Coordenadora - Emília Marques, Equipa Porto Penal 4, da Direção-Geral de Reinserção
Social e Serviços Prisionais (Porto)
O comportamento humano é complexo, depende da dinâmica motivacional biopsicossocial, resultado da permanente inter-relação entre variáveis internas e externas. A qualidade da motivação interfere com o desenvolvimento da personalidade, pelo que a intencionalidade da ação humana depende dos vínculos estabelecidos nas relações interpessoais, da internalização/desinternalização de crenças e valores aceites ou não pelos outros e/ou pela sociedade em que estão inseridos, que se vão consolidando ao longo do ciclo desenvolvimental e que influenciam as escolhas e as tomadas de decisão. Fatores de risco psicossociais e
comportamentais podem afetar a qualidade de vida / saúde quer dos cidadãos livres, com ou sem envolvimento com a justiça, quer dos cidadãos juridicamente privados de liberdade. Um funcionamento cognitivo distorcido pode estar na base da legitimação da prática de determinados comportamentos, como os violentos, assim como padrões de vinculação desadaptativa poderão constituir fatores de risco ou consequência da dependência de drogas. Assim, as intervenções psicológicas deverão incidir na promoção de estilos de vida saudáveis junto das populações de risco.
Palavra-chave: Comportamentos de risco Catarina João Capela Ribeiro,
Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Educação e Psicologia (Porto e Lisboa), Rua Diogo Botelho, 4169-005 PORTO – PORTUGAL
(+351)226196200 [email protected]
SAÚDE EM MEIO PRISIONAL: FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS E COMPORTAMENTAIS
Emília Marques
Equipa Porto Penal 4, da Direção-Geral de Reinserção Social e Serviços Prisionais (Porto) A investigação teve como objetivo estudar o estado de saúde e os fatores de risco psicossociais e comportamentais com ele relacionados em cidadãos juridicamente privados de liberdade, instalados numa prisão portuguesa. Neste estudo transversal exploratório aplicaram-se aos 195 participantes, masculinos (148 imputáveis, 46 inimputáveis e 1 preventivo) os seguintes instrumentos de avaliação psicológica: “Entrevista Estruturada”, “Questionário de Análise Clínica”, “Questionário do Estado de Saúde-8”, “Escalas de Ansiedade, Depressão e Stresse”, “Brief COPE” e “Escala de Satisfação com o Suporte Social”. Os resultados validaram oito das dez hipóteses levantadas e sugeriram que o equilíbrio biopsicossocial dos sujeitos dependia a) da interação dos constructos, isto é, da relação entre perceção do estado de saúde com características da personalidade, níveis de ansiedade/depressão/stresse, estratégias de coping e satisfação com o suporte social, assim como b) serem primários, não terem um tempo curto de cumprimento pena ou medida de segurança, terem comportamentos aditivos, ocupação, visitas e medidas de flexibilização da pena (algumas das variáveis). Revelaram, também, haver indicadores de risco heteroagressivos e possibilidades de ocorrência de comportamentos autoagressivos, não existindo diferenças significativas entre imputáveis e inimputáveis.
Palavras-chave: Saúde em meio prisional; Modelo biopsicossocial; Fatores de risco; Ética na investigação
Emília Tavares Marques,
Av. da Boavista, 991, 5.º Dir.to-Tras., 4100-128 PORTO – PORTUGAL [email protected]
VIOLÊNCIA SEXUAL: BREVE CARACTERIZAÇÃO DO ESTABELECIMENTO PRISIONAL FUNCHAL
Armando Coutinho Pereira
Estabelecimento Prisional Especial de Santa Cruz do Bispo
A violência sexual é, por certo, um dos fenómenos que mais contribui para relevar o mais paradoxal do comportamento humano, nas suas múltiplas manifestações/condutas. Seguramente esta realidade está exposta aos imperativos biológicos, psicológicos e pulsionais, mas importa salientar que a esta não são indiferentes as orientações do meio, da cultura, da situação, da circunstância, que de forma mais ou menos intensa vão determinar a “alma” e o “corpo” ou, se se preferir, o espírito e o comportamento. Os agressores sexuais apresentam, frequentemente, um historial de pensamentos negativos auto perpetuados que influenciam o
comportamento, desenvolvendo assim uma forma distorcida de ver a vida. Este funcionamento cognitivo possibilita a racionalização, justificação e minimização dos atos praticados, verificando-se frequentemente um sentimento de “direito” a praticar tais atos.
Palavras-chave: Violência sexual; Agressores sexuais José Armando Coutinho Pereira,
Rua Urbanização Cidade de Gandra, n.º 15, 4585-739 GANDRA-PAREDES – PORTUGAL (+351)937426340
VINCULAÇÃO E TOXICODEPENDENTES Ana Freitas Gomes
Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira
Este estudo tem como objetivo explorar os padrões de vinculação em indivíduos dependentes de substâncias. Para tal, selecionou-se o inventário “Experiences in Close Relationships” (Brennan, Clark & Shaver, 1997) e procedeu-se à sua tradução para as línguas portuguesa e francesa, de modo a possibilitar a sua autoadministração em duas comunidades terapêuticas congéneres (Portugal, Canadá-Quebéc), vocacionadas para tratamento e reinserção de toxicodependentes. Foi necessário efetuar um enquadramento teórico da problemática da vinculação e toda a sua evolução. Complementarmente, analisou-se diferentes perspetivas conceptuais da dependência de substâncias. Num terceiro momento tentou-se articular padrão de vinculação versus toxicodependência. Em termos práticos, após a administração do instrumento selecionado, nos dois campos de estudo, desenhou-se uma base de dados que funcionasse como suporte para a análise estatística descritiva e inferencial dos mesmos. Alguns dos resultados obtidos referem-se a uma diferença significativa dos tipos de vinculação nas duas amostras estudadas (Canadá e Portugal) o que salienta o papel do meio/contexto na estruturação de um padrão de interação. Outro facto a apontar é que o tipo de vinculação mais frequentemente encontrado era diferente daquele que era esperado. Depois da apresentação e discussão dos resultados obtidos, efetuou-se uma análise crítica do estudo considerando os objetivos atingidos e algumas linhas futuras de trabalho.
Palavras-chave: Padrões de vinculação; Diferenças culturais; Toxicodependência Ana Soares De Freitas Gomes,
Praceta Adelino Amaro da Costa, 749, 3.º Esq. 4050-012 Porto – Portugal (+351)918730739
PREVENIR PARA VENCER – PREVENÇÃO NA ZONA HISTÓRICA DO PORTO Franclim Tiago Ribeiro 1 & Diogo Machado Pimentel 2
1 CLIPÓVOA Hospital Privado – Porto; 2 Clínica Privada
O projeto “Prevenir para Vencer”, executado entre Setembro de 2008 e Outubro de 2012, visou essencialmente diminuir comportamentos de risco da população da Zona Histórica do Porto, maioritariamente através da promoção dos factores protectores. Pretendeu-se com este projeto dotar a população (jovem e adulta) de ferramentas que lhes permitissem ensinar, incrementar e perpetuar estilos de vida saudáveis. Assim, o foco da intervenção foi, através de várias dinâmicas (Acções de Sensibilização, Grupos de Sociodrama Pedagógico, Acompanhamento Psicológico Individual, Treinos de Competências Parentais, Formação a Monitores e Auxiliares de Acção Educativa, entre outros) fomentar a assertividade, capacidade de resistência à pressão de pares e aumentar competências educacionais no âmbito da promoção de Saúde e Bem-Estar. Este projeto foi financiado pelo Instituto das Drogas e Toxicodependência, em parceria com a S.A.O.M. – Serviços de Assistência Organizações de Maria (entidade promotora), tendo realizado acções em cerca de 25 Instituições, num total de
cerca de 2300 indivíduos abrangidos, com uma abrangência semanal média de 105 crianças e jovens.
Palavras-chave: Comportamento de Risco; Fatores Protetores; Sociodrama Pedagógico Franclim Tiago Da Silva Ribeiro
Rua Manuel José dos Santos Leite, n.º 281, 5.º Esq. 4470-795 Gueifães, Maia – Portugal (+351)914503675