Segundo Sachs (1993) alguma medidas são implementáveis para incremento da sustentabilidade segundo o viés ecológico, como a intensificação do uso dos recursos potenciais dos diversos ecossistemas, causando o mínimo de dano aos sistemas de sustentação de vida da biosfera. Um dos maiores desafios de qualquer assentamento que valoriza o meio
ambiente é como promover o aproveitamento de recursos energéticos endógenos de elevado potencial, diminuindo as necessidades de consumo de combustíveis fósseis e de fontes externas, minimizando impactos sobre o meio ambiente.
A partir da compilação das informações obtidas do apêndice C, e da análise documental realizada a partir dos relatórios gerados pela consultoria, observou se que a Ecovila Viver Simples possuía 3 alternativas para geração de energia na comunidade respeitando a premissa de utilização de recursos endógenos, além de 2 opções para bombeamento da água potável para utilização nas unidades (residências, comedouro, templos, etc). A Ecovila Viver Simples desfruta de um privilegiado potencial hídrico, devido a passagem pelas dependências do assentamento de 2 riachos – Rio Leste e Rio Grande, advindos de uma nascente próxima, conforme figura 24.
Bombeamento da água: análise entre Carneiro hidráulico36 e Bomba acionada apor
roda d’água, conforme demonstrado pelas figuras 26, 27 e 28.
Tanto o carneiro hidráulico quanto a bomba acionada por roda d’água são equipamentos úteis na elevação de água em propriedades rurais. Estes equipamentos requerem pouca manutenção e podem funcionar ininterruptamente à custa da energia hidráulica. Cada um desses equipamentos apresenta suas particularidades. A solução sugerida para utilização no Rio Leste, que possui uma vazão
36 O carneiro hidráulico é uma bomba dágua simples de ser construída e com a grande vantagem de não requerer nenhuma fonte de energia externa para funcionar. Ela funciona com a própria pressão da coluna dágua que ela usa para bombear a água para um ponto mais alto do terreno.
Figura 26 – Carneiro hidráulico selecionado Fonte: Ecovila Viver Simples, 2008
Figura 27 – Funcionamento interno da bomba Fonte: Ecovila Viver Simples, 2008
Figura 28 – Bomba com roda d’água Fonte: Fabricante – Rochfer, 2008
de 5 l/s (cinco litros por segundo) foi o uso conjugado de ambas soluções.
O carneiro hidráulico aproveitando certa queda d’água, consegue elevar apenas uma parte do liquido, contudo isso não seria um problema no caso da Ecovila Viver Simples, devido às características de perfil do córrego. As bombas conjugadas com roda d’água apresentam, neste aspecto, sua grande vantagem: podem ser movimentadas por águas superficiais sujas e contaminadas, mas pode bombear a água de boa qualidade de um poço raso, aberto nas proximidades, e elevá-la para o consumo doméstico.
Utilização de geradores hidrelétricos: Devido a uma maior vazão de água no Rio Grande, algo em torno de 17,5 l/s (dezessete e meio litros por segundo), e uma altura de 15 metros no caimento do córrego, percebeu-se a oportunidade de uso de um equipamento que poderia gerar em torno de 1350W. Observe no detalhe abaixo – Figura 30 - o trecho de rio entre a captação (parte superior, onde há um canal) e a usina (parte inferior, onde há uma pequena casa abrigando o equipamento). No caso de utilização da vazão total do rio, ou seja, os 17,5 l/s, o trecho entre a captação e a usina ficaria seco. Figura 29 – Mini usina hidrelétrica
Fonte: Fabricante Alterima, 2008
Figura 30 – Utilização do Rio Grande para geração de energia na Ecovila Viver Simples Fonte: Vantuir Durant, 2007
Utilização de energia fotovoltaica: A energia solar fotovoltaica é uma excelente opção para as residências da Ecovila Viver Simples, pois pode ser gerada no telhado de cada residência, evitando a instalação de enormes redes de fios para distribuir energia para todas as casas e edificações, conforme figura 31.
A energia solar fotovoltaica condicionará os membros da ecovila ao conhecimento de seus sistemas de energia, “casando” as épocas de maior uso com as épocas de maior insolação. Conseqüentemente, os usuários de energia solar tornam-se mais cientes dos ciclos e ritmos naturais, conectando suas atividades cotidianas a esses ciclos. Em dias de muito sol, permite-se lavar roupas com a máquina elétrica e utilizar mais equipamentos, e em dias de chuva deve-se ter maior atenção à produção e consumo para não ficar sem energia em momentos onde esta é necessária.
Como o sistema será híbrido (solar e hidroelétrico), não haverá problema com falta de energia em épocas muito chuvosas, pois nesses casos a micro-usina hidroelétrica pode carregar as baterias dos sistemas solares. A idéia inicial é colocar carregadores de bateria nos núcleos comunitários onde cada morador leva suas baterias para recarregar, ou ainda a possibilidade de se instalar em cada residência um ponto de energia hidroelétrica, somente para carga das baterias em caso de necessidade.
Utilização de energia eólica: Após análise dos mapas de velocidade dos ventos da região e estudo da topografia ao redor verificou-se que a região da Ecovila não é favorável para a geração de energia eólica, conforme figura 32. Essa alternativa somente seria possível em determinados pontos do assentamento com custos altos. Percebe-se que na faixa litorânea, com as cores mais “quentes”, existe grande potencial para geração de energia eólica, o que tornaria essa solução economicamente viável devido a freqüência e abundância dos ventos.
A composição das soluções hidroelétricas e fotovoltaicas não permite a autonomia da ecovila na geração de energia elétrica devido a perspectiva de consumo.
Figura 31 – Painéis solares Fonte: Consultoria Meninos da Terra, 2008
Faz-se necessário a utilização de energia da
operadora elétrica CEMIG para
complementação da capacidade solicitada. A intenção de tornar-se geradora de energia elétrica “limpa” não somente para o assentamento, como também para a comunidade circunvizinha, utilizando-se somente de recursos renováveis, ainda não poderia ser alcançada.
Um dos pontos robustos e firmes de qualquer projeto de ecovila ocorre na dimensão ecológica da sustentabilidade. Muitas das práticas utilizadas no projeto estudado, advêm da experiência de alguns membros na vivência da Ecovila Findhorn, uma aldeia ecológica em constante construção, cujo modelo de planejamento é inspirado pela Agenda 21 (FINDHORN, 2007). A Viver Simples, assim como a Findhorn, inspira-se nas soluções baseada em modelos de geração de energia a partir de recursos renováveis, como o uso de painéis solares e aproveitamento do potencial hidrelétrico. Os esforços em buscar soluções assertivas ao assentamento, premiaram o projeto da Viver Simples com alternativas à altura na geração de energia, dita ‘limpa’, ainda que não alcancem a completa auto-suficiência na produção de toda a energia que imaginam consumir.
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