4.2 Los proyectos realizados en clase
4.2.4 Las listas de verificación del PEL
Ao assumir, no encaminhamento da pesquisa, a perspectiva teórico-metodológica do materialismo histórico-dialético, considero importante me aprofundar no conceito de dialética como forma de garantir mais elementos a uma investigação rigorosa. O termo dialética tem em sua origem uma compreensão relativa à arte da discussão, considerando os tempos históricos dos gregos Platão e Aristóteles. Já com Heráclito essa compreensão se reconfigura passando a ser relacionada à mutabilidade do mundo e à transformação de toda propriedade em seu contrário, ou seja, características que, entre outras, continuam sendo assumidas em relação à dialética. (TRIVIÑOS, 2008).
Os filósofos alemães, sobretudo de base idealista, retomaram o conceito no século XVIII. Descartes e depois Kant, do idealismo clássico alemão, destacaram a força dos movimentos contraditórios no processo de desenvolvimento. Mas foi Hegel, enquanto maior expressão desse momento quem consolidou o conceito de dialética. Ele reconheceu o movimento da natureza, da história e do espírito enquanto processos que não findam; ao contrário, são permanentes mudança, transformação e desenvolvimento. Ocorre que a base da compreensão de Hegel acerca de dialética é idealista.
Marx e Engels se apropriaram das contribuições de Hegel acerca da dialética para constituir o materialismo dialético, afirmando que a sua compreensão a partir do idealismo estaria “de cabeça para baixo”, sendo à base da discussão de ordem materialista.
[...] totalmente ao contrário do que ocorre na filosofia alemã, que desce do céu a terra, aqui se ascende da terra ao céu. [...] E mesmo as formações nebulosas do cérebro dos homens são sublimações necessárias de seu processo de vida material, empiricamente constatável e ligado a pressupostos materiais. A moral, a religião, a metafísica e qualquer outra ideologia, assim como as formas de consciência que a eles correspondem, perdem toda a aparência de autonomia. Não têm história, nem desenvolvimento; mas os homens, ao desenvolverem sua produção material e seu intercâmbio material, transformam também, com esta sua realidade, seu pensar e os produtos de seu pensar. (MARX & ENGELS, 2001, p. 19-20).
Para Engels (1951, p. 302) a dialética seria a ciência “das leis gerais do movimento e desenvolvimento da natureza, da sociedade humana e do pensamento”. Destacam-se na discussão acerca da dialética materialista, portanto, termos como movimento, conexão, interdependência e interação, essenciais para o processo de compreensão dialética de mundo.
A dialética possui leis, ou seja, elementos que se encontram na essência da sua compreensão de forma regular, universal e estável, indicando possibilidades para a ampliação de sua percepção em face do mundo. Elas já eram discutidas em Hegel e podem ser
sintetizadas em três: 1. lei da unidade e luta dos contrários; 2. lei da transformação do quantitativo em qualitativo e 3. lei da negação da negação. A lei de passagem da quantidade em qualidade considera que não há processo revolucionário sem somatórias, chegando a momentos em que se supera o anterior, mesmo conservando a essência do que um dia foi. Assim, a análise de determinado objeto, que passa pelo reconhecimento de suas propriedades, também demanda o conhecimento de suas funções, finalidades em relação a outro objeto, enfim, questões qualitativas. Quantidade e qualidade de um objeto formam uma unidade. Estão ligadas entre si, e mesmo tendo naturezas distintas são interdependentes.
A lei da unidade e luta dos contrários é composta por algo que é complementar e ao mesmo tempo contraditório. Os contrários estão em permanente luta no mundo, se excluindo e, ao mesmo tempo, estão unidos. Isso gera uma contradição que está na essência da compreensão do mundo. Está na origem do movimento e é condição para o desenvolvimento.
Entre todas as leis da dialética, a lei da unidade e luta dos contrários ocupa posição central. Em termos sucintos, pode-se definir a dialética como doutrina da unidade dos contrários. Com isto se abrangerá o núcleo da dialética... escreveu Lênin. Todas as outras leis da dialética [...] são uma revelação, concretização ou complementação do conteúdo desta lei básica. (KOPNIN, 1978, p.104).
Conforme a discussão hegeliana acerca da dialética há identidade entre os opostos. Tal identidade se compõe de várias unidades: tese, antítese e síntese. A tese pode ser entendida como afirmação; a antítese enquanto momento de negação da afirmação. Estas duas unidades geram uma tensão que origina a síntese, correspondendo à negação da negação, ou seja, outra lei da dialética. O resultado da antítese anterior suspende a oposição entre tese e antítese. A dialética é o movimento contraditório dentro de unidades que a cada nova etapa nega e supera a etapa anterior, num fluxo contínuo de superação-renovação.
Como negação da negação, o materialismo dialético atual, como escreveu Engels, não é uma simples restauração do velho materialismo, uma vez que aos fundamentos imutáveis deste aquele incorpora, ainda, todo o conteúdo ideológico de dois mil anos de história... Assim, a filosofia está aqui obliterada, isto é, superada e conservada simultaneamente, superada pela forma e conservada pelo conteúdo real. (KOPNIN, 1978, p. 65).
O mesmo autor compreendeu a dialética como lógica e teoria do conhecimento. Portanto, seu interesse principal esteve voltado para os problemas da dialética enquanto metodologia do conhecimento científico, lógica e metodologia da ciência.
A colocação lenilista da questão da coincidência entre a dialética, a lógica e a teoria do conhecimento na filosofia marxista é um dos problemas a que Kopnim dá maior atenção em sua obra. Para ele, essa idéia lenilista não é uma frase lançada ao acaso, mas uma das idéias mais importantes do
marxismo. A novidade de princípio da colocação lenilista do problema consiste em que ela parte da existência de uma ciência filosófica – a dialética materialista – que exerce, simultaneamente, as funções de ontologia, gnosiologia e lógica, sem ser nenhuma das três na concepção anterior; na filosofia marxista não há partes independentes com leis diferentes, mas uma ciência com as mesmas leis, que são as leis do ser e do conhecimento (pensamento).(KOPNIN, 1978, prefácio, p. 10).
Ainda: “A análise da tese leninista sobre a coincidência entre a dialética, a lógica e a teoria do conhecimento na filosofia marxista é ponto de partida para todo o ciclo de estudos de Kopnin no campo da metodologia e da lógica da ciência (p.10)”.
Portanto, o autor atribui à dialética materialista enquanto lógica e teoria do conhecimento não uma construção filosófica de mundo, como muitas outras filosofias o fazem, mas enquanto uma ferramenta, um instrumento capaz de relacionar as diferentes produções científicas às práticas desenvolvidas pelos homens. Assim, sua concepção de dialética, para além de reconhecer o movimento permanente nos objetos e fenômenos do mundo objetivo, constitui-se num método de apreensão dessa relação conhecimento-prática. Ele diz:
A dialética materialista enquanto método filosófico, diferentemente dos sistemas filosóficos antecedentes, não constrói um quadro universal do mundo. Atualmente são as próprias ciências, a inter-relação entre elas que criam semelhante quadro do mundo. No entanto a experiência conjunta do conhecimento e da atividade prática se constitui na base em que a dialética cria as suas categorias. No sistema de categorias apreendem-se não só os resultados do conhecimento e da prática, mas também as suas tarefas, razão pela qual a dialética materialista é um método do conhecimento científico. (KOPNIN, 1978, p.34).
A relação conhecimento-prática que pressupõe a busca da verdade objetiva por meio da ciência, implica concluir que um objeto passa a ser conhecido à medida que se atua sobre ele por meio de instrumentos. É uma relação de movimento, de transformação, essenciais para a dialética. KopniN (1978) as defende em sua tese de dialética enquanto lógica e teoria de conhecimento e reconhece que elas já estavam contidas na obra de Marx e Engels. Constituem ponto de partida para a concepção de mundo do materialismo dialético, dando à dialética importância como “método de penetração na essência do fenômeno, método de análise da realidade e sua reprodução na lógica dos conceitos”. (p. 46).
1.2 Ser e mundo numa perspectiva materialista-dialética: o princípio do reflexo