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april 2012 av forsknings- og høyere utdanningsminister Tora Aasland

In document (2011–2012) (sider 52-59)

Este ponto visa, no fundo, sintetizar a posição de cada Escola ou Instituto perante os diferentes grupos de minorias contemplados nesta investigação: estrangeiros, indivíduos de raça não branca, indivíduos com religiões distintas da católica, homossexuais ou bissexuais e diminuídos físicos. Para tal, os vários inquiridos foram convidados a seleccionar a expressão que, em seu entender, reflecte com maior rigor essa orientação: "a evitar", "a tolerar", "a valorizar" ou "a tirar partido", termos com uma conotação que varia do francamente negativo ao claramente positivo e estratégico. De notar, porém, que em relação a algumas dimensões vários respondentes preferiram acrescentar uma expressão neutra: "irrelevante" ou "indiferente". Outras expressões espontaneamente mencionadas, embora com menor frequência, são "a homogeneizar" e "a integrar".

Ora, segundo a opinião dos indivíduos deste estudo, a expressão mais frequentemente apontada como a que reflecte de um modo mais preciso a posição da respectiva faculdade face os diferentes grupos minoritários é "irrelevante/indiferente". Aliás, não se verifica qualquer alusão à diversidade nos objectivos estratégicos das várias unidades orgânicas. A generalidade dos inquiridos assume, portanto, que os atributos de identidade são encarados como algo neutro na sua instituição. Excepção feita, porém, aos estrangeiros, grupo de identidade relativamente ao qual um maior número de inquiridos fez

corresponder a expressão "a valorizar" ou "a tirar partido", o que revela o interesse em capitalizar os seus conhecimentos e experiências. Eis alguns excertos de entrevistas exemplificativos destes resultados:

"Suponho que o que se tem visto é uma certa valorização da Escola com a experiência dos estrangeiros, o tirar partido. (… ) Claro que no que respeita a essa dimensão é mais difícil raciocinar em termos de valorizações porque, quer dizer, isto não é propriamente uma instituição de solidariedade, é uma instituição de organização e reflexão de saberes e de formação e, portanto, é difícil trazer para aqui um negro só para termos um negro, por exemplo. (… ) Quanto às outras minorias, eu penso que não há posição nenhuma, é no sentido da irrelevância da questão " (Entrevista n.º37, Instituto de Letras e Ciências Humanas)

"Ora bem, eu inclino-me mais para última, de tirar partido dos estrangeiros. Mas não tirar partido no sentido de explorar, tirar partido no sentido de aproveitar aquilo que de bom as pessoas têm e que pode contribuir para a Escola. No fundo, é assim: se a Escola evoluir, todos nós somos beneficiados. Se a Escola tiver uma boa imagem, e a Universidade, em geral, tiver uma boa imagem nacional e internacional, todos os membros da Escola são beneficiados. Portanto, só temos toda a vantagem em tirar partido das pessoas que vêm para cá, das suas potencialidades, e aproveitá-las." (Entrevista n.º14, Escola de Engenharia)

De assinalar, contudo, algumas assimetrias consoante a faculdade em análise. Ao nível do Instituto de Estudos da Criança verifica-se, mesmo, uma clara dispersão das respostas. Por outro lado, alguns inquiridos da Escola de Engenharia referem a irrelevância do atributo nacionalidade, enquanto certos académicos da Escola de Economia e Gestão consideram mais fidedigna a expressão "a tolerar". Quanto aos indivíduos de raça não branca, os membros do Instituto de Estudos da Criança revelam, novamente, pareceres pouco concordantes, enquanto alguns indivíduos da Escola de Economia e Gestão lhes imputam o vocábulo "a tolerar". No que concerne aos praticantes de religiões distintas da católica, a expressão "a tolerar" é uma vez mais atribuída com regularidade na Escola de Economia e Gestão, assim como no Instituto de Estudos da Criança, imperando agora um

maior consenso. Repare-se no comentário tecido por um membro da Escola de Economia e Gestão e que resume, de forma límpida, a postura de mera tolerância perante as minorias:

"Não tenho evidência de que alguém tenha sido excluído ou evitado pelo facto de pertencer a uma minoria ou a outra. Mas também não há preocupação de valorizar e não há preocupação de tirar partido. Eu acho que, enfim, quando aparecem, toleram-se. Acho que é a melhor descrição para o que se passa em relação a essas pessoas. Não é especialmente bem-vinda, mas se vier também não é uma desgraça, é uma situação a contornar. É como um dia de chuva, é chato mas tem que se aguentar." (Entrevista n.º1, Escola de Economia e Gestão)

Ao nível dos homossexuais, destaca-se o facto de se tratar do grupo minoritário que colheu, com maior frequência, a expressão "a evitar", nomeadamente por parte dos inquiridos da Escola de Economia e Gestão, o que denuncia, uma vez mais, uma posição de intolerância perante este grupo de identidade minoritário:

"A questão da orientação sexual nunca se colocou aqui. Agora, se aparecesse uma pessoa que explicitamente o mostrasse, eu acho que aí essa pessoa ficaria prejudicada, que seria 'a evitar'. Se aparece um rapaz ou uma rapariga que, na entrevista, a gente note neles… Acho que uma pessoa que tem uma dada inclinação sexual não tem que fazê-lo notar ao outro, não é preciso." (Entrevista n.º5, Escola de Economia e Gestão)

No que concerne aos diminuídos físicos, regista-se uma clara tendência para a atribuição das expressões "irrelevante" ou "indiferente", embora um pequeno número de inquiridos (da Escola de Ciências e do Instituto de Letras e Ciências Humanas) revele uma postura inédita, a de procurar "integrar", no sentido de promover condições de trabalho adequadas à sua condição. Eis um comentário ilustrativo:

"Acho que se aparecer alguém deficiente físico a concorrer para aqui e com um bom currículo, que não é discriminado por isso. Se, por acaso, tivéssemos um colega de cadeira de rodas, bom, teríamos que considerar, se calhar, algumas transformações a fazer para que ele pudesse andar mais à vontade por aí, em termos de gabinetes e, se calhar, até em termos de mobiliário. Teríamos que considerar uma série de coisas para que a pessoa pudesse estar bem à vontade, para a integrar" (Entrevista n.º35, Instituto de Letras e Ciências Humanas)

De notar, ainda, que um indivíduo da Escola de Ciências apresenta a singularidade de seleccionar a expressão "a homogeneizar" como a que melhor exprime a posição da sua faculdade face as diferentes minorias. Este testemunho confirma, novamente, a existência de ideais de assimilação comportamental na organização académica em estudo:

"A retirar a mais valia que eles têm, a tirar partido, como se tira partido de uma pessoa branca, de nacionalidade portuguesa, heterossexual, católica e sem deficiências físicas. Agora, é óbvio que essas pessoas têm que ter um comportamento igual ao dos outros. Se tiverem em atenção as regras e as normas aqui do departamento, então elas serão tratadas de igual forma. Assim, tudo bem! Agora, se vêm para aqui, por exemplo, pregar alguma religião, isso é que não!" (Entrevista n.º21, Escola de Ciências)

Ao nível dos pareceres dos inquiridos estrangeiros sobre a posição da respectiva faculdade face a indivíduos do seu grupo de identidade, verifica-se uma clara dispersão nas respostas. De facto, enquanto cerca de metade dos respondentes selecciona as expressões "a valorizar" ou "a tirar partido", dois inquiridos, membros da Escola de Ciências, optam pelos termos "a evitar" ou "a tolerar". Já um inquirido da Escola de Ciências prefere uma posição intermédia:

"Acho que é algo neutro. Acho que não se trata de rejeitar mas tão pouco de tirar partido dos conhecimentos que as outras pessoas possam ter. Acho que é como seria com uma pessoa de Évora, assim, nem mais. Não se trata de tirar partido nem nada, pronto, é mais um. Acho que não tiram partido, não. Conversa-se, evidentemente, a nível particular, mas a nível institucional, não. Por exemplo, noutras universidades, noutros lugares, existe o cuidado de perguntar aos estrangeiros sobre outros métodos de ensino ou de investigação, mas aqui não. É como se fosse um português." (Entrevista D, Escola de Ciências)

In document (2011–2012) (sider 52-59)