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Lokal- og regional historie

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5.8 Periodeovergripende temaer

5.8.3 Lokal- og regional historie

da TA e de estudos e pesquisas de questões teórico-metodológicas sobre ensino-aprendizagem discutidas, inicialmente, por Liberali (2008, 2009a, 2011b, 2012) e, mais tarde, por Liberali, Mateus e Damianovic (2012), Magalhães (2011), Shimoura (2012) e outros. Essas pesquisadoras propõem a atividade social como base para o ensino. Apoiam-se nos preceitos vygotskyano da atividade humana como meio para satisfação de uma necessidade (motivo) no alcance de um objeto, em um sistema de atividade dinâmico, mediado por artefatos culturais, inserido em um contexto (comunidade) e orientado por regras e divisão de trabalho. A proposta é inserir a atividade social na escola não como mera transposição, mas como uma necessidade da vida real que, deveras, precisa ser satisfeita, e como possibilidade de proporcionar, na escola, situações que se vive fora dela.

Autores como Cedro e Moura (2012), que também se baseiam na TASHC e compactuam da proposta de atividade social como meio de desenvolvimento humano, ressaltam que a aprendizagem é uma das características da prática social que somente se

efetiva quando os sujeitos participam das tarefas nucleares, estabelecem relações horizontais caracterizadas por situações problemáticas e têm oportunidade de aprender o que ainda não foi construído, ou seja, quando constituem a atividade durante sua realização. Esses autores, apoiados em Fichtner (1985), apresentam, ainda, a atividade como uma nova possibilidade de aprendizagem, que se opõe à tradicional aprendizagem escolar. Baseada nesses teóricos, considero a atividade social um contraponto às formas de organização que focalizam os conteúdos de modo descontextualizado e desconectado com o agir transformador dos alunos no mundo, motivo que me leva à escolha por essa metodologia na situação de ensino- aprendizagem.

De acordo com Liberali (2012), as atividades sociais partem das necessidades de participação em determinadas esferas da vida e focalizam sua satisfação por meio do trabalho escolar; podem estruturar as práticas didáticas para a inclusão social em diferentes âmbitos, pois procuram criar um espaço de imitação do real não próximo para torná-lo mais acessível. Shimoura (2012, p.39), com base em Leontiev, completa ainda que a atividade social é “um conjunto de ações mobilizadas por um grupo para alcançar um determinado motivo/objetivo. Satisfaz necessidades dos sujeitos na vida que se vive”.

Neste estudo, a proposta e o interesse em pensar a realidade e transformá-la, a fim de se alcançar melhor participação social por meio do desenvolvimento do domínio dos alunos quanto à produção escrita, é possível por meio da Teoria da Atividade Sócio-Histórico- Cultural (TASHC), que focaliza o

[...] estudo das atividades em que os sujeitos estão em interação com outros em contextos culturais determinados e historicamente dependentes. (...) Para que esse conjunto de ações possa ser compreendido como uma atividade, é preciso que os sujeitos nela atuantes estejam dirigidos a um fim específico, definido a partir de uma necessidade percebida. Em outras palavras, uma atividade é realizada por sujeitos que se propõem a atuar coletivamente para o alcance de objetos compartilhados que satisfaçam, mesmo que parcialmente, suas necessidades particulares (LIBERALI, 2009, p.12).

O interesse pelo ensino por meio de Atividades Sociais justifica-se, também, por estas se relacionarem intrinsecamente à vida, pois “enfatizam o conjunto de ações mobilizadas por um grupo para alcançar um determinado motivo/objetivo, satisfazendo necessidades dos sujeitos” (LIBERALI, 2009, p.11).

A fim de esclarecer os componentes de uma atividade , ou seja, “agentes (sujeito) que percebem suas necessidades, são motivados por um propósito (objeto), o qual é mediado por

artefatos (instrumentos) por meio de uma relação entre indivíduos (comunidade), que se constitui por regras e pela divisão de trabalho” (LIBERALI, 2009, p.19), e relacioná-los à atividade desta pesquisa, apresento o quadro elaborado por Liberali:

Quadro 1: Componentes da atividade.

Sujeitos São aqueles que agem na produção do objeto/motivo e realizam a atividade.

Comunidade São aqueles que compartilham o objeto da atividade.

Divisão de trabalho Referem-se a papéis e responsabilidades dos sujeitos envolvidos na atividade participantes.

Objeto É aquilo que satisfará a necessidade, o objeto desejado.

Tem caráter dinâmico, transformando-se com o desenvolvimento da atividade. Tratou-se da articulação entre o idealizado, o sonhado, o desejado que se transforma no objeto final ou o produto.

Regras Normas explícitas ou implícitas da comunidade. Artefatos/

instrumentos/ ferramentas

Meios de modificar a natureza para alcançar o objeto idealizado, passíveis de serem controlados pelo seu usuário revelam a decisão tomada pelo sujeito; usados para o alcance de fim predefinido (instrumento para o resultado) ou constituído no processo da atividade (instrumento-e- resultado).

Fonte: Adaptado de Liberali (2009, p.12).

Os elementos descritos nesse quadro serão relacionados ao presente estudo no capítulo metodológico, que apresentará, dentre outras informações, a descrição da atividade social proposta nesta pesquisa. Para o desenvolvimento da atividade social “Produzir um jornal”, foi elaborada uma sequência didática6, entendida aqui como organização sequencial de tarefas desenvolvidas na sala de aula. O planejamento dessas tarefas, inicialmente, foi pré- estabelecido com a combinação de regras, atividades de leitura (reconhecimento dos gêneros), produção escrita e revisão dos textos. Porém, o planejamento delas não foi estanque, mas repensado e discutido entre as professoras e a pesquisadora a cada aula e a cada necessidade surgida. Dessa forma, a cada encontro, era estabelecido um objeto que, uma vez internalizado, era proposto como instrumento nas tarefas da aula seguinte, de modo que, nessas tarefas, os sujeitos produziam “significados, mantendo, inicialmente, traços de significados compartilhados em atividades anteriores” (LIBERALI, 2011a, p.14).

Conforme Liberali (2011b), nesse processo, a argumentação na organização da linguagem voltada à produção compartilhada de um significado por meio da negociação assume papel central na ampliação dos sentidos e na superação de perspectivas dogmáticas e                                                                                                                

6 A sequência didática, como proponho, não segue a proposta de Dolz, Noverraz e Schnewly (2010). Para estes, a sequência didática pressupõe uma produção inicial, oficinas e uma produção final; a sequência didática que apresento não se formata dessa maneira.

autoritárias, oriundas de sentidos pessoais ou de visões cristalizadas sócio-historicamente. Para Vygotsky (1934/2003), o significado de uma palavra relaciona-se à produção social e apresenta natureza relativamente estável. O sentido, por sua vez, está ligado à individualidade da consciência e à forma como os significados são internalizados e externalizados por um sujeito.

Dada a importância da linguagem, relevância explicada por ser a área de estudo na qual esta tese é desenvolvida, e também por constituir elemento mediador central, a próxima seção abarcará algumas discussões sobre linguagem, conforme os preceitos de Vygotsky e Bakhtin.

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