3 Resultater og Diskusjon
3.2 Hver enkelt bekk
3.2.9 Møllendalselven
século XVIII, com a exploração das minas auríferas, que em Goiás permaneceu durante todo o século. Foi durante esse período da busca pelo ouro que se formaram os primeiros arraiais. De acordo com Estevam (2004, p. 24):
Os primeiros arraiais do ouro foram erigidos no centro-sul da capitania tendo sido descobertos entre 1725 e 1731. A partir de então surgiram minas ladeando o rio Tocantins e a sucessão de descobertas ao norte perseguiu até a metade do século quando mineradores da Bahia, Pará, Maranhão e Piauí estabeleceram-se na região.
No final do séc. XVIII ocorreu o declínio da produtividade das minas auríferas goianas “que prolongou-se de forma vagarosa mas constante. A partir de 1778 a baixa na produção foi alarmante.”(ESTEVAM, 2004, p.39). Na região norte de Goiás esse declínio também ocorreu, a qual chega ao séc. XIX numa situação bastante crítica. A alternativa encontrada foi a atividade baseada na agricultura e na pecuária, as quais predominam até os dias de hoje.
A decadência da mineração trouxe uma nova estruturação da base econômica de Goiás. Conforme afirma Estevam (2004, p.39), “com o gradativo esgotamento das jazidas houve significativo aumento de exploração rural evidenciando mudança no caráter de exploração destas atividades e produzindo-se, desta feita, quase que unicamente para a própria subsistência”.
Outro autor, Temis Parente (1999), referindo-se à nova atividade encontrada como alternativa frente ao declínio da exploração de ouro e outros minerais, nos diz que:
Na economia de subsistência, a população encontra mecanismos de resistência para que possa se integrar, mesmo lentamente, a uma nova forma de atividade econômica baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base da economia do atual Estado do Tocantins. (PARENTE, 1999, p.96)
É importante observar que a análise da formação territorial de Tocantins não se dissocia da formação socioespacial brasileira e das particularidades da ocupação da região central do país, até hoje de baixa densidade demográfica, principalmente se comparada com as áreas mais próximas do litoral (SANTOS, 1997).
Segundo Prado Júnior (2004), a ocupação do interior não ganhou proporções significativas no período colonial por causa do sistema agrícola exportador adotado,
inviabilizando sua produção em áreas distantes do litoral que, em grande parte, permaneciam desconhecidas pelos colonizadores e não contavam com redes de transportes adequadas. Somente a pecuária extensiva e a mineração conseguiram estabelecer-se em regiões do interior do território, mas não foram suficientes para proporcionar uma ocupação expressiva.
No tocante à ocupação das áreas centrais do Brasil, devemos considerar que, mesmo com a abertura de algumas vias de circulação internas terrestres e fluviais, as economias regionais permaneciam praticamente isoladas umas das outras (FURTADO, 1959). A atividade pecuária era incipiente e rudimentar e as atividades agrícolas eram de subsistência, existentes apenas para atender as demandas locais.
A atividade produtiva que se desenhou no norte de Goiás teve uma base na pecuária extensiva, a qual foi propícia para a região que tinha a seu favor uma grande extensão e pastos naturais. A agricultura explorada naquele território, segundo Estevam (2004, p.39) era “a agricultura camponesa, caracterizada pela fraca utilização de insumos e pela predominância do trabalho familiar”.
Dessa forma, pode-se constatar que o norte de Goiás foi estruturando-se com aptidões para a pecuária e agricultura, a qual vale lembrar, tinha fraca produtividade. Demonstrando assim, uma economia à margem, sem grande influência e participação de destaque na receita de Goiás..4
Vale destacar que o rio Tocantins exerceu grande influência na nova atividade
4 Para Furtado (1973), a vasta abundância de terras juntamente com clima tropical e a questão da mão-de-
obra insuficiente fizeram com que predominassem, no período colonial, os interesses das grandes unidades de exploração por empresas agrícolas. Em decorrência disto as decisões relativas à ocupação de novas terras e a criação de empregos, nas fases subsequentes a da colonização, ficariam a mercê dos interesses das grandes unidades de exploração, ou seja, dos latifúndios. Com o crescimento demográfico, a alternativa que resta para a população rural é de migrar para a fronteira agrícola sem uma adequada assistência técnica que permitiria o uso racional dos recursos naturais. A essa migração para a fronteira agrícola que imobiliza quantidades consideráveis de terras e perpetua técnicas agrícolas rudimentares, o que propicia a destruição dos recursos naturais, Furtado chamou de agricultura itinerante. À sombra da agricultura mercantil-exportadora desenvolveu-se o latifúndio pecuário, sempre empurrado em direção ao interior, à medida que a atividade exportadora se expandia. Esta, mesmo diante da profunda depressão causada pela crise açucareira (séculos XVII e XVIII), podia reproduzir-se, em grande parte, de forma natural, ocupando novos espaços vazios ou já ocupados pela pequena agricultura de subsistência que, por sua vez, também era empurrada mais adiante ou, então, era incorporada pela pecuária, passando os pequenos produtores a viver sob o manto protetor do latifundiário, como agregados ou moradores de condição. O domínio da terra, com sua estrutura da propriedade e de renda, estabelecia, assim, a concentração do poder econômico e político regional. Dito de outra forma, a dilatação da fronteira agrícola reproduzia o padrão de concentração da propriedade, da renda e do poder, e a “oferta elástica” de mão de obra – neste caso excluída não só de propriedade, mas também de posse –, mantendo a estrutura das relações sociais predominantes: patrimonialismo, submissão e marginalidade social.
produtiva, constituindo um articulador alternativo da economia no norte goiano, já que, através dele, o norte e principalmente a região conhecida como Bico do Papagaio, localizada no extremo norte de Goiás, integravam sua economia com outras regiões do país, em especial com os Estados do Maranhão e do Pará.
Estevam (2004) chama a atenção, ainda, para a estrutura fundiária que se montou, baseada no latifúndio e na posse da terra. Alencar (1993, apud Estevam 2004, p. 44) acrescenta que “chegou-se ao fim do período colonial com dois traços fundamentalmente marcantes na estrutura agrária: o latifúndio e a posse não raramente interligados. Para o interior a posse era uma realidade irrefutável.” Este fato marcou profundamente a história do território, especialmente do extremo norte, na região conhecida como Bico do Papagaio, que foi palco, já no século XX de um dos mais violentos conflitos agrários do país, fato muito comum em regiões de expansão das fronteiras. O extremo Norte de Goiás viria a ser uma fronteira de penetração para a Amazônia e sua apropriação.
Sobre o povoamento no norte goiano Estevam (2004), afirma que os fluxos de povoamento em Goiás aconteceram com uma diferenciação entre o povoamento no norte e o do sul do Estado. Conforme o autor,
[...] aconteceram dois fluxos diferenciados de povoamento em Goiás no século XIX. Um oriundo dos sertões nordestinos; o outro, de mineiros e paulistas ocupou o sul e o sudeste da província. A lenta e silenciosa acomodação demográfica perdurou ao longo de todo o século (ESTEVAM, 2004, p. 51).
No que concerne a essa afirmação, observamos que, desde o início da ocupação do Estado de Goiás, houve uma tendência separatista entre o norte e o sul do Estado, que se consubstanciava em um iminente desejo de autonomia no norte, haja vista o fato de que a população dessa região “acusava o governo do sul de completo abandono e o governo acusava o norte de não cobrir sequer os gastos com o funcionalismo” (PALACIN apud ESTEVAM, 2004, p.53).
Sob o discurso de que a porção norte de Goiás era negligenciada pelo poder público estadual (supostamente preocupado apenas com a porção sul, mais populosa e economicamente mais dinâmica), oligarquias agrárias reivindicavam, desde o século XIX, a emancipação. Estes discursos sobre a emancipação da porção norte da então província de Goiás datam, pelo menos, do século XIX, por iniciativa das oligarquias
agrárias locais (FURTADO, 1959, CAVALCANTE, 1999; OLIVEIRA, 1998; PALACÍN; MORAES, 2008).
O argumento para tal separação, desde o princípio pautava-se na inquietação da população local com o isolamento e o descaso regional. O Movimento repudiava, segundo Cavalcante (1999, p.73), a “situação de abandono político-administrativo a que estavam relegados desde a decadência das minas auríferas da região”. Ao longo do século XX o movimento foi ganhando força, configurando-se como notável movimento separatista desse século. Assim, em 1921, por intermédio do embaixador Joaquim Teotônio Segurado, iniciou-se o movimento que intencionava a separação do norte de Goiás, e que, anos mais tarde culminaria com a criação do mais novo Estado da Federação, por ocasião da promulgação da Constituição de 1988.
2.1.2. Dos anos de 1930 aos de 1980 – da “marcha para o oeste” à ocupação