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5. Discussion

5.7 Future perspectives

No artigo Weblog como objeto da Ciência da Informação (2008), Silva (2008) introduz um breve panorama do desenvolvimento da Ciência da Informação e da Comunicação com o advento da internet e da indústria de informação eletrônica, citando Le Coadic (1996), que coloca que a CI agora tem seu foco na informação em si (e não somente nas bibliotecas, livros, documentos) e que a sociedade da informação necessita de uma ciência para estudar as propriedades e os processos de criação e comunicação da informação frente às mudanças culturais, econômicas e tecnológicas pelas quais esta sociedade passa.

Silva (2008) aponta a internet como meio de comunicação interativo e universal que atinge a população com velocidade bem maior que outros meios (rádio, televisão, por exemplo). A criação e o compartilhamento de informações são favorecidos pelo ambiente digital, no qual o receptor pode atuar tanto na geração como no consumo da informação. Partindo principalmente da conceituação da Ciência da Informação de Barreto (2002), Silva (2008) estuda os weblogs como objetos da CI.

Conforme Barreto (2002), o objeto da Ciência da Informação é a preocupação “com os princípios e as práticas da criação, organização e distribuição da informação”. Ele acrescenta que estão incluídos ainda “o estudo dos fluxos da informação desde sua criação até a sua utilização, e a sua transmissão ao receptor em uma variedade de formas, através de uma variedade de canais”.

O autor ressalta que não propõe um objetivo permanente, pois a área é conceitualmente dependente de tecnologia intensa, portanto está sempre sujeita a inovação e mutação. (SILVA, 2008, p.2).

Barreto (2002) ainda ressalta a relação entre a informação e os usuários na chamada sociedade eletrônica de informação, a qual favorece interatividade e interconectividade, possibilitando que o receptor se aproprie e personalize as mensagens recebidas, realize trocas recíprocas de informação (interatividade), e escolha e julgue a relevância das informações disponibilizadas (interconectividade).

Terra (2012) caracteriza o que chama de usuário-mídia e aponta as novas configurações da relação entre as empresas e organizações e esses novos tipos de usuários/consumidores buscando conceitos e base teórica em diversas áreas além da de comunicação, como sociologia, administração e teoria das organizações, para estudar o “impacto das mídias sociais na comunicação organizacional, destacando a importância do usuário produtor de conteúdo na rede” (TERRA, 2012, p.75).

Terra (2012) aponta o destaque da evolução da comunicação na sociedade contemporânea, principalmente considerando-se sua modalidade digital e a influência que sofreu (e sofre) pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TICs), além de sua forte relação com as redes sociais. Ela nos coloca na era da midiatização dos indivíduos, na qual é possível usar mídias digitais como ferramentas para divulgação, exposição e expressão pessoais, entendendo o usuário-mídia como “um usuário ativo tanto da internet como das mídias sociais e que produz, compartilha, dissemina conteúdos próprios e de seus pares, bem como os endossa junto às suas audiências” (TERRA, 2012, p.77). Este pode se dividir em níveis: o usuário-mídia que apenas consome e replica conteúdo, o que participa através de comentários e iniciativas online de terceiros, e o que efetivamente produz conteúdo.

Os pensamentos de alguns outros autores ajudam Terra (2012) a sustentar sua tese que tem o usuário-mídia como um usuário ativo da internet. Como a ideia da cultura da criação de Mark Deuze (2009), na qual além de consumirem a mídia digital, as pessoas vivem nela, ou a concepção de contra-poder, de Manuel Castells (2007), que discute “a capacidade dos atores sociais de desafiar e eventualmente

modificar relações de poder institucionalizadas na sociedade” (TERRA, 2012, p.77). Este usuário-mídia era o usuário “comum” da internet, produtor de conteúdos, que ganhou voz através das ferramentas colaborativas e interativas disponíveis na web e, assim, influencia tanto na comunicação e na estratégia das organizações, quanto nas ações e opiniões de outros usuários.

A Edelman, companhia de comunicações e marketing global, realiza pesquisas sobre a confiança que usuários/consumidores depositam em diversos setores, como política, economia, mídia. No que tange à confiança em informações disponíveis na mídia, temos os gráficos a seguir, do ano de 2017. A Figura 02 representa o questionário sobre a confiança dos entrevistados em relação a determinadas fontes de notícias e informações em geral. Apesar da mídia tradicional ainda aparecer como uma das fontes de informação mais confiáveis, podemos perceber, pelo gráfico, que a chamada owned media33 e as redes sociais (social

media) estão em lugares de destaque.

Figura 02: Porcentagem de confiança em notícias e informações em geral.

Fonte: 2017 Edelman Trust Barometer - Global Results. Disponível em: <http://www.edelman.com/global-results/>. Acesso em 24 julho 2017.

33 Owned media se refere a todo conteúdo criado/produzido por uma empresa ou por uma marca sobre ela mesma, seus serviços, produtos, características, etc. Englobando página na internet, blogs, artigos, aplicativos, perfis nas redes sociais.

No questionário representado pela Figura03, foram dadas aos entrevistados três series de duas opções de fonte para que escolhessem em qual acreditam mais estar lhes falando a verdade. Como visto na figura citada, 55% dos entrevistados sentem mais confiança em fontes individuais/indivíduos e 64% em informações vazadas, percebendo-se que fontes “clandestinas” são preferíveis às fontes oficiais.

Figura 03: Porcentagem de confiança entre duas fontes.

Fonte: 2017 Edelman Trust Barometer - Global Results. Disponível em: <http://www.edelman.com/global-results/>. Acesso em 24 julho 2017.

No questionário da Figura 04, foi perguntado aos entrevistados, quando formam uma opinião sobre uma empresa, quão credível é cada fonte indicada. Interessante notar neste gráfico, que, empatadas, em primeiro lugar como fontes mais confiáveis estão uma pessoa como você mesma e um técnico especializado, ou seja, atualmente, os consumidores dão tanto crédito aos seus semelhantes quanto às pessoas especialistas no assunto.

Figura 04: Porcentagem que classifica cada porta-voz.

Fonte: 2017 Edelman Trust Barometer - Global Results. Disponível em: <http://www.edelman.com/global-results/>. Acesso em 24 julho 2017.

Mesmo a pesquisa e os dados apresentados sendo direcionados ao mercado financeiro, não deixam de ser pertinentes ao entendimento da sociedade contemporânea e nos permitem visualizar (e refletir sobre) características do usuário atual que diferem das gerações anteriores, como o fato de buscarem informação diretamente na fonte oficial (ao procurar por um produto diretamente no website da marca, por exemplo) ou em fontes semelhantes a si mesmo (amigos, familiares, outros usuários da rede).

Lèvy (1999) possui uma classificação das tecnologias de comunicação de acordo com a interação que permitem. Define a comunicação de massa, que inclui a televisão, o rádio e a imprensa, como um modelo de um para todos, sem reciprocidade ou interação entre o meio e o usuário, que acaba sendo um receptor passivo da informação. A comunicação de um para um, que possibilita reciprocidade e interação entre os usuários, é exemplificada pelo telefone e pelo correio. Neste contexto, o ciberespaço seria a combinação da reciprocidade, da interação, do compartilhamento, “num modelo de todos para todos, como uma conferência eletrônica” (SILVA, 2008, p.3), novos tipos de leituras e escritas possibilitados pelo suporte digital. Castells (1999) coloca essa comunicação como sendo de muitos

para muitos, na qual todos são emissores e receptores de informação em um ambiente flexível e interativo.

Barreto (1998) explica a comunicação eletrônica modifica estruturalmente o fluxo de informação, pois permite a interação do receptor com a informação em tempo real, que passa a se posicionar como se estivesse no interior do fluxo, com interação direta, conversacional e sem intermediários. É o receptor que define a sua própria interação – a interconectividade. Com maior velocidade e melhor possibilidade de acesso, o receptor pode se posicionar em diferentes elos da cadeia.

[...] Pode emitir, recuperar e receber informações no elo da cadeia que achar conveniente. Neste modelo o receptor também pode ser emissor e ao mesmo tempo recuperar e arquivar documentos (SILVA, 2008, p.3).

É neste novo contexto de usuários produtores de conteúdo, de busca por informação fora dos moldes tradicionais e de maior confiança nos autores “comuns” que surgem influenciadores digitais, cujo status de celebridades acaba se tornando iminente.