5. Discussion
5.3 Mechanisms underlying Ca 2+ -signalling in C. intestinalis notochord cells
Discutindo-se a natureza da Ciência da Informação, desde o seu início, seu contexto, entende-se que ela se desenvolveu como ciência até chegar ao status de ciência social. Aqui, buscamos o momento no qual a CI de fato se constitui como ciência social, indicando quais conceitos, teorias e metodologias tiveram maior influência em sua identidade. Araújo (2003) coloca que há várias instâncias com espaços específicos para discussões da natureza social de fenômenos informacionais, como linhas de pesquisa em programas de pós-graduação em Ciência da Informação (Informação e Sociedade, Informação e Cultura, por exemplo), grupos de trabalho relativos ao tema, associações e congressos. Assim, a natureza social da CI parece irrefutável em termos institucionais e de terminologia, porém nem tanto quando se trata da teoria epistemológica.
A Ciência da Informação é uma ciência recente, surgida nos modelos das ciências modernas, principalmente das ciências exatas, “utilizando-se da máxima objetividade, buscando formular leis universais de ‘comportamento’ da informação” (ARAÚJO, 2003, p.22). Inicialmente fortemente conectada à computação e à recuperação automática de informação, a CI só entra efetivamente nas ciências sociais a partir da década de 1970.
Lidar com o grande volume e a diversificação de informações registradas em variadas formas, com vistas à sua mais ampla difusão, foi o imperativo condicionante da ciência da informação. Fortemente influenciadas pelas ciências empíricas, as primeiras manifestações desse campo embrionário pretendiam estabelecer leis universais que representassem o fenômeno informacional, daí a recorrência a modelos matemáticos (teoria da informação), físicos (entropia) ou biológicos (teoria epidemiológica). [...] Na década de setenta, entra em cena um personagem que redireciona o enfoque da ciência da informação: o usuário. [...] Com a presença dos usuários, as ciências humanas e sociais passam a contribuir também, com seus métodos e
práticas, para a composição dessa ciência emergente. (CARDOSO, 1996, p.73-74).
Inicialmente, a CI parte para a área das ciências sociais mais próxima das ciências exatas, dos modelos positivista e funcionalista, iniciando seus estudos a partir de perspectivas estatísticas e quantitativas, com, por exemplo, mapeamentos de fluxos de informação e realização de questionários com grandes amostras de usuários. Porém, na mesma década, começa a discutir as especificidades das ciências sociais sob a ótica teórica marxista, sob o pressuposto de que a realidade está em constante movimento e construção, e ao se estudar objetos na área de informação social, é preciso considerar a história deles e dos sujeitos/usuários, o conjunto de fenômenos sociais relacionados e a tensão constante presente na sociedade (CARDOSO, 1996).
Estão aí os elementos da perspectiva crítica: a historicidade como condição para a explicação dos fenômenos, o conflito, a inserção de todo fato isolado no contexto global de relações de luta por poder. Numerosos são os exemplos de estudos realizados nesta perspectiva: informação e cidadania, ação cultural, exclusão informacional, informação rural, processos de leitura – chegando até a preocupações atuais relacionadas aos dilemas da sociedade da informação, da revolução tecnológica e da globalização (que não deixaram de se preocupar com a democratização da informação, as condições de acesso, a exclusão). (ARAÚJO, 2003, p.22).
Ainda assim, tais discussões pareciam muito mais esboçar uma subárea dentro da Ciência da Informação do que efetivamente fazer repensar a maneira como o objeto de estudo era compreendido pela CI, uma vez que a temática social da informação estava presente em trabalhos específicos, relacionados à cidadania, à exclusão social, e separada das ações relativas ao funcionamento de sistemas de recuperação de informação, à gestão, às tecnologias da informação. É a partir da aproximação com as correntes interpretativas e microssociológicas das ciências sociais na década de 1980 que a Ciência da Informação apresentará uma reformulação mais significativa de suas conjecturas, influenciando inclusive seu entendimento do termo informação.
Um suporte teórico fundamental nesse movimento é exatamente o trabalho de Berger & Luckmann. Ao discutir a realidade como algo que é construído socialmente e não com uma existência em si mesma, [...] os autores abrem caminho para uma compreensão da informação não como um dado, uma coisa que teria um significado e uma importância per se, mas como um processo, como algo que vai ser percebido e compreendido de variadas formas de acordo com os sujeitos que estão em relação – o que vai na contramão tanto da definição de Borko (1968) sobre o comportamento e o fluxo da informação excluindo os
sujeitos, quanto da definição de Buckland (1991), que vê “a informação como coisa”. (ARAÚJO, 2003, p.25).
Surge uma nova compreensão do objeto de estudo da Ciência da Informação. Os estudos sobre informação agora precisam incluir o sujeito, o usuário, suas interações cotidianas, formas de expressão, linguagens, rituais, processos sociais. Mudam-se os processos de criação de sistemas de informação, que antes orientados exclusivamente para a técnica, passam a se dirigir também aos usuários. Araújo (2003) coloca que a CI, mesmo tentando se consolidar como disciplina científica resultante dos processos de construção da ciência moderna, já em seu início apresentava sinais de estar se constituindo nos moldes da ciência pós- moderna, tendo como característica mais importante desta postura sua essência interdisciplinar.
Constitui-se assim sua interdisciplinaridade, característica cada vez mais presente como componente da Ciência na sociedade atual, em que a magnitude dos problemas enfrentados (ecológicos, étnicos, demográficos) está a exigir soluções inovativas e plurais. A ciência da informação vem se consolidando, então, a partir de elementos emprestados da matemática, da física, da biologia, da psicologia, da sociologia, da antropologia, da semiologia e da teoria da comunicação e de quantas ciências puderem contribuir para sua fundamentação e aplicabilidade. (Cardoso, 1996, p.74).
Há uma aproximação com as ciências exatas e com as biológicas, mas não visando a criação de uma disciplina própria e sim buscando novos conhecimentos que possam contribuir num movimento interdisciplinar. Como colocado por Wersig (1993), “a ciência da informação não deve ser vista como uma disciplina clássica, mas como um protótipo de um novo tipo de ciência” (WERSIG, 1993, p.235, tradução nossa)27.
Deste modo, frente à suas propriedades como ciência social aplicada pós- moderna, acreditamos que a Ciência da Informação abarca os estudos sobre influenciadores digitais e o movimento da informação que têm gerado. Principalmente quando pensamos na informação como uma mensagem transmitida por um emissor que só possui verdadeiramente sentido e significado quando compreendida, dentro de um contexto, por um receptor, e levando-se em conta que mais do que a informação em si, é objeto da CI o usuário desta, suas características, interações, contextualizações.
27 Texto original: “information science is not to be looked at as a classical discipline, but as a prototype