2. MARKEDSFØRING I SOSIALE MEDIER
2.4 M ARKEDSKOMMUNIKASJON
Dadas as mudanças mercadológicas dos últimos anos, nesse tópico apresenta-se a postura que atualmente se exige do produtor rural, levando-se em consideração as especificidades e dificuldades inerentes ao gerenciamento da empresa rural.
4.1.1 - Especificidades da produção rural e dificuldades no gerenciamento
Atualmente fala-se bastante na necessidade do produtor rural tradicional ser visto como um verdadeiro "empresário rural". Mas o que seria isso na prática? De modo geral, tornar-se empresário rural significa passar a aplicar, no dia-a-dia, os conceitos e as práticas de administração rural.
Para LIMA (1992), a administração rural consiste num ramo da ciência administrativa cuja finalidade é valorizar as áreas empresariais de produção, marketing, recursos humanos e finanças, além das funções administrativas de planejamento, organização, direção e controle.
A administração em si nada mais é do que um processo de tomada de decisões em meio à realização de ações que envolvem os quatro processos principais interligados: planejar, organizar, dirigir e controlar. Para ANTUNES & ENGEL (1999), a administração está voltada à necessidade de controlar e gerenciar um número cada vez maior de atividades, que podem ser desenvolvidas dentro de uma propriedade rural.
No entanto, apesar da idéia de que os princípios da economia e da administração - tradicionalmente difundidos nas diversas atividades do setor industrial e comercial - sejam também aplicáveis ao setor rural, é preciso considerar que o gerenciamento das empresas rurais enfrenta dificuldades específicas, tendo em vista que os sistemas de produção do setor rural dotam de algumas especificidades que os distinguem dos demais sistemas de produção existentes.
Segundo LIMA (1982), tais especificidades estão relacionadas: ao clima; à sazonalidade da produção; à perecibilidade dos produtos; ao ciclo biológico de vegetais e animais; e ao tempo de maturação dos investimentos. Tais aspectos tornam-se de grande relevância, já que escapam do controle da administração tradicional das empresas urbanas, traduzindo-se em dificuldades gerenciais para o produtor rural.
Uma outra dificuldade no gerenciamento rural é a questão da qualificação da mão- de-obra, já que empregar pessoal qualificado e motivado constitui um diferencial cada vez mais importante na pecuária brasileira, devido, sobretudo, às novas exigências do mercado. Vale dizer que a falta de qualificação da mão-de-obra rural pode, muitas vezes, ser atribuída da ausência de oportunidades e de eventuais falhas na extensão rural de difundir conhecimento e tecnologia ao pessoal do campo (MACHADO, 2002).
Por fim, de acordo com RODRIGUES apud MACHADO (2002), somadas às especificidades diretamente associadas ao gerenciamento da produção, deve-se considerar as características do mercado como uma outra particularidade importante, haja vista que a comercialização dos produtos agropecuários é bastante específica no meio rural.
4.1.2 - O empresário rural
Nos dias atuais, tanto o cenário como os limites da propriedade rural alteraram-se em função das mudanças que o setor passou nos últimos anos, sendo elas: ausência de uma política agrícola definida para o setor, crise econômica, problemas climáticos, carência de recursos oriundos do crédito rural, enfim, a descapitalização do setor rural e paralelo à contínua modernização do setor produtivo com a introdução de novas variedades, controle fitossanitário mais racional, mecanização e biotecnologia etc. (NANTES, 1997).
Não basta mais a preocupação exclusiva com a questão da produtividade, sendo preciso saber que o setor rural deve cada vez mais estar voltado às necessidades do consumidor, passando a promover mais intensamente a passagem do conceito de "produção" para "negócio", ou seja, procurar constantemente conhecer o que, quanto, para quando e para quem produzir (NANTES, 1997).
Diante disso, conforme NANTES (1997), tornou-se essencial prever tendências com o intuito de que as decisões e ações tomadas no presente contribuíssem para efetivamente
atingir no futuro os resultados pretendidos. Nesse ponto é que entra o fundamental papel exercido pela administração rural, com suas atividades de planejamento e controle.
O planejamento, segundo CHIAVENATO (1998), pode ser entendido como a função administrativa que determina antecipadamente quais objetivos devem ser perseguidos e de que maneira deve-se agir para atingi-los. Para SCARPELLI (2001), o planejamento nas empresas rurais deve considerar todas as variáveis possíveis que interferem tanto no "o que produzir" (definir qual o quais produtos), no "quanto produzir" (definir quantidades) e no "para quando produzir" (estabelecer prazos e freqüência de entrega).
Seja em nível estratégico (considerando os pontos fortes e fracos da organização e definindo ações a partir do conhecimento do ambiente externo à empresa rural) seja em nível tático (voltado basicamente a questões de captação e alocação de recursos na produção e distribuição dos produtos) ou mesmo em nível operacional (dirigido às condições internas da empresa, atividades de curto prazo), o fato é que a atividade de planejamento deve ser uma constante na empresa rural. Dentre outras contribuições, o planejamento busca reduzir as incertezas inerentes aos processos e evitar surpresas, além de permitir que se conheçam, antecipadamente, os resultados operacionais de cada atividade, viabilizando a execução de acompanhamentos necessários à obtenção desses resultados esperados (MACHADO, 2002).
Em paralelo ao planejamento, o controle das atividades também é fundamental para o sucesso do negócio. Visando assegurar os resultados planejados, a atividade de controle, segundo CHIAVENATO (1998), busca ajustá-los na medida do possível aos objetivos previamente estabelecidos, constituindo-se num acompanhamento contínuo das atividades, que propõe correções em caso de ocorrência de desvios.
Todavia, não basta o produtor rural se ater apenas à realidade de sua atividade dentro dos limites geográficos de sua propriedade. NANTES (1997) realça a importância do produtor rural em compreender os caminhos que seu produto percorre ao longo de todos os segmentos da cadeia produtiva. Essa visão sistêmica do complexo agroindustrial, vista a partir de dentro das porteiras das fazendas, torna-se fundamental para o sucesso do negócio, já que não basta ser eficiente em sua atividade se o sistema como um todo não estiver sendo eficiente. Para o autor, a propriedade rural necessita, de alguma forma, fazer parte do
modelo estabelecido no ambiente dos agronegócios, o qual reconhece e fortalece a importância da integração de todos os segmentos envolvidos no sistema: desde o setor de insumos, passando pela produção rural e agroindústrias, até chegar à distribuição de produtos.
Segundo JANK (1997), a moderna visão da agropecuária reside na integração da propriedade ao longo da cadeia produtiva, da adoção de tecnologia e da otimização da relação risco-retorno. Segundo o autor, a produção rural parece passar a depender cada vez menos da técnica e cada vez mais da gestão.
Portanto, para o produtor rural contemporâneo ser considerado como um "empresário rural" espera-se que o mesmo adote práticas de administração rural (de planejamento e controle) aliadas à uma visão sistêmica, que o credencia a enxergar e conhecer a realidade não só de sua atividade, mas também de toda a cadeia produtiva na qual está inserido e cuja competitividade é de grande relevância para o sucesso de seu negócio.