5. ANALYSIS
5.2 E MPIRICAL A NALYSIS
5.2.1 Liquidity Effects in the Norwegian High Yield Market
Nascida em uma fazenda próxima à cidade de Gorham, no Estado de Maine, EUA, cerca de 20 km a oeste da cidade de Portland, no dia 26 de novembro de 1827, Ellen Gould Harmon, filha de Roberto Harmon e Eunice Gould Harmon, teve uma infância trágica. Ela viveu na fazenda até os cinco
51 In: A Bíblia Sagrada. Tradução João Ferreira de Almeida. 2ª Ed. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
52 Idem. 53 Ibidem.
anos de idade, quando se mudou com a família para a cidade de Portland. A escritora adventista Lygia de Oliveira, da infância de White, comenta:
Aos nove anos, ela (Ellen White) e sua irmã gêmea Elizabeth, estavam um dia atravessando um parque voltando da escola, quando uma coleguinha enraivecida atirou uma pedra que atingiu o nariz de Ellen, fraturando-o. Ela caiu desacordada e foi carregada para casa, onde esteve por três semanas inconsciente. Sua mãe nunca perdeu a esperança de que ela se recuperasse e continuou forçando-a a alimentar-se. O pai, em viagem quando ocorreu o acidente, ao voltar ao lar se comoveu ao ver o rosto deformado de sua filhinha. Ellen era quase um esqueleto e já todos perdiam as esperanças, quando finalmente manifestou os primeiros sinais de recuperação. Por dois anos não pôde respirar pelo nariz e não lhe foi possível assistir regularmente à escola. Seu sistema nervoso foi abalado pelo longo período em coma e tinha dificuldade para reter na memória o que estudava. Finalmente afligida por desmaios e por uma tosse persistente, abandonou todas as esperanças de se educar. Algumas horas do dia ela ajudava o pai na fabricação de chapéus. A família de Ellen pertencia à Igreja Metodista, onde seu pai era Diácono. Quando eles aceitaram a mensagem de Guilherme Miller acerca do regresso de Jesus, foram desligados da igreja.54
Fragilizada pelo acidente, Ellen White tornou-se mulher com pouco estudo, além de fisicamente limitada pelas sequelas. Viveu sua juventude em Portland. Segundo os adventistas do sétimo dia, Ellen White era uma mulher extremamente dedicada às investigações religiosas. E que apesar da timidez peculiar, detinha temperamento agradável e bom humor.
Aos 17 anos de idade, Ellen Harmon teve seus primeiros encontros com o homem do qual se tornaria esposa. Era o jovem Tiago Springer White, que vivia na cidade de Palmyra, Estado de Maine. Nasceu na mesma cidade (Palmyra), em 4 de agosto de 1821. Era filho de João White, um diácono da Igreja Cristã. Casaram-se em 30 de agosto de 1846, em Portland. Ela tinha 18 (dezoito) anos e ele 25 (vinte e cinco) de idade. Ellen G. Harmon adotou então o sobrenome “White” de seu esposo, passando a se chamar Ellen G. White. Viveram juntos até 1881, quando faleceu Tiago White.
54 OLIVEIRA, Lygia de. Na Trilha dos Pioneiros. 2ª Ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1994, p. 52.
Figura 2: À esquerda, Ellen Gould White (1827-1915). À direita, seu esposo, Tiago Springer White (1821-1881). Fonte: CNMA - Centro Nacional da Memória Adventista / UNASP.
Disponível em: http://www.unasp-ec.com/memoriadventista/index.htm
Os adventistas acreditam que Deus falava, e ainda fala, com Sua Igreja através dos profetas. As revelações dadas aos profetas são evidências de Sua Vontade suprema. Esse dom de receber visões divinas, portanto, é chamado de Espírito de Profecia, pela IASD. A Igreja Remanescente, munida desse dom profético, deve ser capaz de dar testemunho, falar sobre e fazer as vontades de Jesus Cristo na Terra. Vejamos a perspectiva da IASD:
Desde o próprio começo, Deus tem estado em contato com Sua igreja de diversas maneiras. Sua liderança nem sempre é tão óbvia como a coluna de nuvem de dia ou a coluna de fogo à noite, mas Seu povo tem consciência de Sua presença. O meio principal de comunicação entre Deus e Seu povo tem sido através dos “Seus servos os profetas”. Como foi predito em Apocalipse 12:17 e 19:10², a Igreja Remanescente deve ter o dom de profecia.55
A capacidade de profetizar, obter visões sobre coisas futuras ou receber determinações de Deus para algum tempo específico, necessárias à Igreja, é considerada, portanto, pelos adventistas do sétimo dia, como sendo um Dom de Profecia. Todos os profetas o tiveram. Visões a respeito do que deve ser feito pela Igreja em tempos vindouros. Nota-se o caso de João e o livro de Apocalipse, por exemplo. Revelações sobre o fim dos dias. E para a
55 IASD. Nossa Herança: História da Igreja Adventista do Sétimo Dia para o Ministério Jovem. Trad. Itamar Padrão de Siqueira. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004, pp. 43 e 44.
IASD, para a Igreja Remanescente, a Sra. Ellen White também foi escolhida por Deus para receber Seu Dom do Espírito de Profecia.
A primeira visão concedida à Ellen G. White foi a respeito do Povo
de Deus a caminho da Terra Santa. Contudo, antes de White, duas pessoas,
dois homens do Estado do Maine, também viveram experiências parecidas, pouco antes do fatídico dia do Grande Desapontamento.
O primeiro morava na cidade de Augusta. Seu nome era William Ellis Foy. Em 1835 recebeu visões relacionadas ao Advento de Jesus e o
Julgamento Final. Sua última visão durou cerca de doze horas e foi assistida
por várias pessoas. O Segundo morava em Portland. Seu nome era Hazen Foss. Além das mesmas visões tidas pelo primeiro, Foss viu também três
plataformas, que indicavam momentos pelos quais a Igreja Remanescente
passaria. Mas William Foss, assim como Hazen Foy, não quis anunciar as visões que havia recebido. Assim, em dezembro do ano de 1844, já depois do Dia do Desapontamento, Ellen G. White seria a terceira pessoa a receber o que os adventistas chamam de Espírito de Profecia. Notemos:
Dezembro de 1844, dois meses depois do desapontamento, quando uma palavra de conforto do Céu era muito oportuna e necessária para os crentes do advento, Deus deu uma visão a Ellen, uma jovem de apenas 17 anos. Resumidamente, uma representação simbólica da história da igreja foi mostrada a ela. O tempo incluído na visão foi de 22 de outubro até a entrada dos santos na Nova Jerusalém. Ela viu que a vinda de Jesus não estava tão perto como eles tinham esperado. A glória da visão do Céu foi tão real para Ellen que quando terminou a visão tudo parecia escuro à sua volta. Ela chorou quando reconheceu que tudo não passara de uma visão. Ela sentiu vontade de voltar para o Céu. [...] Na sua primeira visão Ellen viu o mesmo quadro que foi mostrado a Foss e Foy. A visão mostrava a jornada do povo de Deus na sua caminhada para o reino.56
Vale destacar, que o momento no qual Ellen G. White obteve sua primeira visão, foi momento de extremo desapontamento. As pessoas com as quais White passou a congregar eram fiéis drasticamente fragilizados e carentes de respostas a um problema teológico complicado, surgido em um
momento de conturbação. E não havia, segundo White, hora mais propícia para que Deus se manifestasse do que aquela, do pós-desapontamento. Em busca de conforto, as pessoas se reuniram em casas, oravam, conversavam. Foi assim que na manhã de dezembro de 1844, Ellen White experienciou a manifestação de Deus para com sua pessoa. A primeira visão lhe fora então concedida. Sobre isso, Ellen G. White afirmou o seguinte:
Até dezembro de 1844, minhas alegrias, provas e desapontamentos foram como os dos meus queridos amigos do advento que estavam ao meu redor. Por esse tempo visitei uma de nossas irmãs do advento, e de manhã nos ajoelhamos junto ao altar da família. Não era uma ocasião de excitamento, e apenas cinco de nós, todas mulheres, estávamos presentes. Enquanto eu orava, o poder de Deus veio sobre mim como jamais eu experimentara antes. Fui tomada em visão da glória de Deus, e parecia-me estar sendo elevada acima da terra cada vez mais alto, e foi-me mostrado algo das jornadas do povo do advento para a Cidade Santa.57
Precisamos notar também o caráter hierofânico58 da experiência de
Ellen G. White. Se quisermos, podemos entender esse fenômeno enquanto algo fortalecedor, condicionante da crença dos adventistas no Poder Divino, e assim, consequentemente no Espírito de Profecia. Pois, ao considerarmos a visão sobre a Igreja Remanescente rumo à Cidade Santa, por exemplo, poderemos notar que algo fenomênico aconteceu no plano da experiência
religiosa. O caráter supra-humano que geralmente tange o universo religioso
ficou evidente na experiência transcendental vivida pela Sra. White. Ademais, uma hierofania oportuna, um sagrado manifesto conveniente.
Mircea Eliade, sobre a manifestação do sagrado e da experiência
religiosa, em “O Sagrado e o Profano”, nos aproxima das ideias do teólogo e
estudioso da Religião, Rudolf Otto. Otto entende o conceito de sagrado como sendo o “totalmente outro”, aquilo que é diferente do humano, que está em
57 WHITE, Ellen G. Primeiros Escritos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 10ª Ed, 2003, p. 15. Nessa obra, o leitor poderá encontrar na íntegra a descrição do conteúdo das primeiras e outras visões de Ellen G. White, bem como conhecer seus relatos a respeito das sensações sobre o estado de possessão divina.
58 Advém do conceito de “hierofania”, emprestado do historiador Mircea Eliade. A ideia trata da simples manifestação do sagrado, neste caso o poder divino, sobre as coisas, objetos e pessoas. O conceito foi trabalhado no livro “O Sagrado e o Profano”. Sobre o assunto e o conceito, falaremos mais a diante.
outra dimensão ontológica e existencial. A experiência religiosa, que liga a realidade humana, do indivíduo, com a supra-humana, do sagrado, é vista em seu caráter inimaginável e irracional. Assim, o impacto da manifestação do sagrado ultrapassa as capacidades cognitivas do homem religioso.
Segundo Otto, o sagrado constitui-se na esfera do impensável, do que está além das potencialidades intelectuais humanas, apresentando-se enquanto objeto de espanto, temor ou fascínio. E isso faz do sagrado um conceito muito mais eficiente no plano da experiência, sensitiva, do que no
plano intelectual, da razão. Em termos linguísticos, por exemplo, mesmo que
tentemos dizer, expressar exaustivamente o sobrenatural, o supra-humano, o
totalmente outro, este se nos apresenta de maneira indizível. As experiências
com o sagrado nem sempre são possíveis de descrições satisfatórias através de signos linguísticos. Sobre o assunto, Mircea Eliade diz que:
O sagrado manifesta-se sempre como uma realidade inteiramente diferente das realidades “naturais”. É certo que a linguagem exprime ingenuamente o tremendum, ou a
majestas, ou o mistério fascinans mediante termos tomados
de empréstimo ao domínio natural ou à vida espiritual profana do homem. Mas sabemos que essa terminologia análoga se deve justamente à incapacidade humana de exprimir o ganz
andere: a linguagem apenas pode sugerir tudo o que
ultrapassa a experiência natural do homem mediante termos tirados dessa mesma experiência natural.59
Quanto ao caráter indizível da experiência religiosa com o sagrado, podemos ter como exemplo o caso de Ellen G. White. Em alguns momentos de suas visões, White teve dificuldades para encontrar palavras, figurações, formas de descrição para dizer com detalhes daquilo que Deus lhe mostrava. Se observarmos atentamente, em alguns textos do livro “Primeiros Escritos”, White faz a seguinte exclamação: “Oh! Se me fosse dado falar a língua de Canaã, poderia então contar um pouco das glórias do mundo melhor”60.
59 ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões, São Paulo: Martins Fontes, 2ª Ed., 2008, p. 16.
60 WHITE, Ellen G. Primeiros Escritos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 10ª Ed., 2003, pp. 13 a 15.
Além disso, algumas coisas supra-humanas e objetos observados por White no plano celestial, como as características do Templo da Cidade Santa, por exemplo, fizeram-na exclamar: “Esse templo era apoiado por sete colunas, todas de ouro transparente, engastadas de pérolas belíssimas. As maravilhosas coisas que ali vi, não as posso descrever.”61 Portanto, parece que Ellen G. White não conseguia descrever com plenitude o que enxergava em suas visões. As coisas do sagrado, portanto, eram para ela elementos de uma realidade indizível. O sagrado, dessa forma, manifesta-se indizível e muitas vezes racionalmente inconcebível para o homem.
No entanto, Mircea Eliade, complementando a perspectiva de Otto, propõe a ideia de que existe também um lado racional do sagrado manifesto, e que temos de estudá-lo. Isso significa que devemos levar em conta os usos
lógicos, sistemáticos, racionais das concepções objetivas feitas pelos sujeitos
religiosos sobre o sagrado. A experiência com o sagrado, mesmo que pareça humanamente indescritível, não obstante, ainda assim, é algo utilizado de forma efetiva, através de tentativas descritivas parciais, no dia-dia. E mesmo que parcialmente descrito, o sagrado de fato é prático. Em outras palavras, o sagrado é usado racionalmente como elemento balizador da vida. Segundo Eliade, é assim que as pessoas fazem o uso racional das manifestações do sagrado. Além de utilizar o “sagrado” em oposição ao “profano”, Eliade faz do termo “hierofania” uma referência conceitual para especular sobre a essência das manifestações do sagrado no cotidiano religioso. Notemos:
O homem toma conhecimento do sagrado porque este se
manifesta, se mostra como algo diferente do profano. A fim de
indicarmos o ato da manifestação do sagrado, propusemos o termo hierofania. Este termo é cômodo, pois não implica nenhuma precisão suplementar: exprime apenas o que está implicado no seu conteúdo etimológico, a saber, que algo de
sagrado se nos revela.62
61 Idem.
62 ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões, São Paulo: Martins Fontes, 2ª Ed., 2008, p. 17.
O interessante a ser percebido, é o fato de que, quando o sagrado se manifesta, seja tal manifestação mediada por objetos, pessoas, animais ou plantas, algo de substancial acontece no plano da experiência. O homem religioso interpreta racionalmente o sagrado de maneira a dar legitimidade à sua visão de mundo. O sagrado manifesto torna-se elemento racionalmente empregado na elaboração do habitus humano, tanto individual quanto social.
Não se venera ou adora a pedra enquanto pedra, a água enquanto
água ou a árvore enquanto árvore. O que se valoriza em uma “hierofania” é a
presença fundadora, imprescindível do “sagrado” no processo de construção de mundo. Adora-se um poder superior, um poder outro, que se revela de forma espantosa, enigmática no cotidiano. A hierofania, portanto, é elemento basilar e de cosmogonia para o homem religioso.
Os adventistas, em biografias e trabalhos específicos, contam que quando Ellen White era tomada por visões divinas, sua postura física mudava completamente. Seus olhos, abertos, fixavam-se, como foco de alguém que olha para o céu, para o alto. Seu corpo tronava-se estático e seus músculos, braços e pernas enrijeciam-se. Sua respiração baixava o ritmo até o ponto de provocar, naqueles que assistiam o fenômeno, impressão de asfixia. Sentada ou ereta, assim permanecia por longos períodos. Certa vez, em um templo, durante uma de suas pregações, White foi tomada por visão e permaneceu estática, segurando uma Bíblia, que pesava entorno de 5 kg, por cerca de 1 (uma) hora. Muitas vezes, durante algumas das visões, White foi examinada por médicos especialistas em saúde mental. No entanto, ninguém sabia dizer o que acontecia com aquela mulher durante suas experiências de visão.
Na segunda metade do séc. XIX, nos EUA, tornou-se forte uma corrente de pensamento chamada mesmerismo, que advém do nome de Franz Anton Mesmer (1734-1815), médico alemão conhecido por teorias a respeito da magnetização animal. Suas experiências deram sustentação para alguns especialistas da saúde mental tratar pacientes com sonambulismo e até mesmo explicar fenômenos sobrenaturais, como no caso de Ellen White. Com bastante frequência a Sra. White foi acusada de objeto de mesmerismo. Isso a irritava muito. Tanto que certa vez, de modo a provar o contrário - ou
seja, que as visões eram de fato divinas - deixou-se examinar por um médico especialista em magnetismo, aliás, conhecedor das teorias mesmeristas. No entanto, nada conseguiu o médico com os testes e imãs explicar o estado no qual ficava White durante as visões. Havia mistério naquela hierofania.
Desde a manhã de dezembro de 1844, quando White obteve sua primeira visão, na qual o povo escolhido seguia em direção à Cidade Santa, outras inúmeras visões lhe foram concedias. Em vigília ou estado de sono, White constantemente era tomada pelo espírito divino. E os adventistas do sétimo dia dizem que as ações de White durante seu ministério evangelístico eram divinamente guiadas, percebidas em sonhos ou visões. Cada decisão em benefício da obra, hoje conhecida por Igreja Adventista do Sétimo Dia, alicerçou-se nas visões divinamente inspiradas de Ellen G. White.
No início, as poucas pessoas que acompanhavam White, dentre elas seu esposo, Tiago White, e o militar aposentado, José Bates, aceitaram com espontânea convicção o caráter divino das visões. Os que participaram do movimento de fundação da IASD - situado desde a revisão das ideias e equívocos cometidos por Guilherme Miller - e do processo de construção dos pilares teológicos da Igreja, tiveram de aceitar então, a liderança divinamente determinada de Ellen G. White enquanto profetiza e conselheira da Igreja.
Dos dias de 1844, tempo do Grande Despontamento, à década de 1860, época da consolidação institucional e hierárquica da IASD, o papel de
conselheira desempenhado por Ellen G. White representou diversas coisas.
Dentre elas, podemos destacar quatro: a) A presença da imagem feminina no controle de uma instituição religiosa que nascera em uma época de extremo
androcentrismo na sociedade. b) O fenômeno hierofânico implícito nas visões divinamente concebidas por Ellen G. White. c) O processo de aceitação por
parte dos fiéis em relação ao caráter divinamente inspirado das visões de Ellen G. White. d) O emprego racional da experiência hierofânica de Ellen G. White como elemento fortalecedor da crença dos fiéis para a IASD enquanto
Igreja Remanescente de Deus - detentora do Espírito de Profecia.
O papel fundamental de Ellen G. White no processo de formação da IASD - Igreja Adventista do Sétimo Dia - especificamente no momento
mais delicado, que se deu entre os anos de 1844 a 1860, está baseado num caráter divinamente revelado e hierofânico. Ellen White não foi importante somente em seu papel de profetiza, conselheira, missionária e líder espiritual para um período crítico de surgimento e crescimento da Igreja. Sua imagem representa um fenômeno religioso que nasceu de forma transcendental e que se transformou em uma denominação religiosa mundial.
Ellen G. White é personagem principal na história desse fenômeno religioso. Suas visões e revelações mostraram que um poder supra-humano manifestou-se no âmbito da formação da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Um poder que, por meio de White, revelou-se a um grupo de pessoas. Mas esses fiéis adventistas passaram a enxergar a Ellen G. White não como uma
Deusa, Santa ou algum objeto/ícone de adoração, e sim como instrumento, exemplo humano da manifestação sagrada do poder de Deus. A história da Igreja Remanescente, portanto, parece permeada de uma hierofania peculiar.
White, com seu Dom de Profecia concedido por Deus, é um tipo de sugestão de que o sagrado manifestou-se de forma útil no interior da IASD.
Entretanto, o processo de aceitação da condição especial de Ellen White, de seu papel como mensageira de Deus para o povo remanescente, ainda hoje é ponto de discussão para quem se converte à Igreja Adventista do Sétimo Dia. O fato de acreditar, ou não acreditar, no caráter divinamente
inspirado da experiência hierofânica de Ellen G. White, dependerá sempre da
decisão de fé das pessoas. E, aliás, podemos notar que esse impasse existe desde os tempos da formação da Igreja. Vejamos o seguinte trecho:
No Início, cada membro teve que decidir acreditar ou não que as mensagens de Ellen White vinham de Deus. Da mesma maneira, a pessoa que se une à Igreja Adventista hoje tem que tomar uma posição quanto a ter ela falado a verdade ou não, quando disse que Deus a chamou para ser Sua mensageira. Todavia, não somos deixados em dúvida, porque a Bíblia apresenta muitos testes pelos quais podemos checar as afirmações dos escritos de Ellen White como um de Seus