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A busca por informações sobre como se adquire a língua materna mereceu um lugar de destaque nessa pesquisa a fim de podermos localizar algum fator que possa contribuir para explicar o porquê da dificuldade na aquisição de uma segunda língua na idade adulta, e para que possamos nos afastar da responsabilidade que é dada às metodologias de ensino de línguas, que, aliás, estão sempre se

modernizando, a despeito de não haverem resolvido o problema da dificuldade da pessoa adulta.

Segundo Pinker (1994), o sucesso em aprender uma segunda língua em idade adulta em situação de sala de aula existe, mas é raro e depende de “puro talento”. Ele defende a hipótese de que a aquisição de uma linguagem normal, isto é, a primeira língua é garantida até a idade de 6 anos, e é comprometida entre 6 até pouco depois da puberdade, e é rara deste momento em diante. Ele especula sobre o período crítico e o explica por mudanças maturacionais no cérebro, que podem ser o declínio da taxa de metabolismo e do número de neurônios durante a idade escolar e da diminuição do metabolismo e do número de sinapses cerebrais na adolescência. Teórico do “instinto” da linguagem, sua especulação pauta-se pela linha do desenvolvimento físico e fisiológico do organismo e em razão disso, ele supõe que a partir da adolescência adquirir uma segunda língua tornar-se-ia difícil, pois nos aspectos biológicos o organismo já atingiu a maturidade, e que a partir dessa faixa etária o processo de aprender será sempre mais difícil, mais demorado, e talvez, não possa mais se realizar a contento, pelo menos quando comparado com a aprendizagem em tempo mais favorável, que seria dentro do período crítico.

Lenneberg (1967) argumentando também através de bases biológicas em favor do período crítico, diz que a linguagem emerge através da interação entre maturação e aprendizado pré-programado. Entre os três anos e a adolescência, a possibilidade da aquisição primária da linguagem continua a ser boa. Parece que o indivíduo é mais sensível a estímulos e preserva uma certa flexibilidade inata para a organização de funções cerebrais. As funções cerebrais, das quais faz parte a linguagem, se constróem sobre a massa neuronal e, sobretudo porque ao serem desenvolvidas estariam tendo o aspecto favorável da maturação biológica que ainda está em processo de desenvolvimento.

“Depois da puberdade, a capacidade de auto-organização e ajuste às demandas psicológicas do comportamento verbal declinam rapidamente. O cérebro comporta-se como se tivesse se fixado daquela maneira e as habilidades primárias e básicas não adquiridas até então geralmente permanecem deficientes até o fim da vida.” (LENNEBERG, 1967: 158)

Ao que se pode acrescentar que no discurso popular é comum ouvirmos as pessoas dizerem que depois de adultos é difícil até mesmo ampliar o vocabulário da

língua materna. Ao que tudo indica, o que diz o autor acima deve colaborar na dificuldade de aquisição da língua inglesa, ou pelo menos tornar essa aprendizagem bem mais difícil. Como vemos, os argumentos em favor do fator idade na aquisição de segundas línguas é quase unânime nos autores pesquisados.

Há também o argumento da contraposição entre o bilingüismo infantil, o bilingüismo sucessivo na infância ou adolescência e a aquisição de segunda língua na idade adulta.

Segundo as interpretações inatistas, que são as de Chomsky, Pinker e Lenneberg, o que pode explicar a dificuldade dos adultos em contraposição às crianças e adolescentes, seria o acesso – ou a falta dele – à Gramática Universal por parte do aprendiz. Chomsky (1959), em suas proposições inatistas quanto à aquisição da linguagem, diz que a criança ao nascer traz uma enorme quantidade de informações que ele denominou de Gramática Universal (GU), ou núcleo fixo, que é uma caracterização desses princípios inatos, biologicamente determinados, que constituem o componente da mente humana – a faculdade da linguagem23 e de parâmetros fixados pela experiência”, isto é, parâmetros não-marcados que adquirem seu valor, mais ou menos, por meio do contato com a língua no contexto cultural.

O argumento de Chomsky (1959) parece afinar-se com a herança filogenética de Freud (1913), que diz que tudo o que está fora na cultura, com o passar do tempo vai sendo internalizado ao mundo interno através da linguagem. Valendo destacar que o que é da herança filogenética estará inserido no próprio corpo do sujeito, portanto já traz uma matriz na massa cerebral ainda que para Freud a herança é muito mais histórica e cultural e não biologicamente determinada. Seriam os costumes, hábitos, padrões familiares, valores, e símbolos que seriam herdados filogeneticamente. Assim sendo, pode-se dizer, a exemplo dos inatistas, que a criança falará mesmo que não seja ensinada, bastando para isso que ela tenha contato com outras pessoas que falam.

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As teorias inatistas de Chomsky suscitaram uma série de estudos a partir dos anos 1960, que se concentraram, sobretudo, na chamada fase sintática, onde a prioridade de análise pendeu para o estudo da aquisição da gramática da criança por volta do seu segundo ano de vida, quando a criança começa a produzir enunciados de mais de uma palavra. Essa teoria recebeu críticas do grupo chamado gerativista e pelo cognitivismo construtivista e o interacionismo social. Maiores detalhes no capítulo A aquisição da linguagem de Ester Maria Scarpa in MUSSALIM e BENTES, 2001.

No tocante a questão da idade do aprendiz, isto é na idade adulta, Lightbown e Spada (1993) dizem que com relação à idade a questão merece muita discussão. As crianças imigrantes alcançam níveis de domínio da segunda língua igual à dos nativos; os adultos até podem chegar a alcançar níveis satisfatórios de comunicação, mas sempre haverá diferença de sotaque, escolha de vocabulário e erros de sintaxe que os diferenciam dos nativos e daqueles que começaram a aprender a língua quando jovens. Uma explicação para essa diferença é que assim como em aquisição de primeira língua, também existe um período crítico24 para a aquisição de uma segunda língua. É difícil fazer a comparação entre a aprendizagem de segunda língua de adultos e crianças. E isso porque uma das dificuldades é que as condições de aprendizagem são muito diferentes para as crianças, adolescentes e para os adultos.