5.2 Undersøking av Kristiansand KulturRullator
5.2.2 Kristiansand KulturRullator – erfaringar og utfordringar
A presente pesquisa foi delimitada como um estudo indutivo-dedutivo, seguidora de uma metodologia experimental, de cunho transversal-longitudinal. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará, sob o número 242.265.
A pesquisa experimental tem sido amplamente utilizada em estudos fonético- fonológicos. A opção surgiu da dificuldade em se obter um número significativo dos padrões sonoros específicos de modo espontâneo. Dentre os muitos tipos de desenhos que poderiam ser realizados (MARCONI; LAKATOS, 2007), a literatura em pesquisa fonológica envolvendo o PB e línguas estrangeiras de aprendizes brasileiros utilizou projetos do tipo comparativo (MARCHERPE, 1970; OLIVEIRA, C. 2006; RAUBER, 2006; BARBOZA, 2008), antes-depois com grupo de controle (NOBRE-OLIVEIRA, 2007), transversal (ZIMMER, 2003) e longitudinal (AUGUSTO, 2009). Atentamos às características dos estudos de cunho transversal e longitudinal, apresentando suas vantagens e desvantagens.
Num estudo transversal, informantes são agrupados de acordo com alguma variável de controle, como origem geográfica, faixa etária, nível de proficiência em língua estrangeira, entre outros. A coleta de dados é realizada ao mesmo tempo em todos os grupos,
num único momento. Comparações são então realizadas entre-grupos. O desenho permitiu generalizações importantes, como a análise variacionista de tempo aparente (LABOV, 2008 [1972]). Baseada na descrição da produção linguística de falantes de diversas faixas etárias num momento específico do tempo, poderia-se inferir uma mudança linguística em progresso, como os dados apresentados por Abaurre e Pagotto (2002), Battisti e Guzzo (2009) e Carvalho (2004), em se tratando do fenômeno da palatalização do PB. Contudo, o estudo transversal apresenta um caráter homogeneizador, pela frequente opção em excluir a variação intra-individual, frequentemente tratada como ruído a ser descartado (LARSEN-FREEMAN; CAMERON, 2008a).
Por outro lado, um estudo longitudinal permite ao pesquisador observar a evolução de um dado fenômeno, através da coleta de dados durante certo período de tempo. A metodologia é propícia à investigação de alguns indivíduos, raramente sendo expandida para grandes grupos. Estudos longitudinais prestaram-se sobremaneira à descrição do desenvolvimento dinâmico, característico dos SACs (LARSEN-FREEMAN, 2006). Os estudos de Aguena (2006) e de Benayon (2006) foram exemplos de pesquisas que se beneficiaram do desenho longitudinal, respectivamente na formação de professores de inglês e na aquisição de padrões fonológicos do PB. Desvantagens do método envolvem o maior tempo e custos necessários à coleta de dados. Outras desvantagens dizem respeito à limitação do número de informantes, além da dificuldade em delimitar um intervalo temporal não muito extenso, mas mesmo assim significativo, para a análise do fenômeno (GUIMARÃES, 2008).
A adoção de uma metodologia de cunho transversal ou longitudinal trouxe vantagens e desvantagens para esta tese. Aplicamos a metáfora da fotografia e a do filme para caracterizar os dois paradigmas. Fotografias estáticas facilitam a descrição dos detalhes do objeto fotografado, ao custo da perda da dimensão temporal da descrição. Filmes tendem a enfatizar o caráter de movimento dinâmico, de evolução e transformação constante, à custa da perda da descrição dos detalhes, imposta pela constante troca de imagens. Apesar de cônscios de que uma metodologia de pesquisa longitudinal na verdade apresenta uma sequência de fotografias estáticas dos diversos momentos de coleta de dados, o pequeno espaçamento temporal entre os momentos permite ao pesquisador inferir o comportamento do sistema analisado associado à variável temporal.
Dadas as características de cada tipo de pesquisa, metodologias híbridas, que possam aproveitar o melhor de cada desenho, vem ganhando força. Como afirmaram Larsen- Freeman e Cameron (2008a, p. 251) “[...] pesquisadores estão cogitando a possibilidade do
uso de combinações de métodos. Essa é, afinal, uma solução pragmática às demandas de uma perspectiva teórica que busca entender a dinâmica da variação em sistemas complexos.”23
Optamos pela utilização de um modelo híbrido de pesquisa. Tivemos à disposição um conjunto significativo de dados, que permitiu refletir acerca do fenômeno da palatalização do PB e sua influência na realização do ILE de brasileiros.
A coleta de dados no estudo transversal indicou o padrão geral de construção da fonologia do ILE, apontando o quão estável foi o fenômeno da palatalização nos contextos estudados. O desenho transversal teve o objetivo de mostrar “[…] um quadro do ‘grande perfil do desenvolvimento’ onde a estrutura global e similaridades entre participantes possam ser observadas.”24 (LARSEN-FREEMAN 2006, p. 613).
O estudo longitudinal buscou observar a variação na emergência da palatalização no percurso de construção da fonologia do ILE e teve por objetivo “[...] dar uma ‘olhada por baixo do pano’ onde escondem-se os ‘pequenos e desordenados detalhes’. É através da observação desses detalhes que constatamos que o comportamento é variável e dependente do contexto.”25
(LARSEN-FREEMAN, 2006, p. 613).
Em outras palavras, o estudo longitudinal buscou focar na variação individual, de extrema importância na análise da aquisição de habilidades gerais, como a motora (THELEN; SMITH, 1994) ou linguística (SANCIER; FOWLER, 2007). A análise longitudinal foi importante e não se sobrepôs ao estudo transversal devido ao fato, amplamente discutido na literatura dos Sistemas Adaptativos Complexos (SACs), de que o todo não é constituído pela soma das partes (LEWIN, 1992). A realização de um estudo transversal envolvendo diversos níveis de proficiência em ILE não apresentaria os mesmos resultados de um estudo longitudinal.
Apresentamos a delimitação do corpus iniciando pelas áreas utilizadas como campos de pesquisa a seguir.
23“[...]researchers are entertaining the possibility of using multiple blended methods. It is, after all, a pragmatic solution to the demands of a theoretical perspective that seeks to understand the dynamics of change in complex systems.”
24“[...] a picture of the ‘grand sweep of development’ where global structure and similarities across participants
can be seen.”
25“[...] to take in a ‘view from below’ where the ‘messy little details’ lie. It is by looking at these that we see that behavior is variable and context dependent”