5. ANALYSIS
5.2 E MPIRICAL A NALYSIS
5.2.2 Liquidity and the Yield Spread
A formação da Igreja Adventista do Sétimo Dia corresponde a dois pontos fundamentais: Primeiro - Está ligada ao forte trabalho missionário do grupo composto por: Ellen White, Tiago White, Jose Bates e Hiram Edson.
Segundo - Tem seu trajeto marcado por hierofanias, manifestações divinas, visões e mensagens, particulares ao contexto de desapontamento. Portanto,
vejamos de que forma tais manifestações divinas colaboraram para fortalecer a base das interpretações teológicas da IASD.
64 Idem, p. 49.
Na manhã do dia 23 de outubro de 1844, Hiram Edson, um dos integrantes do grupo de White, obteve revelação divina a respeito do que havia acontecido naquela madrugada do Grande Desapontamento. A visão divina deu-lhe entendimento a respeito do Santuário Celestial, do qual falam as profecias de Daniel – 2300 tardes e manhãs - abordadas anteriormente. Então, ao receber a revelação divina, Hiram Edson viu Jesus passando do
lugar santo para o lugar santíssimo do Santuário Celestial. Notemos:
Muitos daqueles que se congregaram na casa da fazenda de Hiram Edson foram para casa desconsolados na manhã de 23 de outubro. Edson e alguns amigos íntimos foram até o celeiro para uma sessão de oração, que deu a eles confiança de que o Senhor lhes mostraria o caminho. Depois do desjejum Edson falou para um dos que ainda permaneceram: “Vamos sair para confortar nossos irmãos com esta certeza.” Os dois homens caminharam através dos campos onde as espigas de milho de Edson estavam ainda amontoadas. Eles caminhavam com o coração quebrantado, meditando profundamente no desapontamento. Mais ou menos no meio do caminho onde estavam, Edson parou. Parecia-lhe estar vendo o santuário celestial e Cristo como Sumo sacerdote saindo do lugar santo para o santíssimo. “Eu vi distinta e claramente”, escreve Edson, “que em vez de nosso sumo sacerdote sair do lugar santo e vir à Terra no décimo dia do sétimo mês, no final dos 2300 dias, pela primeira vez entrou naquele dia no segundo compartimento do santuário, e que tinha uma obra a fazer no lugar santíssimo antes de vir à Terra”. A purificação do santuário marcou o início do juízo investigativo. Seu companheiro continuou sozinho sua caminhada através do campo, mas ao chegar na cerca ele parou. Vendo Edson muito atrás, ele chamou: “Irmão Edson, porque você parou?” Edson respondeu: “O Senhor estava respondendo às nossas orações desta manhã”. Alcançando seu amigo, contou a ele sua nova compreensão. A experiência do campo de milho levou esses dois homens e muitos outros a estudarem intensivamente o serviço do santuário dado a Israel e o significado dos 2300 dias. Eles divulgaram suas descobertas nas publicações adventistas, e Hiram Edson convocou uma assembleia no final de 1845. Agora o mistério estava resolvido e as datas confirmadas. A mensagem do primeiro anjo continuou com a verdade presente. Era e ainda é uma poderosa mensagem para trazer pecadores para Cristo neste tempo de julgamento.65
65 Ibidem, p. 39.
Assim, para os adventistas, o estudo do Santuário Celestial trouxe a compreensão de que Jesus, ao adentrar o lugar santíssimo do Santuário Celestial, iniciou um tempo de julgamento e expiação dos pecados humanos. O Sacrifício na Cruz e o Plano da Salvação, portanto, foram eficazes. E após o período de julgamento das almas, Cristo voltará para o dia do Juízo Final. O fundamento teológico da crença, que é o advento, estava vigente.
A nova interpretação da profecia dos 2300 dias, de Daniel, e do
Santuário Celestial, não só refez a sustentação da crença dos adventistas na
volta de Jesus, como também fortaleceu a fé na segunda e terceira, das três
mensagens angélicas, contidas em Apocalipse. A segunda mensagem66 foi sustentada pela primeira mensagem. Agora, com Jesus julgando os pecados e intercedendo pelos homens, a vitória de Deus sobre o mal se consolidava. A Babilônia Espiritual, os falsos ensinamentos e Satanás cairiam.
Na verdade, a segunda mensagem angélica veio impulsionar ainda mais a missão adventista - de estender o evangelho ao mundo, dizendo que
Jesus breve voltará. Firmou a tarefa de dizer que, adentrando Jesus o lugar santíssimo do Santuário Celestial, a hora do julgamento dos pecados havia
chegado. Já a terceira mensagem67, esta veio sustentar o compromisso com
os Dez Mandamentos. Para os adventistas, os mandamentos são a vontade
explícita de Deus. A Igreja Remanescente deve, com fidelidade, seguir esses
mandamentos. Pois a perseverança dos justos, da qual fala o profeta João, em Apocalipse, está na obediência por meio da fé em Jesus.
No que diz respeito às leis divinas e sua obediência, os adventistas destacam, em especial, o 4º (quarto)68 dos Dez Mandamentos registrados
66 Que diz: Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem
dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição. In: A Bíblia Sagrada.
Tradução João Ferreira de Almeida. 2ª Ed. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. 67 Que diz: Seguiu-se a estes, outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém
adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante de todos os santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não tem descanso algum, nem de dia, nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos justos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. In: Idem.
68 Êxodo 20: 8-11, que diz: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias
em Êxodo 20:1-17, que trata do Sábado como dia de descanso. Para a IASD, tal como para os Judeus, o Sábado é o dia sagrado de adoração e descanso. Esse dia é incorruptível. Não pode e não deve ser burlado. A lógica é assim:
O Sábado é um mandamento; é vontade divina; portanto, o Sábado é Lei eterna, porque a vontade de Deus é eterna. E a vontade de Deus não pode
ser desfeita. A mensagem do terceiro anjo, assim, vem dizer que a Igreja dos últimos dias, a Igreja Remanescente, respeita os mandamentos de Deus.
A relação dos adventistas do sétimo dia com a temática do Sábado se origina de um fato ocorrido em Washington, estado de New Hampshire, em 1844, quando uma senhora chamada Rachel Oakes, pertencente à Igreja
Batista do Sétimo Dia, foi visitar sua filha, uma adventista na cidade. Oakes,
apesar de ser uma fiel batista, guardadora do Sábado, ao conhecer as ideias adventistas, converteu-se ao adventismo. E depois de convertida, não deixou de guardar o Sábado. De certa forma, Oakes tornou-se a primeira pessoa
adventista do sétimo dia na prática. Obviamente, nesse tempo a IASD ainda
não existia - institucionalmente organizada. Mas na essência, Oakes foi uma fiel precursora. Aliás, foi ela quem começou a disseminar a ideia do Sábado em Washington, através de alguns folhetos. Sobre o fato, notemos:
A Sra. Oakes era uma crente fervorosa no sábado bíblico e tinha trazido consigo uma quantidade de folhetos. Logo ela aceitou as doutrinas adventistas e continuou a guardar o sábado. Os folhetos que ela distribuiu de forma discreta deram fruto. Num culto de domingo de manhã um crente adventista se levantou e disse que estava convencido de que o sétimo dia era o verdadeiro sábado bíblico, e que ele, de uma vez por todas havia decidido guardá-lo. Diversos outros se expressaram da mesma maneira e, em pouco tempo, quarenta pessoas do pequeno grupo se tornaram guardadores do sábado. E começou, por assim dizer, em Washington, New Hampshire, a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia, embora tenha ocorrido anos antes que a organização Adventista do Sétimo Dia fosse estabelecida.69
não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou. In: Ibidem.
69 IASD. Nossa Herança: História da Igreja Adventista do Sétimo Dia para o Ministério Jovem. Trad. Itamar Padrão de Siqueira. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004, p. 41.
A crença na lei do Sábado como Dia do Senhor, tão enfatizada pela comunidade adventista de Washington, New Hampshire, fez com que os demais se preocupassem com o assunto. Muitos desejavam conhecer o que se falava a respeito do Sábado e da obediência aos Dez Mandamentos. Um desses interessados, especificamente José Bates, que integrava o grupo de Ellen White, lendo um dos folhetos publicados pelos adventistas guardadores do sábado em Washington, em 1845, decidiu visitar aquela cidade, de modo a recolher mais informações sobre aquele tema. Vejamos:
Ouvindo sobre o que aconteceu em Washington, New Hampshire, com o grupo que começou a guardar o sábado, José Bates decidiu visitá-los para ver o que isso tudo significava. Ele foi a New Hampshire, estudou o assunto, viu que o entendimento deles estava correto e aceitou a luz. Ao voltar para casa, encontrou na ponte entre Bedford e Fairhaven um tal de Sr. Hall, que o cumprimentou: “Capitão Bates, quais são as novas?” “As novas”, respondeu o capitão, “são que o sétimo dia é o sábado do Senhor nosso Deus.” “Bem”, disse o Sr. Hall, “irei para casa, estudarei minha Bíblia e decidirei a questão.” Fez conforme falou, e da próxima vez que eles se encontraram, o Senhor Hall tinha aceitado a verdade do sábado e o estava observando. (The Great Adventist Movement, págs. 39 e 40). Apesar da verdade do sábado do sétimo dia ter sido enfatizada em 1844, sempre ouve guardadores do sábado desde o começo dos tempos. Mesmo durante os tempos de trevas espirituais, havia grupos que observavam o sábado. Os batistas do sétimo dia lealmente preservaram a verdade do quarto mandamento por séculos, e vimos que foi deles que os adventistas aprenderam a verdade do sábado.70
José Bates, ao tomar conhecimento dos estudos sobre o Sábado, tratou de passar o conhecimento adiante. Chegando à sua cidade, ensinou seus colegas de grupo a respeito do que havia aprendido em Washington. Hiram Edson foi o primeiro a aceitar os preceitos do Sábado lendo apenas um folheto que José Bates lhe entregou. Tiago White e Ellen G. White, pouco a pouco, também foram se inteirando do tema. Em 1848, José Bates e seus companheiros realizavam diversas séries de conferências. Estavam cada vez
mais fundamentados nas escrituras bíblicas e convictos para pregar sobre a
volta de Jesus e a guarda do Sábado Sagrado.
É bom frisar aquilo que foi comentado no tópico anterior, a respeito de Ellen White e o Sábado. Suas visões foram fundamentais na validação e sustentação da crença nesse mandamento. Apesar de o grupo de White ter aprendido com os adventistas da cidade de Washington a razão do Sábado, a revelação divina71 obtida por White no ano de 1847 - quando ela viu os dez
mandamentos com uma auréola de luz circundando o quarto mandamento e ouviu um anjo dizendo de sua importância - praticamente a legitimou. Assim,
os pilares teológicos da IASD estavam definidos. As características da base teológica da IASD estão presentes hoje em seu logotipo institucional:
Figura 3: Logotipo da IASD. 1 - AS LINHAS: Sugerem a ressurreição e ascensão de Cristo em Segunda Vinda, o principal foco da fé da IASD. 2 - A CHAMA: É o formato de três linhas
circulando uma esfera implícita que representam os três anjos de Apocalipse 14, circulando o globo, símbolo do compromisso da IASD de levar o evangelho para todo o mundo. O formato também representa a chama do Espírito Santo. 3 - A CRUZ: O Símbolo da Cruz representa o Evangelho da Salvação, posicionado no centro do desenho para evidenciar o sacrifício de Cristo, tema central da fé da IASD. 4 - A BÍBLIA ABERTA: É a base do desenho
e representa a fundamentação bíblica das crenças da IASD. Está desenhada em uma posição totalmente aberta sugerindo uma completa aceitação da Palavra de Deus. Fonte:
http://www.portaladventista.org/portal/
71 Vejamos novamente a seguinte citação: “Em abril de 1847, ela recebeu a visão relacionada com o sábado. Ela viu o tabernáculo no Céu e Jesus levantando a cobertura da arca. Aí ela viu os dez mandamentos com uma auréola de luz circundando o quarto mandamento e ouviu um anjo confirmando sua importância. Foi-lhe mostrado que se o sábado tivesse sempre sido guardado, não teria havido nem sequer um ímpio ou ateísta, e o mundo teria sido poupado da idolatria. Essa visão abriu diante dela a relação entre o sábado e a terceira mensagem angélica. Os crentes que reconheceram a verdadeira importância do santuário, do sábado e das doutrinas do segundo advento foram os precursores da Igreja Adventista do Sétimo Dia.” In: IASD. Nossa Herança: História da Igreja Adventista do Sétimo Dia para o Ministério Jovem. Trad. Itamar Padrão de Siqueira. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004, p. 49.
A identidade teológica, assim, estava definida. As três mensagens
angélicas representam isso. Aliás, a expansão e consolidação da IASD como
corporação dependeu primeiramente desse processo identitário. Sua âncora em “Apocalipse 14” representa essa busca por identidade teológica. E uma busca que, aparentemente, está finalizada. As mensagens angélicas indicam o resumo da natureza da IASD. Quem diz, é o historiador adventista George R. Knight, da Andrews University, EUA, no seguinte trecho de seu livro:
A espera da segunda vinda tem sido a própria razão de existir da Igreja Adventista do Sétimo Dia, uma igreja que historicamente vê a si mesma como portadora da mensagem dos três anjos de Apocalipse 14 a um mundo necessitado. Dessa perspectiva, a identidade adventista se fundamenta na visão do vidente de Patmos de que no tempo do fim Deus terá na Terra um povo que esperará pacientemente pela vinda do seu Senhor e que estará observando Seus mandamentos no contexto de um relacionamento de fé salvadora com Jesus (ver Ap. 14:12). Nessa busca adventista de mais de 150 anos por uma identidade teológica, Apocalipse 14:12 ainda fornece o melhor sumário da natureza do adventismo do sétimo dia.72
Essa base conceitual daria sustentação a uma nova fase da Igreja
Remanescente. Uma fase de organização. Assim, a fé no advento de Cristo
e a Guarda do Sábado tornaram-se características elementares da nascente IASD. O grupo havia retomado o rumo após o Grande Desapontamento. Um marco na história do adventismo em geral e da Igreja Remanescente.