Spørsmål til skriftlig besvarelse med svar
Besvart 24. mars 1999 av samferdselsminister Dag Jostein Fjærvoll
Esta investigação é de natureza qualitativa, pois procura conhecer um determinado contexto ou grupo de sujeitos, tendo como referência as perspetivas, ações e interações sociais dos indivíduos (Bogdan & Biklen, 2010).
Segundo Carmo e Ferreira (1998), a abordagem qualitativa é holística e naturalista, pelo facto de considerar as situações e os indivíduos como um todo e no contexto natural onde ocorrem, estudando-os e analisando-os no seio desta mesma realidade, ou seja, dentro do seu quadro de referência. Bogdan e Biklen (2010) acrescentam que a metodologia em questão é também descritiva, pois procura compreender e documentar pormenorizadamente um fenómeno no seu contexto, não pretendendo a generalização dos resultados mas sim o estudo dos sujeitos e dos dados na sua realidade concreta, respeitando minuciosamente a forma em que estes foram registados ou transcritos.
Na metodologia de natureza qualitativa, os investigadores interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos procurando sempre conhecer e perceber todo o processo ocorrente, ao invés de se basear só nos resultados finais. Assim, o investigador qualitativo percebe o como e o porquê das ações ou factos que se concluem na investigação (Bogdan & Biklen, 2010).
Posto isto, a metodologia qualitativa enfatiza o conteúdo em detrimento do procedimento; a particularização ao invés da generalização dos resultados; a relação contextual e complexa e não a relação causal e linear; os resultados questionáveis em lugar dos resultados inquestionáveis; a relevância dos significados em vez do rigor (Coutinho, 2011).
A questão do rigor e da qualidade científica da investigação qualitativa tem gerado uma grande divergência e discussão, surgindo metodologias e linhas de pensamento que diferem entre si (Coutinho, 2011). Há, ainda, autores que afirmam que os conceitos de validade e fiabilidade dizem apenas respeito ao padrão quantitativo, sendo contrariados por autores que, por sua vez, acreditam que estes conceitos mantêm a pertinência e a presença na investigação qualitativa (Morse et al., 2002).
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Segundo Carmo e Ferreira (1998), a validade consiste na qualidade dos resultados, no âmbito de ser aceites e considerados dados rigorosos e empiricamente verdadeiros, já a fiabilidade baseia-se na hipótese que esses dados têm de ser recolhidos quando utilizado o mesmo instrumento duas vezes ao mesmo fenómeno, independentemente do instrumento, das circunstâncias da aplicação ou do investigador (Coutinho, 2011).
Para assegurar a viabilidade e a fiabilidade, Morse et al. (2002) definiram um conjunto de estratégias de verificação a ser utilizadas pelo investigador, são elas:
Coerência metodológica;
Adequação da amostragem teórica;
Processo Interativo de recolha e análise de dados; Pensar de forma teórica;
Desenvolvimento da teoria.
Estas estratégias visam testar, confirmar e assegurar a estrutura, as etapas e a direção da investigação, apurando assim o rigor e a qualidade científica ao possibilitar a identificação, reflexão e consequente correção de erros a tempo de não haver qualquer interferência na análise do estudo (Coutinho, 2011; Morse et al., 2002).
A coerência metodológica foi a estratégia que me pareceu mais apropriada para responder devidamente às questões de investigação. Desta forma, procurei participantes que se mostrassem recetivos à exploração de um tema que lhes suscitava bastante interesse, apelando ao diálogo fluído para que conseguisse recolher a maior e melhor informação possível.
Relativamente ao processo interativo de recolha e análise de dados, trata-se de um processo que foi realizado ao longo de todo o decorrer do estudo e foi também através dele que consegui refletir e basear-me numa construção ponderada da investigação.
Critérios de Confiança
Coutinho (2011) refere que o processo de investigação qualitativa se deve reger pelos critérios de credibilidade, transferibilidade, consistência e confirmabilidade.
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O primeiro dos critérios – credibilidade – corresponde à capacidade das construções/reconstruções do investigador representarem os fenómenos do estudo e o parecer dos participantes do estudo, levando a que estes confirmem os dados. Para assegurar tal critério de confiança existem técnicas variadas, tais como a triangulação, a revisão por pares (peer defriefing), o trabalho de campo prolongado e/ou a revisão pelos participantes (member checks) (Coutinho, 2011). No estudo em questão foram utilizadas duas das técnicas anteriormente mencionadas:
Revisão por pares (peer defriefing) – foi a primeira das técnicas que pus em prática, onde um elemento exterior ao estudo mas que, simultaneamente, conhece a problemática e o processo de investigação se disponibiliza a analisar os dados, ouvir e refletir os pareceres e inquietações do investigador (Coutinho, 2011). Uma colega de licenciatura e que sempre fez questão de seguir o meu percurso no Mestrado ofereceu-se prontamente a colaborar na realização desta técnica onde foram realizadas várias sessões com conversas informais onde se abordaram diferentes questões, opiniões, ideias e preocupações e, também muito importante, pareceres sobre a postura a adotar enquanto investigadora. Foi uma colaboração que enriqueceu o estudo, uma vez que um outro olhar nos faz descobrir, também, outras perspetivas.
Revisão dos participantes (members check) – técnica utilizada para que os participantes certifiquem e confirmem os dados outrora recolhidos, as interpretações a eles efetuadas e as conclusões que surgiram (Coutinho, 2011). Assim, entreguei a cada um dos participantes a análise que elaborei aos dados que me foram facultados, onde estes puderam confirmar se as interpretações feitas por mim correspondiam, ou não, às suas experiências e opiniões.
A transferibilidade é o segundo critério mencionado por Coutinho (2011) e revê- se na capacidade de os resultados obtidos num determinado estudo serem aplicados noutros contextos. Posto isto, esforcei-me para abordar e descrever detalhadamente todas as singularidades da presente investigação no sentido de aumentar a perceção do estudo e de possibilitar a outros investigadores avaliar se este se revelaria pertinente quando aplicado em contextos diferentes.
A consistência – terceiro critério – é a capacidade de investigadores externos seguirem o método usado pelo investigador e, por último, a confirmabilidade procura apurar se este estuda objetivamente os conteúdos subjetivos dos sujeitos (Bogdan & Bilken, 2010), buscando a confirmação de outros investigadores sobre as suas
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construções. Este último critério pode ser confirmado através de técnicas como o processo de auditoria (Coutinho, 2011) e/ou o diário reflexivo (Lincoln & Guba, 1985, citados por Martins, 2006).
No meu estudo fiz-me sempre acompanhar por um diário reflexivo onde, no decorrer de toda a investigação fui efetuando registos de observações que achei pertinentes por parte da orientadora, reflexões acerca dos processos adotados na procura e contacto dos pais, o agendamento das entrevistas e respetivos locais, referência bibliográficas que me pareciam de leitura e posterior utilização pertinente, bem como toda a informação que foi surgindo e eu achei digna de registo.
Desenho do Estudo
Participantes
Para a realização da investigação foram selecionados intencionalmente participantes que se encaixavam num conjunto de critérios e características específicas, de modo a, na realização da entrevista, as suas respostas se revelarem úteis e pertinentes na recolha de dados pretendida.
Na investigação do tipo qualitativo não conseguimos prever qual a quantidade e o tipo de participantes que teremos. Assim, a escolha dos indivíduos revelar-se-á no decorrer da investigação (Lincoln & Guba, 1985).
Decidi começar a contactar algumas das sedes da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA), mais concretamente a do Porto, Viseu, Santarém, Lisboa e Setúbal. Quase todas as sedes tinham Grupos de Apoio entre Pais a funcionar e, as que não tinham, mantinham contacto com as famílias que haviam participado em tais reuniões quando estas se realizavam. No entanto, o processo de seleção das participantes revelou-se bastante complicado devido à dificuldade de colaboração dos pais, que argumentavam ter muito pouco livre e/ou pouca vontade de falar sobre o assunto, acabando sempre por receber uma resposta negativa relativamente à sua colaboração na minha investigação.
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Perante as dificuldades, decidi readaptar o estudo e, assim, o tema foi alterado para ir ao encontro de um grupo de participantes com características diferentes mas que me forneceria informação igualmente útil.
Após vários contactos, uma Equipa de Intervenção Local conseguiu que alguns dos pais estivessem dispostos a falar comigo de forma a conhecer a investigação e qual o seu papel nela.
Alguns membros da ELI, após consentimento dos pais, forneceram-me o contacto de quatro mães e de um casal. De todos esses contactos, apenas uma mãe não me atendeu e, depois de algumas tentativas, preferi respeitar. As restantes quatro famílias foram responsivas ao meu contacto. O telefonema foi rápido e simples, onde me comecei por apresentar e por explicar o que pretendia, todas as famílias foram recetivas à ideia e a disponibilidade mostrada foi alargada, sentindo-se à vontade para escolher o local da entrevista.
Posto isto, na presente investigação colaboraram quatro mães, todas elas mães de crianças com PEA com idades compreendidas entre os 2 e os 6 anos, residentes do distrito de Braga.
Instrumento de Recolha de Dados: Entrevista Semiestruturada
Coutinho (2001) enfatiza a importância da escolha correta do instrumento de recolha de dados, justificando que este é uma etapa decisiva do estudo, uma vez que o investigador terá que refletir, eleger e, caso necessário, adaptar e/ou construir o instrumento que vá mais ao encontro dos objetivos da investigação.
A entrevista é um instrumento de recolha de dados primordial quando se trata de pesquisa de terreno. O recolher de testemunhos, opiniões, acontecimentos, experiências e significados concedidos pelos participantes em relação ao tema do estudo em causa faz com que o conhecimento seja mais aprofundado e abrangente (Guerra, 2006).
Este tipo de entrevista baseia-se num guião de perguntas sobre temas previamente estabelecidos pelo investigador, no sentido de ir ao encontro do que se pretende estudar e aprofundar, para que a finalidade do estudo seja alcançada (Boni & Quaresma, 2005; Kvale, 1996). Sendo qualitativa e descritiva, a entrevista visa recolher informações particulares de cada um dos entrevistados, tendo como tema a rotina e a vida dos mesmos.
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Trata-se de um instrumento de recolha de dados que busca uma interação de ambas as partes – o investigador e o entrevistado, exigindo assim que o contacto seja direto, surgindo então o aglomerar de informações que os participantes vão fornecendo com o decorrer da entrevista (Kvale, 1996).
Este instrumento de recolha de dados assume a vantagem de, apesar da existência de um guião, criar uma amplitude de temas considerável, o que permite ao entrevistador levantar uma série de tópicos e fazer com que o entrevistando consiga moldar o seu discurso, uma vez que o entrevistador o encoraja a abordar uma área de interesse para, de seguida, a explorar mais pormenorizadamente (Bogdan & Biklen, 2010). Para que tal aconteça, a entrevista deverá seguir uma temática que se prenda à investigação, não devendo obedecer a uma estrutura rigorosa com perguntas fechadas e diretivas, mas não sendo, também, possível a ausência de uma estrutura, com perguntas abertas (Kvale, 1996), de forma a que o sujeito se expresse livremente sem se afastar do tema em foco. Boni e Quaresma (2005) enumeram algumas vantagens da entrevista semiestruturada, afirmando que esta é uma boa solução para a dificuldade que os sujeitos a ser entrevistados possam ter em expressar-se por escrito. Outra das vantagens mencionadas pelos autores é a elasticidade da duração da entrevista, fazendo com que o entrevistador tenha o tempo necessário para aprofundar os temas que considerar oportunos; na entrevista semiestruturada, o entrevistador tem também liberdade para esclarecer os temas ou questões que coloca, de forma a que o sujeito compreenda a finalidade da questão e colabore da melhor forma. A última vantagem da entrevista enumerada pelos autores, referenciados anteriormente, diz respeito à possibilidade de se colocarem novas questões que não se encontram no guião mas que, no momento, são oportunas e trazem informação útil à investigação.
Na investigação que apresento, a entrevista visa apurar quais as perspetivas de mães de crianças com PEA acerca dos Grupos de Apoio entre Pais, baseando-me nas suas vivências, personalidades e necessidades.
Sendo uma investigação sempre regida pelos valores éticos que lhe eram exigidos, só foram contactadas as famílias em questão depois de elas mesmas consentirem tal chamada, altura em que lhes foi assegurado o anonimato. Antes da realização da entrevista foi, também, devidamente esclarecida a questão da confidencialidade das respostas (Bogdan & Biklen, 2010).
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Elaborou-se, inicialmente, um guião de entrevista semiestruturada, tendo a supervisão e posterior correção ficado ao encargo da minha orientadora. Como já referido, o guião foi constituído por várias perguntas semiestruturadas, ordenadas adequadamente de forma a ir ao encontro da finalidade da investigação (Carmo & Ferreira, 1998), contudo, a aplicação do mesmo apresentou uma flexibilidade no rumo que seguia (Kvale, 1996), adaptando-se a cada um dos entrevistados em questão.
O local das entrevistas variou – a primeira realizou-se num parque infantil, onde a mãe respondeu confortavelmente às minhas questões enquanto o seu filho brincava; a segunda realizou-se em casa da mãe, onde esta conversou comigo na presença da filha mais velha, que se encontrava a ver televisão no mesmo espaço; a terceira entrevista foi realizada num café em frente à creche da criança com PEA; e, por último, a quarta entrevista foi realizada em casa do casal, que orgulhosamente me deu a conhecer a sua filha enquanto a entrevista ganhava um rumo – mas em todas elas foi feita uma introdução à temática que iria ser abordada.
Antes de iniciar a entrevista, pedi autorização para que a mesma fosse gravada, para que nenhuma informação me escapasse enquanto o diálogo e contacto surgiam de forma natural – todas as respostas foram positivas. Depois de me apresentar e de dar a conhecer a minha investigação, fiz questão de esclarecer em que consistiam os Grupos de Apoio entre Pais e não prossegui para as questões iniciais sem perguntar se havia algo a esclarecer.
Após luz verde dos pais para se iniciar a entrevista, foram colocadas duas questões iniciais que visam integrar o participante na entrevista e acolhê-lo no tema, deixando-o à vontade de modo a originar um ambiente conveniente à sua colaboração e uma intropatia entre este e o investigador (Kvale, 1996).
Quando a adaptação do entrevistado pareceu atingida, avançou-se para as questões mais direcionadas ao tema em estudo, sendo estas questões mais diretas e em busca de dados úteis à recolha pretendida. Em todas as entrevistas foi tido em atenção não só a informação que era revelada verbalmente, mas também a postura corporal e todas as mensagens não-verbais que os entrevistados me transmitiam (Kvale, 1996).
Para finalizar as entrevistas, foi dada oportunidade ao participante de acrescentar alguma informação que achasse oportuna e/ou de tecer algum tipo de correção ou recomendação referentes ao guião e à sua aplicação.
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Realizadas todas as entrevistas com sucesso, as mesmas foram transcritas na íntegra por mim de forma a que toda a informação ficasse registada por escrito. Verifiquei que, como afirmam Bogdan e Biklen (2010), cada entrevista se encontra ligada à seguinte pelo facto de a informação recolhida ser aglomerada de entrevista para entrevista.
Análise de Dados
A informação recolhida num determinado estudo equivale a materiais em bruto que o investigador opera, manipula e analisa para, assim, obter um significado relevante no se refere à investigação a decorrer. Esses materiais formam, então, a base da análise – procedimento onde os dados brutos se convertem em resultados (Bogdan & Biklen, 2010).
A análise de conteúdo é o método adequado para a minha investigação uma vez que oferece a possibilidade de tratar de forma sistematizada informações e relatos (recolhidos através da entrevista semiestruturada) que apresentam um determinado grau de complexidade. É este tipo de análise que “permite satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva, que nem sempre são facilmente conciliáveis” (Quivy & Campenhoudt, 1998, p. 227).
Segundo Bardin (2009), a análise de conteúdo consiste num conjunto de instrumentos cada vez mais ténues em constante evolução, que se aplicam a contextos cada vez mais diversos, sendo um aglomerado de técnicas de análise das mensagens recolhidas, utilizando procedimentos metódicos e objetivos de descrição do conteúdo das comunicações, de forma a alcançar indicadores que permitam a dedução e interpretação de conhecimento.
Gómez, Flores e Jiménez (1999) afirmam que a análise de dados qualitativos pode ser explicada como um processo intuitivo e flexível, que vai avançando orientado para encontrar significados relevantes em relação á problemática da investigação nos dados recolhidos.
Este tipo de análise assenta em três polos cronológicos, são eles: a pré-análise – fase em que o investigador, baseado nas suas intuições, sistematiza e torna operacionais as suas ideias iniciais; a exploração do material – que consiste na exploração dos segmentos de texto que se entendem pertinentes para análise; e, por último, o tratamento
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dos resultados, inferência e interpretação – onde os resultados em bruto são tratados de forma a ser significantes e válidos (Bardin, 2009).
A pré-análise, como já referido, surge na fase de intuições que o investigador gera, criando uma estrutura e uma organização que permita que as ideias iniciais sejam possíveis de se realizar. Nesta fase, para além da eleição dos documentos ou informações que serão submetidos a análise, o objetivo passa também pela criação de pressupostos que serão indicadores para a interpretação final (Farago & Fofonca). É neste primeiro polo cronológico que o investigador efetua uma leitura às entrevistas transcritas, acrescentando conteúdo ao conjunto de dados para análise (Bardin, 2009).
O segundo polo cronológico – exploração do material, é a etapa em que surgem os índices nas entrevistas, isto é, os fragmentos de texto que são selecionados conforme o grau de importância ou pertinência para análise, podendo estes excertos de texto ser unidades de registo – parte do texto que terá como finalidade a análise, ou unidades de contexto – como o nome indica, trata-se de um segmento de texto mais vasto, que tem como objetivo contextualizar as unidades de registo (Bardin, 2009; Lima, 2013; Magalhães, 2014).
O último dos polos – tratamento dos resultados – onde os dados terão que ser tratados de forma a ser significantes e válidos, possui intervenções simples ou complexas que levem o investigador a criar um quadro de conclusões, diagramas, figuras e modelos (Dornelles, Medeiros & Martins, 2014).
Quivy e Campenhoudt (1998) explicam que os métodos de análise de conteúdo exigem a aplicação de processos técnicos relativamente específicos, pois apenas a utilização de métodos estáveis e construídos possibilita ao investigador a elaboração de uma interpretação livre de valores e representações pessoais.
As técnicas da análise do conteúdo são, em termos cronológicos e segundo Bardin (2009), a próxima etapa da investigação. Esta etapa reparte-se em seis diferentes fases, tendo sido a primeira delas utilizada por mim no presente estudo. Trata-se da análise
categorial e é a mais elementar das fases, onde é feita a separação do texto em diferentes
categorias que dão origem a reagrupamentos semelhantes;
Na presente investigação, o sistema de categorias regeu-se pelo processo dedutivo e pelo processo indutivo. A primeira parte de um conjunto de categorias previamente criadas conforme as revisões bibliográficas, já o segundo processo dá origem a novas
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Grupos de Apoio entre Pais
Dinâmicas de funcionamento
Locais de
realização Frequência de realização
Tipo de Participação dos profissionais Papel na ajuda a outros pais Papel na criação Importância Benefícios
categorias e subcategorias que surgiram nos dados que foram recolhidos na entrevista (Bardin, 2009). A cada uma das categorias criadas foi atribuída uma denominação que englobasse tudo sobre o significado e conceito a ser apreendido, no sentido de tornar mais fácil a assimilação dos aspetos mais pertinentes que fui selecionando com a recolha de dados (Vala, 2005).
As categorias foram criadas antes da realização das entrevistas e, à medida que as entrevistas eram feitas e os dados recolhidos, surgiram as subcategorias. Durante todo este processo os quatro princípios recomendados por Gómez, Flores e Jiménez (1999) foram tidos em conta, sendo eles:
Princípio da exaustividade – onde todo o conteúdo considerado relevante para a investigação deve estar inserido numa das categorias anteriormente formuladas; Princípio da exclusividade – assegura que cada um dos componentes recolhidos
seja colocado em apenas uma das diferentes categorias;
Princípio da objetividade – exige que as características de cada categoria sejam claras e bem explícitas, de forma a evitar dúvidas, incertezas ou indecisões; Princípio da pertinência – certifica que as categorias se relacionam estreitamente
com os objetivos que foram delineados para o estudo em questão.
Após todos os aspetos a considerar, o sistema de categorias formado e empregado neste trabalho de investigação é apresentado na Figura 1, através do seguinte esquema:
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