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O interesse pela linguagem advém da Antigüidade clássica46. Na Grécia, as primeiras especulações sobre a linguagem surgem no cerne da filosofia. Filósofos antigos, como Pitágoras (570-496 a.C.), Demócrito (460-370 a.C.) e Empédocles (483-430 a.C.), trataram da origem da linguagem entendendo que ela é o espelho imediato das coisas – natureza ou divindade. Esses dois aspectos expressariam, revelariam a linguagem. Demócrito, segundo Cassirer (1977, p. 183), “foi o primeiro a propor a tese de que a linguagem humana se origina de certos sons, de caráter puramente emocional”. Cassirer reporta-se ao princípio cosmológico do ser de Heráclito (540-470 a.C.) quando diz que o logos transforma-se no princípio do universo e no primeiro princípio do conhecimento humano. Ou seja, a palavra é o princípio da existência do ser, porque sustenta o próprio ser (cf. ALMEIDA, 2006).

Ainda na concepção de Cassirer, os sofistas foram os primeiros estudiosos a tratar os problemas lingüísticos e gramaticais de maneira sistemática. Isso porque viam o lado pragmático da linguagem e entendiam que a verdadeira função dos nomes não é descrever as coisas, mas despertar emoções humanas; não é

45 Mesmo sendo um breve histórico, de natureza introdutória, esta retrospectiva dos estudos

filosóficos da linguagem constitui um pré-requisito teórico-metodológico que garante subsídios conceptuais relevantes à leitura e à compreensão dos paradigmas lingüístico-filosóficos (formação, rupturas e continuidades), que sustentam as muitas teorias da linguagem.

46 Aqui particularizo o mundo ocidental. Todavia, sabe-se que no século V a.C., na Índia, Panini já

desenvolvia trabalhos de natureza descritiva e prescritiva com a gramática da língua sânscrita. Sabe- se, também, que as culturas mesopotâmica, chinesa e árabe se preocuparam com a gramática, mas suas análises eram tão restritas aos seus idiomas que na prática não exerceram impacto sobre a tradição lingüística ocidental (cf. WEEDWOOD, 2002).

transmitir simples idéias ou pensamentos, mas levar os homens a certas ações47 (cf. ALMEIDA, 2006).

Em o Crátilo48 – diálogo acerca da justeza dos nomes – Platão (427-347 a.C.) apresenta como problema primordial a origem da linguagem: será que a linguagem surgiu por convenção humana ou se trata de uma origem natural?

Em resumo, para Crátilo cada coisa tem por natureza um nome apropriado, e que não se trata de uma denominação que o homem convencionou dar-lhe, o que está de acordo com a teoria naturalista dos nomes, segundo a qual as palavras têm sentido certo e permanente. Para Hermógenes, ao contrário, os nomes das coisas são estabelecidos por convenção humana (PIQUÉ, 1996). Essa questão tomou em geral o nome da controvérsia IXVL9QRPR9 / physis – nomos (natureza – uso, costume)49 ou physis – thesis (natureza – convenção).

Na visão de Kristeva (1983), Platão – em sintonia com Sócrates (470-399 a.C.) – tenta conciliar as duas teses postulando que a linguagem é uma criação humana e, nesse sentido, convencional. Entretanto, em face da essência das coisas que representa, a linguagem torna-se uma obrigação, uma lei para a sociedade. Assim, o nome tem então o sentido de lei, costume, uso. Na visão platônica, falar é distinguir-se das coisas exprimindo-as, dando-lhes nomes. Nomear constitui o ato que dá lugar à fala.

Ainda segundo Platão, essa ordem fundamental do mundo impõe um limite à arbitrariedade da linguagem. Essa arbitrariedade só se manifestaria no que se chama hoje de significante do signo lingüístico. O onoma, geralmente traduzido por

47 Na vida ateniense do século V, a linguagem se tornara instrumento para propósitos práticos

definidos e concretos, sendo a mais poderosa das armas nas grandes lutas políticas. Sem ela ninguém poderia esperar desempenhar um papel importante no contexto social (CASSIRER, op. cit., p. 182).

48 O diálogo Crátilo é o texto básico da filosofia helênica concernente à linguagem. Trata-se de uma

obra de Platão, cujo objeto é a controvérsia entre Hermógenes e Crátilo, que resolvem ouvir Sócrates sobre a questão “da justeza dos nomes” (cf. PLATÃO, 2001).

49 As noções da Filosofia clássica sobre a natureza da linguagem oscilam entre as concepções

naturalista e convencionalista. Os naturalistas afirmam existir uma íntima e necessária conexão entre a linguagem e a realidade, sendo a análise da linguagem fundamental para a construção de uma teoria do conhecimento acerca da realidade. A linguagem reproduz a realidade em virtude da conexão entre os componentes lingüísticos e seus elementos ontológicos. Para os convencionalistas, os nomes designam mediante as convenções constituídas em hábitos comunitários. Trata-se de uma postura fundamentalmente crítica, pois rejeita a necessidade de vínculo necessário entre a linguagem e a realidade e suas conseqüências epistemológicas.

"nome" em Platão, é instrumento para informar sobre as coisas e para discriminá-las de acordo com sua natureza, pois só enquanto de alguma forma ligada ao mundo, a linguagem, sendo uma téchne (arte, técnica), poderá operar sobre ele (PIQUÉ, 1996).

Dessa forma, Dietzsch (2007, p. 47) reconhece que

durante séculos, desde os pré-socráticos até o renascimento aristotélico, as discussões a respeito da linguagem eram perpassadas pelo questionamento entre natureza e convenção. Ser natural significava ter origens em princípios eternos e imutáveis fora do próprio homem, e por isso invioláveis. Por convencional entendia-se o que resultava do costume e da tradição, advindos de algum acordo tácito, ou de um contrato social, praticado por membros da comunidade. Acordo que, se uma vez feito pelos homens, poderia por eles ser modificado, violado. [grifos da autora]

Por outro lado, para poder tratar do juízo, seria preciso estudar a estrutura do enunciado. Esse fato levou Platão a estabelecer a primeira classificação das palavras de que se tem conhecimento. Para ele, as palavras podem ser nomes e verbos. Posteriormente, Aristóteles (384-322 a.C.), seu mais notável discípulo, formulou uma outra classificação das palavras: nomes, verbos e partículas. Com isso, parece que se tem a primeira divisão da cadeia de sinais lingüísticos pelo reconhecimento de uma diferença de categoria entre palavras, o que implica reconhecer também uma posição que toma como interesse a relação da linguagem com o conhecimento. Assim, a divisão entre nomes e verbos objetiva descrever a estrutura do juízo, que deve falar de como é o mundo (GUIMARÃES, 2001). Sem dúvidas, Aristóteles muito contribuiu para o estudo da linguagem e para seu aprofundamento, pois as distinções e considerações feitas por ele – e Platão – foram utilizadas mais tarde, pelos estóicos, para construir as bases da gramática tradicional.

A propósito, para Aristóteles, a linguagem é instrumento do pensamento e tem como função representar as coisas. Na concepção aristotélica, as coisas passam a existir à medida que são nomeadas. De acordo com Aristóteles, a linguagem é natural na sua função e convencional na sua origem, ou melhor, a linguagem está presente na natureza humana no seu aspecto funcional de representar as coisas para instrumentalizar o pensamento. A partir da necessidade

intrínseca funcional da linguagem é que o homem inventa-a num contexto sociocultural (ALMEIDA, 2006).

Assim sendo, Aristóteles não prioriza a polêmica entre naturalismo/ convencionalismo, embora se posicione em favor desta última concepção. Aristóteles não está interessado na gramática, senão no uso da linguagem, em particular no uso filosófico, na produção do conhecimento. A teoria aristotélica do significado estabelece uma correspondência entre os símbolos lingüísticos (palavras), os conteúdos mentais e as realidades experimentadas. Com isso, a relação entre as imagens, enquanto conteúdos da experiência, e os conteúdos mentais parece ser um problema epistemológico. Já a relação entre os conteúdos mentais e os símbolos lingüísticos consiste num problema de teoria da linguagem.

Na visão de Lyons (1979, p. 6), “a disputa entre os ‘naturalistas’ e os ‘convencionalistas’ devia prolongar-se por séculos, dominando toda a especulação acerca da origem da língua e da relação entre as palavras e o seu significado”. Dessa forma, é notória a sua importância para a evolução da teoria gramatical, visto ter propiciado a profusão de investigações etimológicas que estimularam e mantiveram, segundo Lyons, o interesse dos estudiosos na classificação das relações entre as palavras. Essa disputa teórica estabeleceu o estudo da Gramática no interior do arcabouço da indagação filosófica geral.

As palavras gregas para “regularidade” e “irregularidade”, no sentido que nos ocupa, eram analogia e anomalia. Daí, os que sustentavam que a língua era essencialmente sistemática e regular são chamados geralmente analogistas e os que tomavam a posição oposta, anomalistas (LYONS, 1979, p. 6).

Delleuze (1975) assinala que foram os filósofos gregos da corrente estóica, posterior a Sócrates, quem primeiro realizou uma grande reviravolta na valorização que Platão concebia ao mundo das Idéias, uma espécie de suposto paraíso da grandeza que o ser está sempre perseguindo. Os estóicos valorizaram o humor e o paradoxo, como ferramentas para demonstrar que a superfície da linguagem – o puro jogo de palavras – está, realmente, carregado de sentido.

Ancorado na concepção de linguagem dos estóicos, Deleuze postula que o sentido das manifestações lingüísticas é um acontecimento, visto não estar presente

nem nas coisas, nem nas palavras, nem nas imagens às quais estas se referem. O sentido não é determinado nem no ato da designação (relação das palavras a um estado de coisas), nem na manifestação (relação da proposição ao sujeito que fala), nem na significação (relação da palavra com conceitos gerais). O sentido surge, emerge, na “fina lâmina” situada entre o mundo, as palavras e as pessoas. Ele não está dado a priori pelo sujeito, nem existe como estado definitivo, mas acontece em uma dada situação. O eu não diz o sentido do que diz (DELEUZE, 1975).

Para Chauí (2000), uma outra inovação importante trazida pelos estóicos refere-se à proposição. Esta não é, como era para Aristóteles, a atribuição de um predicado ao sujeito (S é P), mas consiste em um acontecimento expresso por palavras: o predicado é um verbo que indica algo que acontece ou aconteceu com o sujeito: “Pedro morre” (e não “Pedro é mortal”); “É dia, está claro” (e não “O dia é claro”); “João adoece” (e não “João é doente”).

Assim é possível afirmar que a lógica estóica diferencia-se substancialmente da lógica aristotélica. Enquanto esta é uma lógica predicativa, que se interessa por juízos que ligam qualidades (essenciais ou acidentais) aos seres, a lógica estóica apenas anuncia acontecimentos e suas conseqüências. Segundo Brun (1986, p. 9), “aristotelismo e estoicismo são ambos empirismos, mas estes dois empirismos sustentam visões do mundo totalmente diferentes uma da outra – Aristóteles tem uma visão do mundo mais estática e hierarquizada”.

Desse ponto de vista, Braida (2001, p. 12-13) afirma que, para os estóicos,

o enunciado é anterior em relação aos seus constituintes, no que concerne ao sentido, pois é no enunciado que se realiza a união entre um significante e um significado. Em outras palavras, os estóicos abandonam a análise das palavras, tratando unicamente do “enunciado”, portanto, da lógica do dizer. As palavras serão compreendidas enquanto ocupam um lugar no enunciado; quando isoladas, elas, não obstante, serem já expressão, não significam. Somente o discurso é significativo, o que permite qualificar como “incompleto” e “subordinado” as partes componentes de um discurso. Esta maneira de conceber a linguagem parece, à primeira vista, ser contra-intuitiva, pois, quando se diz “pedra”, “sol”, “anda”, parece que se significa alguma coisa. Nesse ponto os estóicos seguem Platão, o qual já havia definido o discurso significativo mínimo como sendo a união de um termo-agente e um termo-ação, e se afastam de Aristóteles, que concebia as palavras como sendo significativas em si mesmas.

Entretanto, Braida também reconhece que não se pode traçar um paralelismo perfeito entre os pontos de vista dos estóicos, de Platão e Aristóteles, visto que as suas teorias e estruturas conceituais não são isomórficas.

Na visão de Platão, segundo Streck (2000, p. 107), o significado precede o significante e o determina, porém de modo distinto de como vai ser abordado por Ferdinand de Saussure (1857-1913), dois milênios depois, que ressaltará “o caráter arbitrário do signo, ao passo que para Platão existe uma relação de semelhança entre as idéias e as coisas e entre estas e as palavras”.

Seguindo na esteira dos estóicos, Agostinho (354-430) – grande pensador cristão – entendia que os objetos exteriores exercem uma ação contínua sobre o corpo, e este é impressionado por eles sem que, no entanto, a alma seja afetada. Na relação com o mundo apenas o corpo é afetado. Daí que, para Agostinho, “as palavras são signos, e estes signos não nos remetem diretamente às coisas, mas a outros signos, formando um sistema fechado no qual a significação, ao invés de se fazer pela articulação signo-coisa, faz-se pela articulação signo-signo” (apud STRECK, 2000, p. 114).

Já os escolásticos50 classificam a linguagem em três modos: linguagem literal, linguagem analógica e linguagem simbólica. Assim, os signos lingüísticos classificam-se em naturais e artificiais. Pode-se, desse modo, perceber a relação existente entre os signos naturais com a linguagem analógica, principalmente, e simbólica, enquanto os signos artificiais se relacionam com a linguagem literal.

Nessa perspectiva relacional da linguagem, Cassirer (1977, p. 186-187) observa o seguinte:

Transferência metafórica que encerra, em poucas palavras, todo nosso problema, e significa que emissões de som, que até então haviam sido simples gritos, descargas involuntárias de emoções fortes, estavam realizando uma tarefa inteiramente nova. Estavam sendo usadas como símbolos contendo um significado definido.

50 Referem-se ao período do pensamento cristão (início do século IX até o fim do século XVI)

designado com o nome de escolástica, já que a filosofia era ensinada nas escolas da época pelos mestres, chamados, por isso, escolásticos. As matérias ensinadas nas escolas medievais eram representadas pelas chamadas artes liberais, divididas em trívio – gramática, retórica, dialética – e

quadrívio – aritmética, geometria, astronomia, música. O conhecimento se caracterizava pelo absoluto formalismo e imobilismo. A escolástica surge, historicamente, do desenvolvimento da dialética (ALMEIDA, 2005).

Com efeito, o ser humano, à medida que foi usando toda sua competência lingüística, gradativamente também aprimorava e recriava novas formas significativas através do meio sociocultural onde se encontrava inserido.

Os filósofos escolásticos, assim como os estóicos, entendiam a linguagem enquanto instrumento para analisar a realidade. A questão do significado prioritariamente era a mais estudada. Em virtude dessa grande importância do significado, surgiram várias obras com o título “Modis significandi“ (modalidades do significar). Por isso, muitos gramáticos do período são chamados modistae (modistas). Esses gramáticos tentaram aproximar as categorias da gramática das categorias da lógica, da epistemologia e da metafísica. Tentaram também fazer com que as categorias dessas quatro instâncias derivassem dos mesmos princípios gerais. A escolástica via a ciência como busca das causas universais ou invariantes. Os filósofos queriam explicar cientificamente a linguagem, isto é, queriam observar os fatos da linguagem, deduzindo-os de causas universais (LYONS, 1979).

Mais tarde, os renascentistas deram início aos estudos filológicos (e filosóficos) da linguagem. Eles perceberam que a linguagem tem papéis importantíssimos na vida do ser humano. É pela linguagem que o ser humano atua, passa a existir como um ser único.

De fato, o Renascimento, inaugurando a Idade Moderna, rompe com a mundividência que a antecede imediatamente e debruça-se sobre a tradição clássica, pela retomada dos modelos gregos na origem, desprezando, assim, o aristotelismo medieval da filosofia escolástica. Os estudos lingüísticos direcionam-se ao descritivismo das línguas modernas, inspirado nos modelos gregos, principalmente na gramática de Dionísio da Trácia, contemplando a língua literária. Nesse sentido, os estudos sobre a linguagem assentavam-se, primordialmente, no seu papel estético (SABÓIA, 1998).

Convém enfatizar que, nas pegadas dos estóicos, abre-se então uma longa tradição gramatical da qual um dos primeiros representantes é Apolônio Díscolo de Alexandria (séc. II d.C.), acrescentando a seu tempo uma descrição sintática à que Dionísio de Trácia dera às partes do discurso, três séculos antes. Mais tarde Donato (séc. IV d.C.) e Prisciano perpetuariam o que Lyons (1979, p. 14) chama de "erro clássico", descrevendo a língua dos "melhores autores" em tratados que se utilizariam até o século XVII.

No que concerne, especialmente, à natureza da linguagem, Dionísio e Apolônio eram gramáticos analogistas, mas enquanto o primeiro revelava um compromisso com a linguagem literária, o segundo defendia a descrição da língua em uso. Para Apolônio, a palavra é um todo constituído de forma (som e sentido). Daí ser possível vislumbrar a formulação teórica de uma concepção de signo, bem próxima da concepção saussuriana (SABÓIA, 1998).

Para Ricoeur (1987), a distinção entre semântica e semiótica é a chave de todo o problema da linguagem. Esta é a decisão metodológica que vai marcar toda a análise da linguagem em si mesma ou como instrumento (mediação) para o acesso ao ser. Assim, a análise da linguagem pode ser feita de duas formas: uma que pretende compreender a linguagem em si mesma e outra que, pela linguagem, procura conhecer algo diferente dela. Essa distinção é uma revalorização do argumento de Platão no Crátilo e no Teeteto, segundo o qual o ORJR9funda-se no entrelaçamento de, no mínimo, duas entidades diferentes, o nome e o verbo.

Dessa forma, não se pode falar de linguagem ou pensamento sem a relação ou entrelaçamento mínimo de um sujeito e um predicado. Compreende-se, por isso, que a palavra, embora comporte algum significado, só adquire sentido na cadeia frasal. A linguagem não é feita de palavras soltas, mas é um discurso que adquire sentido pela disposição das palavras na proposição e sobretudo pelo seu contexto, ou seja, pela relação dela com a pessoa. Essa ligação entre o nome o verbo é que se pode chamar de discurso51, ou ORJR9.

Em síntese, para além dessa questão teórica e histórica, a cultura ocidental não deve obscurecer a importância dos tratados (diálogos) filosóficos, de modo especial os promovidos pelos estóicos. Estes propiciaram a sistematização das discussões em torno da natureza da linguagem e, em particular, a organização da gramática tradicional, em suas primeiras versões (a de Dionísio da Trácia e a de Apolônio Díscolo). Ambas serviriam de inspiração ao registro gramatical das línguas ocidentais vernáculas, desde seu processo de gramatização,52 durante e nos 51 De acordo com Ricoeur (1987), discurso é o evento da linguagem que é, por sinal, algo

evanescente em contraposição ao sistema, mas, por outro lado, o discurso tem primazia ontológica sobre o sistema que resulta da atualidade do primeiro em oposição à virtualidade do segundo.

52 Auroux (1992, p. 65) propõe o conceito de gramatização, definindo-o como “o processo que conduz

a descrever e a instrumentar uma língua na base de duas tecnologias, que são ainda hoje os pilares de nosso saber metalingüístico: a gramática e o dicionário”. Segundo esse autor, do século XV ao

séculos finais da Idade Média, até a Modernidade e a Idade Contemporânea, quer para contestá-las, quer para reafirmá-las (SABÓIA, 1998).

Nessa perspectiva, quando a filosofia retoma a linguagem comum,

sabe que esta no está cumpliendo un rol secundario, muy por el contrario, por ella accede al centro de la reflexión filosófica. El análisis de las formas cotidianas reviste importancia también desde el punto de vista de la educación, si de verdad pretendemos que esta trascienda el ámbito meramente formal para convertirse en un proceso de autentica autorrealización – mediante el cual la persona accede al contenido y al significado antropológico que se oculta debajo de las formas (LAUAND, 1999, não paginado).

Essas implicações filosóficas propiciaram grandes debates nos círculos lingüísticos em volta do mundo, ora servindo de ponto de partida, ora de contraponto às abordagens teóricas sobre as gramáticas das línguas naturais.

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