5.2 Undersøking av Kristiansand KulturRullator
6.2.1 Mål
O universo de pesquisa foi composto por 2 grupos, com 18 informantes cada, provenientes das duas regiões/instituições já descritas. Os informantes de Mossoró-RN contribuíram para a análise da construção da fonologia do ILE em um falar do PB em que o fenômeno da palatalização não é recorrente. Informantes de Fortaleza-CE contribuíram para a análise de usuários recorrentes de tal fenômeno. Para nos certificarmos da recorrência dos padrões regionais nos informantes selecionados, procuramos conversar antes da realização das entrevistas. Adicionalmente, a realização do primeiro experimento de coleta de dados do PB prestou-se à confirmação inicial dessas tendências. Uma informante da cidade de Mossoró- RN foi descartada por apresentar evidências de palatalização em seu falar, devido às constantes viagens que realizava ao Ceará.
Além da variável regional, controlamos a variável sexo, uma vez que estudos seminais na área de pesquisa sociolinguística, como Labov (2008[1972]), controlaram a variável. Na literatura envolvendo a palatalização no PB, a região de origem dos informantes teve destaque (ABAURRE; PAGOTTO, 2002). No entanto, efeitos da variável sexo foram menos comuns (BISOL, 1991; HORA, 1990), apesar de existirem trabalhos que indicaram a variável como facilitadora do fenômeno (BATTISTI; GUZZO, 2009).
Outras variáveis não estruturais caras à pesquisa sociolinguística, como idade, escolaridade em língua materna, classe social, não foram controladas. A opção baseou-se na percepção de que teríamos dificuldade em encontrar nos cursos de extensão que constituíram o campo de pesquisa indivíduos com baixa escolaridade, advindos de uma classe social mais baixa ou com uma maior idade. Notadamente grande parte dos alunos dos cursos de inglês constituiam-se de adultos/jovens advindos da classe média, com nível de escolaridade entre o médio e o superior de diversas áreas.
Ambos os grupos associados às cidades de Mossoró-RN/Fortaleza-CE foram subdivididos quanto ao tipo de coleta de dados utilizado, quer transversal ou longitudinal. Os grupos com desenho transversal contaram com 18 informantes, já os grupos com desenho longitudinal contaram com 2 informantes. A marcante redução decorreu dificuldade em coletar dados de um número maior de sujeitos nos diversos momentos de coleta de dados do estudo longitudinal. Tivemos como objetivo inicial a divisão de grupos longitudinais e transversais compostos por informantes de ambos os sexos. No entanto, isso não foi possível, visto que apenas informantes do sexo masculino tiveram disponibilidade de tempo e comprometimento para as constantes entrevistas necessárias ao desenho longitudinal de pesquisa. Enfatizamos ainda que os informantes do estudo longitudinal de cada cidade participaram do grupo de estudo transversal. Dessa forma, a primeira entrevista realizada com os informantes foi também analisada no estudo transversal.
Com o intuito de estudar a emergência do fenômeno da palatalização das oclusivas alveolares no ILE em diversos níveis de proficiência linguística, os informantes do estudo transversal foram subdivididos em 3 grupos. Cada grupo constituiu-se de 6 informantes em nível de proficiência iniciante, intermediário e avançado, de ambos os sexos. Os 2 informantes que participaram do estudo longitudinal, foram selecionados apenas entre os aprendizes iniciantes do ILE.
Ressaltamos que o nível de proficiência linguística do ILE dos informantes foi estabelecido a partir do número de horas/aula a que foram expostos em seu curso de origem. A classificação de proficiência linguística baseada em h/a foi recorrente em estudos envolvendo o ILE (PRAXEDES FILHO, 2007). Foram considerados informantes com nível de proficiência iniciante os aprendizes com no máximo 60 h/a de exposição ao ILE, o que restringiu o grupo a alunos do primeiro nível. De forma semelhante, foram considerados informantes com nível intermediário aprendizes com mais de 240 h/a de exposição ao ILE. Aprendizes a partir do oitavo nível estavam habilitados a participar do estudo como informantes avançados. Uma vez que contavam com mais de 420 h/a de exposição ao ILE. No
entanto, tivemos a possibilidade de realizar entrevistas com estudantes do nono período em Fortaleza-CE e do décimo em Mossoró-RN. Como não encontramos informantes do sexo feminino que atendessem aos pré-requisitos da pesquisa quer no décimo ou nono nível, optamos por contar com alunas matriculadas no oitavo nível em Mossoró-RN.
Tivemos por objetivo realizar a coleta de dados dos diferentes grupos do estudo transversal no menor espaço de tempo possível, uma vez que um atraso na coleta poderia influenciar o nível de proficiência linguística dos informantes iniciantes. As entrevistas no desenho transversal foram realizadas dentro de um período de cerca de um mês entre informantes de todos os níveis de proficiência.
Os grupos relativos ao estudo longitudinal tiveram apenas 2 informantes por região, ambos do sexo masculino. Tivemos assim um total de 4 informantes no estudo longitudinal. Todos os informantes foram selecionados entre o grupo de proficiência linguística iniciante. Diferentemente dos grupos envolvidos na pesquisa transversal, os grupos do estudo longitudinal foram analisados em uma sequência de 8 momentos distintos, com cerca de um mês separando cada coleta. O maior volume de dados oriundo do estudo longitudinal motivou a significativa redução do número de informantes (GUIMARÃES, 2008), quando comparado ao total da pesquisa transversal. Com o intuito de sumarizar o conjunto de informantes desta tese, retomamos no Quadro 4 suas características principais.
Quadro 4 - Características principais dos informantes utilizados no estudo.
Total Local Proficiência ILE Sexo
Transversal 36 18 (Fortaleza-CE) 18 (Mossoró-RN) 6 (Avançado) 6 (Intermediário) 6 (Iniciante) 3 (Mas.) 3 (Fem.) Longitudinal 4 2 (Fortaleza-CE)
2 (Mossoró-RN) 4 (Iniciante) 4 (Mas.)
Total Geral 36 18 (Fortaleza-CE) 18 (Mossoró-RN) 12 (Avançado-trans) 12 (Intermediário- trans) 12 (Iniciante-trans) 4 (Iniciante-long) 18 (Mas.-trans) 18 (Fem.-trans) 4 (Mas.-long)
O número de informantes envolvidos na pesquisa foi de 36 informantes. Cada local de coleta de dados contribuiu com 18 informantes. O estudo transversal contou com 12 informantes por nível de proficiência em ambas as localidades, o longitudinal com 2 informantes de nível de proficiência iniciante por localidade. Finalmente, o estudo transversal contou com 18 informantes de cada sexo, o longitudinal teve apenas 4 informantes do sexo masculino. Lembramos que os 4 informantes do estudo longitudinal fizeram parte do estudo
transversal, o que acarretou um mesmo número de informantes no estudo transversal e o total geral apresentado no Quadro 4.
Dadas as variáveis regionais, de sexo, de nível de proficiência linguística do ILE, e do desenho metodológico, de cunho concomitantemente transversal e longitudinal, clara se fez a necessidade de um instrumento de codificação capaz de facilitar a identificação e análise dos dados. Elaboramos um código alfanumérico, semelhante ao proposto por Silva (2005), para a identificação precisa de cada token.
O código foi constituído por 6 ou 7 posições. Na primeira posição, enfatizamos a cidade/estado de origem do token, com o uso das letras F para a cidade de Fortaleza-CE e M para a cidade de Mossoró-RN. Na sequência, utilizamos as letras M (Masculino) ou F (Feminino) para indicar o gênero do informante. O primeiro código numérico foi utilizado para indicar o nível de proficiência em ILE dos informantes, bem como identificá-los individualmente. Isso foi realizado com a utilização dos números de 1 a 3 para identificar informantes iniciantes, 4 a 6 para os informantes intermediários e 7 a 9 para os informantes avançados. A quarta posição do código foi utilizada para explicitar a língua do token, P para o português e I para o inglês. A quinta posição foi reservada para o número do experimento, 1 ou 2 no português e 1 a 3 no ILE. A sexta posição foi marcada pela transcrição da palavra a que se refere o token. Como esta constituiu-se uma variável importante de pesquisa, necessária se fez a identificação precisa de cada item. Finalmente, a sétima e última posição do código foi pertinente apenas ao estudo longitudinal. Foram utilizados os dígitos de 2 a 8 para indicar o número da coleta do desenho de pesquisa. Lembramos que a primeira coleta do estudo longitudinal foi utilizada no estudo transversal, sendo portanto desnecessária a marcação do primeiro momento. O Quadro 5 apresentou o código.
Quadro 5 - Codificação alfanumérica. Cidade/Esta
do Gênero
Nível de
Proficiência Língua Experimento Palavras
N. Coleta Fortaleza-CE (F) Mas. (M) Iniciante (1 a 3) Port. (P) 1 ou 2 Diversas do português 2 a 8 Mossoró-RN (M) Fem. (F) Intermediário (4 a 6) Ing. (I) 1 a 3 Diversas do inglês Avançado (7 a 9)
Portanto, a visualização de um token codificado como FM3P2TIFO identificou uma gravação pertinente a um informante de Fortaleza-CE, do sexo masculino, ainda no nível de proficiência iniciante, na língua portuguesa, do experimento 2 e com a palavra tifo. De forma semelhante. Um token codificado como MM7I2TEACHER3 identificou uma
gravação pertinente a um informante de Mossoró-RN, do sexo masculino, do nível de proficiência avançado, na língua inglesa, do experimento 2, com a palavra teacher, na terceira coleta longitudinal.
Na seleção dos informantes foi utilizada uma técnica de amostragem combinada ou de estágios múltiplos (MARCONI; LAKATOS, 2009). Este tipo de amostragem baseiou- se no princípio de que “[...] o indivíduo, objeto de pesquisa, pertença a um e apenas um conglomerado” (MARCONI; LAKATOS, 2009, p. 32). Selecionamos de forma aleatória grupos (turmas) de aprendizes do ILE, nos níveis de proficiência descritos, nas duas regiões. Fizemos visitas prévias às turmas selecionadas em que explicamos o desenho de pesquisa, as restrições impostas aos informantes, e solicitamos voluntários aos estudos transversal e longitudinal. Em sequência, fizemos a seleção dos informantes entre os voluntários de forma aleatória simples. Os selecionados passaram pelas seguintes restrições:
a) fosse natural da cidade ou adjacências com um mesmo falar, em que estava localizado o seu grupo;
b) residisse na cidade ou regiões adjacentes, de um mesmo falar;
c) fizesse uso da habilidade oral do ILE apenas em contexto informal ou escolar; d) tivesse pais, ou cônjuge, naturais da cidade e adjacências, de mesmo falar; e) conversasse informalmente com o pesquisador antes da realização dos experimentos. Pudemos assim constatar se os voluntários de cada região apresentavam as características de seu falar regional.
As restrições foram controladas através de um questionário (APÊNDICE A). Observamos que os informantes eram em sua totalidade adultos jovens, com idades entre 17 e 32 anos, média de 22,6. No que tange à escolaridade no PB, 30 informantes eram graduados ou graduandos em cursos superiores diversos. 5 informantes eram pós-graduandos ou já terminaram uma pós-graduação. 1 informante (o mais jovem) apenas concluiu o ensino médio. Os informantes de nível de proficiência iniciante tinham no máximo 2 meses de cursos de inglês quando do momento da entrevista. Por sua vez, os informantes com nível de proficiência intermediário tinham 2 anos e 6 meses. Finalmente. Os informantes de nível de proficiência avançado tinham em média 4 anos de estudo do ILE nos cursos de extensão. Quanto à motivação para o aprendizado do ILE apenas 8 informantes reportaram uma orientação instrumental de aprendizagem, tendo por objetivo uma melhor posição no mercado de trabalho. Todos os outros informantes reportaram motivação integrativa, em que o objetivo era integrar-se o máximo possível com a cultura estrangeira. Observamos que grande parte dos informantes não fizeram uma auto avaliação da proficiência linguística oral/auditiva de
modo objetivo, levando em consideração o seu nível pessoal de proficiência linguística. Desse modo, tivemos FM9, uma informante de nível de proficiência avançada, avaliou suas habilidades orais como 3/3, enquanto MF2, uma informante com nível de proficiência iniciante, avaliou suas habilidades orais como 4/3. Finalmente, quando inqueridos acerca do estudo de outros idiomas estrangeiros, apenas 6 informantes estudaram ou estudam outro idioma. Detalhes acerca dos informantes foram apresentados no APÊNDICE B.
Como informamos, 4 dos 36 informantes do estudo transversal foram selecionados para o acompanhamento longitudinal. Os informantes selecionados foram FM1 e FM3 na cidade de Fortaleza-CE. Na cidade de Mossoró-RN, os informantes selecionados foram MM1 e MM2. Os informantes do estudo longitudinal apresentaram características semelhantes de idade, nível de instrução no PB, tempo de estudo do ILE no curso livre, motivação e contato com outros idiomas estrangeiros. A seguir apresentamos as escolhas metodológicas relativas à seleção das palavras utilizadas no estudo.