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MW, MS and MCW committee coalitions

Na escola acontece a educação sistematizada que exige determinada postura de seus participantes. A educação não formal, que acontece em diversos locais, como por exemplo, museus, teatros, parques, estabelece relações diversas entre seus participantes. Não há controle sobre as diferentes relações estabelecidas nesses locais, mas a existência dessas diferenças em relação à escola causa desencontros nas expectativas dos professores e educadores não formais quanto à postura e os limites permitidos nesses espaços.

Sendo esse programa uma possibilidade de interlocução entre a educação formal e não formal, são observadas diferentes maneiras de portar-se nos diferentes espaços onde esse programa efetiva-se. Dessa forma, o estudante acostumado à cultura escolar tem acesso a outros espaços, tempos e formas de interação no processo educativo, que envolvem diferentes graus de liberdade e controle nas diferentes situações de aprendizagem.

Apesar das normas de comportamento existentes na educação sistematizada serem mais enfatizadas não significa que os locais onde ocorre a educação não formal sejam isentos de normas.

Nas instituições culturais onde ocorrem as visitas, apesar das relações estabelecidas e as normas de convívio apresentarem mais flexibilidade, elas existem, e exigem determinadas posturas dos visitantes, ou seja, apesar desses espaços serem interativos e solicitarem a postura ativa dos seus visitantes, também envolvem adequação de comportamento durante a visita.

Essa diferença entre interação participativa e ausência de limites relaciona-se à tensão quanto ao preparo dos estudantes no que se refere aos profissionais da educação formal e educadores não formais.

- Então, o que eu percebo é que esses grupos que chegam até o museu, até mesmo escolas particulares que o professor já trabalhou algum conteúdo e chega no museu, e também da rede pública, seja através desse programa ou de outros programas, eu percebo que grupos que já têm a ideia (...)quando o professor está comprometido com a turma e com a visita e quando ele está a par do conteúdo, a gente percebe que tem um interesse maior do aluno, a visita é sempre mais tranquila (Ed. Leila).

Em primeiro momento, esses espaços educativos não formais parecem contrapor- se à instituição escolar caracterizada por regras explícitas de convívio e normas de comportamento relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem.

- É legal que os professores ficam meio malucos, alguns assim:“ Não, não faz isso! Eu nunca mais te levo pra fazer!”, e a gente acha o máximo. A gente gosta da bagunça do cara se sentir livre, do cara, da criança se sentir livre (Ed. Quézia).

A questão da necessidade de disciplina e obediência às regras da instituição cultural não são faladas claramente, mas aparecem como necessárias à realização da visita, apesar de contrariarem a expectativa de alguns estudantes que almejam um momento de liberdade para extravasar suas vontades.

Porque eles (estudantes) gostam de diversão e não gostam de ir nesses passeios , porque eles não vão poder fazer baderna de sempre (Estudante).

A própria palavra “disciplina” parece ser evitada pelos educadores não formais que enfatizam uma relação mais espontânea dos estudantes.

- Não, às vezes, as turmas, devido ao museu ser muito interativo, elas interagem bastante, ficam empolgadas com a visita, mas sem o auxílio do professor às vezes é difícil cobrar a dicip..., a ... atenção dos alunos, porque a gente não tem essa autoridade, é uma relação diferente da que ele tem com o professor, quando o professor dele está próximo, ele pode garantir algumas coisas, que o aluno não corra, que o aluno não saia, a gente não tem esse tipo de autoridade no ato (Ed. Debora).

Porém, é atribuída ao professor a responsabilidade quanto à adequação do comportamento do grupo e ao respeito às normas das instituições culturais.

(...) então tem muitos deles que chegam eufóricos, então tem alguns problemas de indisciplina, mas assim essas questões de problema de disciplina também fazem parte porque essa também é uma proposta do museu porque é um museu interativo, mas por outro lado se torna, a visita fica mais tranquila nesse grau de interesse, uma visita mais tranquila, e mais duradoura no museu, é quando os professores estão comprometidos. Porque quando os professores não estão comprometidos, não tem interesse, tanto os grupos espontâneos como os com monitoria com o educador eles acabam se dispersando (Ed. Leila).

(...) Então esse professor que vai já conhece, é aluno dele, e já é um professor que também tem aquele jogo de cintura pra chamar de ladinho: “ – Olha, dá um tempinho”, conversar sem conflitos, eu desconheço nesse ano e pouco que eu estou que tenham tido situações graves... (PCNP Ana).

Essa necessidade de uma autoridade que estabeleça limites e regras de convívio é sentida na ausência do professor.

Agora indisciplina, o que dá mais trabalho assim, o que os monitores mais cansam, muito, é recreio nas férias, mas aí a gente também sempre recebe a orientação dos nossos superiores: “ Olha, eles são, normalmente são crianças que vivem em abrigo ou estão numa situação bem de uma carência grande (Ed.Quézia).

- Eles vêm com um monitor do programa que normalmente eles, não, conheceram aquela semana, então não têm muita autoridade sobre eles, eles não têm aquela intimidade (Ed. Quézia).

Essa tensão é agravada com as dificuldades na realidade de ensino regular público, quanto à rotatividade, escassez, desestímulo e despreparo dos profissionais atuantes.

- Normalmente ele não sabe o que ele está fazendo ali e já peguei grupo que o professor falou: “Ah você fica aí com eles, que eu vou comer um pastel no

mercadão, aconteceu, “eu vou ali na 25 de março, tchau!” está tudo perto, ou ele vai dar uma volta ali no museu, e se eu quiser falar abobrinha, eu falo (Ed. Quézia).

Quanto à postura dos estudantes foram relatados que vários estudantes participantes do projeto surpreenderam seus professores por sua mudança de postura durante a atividade.

-E eles estavam muito atentos para o que o monitor estava explicando, foi muito legal mesmo. Eu até me surpreendi, porque o sexto ano que nós levamos era uma turma muito difícil, e eu pensei que chegando lá, eles iriam me dar muito trabalho, mas não foi assim, eles se comportaram super bem, prenderam bem a atenção deles com o curto tempo que tinha né, porque era de uma hora, uma hora e meia, então acabou não ficando vaga, em tempo vago, aproveitou bem o tempo (Profª Lisa). - Exatamente, e muitas vezes, independe, às vezes, uma sala que é terrível aqui, entra no passeio, eles participam, eles têm uma participação legal, né? (CP Lia). - Você sabe que jovem é imprevisível às vezes, como aquele que você menos espera e de repente, ele apronta. Sinceramente, a gente conversa muito sobre essas visitas nas instituições e os alunos às vezes nos surpreendem, eu não sei se é só nessa diretoria de ensino, mas a gente conversa muito com os professores, os coordenadores e os alunos que dentro da escola ele é difícil de lidar, ele surpreende a gente numa visita. Justamente porque eles não têm oportunidade, então, a ocorrência que pode acontecer e a gente tem ciência que aconteceu é o aluno se empolgar e ficar muito falante e começar a questionar muito (PCNP Ana).

A ausência de oportunidades de lazer e turismo geram expectativas nos estudantes em relação às visitas que se distanciam do olhar educativo formal.

- Então, os nossos alunos aqui, eles costumam dar muito mais trabalho dentro do que fora, então eles vão numa expectativa, é.depende do lugar visitado, é...então, às vezes, alguns voltam meio frustrados como os que ..., não frustrados, mas a expectativa foi maior que o que foi visto. Mas, a maioria, volta comentando, volta interessado, traz bons comentários, gosta do que vê (CP Lúcia).

A socialização promovida durante o passeio pode representar alteração na relação pedagógica escolar.

Quando o aluno está em outro espaço, com esse fortalecimento com o professor, com esse vínculo que ele cria, ele consegue observar competências e habilidades que muitas vezes não é observada na sala de aula, aí muda, o professor passa a ter um outro olhar e compartilha com o aluno: “- Então ele fez isso de positivo”., então isso também é muito importante, não é? (VD Gilda).

A configuração dos equipamentos culturais visitados difere em relação à escola não apenas quanto às relações de convívio e comportamento, mas também em relação à organização do tempo e do espaço.

O colégio vai chegar lá com três roteiros, certo? Com três sessões para fazer no roteiro dele (...) (Ed. Quézia).

Assim como as outras escolas que atendemos, eles passam por um roteiro de educação ambiental. Que possuem algumas etapas, momentos: primeiro há a recepção do grupo, são levados para um centro de visitantes que tem uma palestra que é falado coisas sobre o parque desde histórico, fauna, flora, biomas que são o cerrado e a mata atlântica, que é uma das questões principais que a gente trabalha e finalizamos com os impactos ambientais, que são os problemas e já passamos as orientações para seguirmos para a trilha (...) voltando da trilha tem um lanche que eles fazem em um bosque que fica aqui mesmo e depois a gente faz uma dinâmica para finalizar com um momento lúdico (Ed. Gilvan).

Em relação à organização do tempo e espaço na escola, apesar de estarmos vivendo um momento de transição em que políticas educacionais estabelecem como metas a ampliação do tempo na escola, alguns indícios apontam para poucas alterações na cultura escolar já existente.

Sim temos uma só nessa diretoria, nessas escolas as visitas podem ser agendadas tanto pela manhã como pela tarde, já que os alunos ficam o período todo. Mas os trâmites são idênticos (PCNP Bia).

Uma característica exibida como positiva no projeto é a proximidade do estudante com o conteúdo ensinado.

Então, quando vem bons alunos de áreas urbanizadas e se deparam com algumas plantas se surpreendem dizendo: “nossa, já vi essas plantas em livros e estou tendo a oportunidade vê-la aqui ao vivo”. Então vejo que aqui é uma oportunidade de comprovar que essas coisas existem. Biomas, cerrado, mata atlântica, insetos, tudo isso eles podem comprovar juntamente com o conceito teórico que eles trazem e enriquecem com nossos conteúdos teóricos e práticos que passamos aqui em nossa palestra (Ed.Gilvan).

Não há padronização entre as instituições parceiras, porém, devido às exigências do programa, as visitas não podem exceder o tempo de duração de duas horas e precisam estar localizadas a até 200 quilômetros da escola, pois se trata de uma atividade realizada dentro do horário escolar, as visitas precisam ser acompanhadas por profissionais do equipamento responsáveis pela mediação do conteúdo.

- Sim, é o mesmo tempo. São duas horas para todas as turmas, tanto do projeto quanto as outras (Ed. Gil).

Como o grupo é composto por até quarenta estudantes, durante a visita esse grupo é dividido em dois e cada subgrupo é acompanhado por um professor e um educador não formal. A importância desse profissional responsável pela mediação dos conteúdos culturais durante a visita é observada no comparativo entre grupos de tiveram mediações diferentes

- Como vão quarenta, geralmente senão sempre, quase sempre são divididos em dois grupos de 20, quando não três de 10. De 12, assim, acontece, já aconteceram várias vezes de um grupo voltar com uma visão totalmente diferente do outro grupo por conta da monitoria (CP Lúcia).

No relatório solicitado aos professores no retorno da vista está previsto a avaliação da mediação realizada pelos educadores ou monitores.

- Às vezes até quando acontece algo que não ocorreu muito bem, um monitor que não foi a contento, então, eles passam para mim, e na avaliação mesmo da FDE, lá pergunta como foi, se ocorreu tudo dentro da normalidade, como foi a postura da instituição, do monitor, do atendimento, se atendeu (PCNP Ana).