Coordenadora- Ana Paula Matos -Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Universidade de Coimbra
A depressão é especialmente preocupante na adolescência, devido às suas graves consequências psicossociais, incidência e recorrência, e tem uma etiologia complexa. O presente simpósio identifica fatores individuais e familiares que se associam frequentemente com depressão. De entre os fatores individuais salientam-se as cognições depressogénicas e a ideação suicida. As variáveis cognitivas têm desempenhado um papel central na etiologia, manutenção e tratamento da depressão. Apresenta-se o Questionário de Pensamentos Automáticos-Revisto (Kendall, Howard, & Hays, 1989) que revelou possuir uma estrutura tri- fatorial e associar-se com sintomatologia depressiva nos adolescentes portugueses da população geral. Nestes adolescentes verificou-se ainda a existência de ideação suicida e uma associação entre esta e sintomatologia depressiva. Para compreender a problemática da depressão, aborda-se também a importância de variáveis familiares, nomeadamente a qualidade das relações que os adolescentes estabelecem com os seus progenitores. No seguimento de estudos anteriores (Matos, Pinheiro e Marques, 2013; Pinheiro, Matos e Marques, 2013) apresentam-se resultados relativos à estrutura fatorial das versões para o Pai e a Mãe, do Inventário da Qualidade dos Relacionamentos Interpessoais (Pierce, Sarason e Sarason, 1991) obtidos por análises fatoriais confirmatórias. Encontrou-se que o apoio que os adolescentes percecionam que recebem, por parte dos seus pais, parece ser importante para os proteger da solidão e de sintomatologia depressiva. Salienta-se, assim, a necessidade de se identificarem precocemente cognições depressogénicas e ideação suicida e de se desenvolverem estratégias de intervenção preventivas da depressão na adolescência que tenham em conta estes aspetos assim como fatores protetores, como o apoio social, nomeadamente da família.
Palavras-chave: adolescência, depressão, variáveis cognitivas, relações pais-adolescentes, suporte social
Ana Paula Soares de Matos
Rua do Colégio Novo, 3001-802 Coimbra 914516262
VERSÃO PORTUGUESA DO QUESTIONÁRIO DE PENSAMENTOS
AUTOMÁTICOS-REVISTO: RELAÇÃO COM SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA EM ADOLESCENTES
Inês Margarida Pereira, Ana Paula Matos, & Andreia Azevedo
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
O papel das cognições e dos pensamentos automáticos na Depressão é evidenciado por vários modelos cognitivos de psicopatologia, sendo a sua avaliação essencial, não apenas para a discriminação de sujeitos deprimidos e não deprimidos, como também devido à sua utilidade
para a intervenção. A presente investigação apresenta a estrutura fatorial da versão Portuguesa do Questionário de Pensamentos Automáticos-Revisto (QPA-R; ATQ-R; Kendall, Howard, & Hays, 1989), desenvolvido para avaliar cognições depressogénicas, e estuda a sua relação com sintomatologia depressiva. A amostra é constituída por 245 adolescentes da população geral, 88 do sexo masculino e 157 do sexo feminino, com idades entre os 14 e os 18 anos (M=15,61; DP = 1,3). A análise fatorial revelou a existência de três fatores que explicam 54% da variância. Os dois primeiros fatores, “Baixo Auto-Conceito e Expectativas Negativas” e “Desajustamento
Pessoal e Desejo de Mudança”, são constituídos por pensamentos negativos e o terceiro,
“Pensamentos Automáticos Positivos”, constituído por cognições positivas. O QPA-R distingue ainda adolescentes que pontuam acima e abaixo do ponto de corte no CDI (Children´s Depression Inventory; Kovacs, 1985, 1992; Marujo, 1994) e apresenta capacidade de predizer sintomatologia depressiva. Os resultados sugerem que este instrumento é válido para identificar cognições depressogénicas e que as mesmas se encontram associadas à sintomatologia depressiva. O QPA-R avalia um construto importante associado à depressão e poderá ser utilizado com adolescentes, em investigação e na clínica, tanto na identificação precoce de sintomatologia depressiva, como no tratamento da mesma.
Palavras-chave: cognições depressogénicas; pensamentos automáticos; avaliação; psicopatologia; depressão; QPA-R; CDI.
Inês Margarida Duarte Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 COIMBRA
913700373
IDEAÇÃO SUICIDA E SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA EM ADOLESCENTES Andreia Azevedo & Ana Paula Matos
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Dados recentes da Direção-Geral de Saúde (2013) apontam para um aumento do número de suicídios nos últimos anos, em Portugal. Nos adolescentes, o suicídio é a segunda causa de morte. Estudos internacionais têm mostrado que ideação suicida é um indicador fundamental para o risco de suicídio, aparece em cerca de 4 a 10% dos adolescentes da população geral, sendo mais prevalente no género feminino, e associa-se frequentemente com depressão. Este estudo teve como principais objetivos avaliar a presença de ideação suicida em adolescentes da população geral e analisar a relação entre a ideação suicida medida pelo Suicidal Ideation
Questionnaire (SIQ, Reynolds, 1988; versão portuguesa de Ferreira & Castela, 1999) e a
sintomatologia depressiva avaliada pelo Children´s Depression Inventory (CDI, Kovacs, 1985; versão portuguesa de Marujo, 1994). A amostra incluiu 233 adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos (M=15,69; DP=1,287), 86 (36,9%) do género masculino e 147 (63,1%) do género feminino. 26 (10,7%) adolescentes apresentaram ideação suicida (pontuação acima do ponte de corte de Reynolds, 1988), dos quais 76,9% eram raparigas. Os resultados indicam ainda que a ideação suicida se correlaciona significativamente com sintomatologia depressiva, explicando 39,2% da variância da mesma. Estes resultados suportam a existência de uma relação entre ideação suicida e sintomatologia depressiva e alertam para a presença de ideação suicida nos adolescentes portugueses da população geral. Salienta-se, assim, a necessidade de se desenvolverem estratégias de intervenção, nomeadamente preventivas, nas problemáticas da ideação suicida e da depressão, em Portugal. Palavras-chave: ideação suicida, sintomatologia depressiva, adolescentes
Andreia Catarina Gonçalves de Azevedo
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 COIMBRA
ESTUDO DA ESTRUTURA FATORIAL DA VERSÃO PAI PARA ADOLESCENTES DO INVENTÁRIO DA QUALIDADE DOS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS
(IQRI, DE PIERCE, SARASON & SARASON, 1991) Ana Paula Matos, Daniela Marques, & Maria do Rosário Pinheiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
O Inventário da Qualidade dos Relacionamentos Interpessoais (IQRI) foi desenvolvido por Pierce, Sarason e Sarason (1991) com base no modelo interacional-cognitivo do suporte social, mais especificamente no contexto interpessoal do suporte social, para ter em conta a qualidade de relacionamentos interpessoais específicos. A existência de fontes de suporte, na família, tem-se revelado um fator protetor na adolescência, associando-se negativamente com doença mental. No seguimento de trabalhos anteriores sobre a versão portuguesa para adolescentes do IQRI (Matos, Pinheiro &Marques, 2013) a presente investigação pretende confirmar a estrutura tri-fatorial do IQRI, versão para o Pai, encontrada por Pierce, Sarason e Sarason (1991), através de uma análise fatorial confirmatória e estudar como as dimensões do IQRI se relacionam entre si. Numa amostra de 312 adolescentes, 171 do sexo feminino e 141 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 12 e 17 anos (M= 13.77,DP= 1.16), confirmou-se a existência de três fatores: Suporte, Profundidade e Conflito. Os resultados mostraram ainda associações positivas elevadas entre as subescalas Suporte e Profundidade (r= .76) e associações negativas baixas entre estas subescalas e a subescala de conflito (r= -.13 e r= .-09, respetivamente). O estudo permite identificar que Suporte, Profundidade e Conflito são dimensões importantes e diferenciadas nas relações que os adolescentes estabelecem com os seus progenitores do género masculino. Estas dimensões do relacionamento com pai devem ser tidas em conta em estudos futuros e em intervenções para a promover saúde mental, efetuadas tanto com adolescentes como com os pais.
Palavras-chave: qualidade dos relacionamentos interpessoais, estrutura fatorial, relação com o pai, adolescência
Ana Paula Soares de Matos
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 Coimbra
914516262
ESTUDO DA ESTRUTURA FATORIAL DA VERSÃO MÃE PARA ADOLESCENTES DO INVENTÁRIO DA QUALIDADE DOS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS
(IQRI, DE PIERCE, SARASON & SARASON, 1991) Daniela Marques, Ana Paula Matos, & Maria do Rosário Pinheiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
A versão para a Mãe do Inventário da Qualidade dos Relacionamentos Interpessoais (IQRI de Pierce, Sarason e Sarason, 1991) pretende avaliar o suporte social tal como é percecionado pelo adolescente em termos de Suporte, Profundidade e Conflito, no contexto específico da relação que estabelece com a mãe. Tradicionalmente, uma relação positiva com a mãe tem sido apontada na literatura como importante para a saúde mental dos filhos. A presente investigação pretende confirmar a estrutura tri-fatorial do IQRI, encontrada por Pierce, Sarason e Sarason (1991), com uma análise fatorial confirmatória e estudar as relações entre as dimensões do IQRI. A amostra foi constituída por 312 adolescentes, 171 raparigas e 141 rapazes, entre os 12 e 17 anos (M= 13.77,DP= 1.16). Nesta amostra de adolescentes confirmou-se a existência dos três fatores inicialmente propostos por Pierce, Sarason e Sarason (1991): Suporte,
Profundidade e Conflito. Encontraram-se associações positivas elevadas entre as subescalas Suporte e Profundidade (r= .63) e associações negativas moderadas entre estas subescalas e a subescala de conflito (r= -.32 e r= .-30, respetivamente) O presente estudo aponta para a importância das dimensões Suporte, Profundidade e Conflito nas relações que os adolescentes estabelecem com as suas mães. Suporte e Profundidade parecem estar especialmente relacionados entre si, apresentando associações moderadas e negativas com o Conflito. Estas questões específicas do relacionamento com a mãe devem ser consideradas em estudos futuros e em intervenções preventivas realizadas com adolescentes e famílias no sentido de os proteger para o desenvolvimento de psicopatologia.
qualidade dos relacionamentos interpessoais, estrutura fatorial, relação com a mãe, adolescência
Daniela João Coelho Marques
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 COIMBRA
914610445
A QUALIDADE DO RELACIONAMENTO COM O PAI E COM A MÃE: IMPLICAÇÕES PARA AS INTERVENÇÕES PREVENTIVAS DA DEPRESSÃO NA
ADOLESCÊNCIA
Maria do Rosário Pinheiro, Ana Paula Matos, & Daniela Marques
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
A literatura tem salientado que o apoio social percebido se associa negativamente com doença mental e que o suporte, nomeadamente da família, pode minimizar o risco de depressão. A solidão surge igualmente no contexto da depressão na adolescência e relaciona-se negativamente com suporte social. São objetivos principais da presente investigação estudar as relações que se estabelecem entre dimensões específicas da qualidade das relações que os adolescentes estabelecem com o pai e a mãe, o apoio geral percebido em relação à sua rede de suporte, a solidão e a sintomatologia depressiva. A amostra foi constituída por 312 adolescentes, 171 raparigas e 141 rapazes, com idades entre os 12 e 17 anos (M= 13.77,DP= 1.16). Nas duas versões do IQRI (Pierce, Sarason e Sarason, 1991), versão para o Pai e versão para a Mãe, os fatores suporte e profundidade correlacionaram-se, positivamente, com apoio social geral e, negativamente, com solidão. A perceção de apoio por parte do pai do pai e da mãe correlacionou-se negativamente com sintomatologia depressiva, enquanto a perceção de conflito apresentou uma associação positiva com a mesma. A qualidade das relações com o pai e a mãe foi ainda preditiva de sintomatologia depressiva, embora com uma percentagem de variância explicada baixa. O apoio social percebido pelos adolescentes e nomeadamente a qualidade das relações que estabelecem com os seus progenitores parecem protegê-los da solidão e do desenvolvimento de sintomatologia depressiva. Estes resultados têm implicações importantes para as intervenções preventivas da depressão na adolescência.
Palavras-chave: qualidade dos relacionamentos interpessoais, suporte social, solidão, adolescência
Maria do Rosário Manteigas Moura Pinheiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Rua do Colégio Novo, 3001-802 COIMBRA
965854032