• No results found

mars 2012 av fungerende barne-, likestillings- og inkluderingsminister Kristin Halvorsen

In document (2011–2012) (sider 34-40)

No que respeita a esta questão, colocada junto dos inquiridos das faculdades que empregam académicos estrangeiros, apenas um terço dos indivíduos confirma a existência de apoios especiais concedidos a pares de outras nacionalidades aquando do seu ingresso na Universidade do Minho. Veja-se a opinião crítica de um membro da Escola de Ciências:

"Muito pelo contrário. Lá está, se não fosse o próprio esforço da pessoa, eu estou convencida que nem a instituição nem o departamento fariam muito para a integrar, a não ser que essa pessoa lhes interessasse muito. Imagine que essa pessoa vem de uma Universidade qualquer, que traz uma técnica fantástica, que é preciso ter, e, portanto, que há um interesse muito

grande nessa pessoa. Então, aí de certeza que haveria um grande esforço porque há um interesse do departamento em integrá-la porque o departamento espera tirar proveito dessa pessoa a curto prazo. Agora, se simplesmente é um estrangeiro que responde a um concurso em igualdade com os outros e que se conclui que tem mais potencialidades e que acaba por integrar o departamento, tem que haver um esforço da parte dele e não vejo que o departamento fosse investir muito nessa integração." (Entrevista n.º24, Escola de Ciências)

Através da leitura do quadro 24 é possível verificar que tipo de apoios tendem a ser especificamente prestados aos docentes estrangeiros.

APOIOS AOS PARES ESTRANGEIROS EC EEG EENG IEP ILCH

Maior condescendência perante os seus erros ?? ??

Ajuda na aprendizagem da língua ?? ?? ?? ???

Ajuda na procura de alojamento ?? ???

Ajuda na escolha de escola para os filhos ?? Ajuda na compreensão/

resolução de questões burocráticas

??

Informações sobre a cultura portuguesa ?? ???

Atribuição de aulas mais fáceis/práticas ?? Convite para integração de grupos de lazer ??

IEC

(não se aplica)

Quadro 24 - Apoios especiais concedidos aos pares de outras nacionalidades aquando do seu ingresso na Universidade do Minho, por Escola/Instituto, segundo opinião dos docentes nacionais

Segundo os inquiridos deste estudo, os estrangeiros que vêm ocupar cargos de docência na Universidade do Minho encontram, sobretudo, apoios ao nível da aprendizagem da língua portuguesa:

"Uma delas veio e nem sequer sabia uma palavra de português, depois foi-lhe aconselhado que frequentasse um curso, e inscreveu-se no curso. Penso que o departamento não lhe pagou o curso de português mas, pelo menos, encaminhou-o e aconselhou-o. Houve um apoio nesse sentido." (Entrevista n.º14, Escola de Engenharia)

Na Escola de Engenharia, faculdade que aparenta desenvolver esforços assinaláveis em prol da integração dos colaboradores estrangeiros, destacam-se, ainda, apoios

concedidos ao nível da procura de alojamento, da escolha de estabelecimentos de ensino para os seus filhos, da compreensão e resolução de burocracias inerentes à administração pública portuguesa, e da prestação de informações sobre a cultura nacional. Eis um comentário exemplificativo:

"Digamos, pela dificuldade de integração, pela dificuldade da língua, há uma maior ajuda, por parte até dessas pessoas que integram a tal comissão de integração. Procura-se ajudar na procura de casa, na resolução de problemas burocráticos… (… ) Portanto, pelo facto de serem estrangeiros, há um conjunto de situações que têm que ser tratadas e procura-se ajudar essas pessoas a minimizar o seu impacto." (Entrevista n.º13, Escola de Engenharia)

Também o Instituto de Letras e Ciências Humanas tende a fornecer informações respeitantes à cultura nacional e a prestar auxilio ao nível da procura de alojamento:

"Às vezes chegam e não têm apartamento e procuramos ajudá-los nesse sentido. (… ) Procuramos, realmente, ajudá-los a adaptar-se aqui ao departamento e ao próprio país. Mantendo, obviamente, a sua liberdade e independência, mas mostrando que nós estamos aqui para ajudá-los se necessário." (Entrevista n.º34, Instituto de Letras e Ciências Humanas)

Já as faculdades de Ciências e de Economia e Gestão assumem-se mais condescendentes face aos erros inicias que os académicos estrangeiros tendem a cometer. Na Escola de Ciências, um inquirido refere, também, a tendência para serem atribuídas aulas consideradas mais fácies, sobretudo práticas, aos docentes estrangeiros recém- chegados, enquanto um outro menciona os convites que lhes são endereçados a fim de integrarem os grupos de lazer existentes. Eis o comentário deste último: "Temos, por exemplo, um grupo de karting e um grupo de futebol. Isso é, até, uma maneira de integrar os mais novos, até de outras nacionalidades".

Por outro lado, cerca de metade dos indivíduos que participaram neste estudo explica que não daria qualquer conselho, a título pessoal, a um académico pertencente a um grupo

minoritário que ingressasse na sua faculdade. O quadro 25 enumera o conjunto de conselhos potencialmente prestados aos pares de grupos de identidade minoritários, segundo a opinião dos restantes inquiridos.

CONSELHOS ÀS MINORIAS EC EEG EENG IEP IEC ILCH

Cautela nas relações pessoais ?? ??

Cautela nas suas actuações ?? ??

Ser honesto/verdadeiro ?? ?? ??

Mostrar-se/revelar-se (não se esconder) ??

Empenho na sua integração ?? ?? ?? ??

Empenho na aprendizagem da língua portuguesa ?? Empenho no conhecimento da cultura portuguesa ?? Empenho na compreensão da AP portuguesa/

universidade

??

Empenho em inteirar-se dos problemas da Escola ?? Discrição na opção sexual (no caso de

homossexual/bissexual)

?? ?? ?? ??

Quadro 25 - Conselhos concedidos a título pessoal aos pares pertencentes a grupos de identidade minoritários aquando do seu ingresso na Universidade do Minho, por Escola/Instituto, segundo opinião dos docentes nacionais

O conselho mais frequentemente mencionado pelos inquiridos desta amostra, dirigido aos pares de grupos minoritários, recai no desenvolvimento de um empenho e esforço consideráveis ao nível da integração na faculdade. Convém, ainda, destacar uma série de outros conselhos, menos frequentemente aludidos, e que vão, de certo modo, ao encontro de uma melhor integração por parte desses indivíduos. São eles o empenhamento na aprendizagem da língua, da cultura e da administração pública portuguesas, e a diligência em conhecer os problemas da organização. Em seguida, destaca-se a recomendação da discrição da opção sexual, no caso de um homossexual ou bissexual, emergindo, portanto, uma posição de pouca tolerância perante este grupo de identidade minoritário. O comentário que se segue é representativo:

"Quer dizer, ao nível da questão da orientação sexual, se calhar não diria para esconder, mas para ser discreto, para ser mais discreto, por causa dos problemas que pode vir a ter. Se calhar, sobretudo ao nível do relacionamento com os alunos." (Entrevista n.º26, Instituto de Educação e Psicologia)

Por sua vez, alguns inquiridos da Escola de Economia e Gestão e um membro da Escola de Engenharia sugerem uma especial cautela ao nível das relações pessoais e, uma vez mais, certas pressões para o conformismo e harmonização comportamental. Os seguintes excertos exemplificam este ponto de vista:

"Portanto, para ser cauteloso na gestão política da sua actividade aqui, na sua interacção, não hostilizar, procurar não hostilizar excessivamente certos grupos poderosos, etc. No fundo, acho que daria esse conselho a qualquer pessoa. (… ) Mas, claro, porque elas são mais frágeis à partida e estão em piores condições de se defenderem, qualquer deslize é apontado." (Entrevista n.º1, Escola de Economia e Gestão)

"Eu diria que fosse sempre muito discreto e muito cauteloso na forma como manifesta os seus pontos de vista em relação às alterações do estado das coisas. Regra n.º1: não prejudicar; regra n.º2: fazer-se de coitadinho e não dizer 'eu estou aqui, sou capaz e faço!', isso, claramente, não! (… ) Ter cuidado, sobretudo, se não tiver o mínimo de apadrinhamento." (Entrevista n.º11, Escola de Engenharia)

Em contrapartida, um pequeno número de indivíduos (membros da Escola de Economia e Gestão, do Instituto de Educação e Psicologia e do Instituto de Letras e Ciências Humanas) refere a importância do novo recurso humano, membro ou não de algum grupo minoritário, revelar honestidade nas suas opiniões e posições:

"Sim, uma coisa que é muito importante é a pessoa definir bem aquilo que quer e comportar- se de acordo com o que pretende, ser muito honesta. Acima de tudo isso. Não se deixar influenciar por algumas posições, a pessoa definir por ela aquilo que quer fazer. Mas dava esse conselho a qualquer pessoa." (Entrevista n.º25, Instituto de Educação e Psicologia)

In document (2011–2012) (sider 34-40)