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Com o advento das preocupações ambientais no desenvolvimento de embalagens, algumas organizações e associações do mercado de embalagens foram criadas com objetivo de orientar e sistematizar o desenvolvimento de embalagens, inserindo as questões ambientais como um dos temas chaves a serem discutidos e divulgados.

Para o presente trabalho, foram selecionadas organizações de várias localidades que desenvolveram materiais que orientam e dão diretrizes para desenvolver uma embalagem de forma mais sustentável.

Foram escolhidas organizações que representassem regiões diferentes do mundo, possibilitando uma visão mundial das recomendações para o desenvolvimento de

embalagens comparadas ao que é recomendado no Brasil. Elas foram selecionadas devido à sua importância, representação e influência nas regiões em que atuam.

As associações pesquisadas foram: a Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), do Brasil; a Sustainable Packaging Coalition (SPC), dos Estados Unidos; a European Organization for Packaging and the Environment (EUROPEN), da comunidade europeia; o documento The

D4S: a step-by-step approach, da UNEP, produzido com a colaboração do programa de

design para o meio ambiente da Delft University; e o documento Protocolo global sobre

sustentabilidade de embalagens 2.0, traduzido pela ABRE, que reuniu os indicadores das

associações já citadas e da ECR Europe e Grocerj/Manufacturers Association (GMA).

Associação Brasileira de Embalagem (ABRE)

O Brasil não possui uma organização especializada em promover o design sustentável de embalagens. As empresas brasileiras produtoras e consumidoras de embalagens são representadas pela ABRE. Para orientar o mercado de embalagens brasileiro, a ABRE

produziu o documento Diretrizes de sustentabilidade para a cadeia produtiva de embalagem

Documento analisado: Diretrizes de sustentabilidade para a cadeia produtiva de embalagem e bens de consumo (2012)

O objetivo é de promover junto a cada empresa a autoavaliação de indicadores ambientais de sustentabilidade. Para isso, elaborou uma ferramenta que possibilita que toda a cadeia produtiva trabalhe em uma mesma direção na busca da melhoria contínua do desempenho ambiental de seus produtos, processos produtivos e embalagens, ao Iongo de todas as etapas do seu ciclo de vida. Os indicadores ambientais foram desenvolvidos com base no conceito de ecodesign (design for environment), essencial para que a nossa sociedade tenha acesso a produtos, sem comprometer a disponibilidade de recursos naturais para as futuras gerações.

O desenvolvimento das diretrizes de sustentabilidade envolveu dois anos de discussão e trabalho do Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ABRE, reunindo profissionais de empresas destas cadeias produtivas, bem como entidades e centros de pesquisa correlatos à área. Seu caráter é orientativo e será aprimorado a partir das experiências de aplicação dos indicadores.

Sustainable Packaging Coalition (SPC)

Nos EUA, a SPC reúne associados, muito deles indústrias multinacionais, que estão de acordo com as metas estabelecidas por eles para o desenvolvimento de embalagens sustentáveis. Para orientar os seus associados, foi desenvolvido o documento Sustainable

packaging indicators and metrics framework (2009), um conjunto de indicadores e métricas,

com o objetivo de orientar as empresas a medirem seu progresso em defesa dos critérios articulados por eles do que é uma embalagem sustentável.

Segundo a SPC, a embalagem sustentável:

 É benéfica, segura e saudável para indivíduos e comunidades, por todo seu ciclo de vida;

 Deve encontrar critérios de mercado para performance e custo;

 É pesquisada, manufaturada, transportada e reciclada usando energia renovável;  Maximiza o uso de materiais renováveis e recicláveis;

 Éàp oduzidaàutiliza doàp ti asàeàte ologiasàdeàp oduç oà li pas ;  É feita de materiais saudáveis ao longo do ciclo de vida;

 É fisicamente desenhada para otimizar uso de materiais e energia;

 É efetivamente recuperada e utilizada em ciclos fechados, biológicos ou industriais.

Documento analisado: Sustainable packaging indicators and metrics framework (2009)

A publicação Sustainable packaging indicators and metrics framework é o resultado de 18 meses do projeto que a SPC promoveu para desenvolver um conjunto de indicadores e métricas em comum que ajudem as empresas a medirem seu progresso em defesa dos critérios articulados na definição de embalagem sustentável da SPC.

A estrutura do documento é dividida em quatro sessões – introdução, compreensão dos indicadores e métricas, uso das linhas guias e os módulos de indicadores e métricas. Nele, existe um módulo para cada critério chave da definição de embalagem sustentável da SPC, especialmente sobre uso de material, uso de energia, materiais saudáveis, produção limpa e transporte, custo e performance, impactos na comunidade e no trabalhador.

O documento sugere que as empresas devem selecionar os indicadores que sejam mais relevantes nas suas operações. A sessão de linhas guia para o usuário inclui uma

discussão detalhada sobre a seleção e uso dos indicadores e métricas e dá sugestões de como começar.

European Organization for Packaging and the Environment (EUROPEN)

O documento selecionado da EUROPEN, representante das empresas da comunidade

europeia, foi o Packaging in the sustainability agenda: a guide for corporate decision makers (2009). O documento foi projetado como uma fonte para ajudar as decisões dos líderes das empresas de forma balanceada e com visões atualizadas sobre o papel da embalagem no desenvolvimento sustentável.

Documento analisado: Packaging in the sustainability agenda: a guide for corporate decision makers (2009)

O guia Packaging in the sustainability agenda: a guide for corporate decision makers é sobre estratégia de embalagem. Um time representando toda a cadeia de embalagem foi

estabelecido para colaborar junto com a EUROPEN para direcionar o guia de forma racional, fatual e desapaixonada. O documento foi projetado como uma fonte para ajudar as decisões dos líderes das empresas de forma balanceada e com visões atualizadas sobre o papel da embalagem no desenvolvimento sustentável. O guia tem o objetivo de ajudar a encontrar benefícios tangíveis como mais eficiência, melhor controle de custo e um melhor

relacionamento com a grande variedade de stakeholders. Ainda examina alguns mal entendidos fundamentais sobre o papel da embalagem na nossa indústria. O guia explora várias abordagens e ferramentas usadas para calcular o impacto de um produto ao longo de seu ciclo de vida, salientando a importância de levar em conta uma variedade de indicadores de sustentabilidade. O papel estratégico da embalagem em uma empresa é explorado

informando como otimizar o seu desempenho em cada estágio da cadeia de suprimentos. Os últimos capítulos dão conselhos práticos de como os líderes de uma empresa podem

implementar a estratégia de sustentabilidade na embalagem.

Segundo a EUROPEN, a embalagem traz uma grande contribuição para a economia, o meio ambiente e a sustentabilidade social através da proteção de produtos, prevenindo o desperdício, impedindo condução nos negócios de forma ineficiente e fornecendo aos consumidores os benefícios dos produtos que ela contém. Segundo a EUROPEN, não existe uma embalagem totalmente sustentável. Ela apenas pode ser produzida de forma mais sustentável. Na visão da contribuição da embalagem para o desenvolvimento sustentável, define-se que ela deve:

 Ser projetada de forma holística junto com o produto de forma a otimizar o seu desempenho ambiental;

 Ser feita com materiais de fontes responsáveis;

 Ser projetada para ser eficiente e segura ao longo do seu ciclo de vida;

 Estar de acordo com os critérios de mercado para o seu desempenho e custo;  Estar de acordo com as escolhas e expectativas do consumidor;

United Nations Environment Programme (UNEP)

O documento da UNEP selecionado foi o The D4S: a step-by-step approach (2009),

desenvolvido junto com a Delft University. A produção desse documento contou com vários parceiros, incluindo as entidades das Nações Unidas, organizações internacionais, governos nacionais, organizações não governamentais e setores privados da sociedade civil. A

publicação foca em quatro abordagens práticas, mostrando as aplicações do design para desenvolver um produto inovador e sustentável.

Documento analisado: The D4S: a step-by-step approach (2009)

O documento foi produzido com a colaboração do programa de design para o meio ambiente da Delft University. As duas organizações têm sido ativas na área de promoção do design de

produtos mais sustentáveis, desde a introdução desses conceitos nos anos de 1990. Essa publicação é o resultado de uma ampla cooperação e colaboração de especialistas de países como Holanda, Suécia, Itália, França, Alemanha, Japão, Austrália e da UNEP.

A publicação foca especificamente em quatro abordagens práticas e fornece uma coleção de estudos de caso mostrando as aplicações do design para a sustentabilidade e seus

benefícios. Cada capítulo reflete o conhecimento e as lições aprendidas em múltiplos projetos e representam anos de projetos conectados. O documento aborda uma apresentação da situação global e os passos para a aplicação das áreas chaves para a intervenção do design sustentável.

Segundo a UNEP, são necessários nove passos simples para desenvolver um produto: 1. Selecione um produto;

2. Prepare um dossiê do produto;

3. Reveja seu produto no mercado, em termos das questões ambientais e sociais; 4. Reflita no produto a lista de abordagens do design sustentável;

5. Desenvolva uma visualização rápida dos impactos do produto; 6. Defina as abordagens de melhoramento e design;

7. Redefina conceitos, depois a criatividade; 8. Priorize ideias e conceitos;

9. Transforme-o em um projeto especial.

2.9.1. Análise comparativa dos indicadores

4

Buscando o alinhamento frente aos conceitos e processos do desenvolvimento sustentável da embalagem e aplicação da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), tendo como premissa as diferentes interfaces técnicas, regulatórias e mercadológicas que balizam o seu

desenvolvimento, o Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) traduziu para o português o Global protocol on packaging and

sustainability publicado pelo The Consumer Goods Forum.

O Projeto Global de Embalagem começou como resultado de uma proposta feita ao Fórum Mundial de CEOs (Global CEO Forum) por Sir Terry Leahy e Paul Polman, em novembro de 2008. Eles identificaram a necessidade de uma linguagem comum para permitir o debate fundamentado sobre sustentabilidade. No entanto, compreendendo a magnitude dessa tarefa, propuseram que essa linguagem fosse primeiro endereçada a uma área mais

4 A partir dos documentos acima citados (ABRE + ECR Europe + EUROPEN + Grocerj/Manufacturers Association (GMA) + Sustainable

delimitada e gerenciável dentro da agenda maior de sustentabilidade. Assim, a embalagem foi identificada como a área de foco deste Projeto.

Documento analisado: Protocolo global sobre sustentabilidade de embalagens 2.0 (tradução de 2013)

Durante o Fórum Mundial de CEOs, foi acordado que o projeto reuniria trabalhos existentes na indústria, em vez de criar novos, partindo do zero. O projeto conseguiu alcançar esse objetivo a partir dos aportes vindos de programas existentes nas seguintes organizações: ECR Europe, EUROPEN, Grocerj/Manufacturers Association (GMA) e Sustainable Packaging Coalition (SPC). Este documento resume o resultado do projeto até o momento.

A tabela a seguir faz uma comparação dos principais indicadores ambientais para o

desenvolvimento de embalagens dos documentos pesquisados. Nota-se que cada um tem suas especificidades, sendo necessária uma avaliação de caso a caso para análise dos aspectos ambientais das embalagens.

Indicadores ambientais ABRE SPC EUROPEN Protocolo

Global UNEP

Uso de recursos naturais

Evita o consumo de recursos não renováveis X

Consumo de recursos naturais X X X X

Avaliação e minimização do uso de substâncias perigosas ao

meio ambiente X

Uso de água X X X X

Demanda acumulada de energia X X X X

Uso de terra X

Materiais virgens X X

Materiais reciclados (pós e pré-consumo) X X X X X

Materiais de fontes renováveis X X X

Produção

Equilíbrio entre as embalagens primárias, secundárias e

terciárias X X

Eficiência na produção para o não desperdício X X

Avalia o ciclo de vida do produto X X

Emissões e resíduos gerados na produção

Lançamento de efluentes X X X X X

Emissões de gases de efeito estufa X X X X X

Emissões atmosféricas X X X X X

Geração e destinação de resíduos sólidos X X X X X

Substâncias tóxicas e perigosas X X X X

Logística

Meios de transporte X X

Fácil identificação X

Otimização no carregamento X

Cubagem. Dimensionamento das embalagens X X X X

Proteção do produto X

Proporção embalagem x produto X X X X

Energia utilizada no transporte X X

Estoque eficiente X

Recuperação de embalagens secundárias e terciárias X X

Pós-consumo

Compatibilidade dos componentes da embalagem na

reciclagem X

Separação dos componentes da embalagem no pós-consumo X X X

Reciclabilidade X X X

Taxa de reutilização da embalagem X X X

Envio para aterros X X

Comunicação

Conscientização ambiental X

Comunicação para o descarte X X X

Simbologia técnica de identificação de materiais X X