Spørsmål til skriftlig besvarelse med svar
Besvart 10. mars 1999 av fungerende justisminister Dagfinn Høybråten
O estágio profissional, iniciado em Outubro de 2015, sob a orientação dos professores cooperantes José Fernando Silva, António Luís Ribeiro e da professora supervisora Maria Helena Vieira, apresenta um balanço pessoal e profissional bastante positivo. Ainda assim, sublinha-se a dificuldade do tema pelas poucas referências ao nível dos estudos efectuados nesta matéria, obrigando a uma constante reflexão sobre a praxis educativa, na tentativa de se averiguar o valor pedagógico da exemplificação instrumental pelo professor nas
aulas de oboé. Numa primeira fase, a interrogação, a análise e o pouco debate quanto ao assunto, acabou
por causar algumas dúvidas quanto ao que seria objecto específico de averiguação; posteriormente, a clarificação do objecto de estudo veio revelar um trabalho extremamente interessante e profícuo para a acção pedagógica que poderá auxiliar os profissionais a reflectir sobre as práticas ao nível da exemplificação instrumental em sala de aula.
As inferências explanadas neste relatório tiveram a sua origem nos registos de observação, nos planos de aula e subsequentes reflexões, nas tabelas de averiguação e suas narrativas de aprendizagem, na entrevista realizada ao corpo discente da classe de Oboé envolvido no estágio, assim como, nas respostas ao inquérito por questionário, tidas em conta no que à análise da visão dos professores diz respeito. Em traços gerais, através da análise dos resultados obtidos, julga-se que os objectivos enumerados no projecto de intervenção pedagógica foram alcançados com sucesso. Não tendo havido comparação a longo prazo com outros métodos de ensino e outros contextos escolares, esta investigação reflecte a dimensão particular do contexto educativo onde se realizou o estágio profissional, sendo recomendada alguma cautela quanto a possíveis generalizações, ainda que o tema em análise seja abrangente a todo o ensino instrumental.
Estando averiguadas as concepções sobre a exemplificação instrumental, este trabalho pretendeu sobretudo colocar o foco investigativo no proveito que os alunos retiram desta estratégia didáctica para a sua
aprendizagem instrumental. Neste sentido, e neste particular contexto do ensino de oboé, a exemplificação
instrumental revelou-se um método eficaz, facilitando o uso de estratégias verbais e a aprendizagem de vários elementos técnicos, porém, com resultados inconclusivos quanto à maximização das competências performativas dos alunos. É plausível equacionar-se que se estabeleça um certo padrão performativo que permite ajudar os alunos no trabalho a realizar em determinado exercício musical, tendo em conta a opinião dos mesmos.
A exemplificação instrumental, revelando-se uma mais valia em todos os graus de ensino, foi sobretudo utilizada nos graus de aprendizagem mais avançados, parecendo estes, na opinião do investigador,
beneficiar mais do uso da mesma. É possível que a justificação para este resultado resida no facto de que, em graus de aprendizagem menos avançados, a exemplificação se tenha relacionado com a correcção de problemas de leitura musical e com a percepção auditiva global do exercício a trabalhar; já em graus de aprendizagem mais avançados, os diferentes tipos de exemplificação utilizados estiveram relacionados com a abrangência de domínios a desenvolver, nomeadamente no trabalho voltado para os exercícios “estudos” e “peças”.
Do ponto de vista dos alunos, a exemplificação instrumental pelo professor parece ser do agrado de todos os discentes, até por comparação às gravações, e a componente imitativa, após a percepção auditiva de determinado erro, parece ser o elemento mais vincado pelos mesmos, trazendo simultaneamente mais segurança à sua performance. Ainda que tenham afirmado tomar atenção à performance integral dos docentes, sendo assim beneficiados quase todos os conteúdos enumerados (com excepção de “gosto musical” e “memorização”), a redução da informação obtida revela a especificação de elementos técnicos e musicais como: “qualidade do som”, “ritmo”, “embocadura”, “dedos”, “articulação”, “timbre” e “dinâmicas”, útil sobretudo nos exercícios “estudos” e “peças”, mediante a análise de resultados realizada. Todos os tipos de exemplificação instrumental parecem ter beneficiado a aprendizagem, porém os alunos de ambos os contextos de intervenção (individual e colectivo), apontam que a utilização de estratégias de exemplificação que não permitam a posterior imitação se revelaram pouco benéficas à sua aprendizagem, ainda que diferentes idades revelem diferentes níveis de consciência quanto ao assunto. No que se refere ao aspecto interpessoal da exemplificação em sala de aula, este estabeleceu-se como o elemento-chave na averiguação do papel da exemplificação instrumental pelo professor, revelando-se uma estratégia fundamental ao nível da motivação. Foi referido que a exemplificação instrumental (ainda que relacionada com a substituição de um aluno), “criou uma direcção musical”, tornando “mais claro e fácil de tocar” o exercício a trabalhar, segundo a opinião do Aluno G, que corrobora as informações obtidas através da revisão de literatura.
Os alunos do 1º ciclo (contexto individual), através do preenchimento das tabelas de verificação, revelaram que quase todos os itens por eles assinalados (“postura”, “respiração”, “embocadura”, “qualidade do som”, “dinâmicas”, “pulsação”, “articulação”, “melodia”, “motivação”), foram uma ajuda para a sua aprendizagem, com excepção da “afinação” e do “fraseado”. Nos exercícios “estudos”, todos os tipos de exemplificação assinalados pelos alunos revelaram-se benéficos, ainda que “explicar cantando” tenha ajudado menos. Nas “peças”, “explicar oralmente” não se revelou tão essencial à aprendizagem como os restantes tipos de exemplificação assinalados e as estratégias que não incluíram a imitação posterior pelos alunos não se revelaram uma ajuda para o domínio instrumental dos mesmos.
No 2º ciclo (contexto individual), ainda que em níveis de importância diferentes, quase todos os conteúdos parecem ter sido beneficiados pelo uso da exemplificação, com excepção da memorização. No exercício “escalas”, as estratégias didácticas “explicou cantando” e todos os tipos de exemplificação que não permitiram a imitação posterior pelos alunos, não ajudaram. Já “explicou oralmente”, “tocou exercícios de domínio técnico e o aluno imitou”, “tocou em uníssono com o aluno”, segundo a opinião destes alunos, parece ter ajudado. No exercício “estudos”, “caricaturar” o desempenho do aluno parece não se ter verificado e todas as outras estratégias, ainda que menos os tipos de exemplificação em que os alunos não imitaram posteriormente, se revelaram benéficas à aprendizagem. Quanto às “peças”, os alunos do 2º ciclo referem que todos os tipos de exemplificação ajudaram, mas, mais uma vez, os tipos de exemplificação que não permitiram a posterior imitação parecem ter ajudado menos.
No que se refere ao Ensino Secundário, a aprendizagem de diferentes conteúdos enumerados beneficiou do uso da exemplificação instrumental, ainda que bastante menos no que se refere à “memorização”. Este facto deve-se à pouca incidência da intervenção neste conteúdo de forma específica, em todos os graus de aprendizagem instrumental. Todos os tipos de exemplificação nos exercícios “escalas”, “estudos” e “peças” parecem ter sido uma mais valia para a aprendizagem, ainda que bastante menos os que não possibilitavam a posterior imitação dos alunos.
No contexto colectivo, tendo sido realizados alguns exercícios de exemplificação instrumental, o foco de averiguação foi colocado nas “peças”, ainda que se tenham realizado exercícios de aquecimento envolvendo escalas e diversos exercícios técnicos. Quase todos os conteúdos assinalados foram beneficiados pelo uso da mesma, ainda que bastante menos no que se refere à “embocadura” e ao “fraseado”. A “memorização” e a “destreza técnica” não foi melhorada através das exemplificações e, ainda que “caricaturar” o desempenho dos alunos e tocar em “uníssono” com os mesmos tenha ajudado menos, quase todos os tipos de exemplificação ajudaram (menos os que não permitiam a posterior imitação), segundo a opinião dos discentes.
Os professores inquiridos apresentam igualmente uma opinião favorável à exemplificação instrumental em todos os graus de ensino instrumental e em diferentes conteúdos técnicos e musicais, mediante os diferentes exercícios a trabalhar (escalas, estudos e peças). Em graus de ensino menos avançados, permite dar ao aluno uma imagem sonora global do exercício propostos, permitindo a descodificação musical do mesmo, e em graus de ensino mais avançados valoriza o trabalho interpretativo, abrangendo diversos conteúdos e diferentes tipos de exemplificação instrumental, tal como verificado ao longo da intervenção. O tipo de exemplificação pelo professor que possibilita a “caricatura” dos alunos é o item mais controverso, havendo professores que o defendam e outros que o consideram pedagogicamente
inadequado. Na comparação exemplificação instrumental versus gravação, estas apresentam propósitos distintos e ainda que ambas sejam boas ferramentas de aprendizagem, a exemplificação instrumental apresenta-se pedagogicamente mais válida em contexto sala de aula que uma gravação, na opinião dos respondentes.
Por fim, uma vez que esta investigação não proporcionou a formação de diferentes grupos de investigação, julga-se pertinente reproduzir o mesmo tipo de estudo envolvendo um grupo de controlo e um grupo experimental, possibilitando posteriores generalizações. Consequentemente, o estudo deste tema suscitou questões que podem muito bem representar o âmbito de futuras investigações, nomeadamente no que diz respeito à utilização de diferentes tipos de modelação em contextos nos quais os alunos apresentem baixos níveis de motivação para a aprendizagem musical e/ou apresentem dificuldades de aprendizagem. Pretendendo o estudo da exemplificação instrumental pelo professor nas aulas de oboé ser um contributo, ainda que modesto, para a investigação sistemática desta prática, parece importante não escamotear que também em Portugal, à semelhança do que aponta Sink (2002) em relação ao ensino de música nos Estados Unidos da América, a falta de equidade e de um padrão de ensino musical nacional, revelam a face visível da dificuldade em ultrapassar alguma da subjectividade inerente à pesquisa realizada. No entanto, este trabalho, ajustando-se ao contexto onde se realizou o estágio profissional, seguiu as recomendações de investigação vigentes na literatura, na manifesta esperança de contribuir para a clarificação e a teorização de algumas práticas que se apresentam intuitivamente utilizadas na acção pedagógica quotidiana no nosso país. Assim, avaliado o impacto pedagógico da exemplificação instrumental pelo professor sob o ponto de vista dos discentes e desvelada a opinião dos docentes sobre a mesma, conclui-se que esta é uma estratégia amplamente utilizada e favorável ao ensino e à aprendizagem, não estando totalmente esclarecido o seu contributo directo nos diferentes aspectos do desenvolvimento instrumental dos alunos de oboé implicados no estágio profissional. Todos os actores envolvidos na investigação-acção estavam familiarizados com a exemplificação instrumental (ainda que intuitivamente), revelando agrado quanto à sua utilização, até por comparação ao uso de gravações.
Em suma, creio que o estágio profissional funcionou como catalisador para o desenvolvimento profissional e pessoal, que certamente reverberará na prática futura. Que a observação atenta do contexto e a reflexão constante sejam premissas da futura docência, proporcionando uma prática adequada às necessidades dos discentes, permitindo o seu desenvolvimento profissional e pessoal. Em jeito de epifania ocorrida no zénite desta caminhada pedagógica, deixa-se um trecho de Bowman (2002), o qual é susceptível de representar na perfeição, o estado de espirito face à transformação acontecida e à revelação e consciencialização consequentes da mesma:
Se, e quando a educação for bem sucedida, sê-lo-á, pelo facto de mudar quem nós somos: ausência de mudança, significará a ausência de resultados educacionais. Tornamo-nos educados à medida que reconhecemos a falibilidade do que já nos pareceu nos irrefutável; à medida que nos tornamos mais discernentes relativamente ao que esperamos do conhecimento e das experiências subsequentes; à medida que nos tornamos mais fluidos e diluídos no acto de aceder às coisas à nossa volta; e, à medida que nos tornamos mais apaixonados pelas coisas que conseguem ultrapassar o nível do mundano.93 (Trad. minha)
93If and when education succeeds, it does so by changing who we are: no change, no education outcome. We become educated as we come to recognize the
fallibility of what once seemed irrefutable; as we become more discerning of what we expect of subsequent knowledge and experience; as we become more fluent and agile at assessing things around us; and as we become more passionate about things that manage to surpass the level of the mundane. (Bowman, 2002, p.67)