Esse estudo de caso aborda uma oesquisa realizada junto a duas oequenas
emoresas localizadas na região da Grande Vitória, sobre as caractergsticas de
endividamento e asoectos de oreoaração e uso de infOlmações contábeis em cada uma
delas. O obj etivo dessa oesquisa foi conhecer a tioologia de endividamento nas emoresas
em questão e verificar se elas se utilizavam de infOlmação contábil, seja oara o
gerenciamento do negócio. sej a oara envio aos bancos oara fins de análises de crédito.
Durante a coleta de dados emoregou-se um questionário oreoarado
esoecificamente oara essa finalidade e cujo conteúdo encontra-se no Anexo I I a essa
dissertação. Ppessuoondo que existiriam casos em que as emoresas analisadas não
oossuiriam registros contábeis adequados. os questionários foram aolicados solicitando
se que os resoondentes considerassem outras informações que tivessem conhecimento e
que, eventualmente, oudessem não estar adequadamente registrados nos livros contábeis.
Ou seja, orivilegiando-se a essência da informação ao invés de sua forma.
As duas emoresas oesquisadas oossuem atividades semelhantes - comércio de
sigilo o nome das emoresas oesquisadas. condição esta que foi solicitada oelos
oesquisados, iremos nos referir a estas como "Emoresa 1 " e "Emoresa 2". Uma
observação imoortante a ser feita é quc na Emoresa 1 seu sóeio majoritál;o deoende
integralmente de suas atividades oara o sustento de sua ülmilia. enquanto na Emoresa 2 seu sóeio orincioal tem outras atividades que comolementam sua renda.
As emoresas selecionadas oara a oesquisa oossuem as seguintes orincioais /' . '
/, ,9 I' ,
caracteristicas oesquisadas: /1
tJ
/ 1 , ' ; '-Quadro 1 1- Dados das empresas peSqUiSa
�d.s
t '� /
.L
y( í/ . I A B Faturamento mensal . R$ 1 9.000 R$ 40.000 Caoital social R$ 1 5 .000 R$ 1 7 .000 Endividamento total (*) R$ 1 9.230 I R$ 40.000 Quantidade de funcionários \O 1 2 Quantidade de sócios 6 5 - ---..,---Temoo de funcionamento 3 anos 2 anos
(*) Líquido de aplicações financeiras e outrdS disponibilidades
As orincioais caracteristicas relacionadas ao endividamento dessas emoresas oesquisadas oodem ser resumidas no Gráfico 7. onde é demonstrado o índice de
endividamento relacionado com o caoital social e resoectivos faturamentos mensa l e
no negócio como um todo. havendo uma situação orooorcionalmente mais ctitica na
Emoresa 2.
Gráfico 7- Relação entre o endividamento total x faturamento e capital social
0% 200% 400% 800% 1000% 1 200%
o Dívidattàturamannual ;
lllI Divid:L'faturammensal
o Dívida/cap ital
Embora mais endividada, a Emoresa 2 tem um custo financeiro inferior ao da
Emoresa 1 , haj a vista a comoosição de seu endividamento, basicamente comoosto oor
financiamentos obtidos através de agências governamentais.
Gráfico 8- Composição do endividamento por tipo de operação
o Familia/amigos .. Cap .Giro-d iversos
financeiras com as quais mantinham relacionamento oara fins de emoréstimos c
financiamentos. sendo que a Emoresa 1 aoresentava também dividas junto a amigos ou
familiares.
Embora mais endividada. a Emoresa 2 demonstrou ter menos oreocuoação com a
qualidade da informação contábil a ser oreoarada. De acordo com a oesquisa. seus
administradores não contabilizavam adequadamente os gastos oessoais feitos oelos seus
sócios/ gerentes. Além disso, segundo a oesquisa. os administradores da Emoresa 2 não
oreoaram informações contábeis que reoresentem a situação econômica e financeira da
emoresa. Essas duas condições foram resoondidas satisfatoriamente na Emoresa 1 , o que
denota uma maior oreocuoação com a qualidade da informação contábil. O fato de sua
dgvida ser j unto a agências governamentais, normalmente de longo orazo e com taxas de
juros abaixo das taxas oraticadas em ooerações de caoital de giro. talvez sej a a resoosta
oara essa menor imoortância dada oela Emoresa 2 às informações contábeis sobre seu
negócio.
As duas emoresas oesquisadas utilizam-se de sistema contábil comoutadorizado,
que registra mensalmente suas ooerações financeiras. No entanto. verificou-se que os
administradores da Emoresa 2 não se utilizam das informações contábeis como
ferramenta de gestão na tomada de decisões do seu negócio. Ou seja, essas informações
contábeis suoostamente oreoaradas serviriam aoenas oara fins de atendimento a eventuais
oorte não oossuem obrigatoriedade legal de manter esclita contábil. Adicionalmente.
ambas não consideravam os resultados contábeis como base oara a remuneração dos
administradores e distribuição aos acionistas.
Quando questionados sobre o tioo de infonnação geralmente solicitada oelos
bancos oara fins de cadastro e concessão de crédito. as resoostas foram as mesmas nas
duas emoresas:
• demonstrações financeiràs comoletas ( Balanço oatrimonial, demonstração do
resultado, das origens e aolicações de recursos. das mutações do oatrimônio
lgquido e as resoectivas notas exolicativas);
• oosição de faturamento dos últimos doze meses;
• cadastro de oessoa fisica dos sócios e gerentes
• lista de bens registrados em nome da emoresa e dos seus sócios/gerentes
Considerando que os bancos geralmente solicitam demonstrações financeiras
comoletas dessas emoresas oara fins de cadastro e análise de crédito, nos oarece que a
Emoresa 2 estaria em desvantagem quando orecisasse recolTer a uma linha de crédito,
Como oôde ser visto nesse trabalho, as oequenas emoresas brJsileiras aoresentam
um alto índice de insucesso. muitas vezes atribuído a oroblemas de caoital de giro e falta
de crédito (Gráficos 5 e 6). Na tentatin de se analisar os motivos que levam a essa situação, oesquisamos os custos financeiros no Brasil. que de uma maneira geral já são
um desestímulo oara qualquer investimento em atividade orodutiva. Isso oorque ooucas
são as atividades que conseguem aoresentar uma remuneração líquida suoerior ao que se
consegue com uma ao licação financeira de renda fixa. de 1 6.55% ao ano ( Quadro 7), não se correndo os riscos que normalmente estão aliados a um investimento emoresarial, que
deoende de uma série de asoectos além do investimento inicial. tais como: qualidade do
oonto de venda. conquista de clientes e fornecedores. necessidades de caoital de giro, etc.
Não bastasse as já altas taxas de j uros oraticadas. o quadro se agrava quando
analisamos as condições de concessão de crédito oara as oequenas emoresas em
esoecífico, conforme exoosto no Quadro 1 0. Com exceção de algumas condições de
financiamento através de agências governamentais (orincioalmente o B N DES), a oequena
emoresa é quase semore vista como um c li ente de alto risco oor oarte dos bancos. o que
encarece os juros e tende a reduzir os orazos das ooerações de crédito. A situação é de tal
forma que as condições oadrão de análise de crédito oara oequenas emoresas geralmente
não leva em conta os dados econômicos sobre o negócio em si, orivilegiando quase
semore a situação oatrimonial dos sócios ao invés da qualidade de seu negócio e
ooderia ser oreoarada através de um sistema contábil que refletiss� a situação econômico
financeira daquele negócio.
Nesse sentido. o que as oequenas emoresas ooderiam t�lzem oara mudar esse
cenário de altos custo financeiros? Primeiramente. conhecer melhor seu oróorio negócio.
Aourar adequadamente suas receitas, custos e desoesas. avaliar o retomo esoerado sobre seus investimentos. assim como tantas outras orovidências que ooderiam aj udar a melhor
administrar seu negócio. Como? Através da oreoaração e uso de informações contábeis,
oreoaradas rotineiramente e com a qualidade requerida nas circunstâncias. ajudando na
administração do fluxo de caixa. no controle de custos e. com isso. reduzindo direta e
indiretamente o custo financeiro.
Feito isso, a segunda orovidência seria extemalizar essa situaçào de controle
gerencial oara os bancos e outros emorestadorcs ootenciais de recursos financeiros.
Semore que fosse necessitar de um emoréstimo. a emoresa oodelia usar essas
informações contábeis oreoaradas oara fins gerenciais como um diferencial comoetitivo
na barganha oor uma taxa de juros mais atrativa. Além disso. ooderia-se também ootar
oelo tioo de ooeração financeira que fosse mais aorooriada em cada circunstância.
A realidade existente hoje no Brasil oara as oequenas emoresas faz com que as
emoresas lucrativas e bem administradas tenham um tratamento similar das que estão à
beira da falência, já que ambas, de uma maneira geral, não tem informações sobre seu
negócio e oortanto são avaliadas em condições semelhantes quando da análise de crédito
juros inviabilize seu negócio.
o oequeno emoresário que quiser ser analisado sob uma ótica diferenciada oelo investidor e com isso ter uma oossível redução nas taxas de juros que lhe são cobradas
oelo mercado financeiro de uma maneira geral. orecisará oassar oor uma revolução.
Revolução essa que. orimeiramente. orecisa ser feita internamente. com a orodução de
informações contábeis confiáveis sobre o negócio em si. Num segundo momento. essa
revolução orecisa ser feita oara fora. através da divulgação sistemática dessas
informações aos emorestadores de recursos. de modo tal que isso oossa ser refletido na
oerceoção de risco que estes tenham da emoresa e. consequentemente. no tratamento
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Investimento ( valor de financiamento pleiteado entre RS :!:' mil e RS :!OO mil) I
1 . A EMPRESA
Razão ou Social:
Setor de Atividade:
Social - em /___ Subscrito: R$ Integralizado: R$
Dividas Existentes' (data base / / )
Credor Encargos Data Vencimento Carência Periodicidade Saldo Devedor
Financeiros
de Giro
TOTAL Investimentos
TOTAL
P d ro e ven as os u Imos d d ' Ir 3 exercI CIOS:
Linha de Produtos 1 99?
Qtde. Faturam.
TOTAL
de
1 99? 199?
Qtde. Faturam. Qtde. Faturam.
.
08S: I nformar sobre a eXlstencla de pedidos em carteira Societária:
Pessoa(s) para Contato: Fax:
Telefones: e-mail:
Investimento (valor de financiamento oleiteado entre RS 25 mil c R$ 200 mil) 2
2. O PROJETO
Sumária do
de crédito Financiamento(s) Pretendido(s): R$
de carência:
Data início Data entrada
dos Recursos Garantias Oferecidas:
3. USOS E FONTES -Cronograma de Investimento (em valores de
Em R$ DISCRIMINAÇÃO
1 I::NESTIMENTO nxo
::0:-:st ruções civ.lS Váq1...i nas I equ ipamen tos I ,:stal . . mon taQem e f l"etes ""6'1e 15 e uter.s Í l ios 2: s tudos e P:-o:etos �\,_ t:cos ' e spe :::.l : l :: a ::- p r é - operaCl or:a l 1 :(�C:URSOS PRÓ?RI0S ? a t r roonio Líquido Aumento de Capl.tal ;;: �5:CL'RSOS DE TERCEI ROS ;;" 1 :-:03 n c iamentos p relend1dos
3a.:1CO do Brasi 1 S l s t ema BN:JES :''U tras 1 n s t .l l u .l Çôes r-:TA:"
REA:..r ZADO ATÉ
/ I b ) A REA:"'IZA..� ( a ; I I TOTAL TOTAL DO PROJETO
Banco do Brasil S.A.
Investimento ( valor de financiamento pleiteado entre RS 25 mil c RS 200 mil)
Observaçõe s :
.:i ' i n f o rmar o �er íodo cans � der:ado : Tr.en sal . bi rr.e s t r-a l , t r �mes t r a l e t c . I nd i c a r o rr.ê s I ano do
i n í c i o p rovãve l i
b ; i n d i c ar a s i n',re r s õ e s I'e al i z ad a s a t é a d a t a de e n t r a da da �ropo s t a no .:3anco , f o rnecendo data de l n i c i o das obr as ;
c : event u a i s aduat l. da mLa �,e r b a equl.val en t e a t é o rr.ãxirr.D d e :)% �;()br e ( ) v a l o r a r e a l i zar dos i t ens : construçóes c i �tl. s , rr:áqul. n as e equipatr.en t o s , i n s t a laçõe s , lr,ont agerr. e f r et e ;
:i : ::J S t o t a i s d e " u s o s " e d e " f ant e s " deverr. s e I IguaIs err. cada c o luna ; t-';:
e j j untar orçamentos dos l t E:O S que compõem o p ro j et o .
4. MERCADO
de (vendas diretas, através de representantes etc.)
de fatores e insumos de Clientes
concorrentes o Setor
5. ESTRUTURA DE CUSTOS ANUAIS
D I S CRIMINAÇÃO
Honorá rl.os da D i retoria 3xecut i va 2 3 '1 S 6 7 8 9 : 0 . " - . ::' 2 ::' 3 : 4 : 5 : 6 : 7 - Mão - de - obra f i xa Sncargos S O C l. a l. S e t rabalhistas Seguro do ativo f i xo
Manutenção e conse r"lação Alugué i s / " leas l. ng " Diversos
CUSTOS F I XOS MONETÁRIOS ( 1 + . . . + 7 ) Depreci ação/ exaustão
de d i f e r i dos CUSTOS FIXOS NÃO MONETÁRIOS ( 9 +
CUSTOS F i XOS TOTAIS ( 8 + l ' ) Insumos requerl.dos
Mão - de - obra va riáve l
Sncargos S O C l. a l. S e t rabal h i s t as Com i s s õe s sobre vendas
Propaganda e publ i c i dade
::' 0 )
: 8 Despesas t ribut ári as e contribu i ções : 9 Diversos
2 0 CUSTOS VARIÁV3 I S TOTA I S ( : 3 + . . . + : 9 )
2 ::' CUSTOS MONETÁRIOS TOTA I S ( 8 + 2 0 )
S I TUAÇÃO
ATUAL ANO
Em R$ PROJETO I ANO I I . . "
Investimento ( valor de financiamento pleiteado entre RS �5 mil c RS �OO mil)
D I S CRIMINACAO
2 2 CUSTOS AN UAI S rUrAIS ( � :; + 2 0 ) Obs e rvaçõe s :
�
S I TUACÃO
a ; est imar os custos até a �no c o r r e sp cndente à produçào e s t abl 1 i = a d a ;
D i dado o carater i l ust rat ivo d o qUcld r o , .:,u t r o s cu s t o s rOdeI"Ao c�)mpo:r esta e s t rutura ' f I"et e s , " r ::,!a l t i e s " f':'t c . ; i
C i J untar as rr.err.ó r i a s de c ál c u l o . l nclu1r erro lnSU1TIOS I ��1u er J..::1.::s as de�3p e sas C OIT. :T.at é r i a s � rr lmas , Tt.at e r l al S secundár ias , �IT.bal agens, ener g l a e l é t r i ca , .� gua. , c orrbust íve i s , lubr i f i c antes e mat e r l a l S diver s o s ;
6. ESTIMATIVA DE RECEITAS
.:'\TUAL ,� J .... ET8 :'1 SCRIMINACÃO UNIDADE ;' , cço \:-lü 1 1
\','. 1 0 : '; l..d.nt
T8Tl\L GE:R.l\L Obs e rvaçõe s :
a ) e s t imar as receitas até o ano correspondente à produção estab i l i zada ; b ) i nformar o reg ime de operação ( ho ra s por d i a e dias por ano ) ;
c ) anexar nenó r i a s de c á l c u l o com os c r i t é ri o s ut l l i z ados .
7. CAPACIDADE DE PAGAMENTO
Data base'
Em R$
Quant .
Em R$
SITUAÇÃO PERíODOS SEGUINTES D I S C R I M I N A Ç Ã O ATUAL
ANO I ANO 11