5.2 Data driven readout with tokens and distributed state encoding
5.2.2 Line segment structure
Maria Izabel Grein e Marcos Gehrke41
O presente texto visa fazer uma reflexão sobre os cinco anos de oficializa- ção da Escola Itinerante no Estado do Paraná, e faz parte do esforço de elaboração sobre a trajetória desta escola que busca garantir o direito à escolarização das po- pulações itinerantes dos acampamentos do MST.
A Escola Itinerante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
não pode mais ser considerada uma experiência pedagógica42. Ela é uma realidade
que nos mostra o quanto a escola pode e deve estar onde se encontram os sujeitos e ser do jeito do povo, o que exigiu dos trabalhadores algumas transformações nesta escola, gerando a Escola Itinerante. Se a ESCOLA é uma ferramenta do sistema para educar os cidadãos de acordo com os seus interesses, ela também pode ser um instrumento para formar sujeitos para a transformação desta sociedade, e neste sentido a Escola Itinerante tem dado respostas positivas. Da mesma forma como os camponeses trabalham a terra para que ela produza, a Escola Itinerante também precisou e precisa ser preparada, pensada. Nela destacam-se os seus objetivos, a forma de organização e gestão, a relação da escola com a organicidade do Movi- mento e deste com a escola, os conhecimentos e seus vínculos com a realidade do acampamento e a forma de se fazer a avaliação.
A Escola Itinerante no Paraná está completando em dezembro de 2008 cin- co anos de reconhecimento pelo Poder Público. Ela foi reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação através de parecer 1012/2003, como uma experiência por dois anos. Em 2005 foi renovada pelo mesmo Conselho, sob o parecer nº 735/05. Atualmente passa por um processo de avaliação criteriosa, dada à necessidade de reconhecimento legal definitiva da vida escolar das crianças, adolescentes, jovens
41 Maria Izabel é dirigente do MST e acompanha a Escola Itinerante desde sua criação em 2003. Tem especialização em Educação do Campo e Desenvolvimento. Marcos é do Setor de Educação do MST, contribui com a formação de educadores itinerantes e faz mestrado em educação na UFPR.
42 No estado do RS, a Escola Itinerante foi aprovada em 1996 como “experiência pedagógica” a prin- cípio por dois anos, sendo renovada posteriormente por mais quatro, até sua aprovação definitiva em dezembro de 2002. Aqui, no PR, ocorre algo semelhante. Considerando a experiência acumulada ao longo destes 12 anos, avaliamo s que esta escola já esta em condições de se tornar política pública.
e adultos que freqüentam esta escola nos acampamentos do MST neste estado. Se aprovada, passará a ser política pública, de fato e de direito.
A partir dos acampamentos José Abílio dos Santos e 10 de Maio, o IN- CRA, em 2005, criou o assentamento Celso Furtado. As Escolas Itinerantes Chico Mendes e Olga Benário, existentes nestes acampamentos, foram transformadas em dez escolas, dado o tamanho da área e o número de famílias assentadas. Destas, três oferecem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, as demais são escolas que atendem a Educação Infantil e os anos iniciais da Educação Fundamental. Houve grande resistência do município de Quedas do Iguaçu em assumir a responsabi- lidade pelas escolas, aceitando a participação da comunidade, questão esta ainda não resolvida. O município quer impor a sua política educacional, o seu sistema de ensino, sem levar em conta as experiências já construídas e vivenciadas pelas comunidades. Também há resistência para garantir os educadores que já haviam atuado nas Escolas Itinerantes. De nossa parte, avaliamos que a Escola Itinerante resgatou nos trabalhadores Sem Terra o desejo de estudar, o direito e o dever de participar na escola e ajudar a construí-la junto à comunidade.
Atualmente são 11 Escolas Itinerantes no Estado do Paraná. Destas, duas atendem da Educação Infantil ao Ensino Médio, e para nossa alegria, neste ano de 2008, será formada a primeira turma de educandos do Ensino Médio da Escola Iti- nerante. Esta é, sem dúvida, uma grande vitória. As demais Itinerantes no Paraná atendem a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental.
A Escola Itinerante, nos seus grandes objetivos, foi criada para atender as crianças, adolescentes, jovens e adultos em situação de itinerância, enquanto estão acampados lutando pela desapropriação das terras improdutivas e implantação do assentamento. É uma Escola que, na sua essência, não está voltada somente para as crianças, mas para toda a população acampada, jovens, idosos e adultos, pois os acampamentos são formados por famílias que não só foram excluídas da terra, mas também foram excluídas do processo produtivo e de todos os seus direitos, inclusive o de estudar.
É uma escola voltada para a formação do ser humano, homem e mulher, que vive neste acampamento, que não só vive ali, mas faz deste o espaço da sua LUTA e ESPERANÇA para melhorar de vida, dar um futuro melhor para os seus filhos. Em poucas palavras, poderíamos afirmar que o acampamento é o lugar do sonho, da esperança e do conflito, e neste contexto, entre tantos desafios, ousa-se aprender a fazer a escola, a Escola Itinerante que de seus aprendizados pretende-se forjar a escola do assentamento, a Escola do Campo. Nestes cinco anos de Escola Itinerante no Paraná, compreendemos a importância e a necessi-
dade da escolarização, da apropriação de conhecimentos, da forma como a escola se organiza, do envolvimento das famílias e da organização do acampamento. Estes aspectos são importantes para avançar na consciência social e de classe de todos os envolvidos. Esta iniciativa vem nos mostrar a possibilidade dos adultos voltarem a estudar e romperem com a barreira do analfabetismo. Prova disto é o número de jovens e adultos que retornaram aos estudos para concluir o Ensino Fundamental e Médio, e alguns, o curso de magistério. Temos jovens dos acam- pamentos em cursos de Pedagogia, Geografia, História e Licenciatura em Edu- cação do Campo. Sem falar nos adultos que assumiram o desafio de aprender a ler e escrever através do método cubano “Sim Eu Posso”. Já podemos considerar alguns acampamentos território livre do analfabetismo, por exemplo, o Acam- pamento Terra Livre em Santa Tereza do Oeste. Comprovamos a importância e a necessidade da escola estar no local onde vivem as crianças, garantindo um aprendizado de maior qualidade e atingir a todos.
Dada esta realidade, no primeiro ano de funcionamento da Escola Itinerante Zumbi dos Palmares, uma mãe veio ao encontro da coordenação da escola para
agradecer, e assim se expressou: “antes de vir para cá minha filha estava já há dois
anos em classe especial e não conseguia aprender nada. Dois meses aqui na nossa escola do acampamento, ela está lendo e escrevendo. Minha filha é uma criança normal”. Para aprender a criança precisa sentir-se aceita, amada e de preferência no espaço onde ela conhece, se reconhece e consegue se relacionar. Nossa experi- ência tem mostrado que a Escola Itinerante propicia isto às crianças acampadas. O acampamento é uma comunidade. Ali se juntam famílias de trabalhado- res com um objetivo comum que é a conquista da terra, mas com origens e expe- riências de vida diferentes, tais como, camponeses e filhos de camponeses, alguns vindos de favelas das grandes cidades, outros de países vizinhos, principalmente do Paraguai. Muitas destas pessoas já passaram por processos de desumanização, exclusão, com costumes, cultura e experiências educativas variadas. Há famílias que, pela primeira vez, estão acampadas; outras ocuparam a terra há mais de cinco anos, já passaram pela experiência de despejos e violências cometidas pelo latifún- dio, pelo agronegócio e pelo Estado Brasileiro que não realiza a Reforma Agrária.
Com relação à violência do latifúndio contra os acampamentos, e que por estar neste espaço a Escola Itinerante também vivencia, é importante lembrar que a natureza desta violência depende da região em que o acampamento está localizado, da forma como o latifúndio e as forças contrárias à Reforma Agrária e a organiza- ção dos trabalhadores se articulam neste espaço. Muitas vezes a Escola Itinerante, coordenadores e educadores são usados pelas forças contrárias à Reforma Agrária,
para dividir e enfraquecer a comunidade acampada, experiência já vivenciada por nossas escolas.
Escola Itinerante: na perspectiva da Educação do Campo
A Escola Itinerante em muitas circunstâncias tem acontecido independente da sala de aula, ou seja, este é talvez um dos aspectos que este projeto de escola tem construído as maiores transgressões, em seus aspectos físicos, político e pedagógi- co. A escola se faz debaixo de árvores, na beira de uma estrada, de um rio, nas ruas, nas ocupações de terra, pedágios, na roça. Ela se faz ainda nas situações de despejo promovidos pelo latifúndio e pelo próprio Estado que a aprovou para funcionar desta forma - itinerante. É identificada como escola do MST, pois ela funciona nas situações de itinerância do acampamento, garantindo o direito à educação. Onde houver educando que quer e precisa aprender e educador disposto a ensinar e aprender, a Escola Itinerante acontece, fazendo-se com sujeitos aprendizes que caminham e lutam pela sobrevivência e pela transformação social coletivamente.
Esta escola vem demonstrando e aprendendo que é possível e necessário fa- zer educação sem a centralidade na sala de aula e nos conteúdos, ao mesmo tempo sem descuidar dos mesmos. Nesta escola os sujeitos e as relações sociais passam a ter centralidade, pois se pretendemos a formação humana dos sujeitos, estes devem ser acompanhados e conduzidos, ao contrário da escola denominada “bancária” pelo educador Paulo Freire, cujo foco está nos conteúdos. Os conhecimentos esco- lares, os espaços da escola e as relações ali vividas devem contribuir no sentido de possibilitar a compreensão da vida, e neste sentido compreendemos e marcamos o papel da escola com o conhecimento.
Os conhecimentos escolares provêm de saberes e conhecimentos social- mente produzidos. São oriundos desses diferentes âmbitos, então, são selecionados e “preparados”, “didatizados” para constituir o currículo formal, formando o co- nhecimento escolar que se ensina e se aprende nos diferentes formatos de “salas de aula” e que no caso da Escola Itinerante são múltiplos.
Quando observarmos com cuidado os livros didáticos, podemos verificar que eles não costumam incluir entre os conteúdos selecionados, os debates, as discordâncias, os processos de revisão e de questionamento que marcam os co- nhecimentos e os saberes em muitos de seus contextos originais. Dificilmente en- contramos, em programas e em materiais didáticos, menções às disputas que se travam, por exemplo, no avanço do próprio conhecimento científico. Conteúdos totalmente descontextualizados, aparentemente “puros”, perdem suas inevitáveis conexões com o mundo social em que são construídos e funcionam.
No campo metodológico, a escola e os educadores têm demonstrado e vi- vido tentativas de superação das relações fragmentadas entre os conhecimentos socialmente produzidos e os conhecimentos escolares, as formas de ensino e a avaliação. A vivência de novas formas de tratar o conhecimento, interdisciplinar ou global, como os temas geradores (Freire, 1987) e as vivências geradoras (MST, 2003), num processo de relações mais contínuas com a realidade social dos edu- candos, numa perspectiva em que os próprios saberes escolares têm que estar rede- finidos e vincular-se às matrizes culturais do campo (Arroyo, 2004).
As práticas com os temas geradores ou vivências geradoras, tem bus- cado partir desta compreensão: um trabalho pedagógico que faça relação entre os conhecimentos das diferentes áreas, a partir das necessidades colocadas pela realidade vivida no acampamento, a fim de que sejam melhor compreendidas e interrogadas.
As vivências geradoras na escola precisam ser trabalhadas desde a ne- cessidade da própria vida e da cultura do acampamento, do campo e do conjunto da sociedade. Porém, mais que tematizar as questões tornando-as projetos de estudo, estas precisam ser vivenciadas, ou seja, exigem a combinação entre o estudo conceitual e teórico com o mundo prático e concreto. Lembrando sempre, não basta mudar o pacote, o conteúdo, mas a leitura sobre a prática social precisa ser nova. Ou seja, as relações estabelecidas com o conhecer e o conhecimento precisam ser novas, necessitam estar em conexão com a vida e aqui precisamos avançar cada vez mais.
Não basta eliminar a seriação e rever metodologicamente a estrutu- ração dos tempos e espaços da escola, se o modelo que emergir daí continuar separando da vida, formando fora da atualidade, e continuar a reproduzir as relações de poder vigentes no modelo seriado (FREI- TAS, 2003, p.61-62).
A organização dos conhecimentos escolares, mais que um programa crítico, ético e comprometido, precisa colocar-se no movimento totalizante da escola, do acampamento e do campo, tornando-se vivências geradoras. É mais que criticizar conteúdos escolares, trata-se de vivenciar concretamente a vida social, suas contra- dições, analisar limites e criar possibilidades de superação.
A Escola Itinerante se faz aberta à vida, na realidade e integrada ao Mo- vimento, na prática social e organizativa do meio em que está inserida. Na or-
ganicidade e nas lutas do acampamento as contradições vêm para dentro da es- cola e exigem que sejam trabalhadas e compreendidas. Os conteúdos precisam contribuir teoricamente na busca de esclarecer os fatos e nas soluções para as contradições e conflitos.
A Escola Itinerante deve estar integrada na organicidade do acampamento, promovendo a auto-organização dos educandos e a participação efetiva da comu- nidade acampada, tanto na construção material e estrutural, mas também no fazer pedagógico. Este processo se faz formador de todos quantos nele se envolvem, qualificando a participação e a organização coletiva, as responsabilidades indivi- duais, a capacidade de pensar, propor e interferir.
A organização, a auto-organização, a gestão democrática, a participação dos educandos na condução da escola, deve ser assumida como tarefa essencial para efetivarmos nossa concepção de escola e de formação. É criar espaços onde educandos de todas as idades possam experimentar a organização e a vivência real de sua autonomia, de sua capacidade de coordenar e ser coordenado, de crítica, auto-crítica e proposição, entre outras. Isso é permitido quando a escola se organiza em núcleos de base, brigadas, equipes de estudo e trabalho, oficinas, assembléias, conselhos de classe participativos, entre outros. Estes são alguns dos espaços já conhecidos e experimentados, porém, precisam ser potencializa- dos. A construção de tais tempos e espaços na escola implica em planejá-los com intencionalidade, mas também envolvendo os educandos e a comunidade. Freitas nos lembra sempre que:
não basta que os ciclos se contraponham à seriação, alterando tempos e espaços. É fundamental alterar também o poder inserido nesses tempos e espaços, formando para a autonomia, favorecendo a auto-organiza- ção dos estudantes. Isso significa criar coletivos escolares nos quais os estudantes tenham identidade, voz e voto. Significa fazer da escola um tempo de vida e não de preparação para a vida. Significa permitir que os estudantes construam a vida escolar (FREITAS, 2003, p.60).
A Escola Itinerante precisa trabalhar cada vez mais na perspectiva de po- tencializar os coletivos infantis e juvenis, acreditar, desafiar e recriar. Lima (2004), diz que as práticas culturais e os contextos do campo são condição e fundamento para o desenvolvimento humano, portanto, a escola do campo e as práticas educa- tivas precisam arrumar-se em seus espaços e tempos de aprendizagem e em seus contextos educativos.
Cecília Luedemann em seus estudos sobre a pedagogia de Makarenko afirma:
A escola na concepção de Makarenko deveria ser um espaço amplo, aberto, em contato com a sociedade e com a natureza, relacionando-se às necessidades sociais de cada momento histórico, mas dirigida por um objetivo estabelecido coletivamente por professores e alunos. Um lugar para a criança viver sua realidade concreta como realização no presente, admitida como sujeito, comandante da sociedade, participan- te das decisões sociais em seu coletivo organizado. (2002, p. 18).
Portanto, o sujeito que aprende precisa construir novas relações e é isto que marca a outra especificidade da Escola Itinerante que busca superar o modelo de escola proposto pelo sistema capitalista. A escola pode ser um destes espaços de organização e reflexão sistemática de tal processo, formando novos sujeitos, que produzirão um novo mundo. É desde aí que o Movimento vem produzindo uma nova forma escolar, que tem recriado as relações sociais na escola, buscando su- perar o modelo autoritário e excludente de avaliação. Para isto é preciso também reorganizar o tempo e o espaço escolar, redefinindo o papel do educador, bem como do conhecimento e das metodologias. Enfim, uma forma escolar a serviço da emancipação da classe trabalhadora.
A avaliação na Escola Itinerante tem sido um processo complexo e envolve constantemente educadores, educandos e a organização do acampamento. Trata- se de uma avaliação com dimensão política e conjuntural, social e pedagógica. Avalia-se desde o processo de criação e organização da escola no acampamento até quem serão os educadores, as condições precárias de trabalho, a relação com o Estado. Também se discute a organização das instâncias e problemas concretos que interferem no cotidiano da escola, a exemplo de como providenciar a documenta- ção das crianças. As dificuldades de aprendizagem, o planejamento e as metodo- logias dos educadores são aspectos avaliados permanentemente. Portanto, avaliar nesta escola, é resolver coletivamente com divisão de tarefas o que está posto como problema na realidade, avaliar é revelar o problema onde ele ainda não é percebido, é envolver toda base acampada no processo de produzir a escola dentro da organi- cidade do Movimento para qualificar a ação pedagógica dos educadores.
Poderíamos dizer que nesta caminhada, pelo menos três são os aspectos gerais que a avaliação contempla: a avaliação do processo de produção da escola e sua implementação enquanto Escola Itinerante; a avaliação do trabalho escolar, ou seja, tudo o que envolve a forma que a escola vai assumir (organicidade, gestão,
tempos e espaços, auto-organização dos educandos, currículo...); e a avaliação do trabalho pedagógico, o qual contempla o processo vivido no interior dos ciclos, no coletivo de educadores, no acompanhamento ao desenvolvimento dos educandos (critérios e instrumentos de avaliação, apropriação do conhecimento, oficinas, con- selhos de classe participativos, pareceres, notas).
Temos o desafio de avançar nos três aspectos, que como um tripé sustenta a escola na luta, mas reconhecer também que educadores e o conjunto do acampa- mento e do Movimento têm criado e sustentado todo este processo, e neste cami- nhar tem aprendido e ensinado a fazer escola.
Neste sentido, muitos passos já foram dados durante os cinco anos de Es- cola Itinerante, os quais foram dando identidade à mesma e ao seu currículo. Po- deríamos destacar: ela é implementada somente nos acampamentos que possuem condições organizativas; é construída/discutida pela base acampada; os educadores são da comunidade e atuam em duplas; a construção da organização do trabalho escolar em ciclos, buscando uma avaliação coletiva e que considera o desenvolvi- mento integral do ser humano.
Neste processo, ainda encontramos muitos limites e sobre estes precisa- mos dialogar: persiste a resistência entre alguns educadores em construir processos diagnósticos e dialógicos de avaliação; ainda não se atua efetivamente na dinâmica dos ciclos de formação e com o coletivo de educadores dos ciclos; há limites na construção dos pareceres descritivos, dada nossa formação histórica que relaciona a avaliação à “nota”. Neste último aspecto permanece o desafio para além do pare- cer: o que fazer com o diagnosticado? Como fazer? Quem faz? Quem sabe nosso desafio maior, articulado aos anteriores é enfrentar a desistência, a reprovação na escola, no acampamento e na vida.
A formação de educadores também se coloca como desafio na perspectiva da construção da escola. Embora o Movimento venha conquistando espaço junto às universidades públicas e mesmo em escolas do MST, ainda são restritas e insu- ficientes diante da demanda se considerada a quantidade de educadores e a abran- gência da formação.
Quanto à formação continuada, esta tem se dado em parceria com o Estado, através de encontros e seminários. Porém, na Escola Itinerante o forte da formação de educadores se dá literalmente no processo, na prática de ser educador no acam- pamento, onde lidam com o conflito de ser “um educador diferente” em contrapon- to com a prática vivida em sua escolarização.
Outro desafio que se coloca é a formação dos educadores pertencentes à rede pública estadual e não vinculados ao Movimento Social. Estes já possuem
uma experiência profissional, porém ali enfrentam novas situações. Entendemos que o professor vindo de fora não se constitui um problema; a sua atuação é muito importante, traz conhecimentos e experiências que o acampamento necessita, aju- dando desta forma a desenvolver a Escola Itinerante. Cabe a nós dialogar com estes educadores, ajudá-los na compreensão do papel da escola no Movimento Social e ainda mais, em se tratando de uma escola inserida num acampamento. Desta forma poderão contribuir ainda mais com nosso projeto de escola e de sociedade, pois