrego Brejinho (Darm1), a jusante do ponto de coleta, a Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto de Brasília (Caesb) tem um ponto de captação. O córrego apresenta vários rápidos e corredeiras com poucas áreas de remanso, situação favorecida pela presença dominante de pedras e rochas na constituição do sedimento.
O ponto Darm3, localizado no córrego Fumal, sofre maior pressão antrópica que os demais pontos localizados na área de abrangência da ESECAE, devido à presença de uma represa construída para captação de água destinada ao abastecimento da população local (Figura 13). A extensão desta represa impossibilitou a coleta do material a montante. O longo período de retenção da água da represa em épocas de seca favorece o crescimento e a proliferação de algas, alterando as características físicas e químicas da água a jusante. O sedimento é caracterizado por cascalho e areia, com áreas de remanso e corredeiras. A vegetação ripária foi substituída por gramíneas e mata de capoeira.
Figura 13 – Vista geral da represa no córrego Fumal, ESECAE, localizada a montante do ponto Darm3.
O ponto Darm4, localizado fora da área de preservação da ESECAE, no córrego Fumal, em ambiente urbano de baixa renda, tem suas águas usadas por lavadeiras e para dessedentação de animais, com grande volume de lixo depositado em suas proximidades. A mata ciliar encontra-se bastante degradada, expondo suas margens à ação erosiva dos ventos e da chuva. O córrego é bastante raso e constituído por pedregulhos, com muito lixo acumulado nas margens (Figura 14).
Figura 14 – Córrego Fumal, ponto Darm4, águas turvas com acúmulo de lixo nas margens.
Os pontos Darm5, 6 e 7 estão localizados no córrego Sarandi, de primeira ordem, em área rural, com águas cristalinas e mata ciliar relativamente preservada. O córrego é formado por áreas de remanso intercaladas por rápidos e corredeiras; o leito é basicamente rochoso, com pouco acúmulo de areia fina (Darm5). Todavia, com a crescente destruição da vegetação marginal há um aumento na deposição de areia fina ao longo do córrego, chegando à predominância de argila no ponto Darm7. Neste ponto, a mata de galeria encontra-se bastante degradada, e o córrego fortemente canalizado, apresentando acentuado processo de assoreamento. As áreas adjacentes são destinadas à cultura de hortaliças e a tanques de piscicultura.
O ponto Darm5 é muito visitado por banhistas devido à sua beleza natural e seus atrativos como cachoeiras e trilhas. A população local, além de utilizar o sistema para lazer, retira água do córrego por meio de diques, levando-a aos locais mais distantes do povoado (Figura 15).
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Figura 15 – Dique construído pela população ribeirinha para transporte da água por longos trechos. Área de mata ciliar relativamente preservada onde se fazem trilhas ecológicas (Darm5).
Os pontos Darm8, 9, 10 e 11 estão localizados na área urbana da cidade de Planaltina e todos apresentam vegetação marginal bastante comprometida. Maior ênfase deve ser dada ao ponto Darm11, localizado no córrego do Atoleiro (tributário direto do Mestre D’Armas), que no período inicial de nosso estudo se mostrou levemente degradado e, ao final do período de coletas, fortemente impactado, com muito lixo acumulado em suas margens.
O ponto Darm12 recebe descarte de efluente da ETE da cidade de Planaltina, que altera as características físicas e químicas da água e favorece a proliferação de macrófitas. A mata de galeria neste ponto está totalmente comprometida (Figura 16).
Figura 16 – Aspecto geral do ponto Darm12 após descarte de esgoto tratado, com formação de grandes bancos de macrófitas e vegetação marginal destruída.