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6 Chapter : Discussion

6.1 Community perceptions and concerns around water scarcity and water quality

6.1.1 Main community concerns related to water scarcity

A presente tese partiu do entendimento de que o pressuposto do equilíbrio do sistema de marketing alimentar contemporâneo está corrompido nas práticas de consumo de produtos de base animal. Com base nesta perspectiva, empreendemos a construção do texto culminando com a exposição das alternativas de marketing para alcançar o reequilíbrio do sistema.

Nesse sentido, definimos como o primeiro objetivo dessa pesquisa construir o

conceito de equilíbrio no sistema de marketing alimentar. Para tanto, a construção do

argumento do capítulo 2 se deu a partir da conceituação da troca como o objeto central das ações dos sistemas de marketing. Os agentes que atuam em torno do produto são caracterizadores dos sistemas de marketing e alcançam os seus interesses no sistema por meio do processo de troca. Objetivamente, os agentes do sistema de marketing avaliam a eficiência desse processo baseado na performance obtida.

Nesse escopo de discussão, a moralidade nas práticas dos agentes do sistema de marketing emergiu como uma das esferas passíveis de questionamento, principalmente no que diz respeito ao sistema de marketing alimentar. De certa forma, a discussão da moralidade decorreu na esfera do produto e na materialidade empregada para o desenvolvimento da performance alimentar associada ao consumo de carnes.

Diante disso, construímos uma classificação para o produto baseada no pressuposto da vida para diferenciação entre os produtos de origem vegetal e animal. Então, classificamos o produto baseado na vida animal em categorias, quais sejam: animais como base para a oferta de força de trabalho; animais como base para a indústria de espetáculo; animais como recurso para a indústria da moda e estética; animais como base para a indústria científica e acadêmica; e, por fim, animais como base material para a indústria alimentar. Tomando por base o dilema

moral da desconsideração dos animais como seres presentes no sistema de marketing alimentar, ampliamos a definição do equilíbrio no sistema de marketing pela inclusão dos animais como seres passíveis de consideração na avaliação do equilíbrio requerido.

Nessa perspectiva, a construção do conceito de equilíbrio no sistema de marketing perpassou pelo entendimento de justiça distributiva. Entendemos que o equilíbrio no sistema de marketing decorre da compreensão do que é adequado para cada agente ativo ou passivo, já que, se analisarmos a eficiência do sistema por uma perspectiva ampliada, desconsideramos os dilemas morais que atingem a particularidade de ação dos agentes individualmente.

Em outra medida, analisamos o conceito de equilíbrio no sistema de marketing à luz do conceito de stakeholders, inicialmente definido por uma acepção antropocêntrica, cuja ampliação reconhece-os como qualquer grupo constituinte que tenha interesse na ação de uma organização ou sistema, mesmo que, eventualmente, não sejam capazes de dar expressão verbal em relação a isso. Obviamente, isso inclui um conjunto de agentes até então desconsiderados nas ações dos sistemas de marketing. Assim, o conceito de equilíbrio no sistema de marketing é aquele que inclui os interesses de todos os agentes com o objetivo de atendê-los.

A consolidação do equilíbrio no sistema de marketing com base nas externalidades se deu pela consideração de que todos os agentes envolvidos devem ter minimizados os impactos negativos das ações dos demais stakeholders. Dessa forma, o primeiro objetivo desta tese foi atendido de forma plena.

Consideramos que o sistema de marketing equilibrado é aquele que abrange os interesses de todos os seus stakeholders, empregando os princípios de justiça para avaliar os direitos dos agentes no sentido de garantir a eficiência do sistema. Ou seja, com o propósito de a eficiência estar baseada na ampliação da consideração moral e no desenvolvimento socioeconômico e ambiental, que garante a redução prioritária das externalidades para os sujeitos.

No propósito de ilustrar o desequilíbrio do sistema de marketing, desenvolvemos o terceiro capítulo, cujo objetivo foi caracterizar o sistema de marketing alimentar da

indústria de carnes, avaliando o desequilíbrio desse sistema pelo viés da desconsideração da moralidade do produto de origem animal. Para alcançarmos esse objetivo, recorremos à

caracterização histórica do consumo de carne, fundamentando o processo de legitimação que a consolidou como o principal alimento das refeições no Ocidente.

Os animais como fonte alimentar têm sido a forma mais usual de uso da base material nos sistemas de marketing, na medida em que tal se assenta na crença da suposta superioridade humana perante a vida animal, em uma justificação hedônica e na necessidade

nutricional do foodway ocidental. Tal concepção foi norteadora da construção do agronegócio da forma em que se configura atualmente, o que fortaleceu economicamente o uso dos animais como recurso da indústria de carnes. O problema é que esta é uma indústria que se fundamenta em práticas cruéis de tratamento animal, de forma que o sofrimento e os maus tratos impingidos a esses seres no sistema de marketing alimentar já se constituem fatos de conhecimento público. Considerando as características da indústria de carnes que configuram um estado de desequilíbrio no sistema de marketing alimentar pela desconsideração moral dos animais, construímos uma argumentação baseada na teoria da ética ambiental e na teoria da ética animal para avaliar o status moral dos animais nessa indústria. No que diz respeito à ética ambiental, o argumento da consideração moral dos animais se dá pela via do valor intrínseco, cuja ideia reside na proposição de que os animais são passíveis de consideração pelo senso de existência e pelo reconhecimento de que há um valor inerente à sua vida.

Por sua vez, na teoria da ética animal, avaliamos a consideração moral dos animais com base nos argumentos da teoria do interesse, da teoria da complexidade mental, da teoria multicritério e da teoria contextual. O argumento norteador da consideração moral diz respeito à proposta de Peter Singer, na medida em que considera os interesses dos animais em se manter vivos, buscando a evitação do sofrimento e a promoção do seu bem-estar, além de sua complexidade mental já reconhecida cientificamente pelos estudos da área da etologia.

Nessa perspectiva, concluímos o capítulo 3 com a caracterização do fato da desconsideração moral dos animais no sistema de marketing alimentar, na medida em que os animais são sujeitos individuais com valor intrínseco que deve ser assegurado pela consideração desses direitos pelos seres humanos. Portanto, consideramos que o desequilíbrio do sistema de marketing alimentar se dá pela negligência das capacidades neurológicas dos animais, os quais recepcionam as maiores externalidades desse sistema ao doar a vida e, antes disso, ter de nascer e ser criados em situações de sofrimento e tratamento cruel. Sendo assim, afirmamos que o consumo de carnes é moralmente questionável por submeter o interesse dos animais à lógica da eficiência da indústria de carnes.

Partimos então do pressuposto da ética prática, cujo foco é a análise da moralidade de questões práticas, para a proposição de ações que viabilizam alternativas para consideração moral dos animais. Sendo assim, o objetivo do capítulo 4 foi propor um debate teórico e

empírico sobre as alternativas de consumo e de produção industrial que possibilitam a consideração moral dos animais no sistema de marketing alimentar. Seguindo as

características epistemológicas dos estudos na área de macromarketing, operacionalizamos tal objetivo pela definição de três proposições teóricas, que foram ilustradas empiricamente, sobre

as possibilidades de refutação do consumo de carnes.

A proposição 1 afirmou que o consumo de carnes é hedonicamente superável.

No veio de análise da sustentabilidade, consolidamos essa proposição considerando que existem alternativas de consumo alimentar que se configuram pelo hedonismo alternativo dos indivíduos que excluem a carne da sua dieta. Esses indivíduos desenvolvem tal postura com o objetivo central de exercerem seus papeis de consumidores-cidadãos pela avaliação do impacto do consumo de carnes no ambiente e, principalmente, na consideração moral dos animais.

A proposição 2 colocou que o consumo de carnes é nutricionalmente injustificado. Para embasá-la teoricamente, avaliamos o viés da nutrição que aponta um

conjunto de alternativas de alimentação com base em produtos de origem vegetal que podem nutrir os seres humanos. Além disso, há na academia o entendimento de que a suplementação alimentar é necessária para aquelas pessoas que apresentam deficiência de nutrientes pela total exclusão dos produtos de origem animal. Ou seja, o consumo de carnes é injustificado pela existência de fontes eficazes para a nutrição humana.

A proposição 3 afirmou que o consumo de carnes é industrialmente substituível. Dessa forma, construímos teoricamente uma análise das alternativas de produto

existentes no sistema de marketing alimentar no sentido de identificar ações que atendam as demandas do mercado vegetariano para os produtos com características de sabor similares à carne. De forma ampliada, observamos a insurgência de um conjunto de técnicas científicas que buscam alternativas viáveis industrial e economicamente para a substituição da base material de origem animal no sistema de marketing alimentar.