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Del 1: Måling av dekkekvalitet/standard på g/s-veger

4.5 Mulige metoder til objektiv måling

5.4.4 Lengdeprofilmåler

Nas últimas décadas, diversos estudos da sociologia econômica têm sugerido que a ação econômica não pode ser compreendida sem levar-se em conta que ela está inserida em estruturas sociais. Dentre as formas de considerar esse enraizamento (embeddedness) social da vida econômica, a mais influente é a análise de redes sociais. Em seu texto seminal, Granovetter (1985) apresenta a

77 análise de redes como uma terceira via em relação às duas abordagens dominantes para compreender a influência da vida social na economia. De um lado, estariam as abordagens sobressocializadas, adeptas de uma antropologia “substantivista”, que considera que na sociedade moderna a economia havia passado por um processo de crescente diferenciação e autonomização em relação a outras esferas sociais. De outro, estariam as vertentes subsocializadas, associadas à ciência econômica e que negam esse enraizamento da economia na sociedade seria maior em sociedades anteriores. Para o autor, a ação econômica estaria enraizada em redes, ou seja, um conjunto de interações sociais que definiriam os limites e as possibilidades para a ação econômica.

Essa forma de considerar a influência de aspectos sociais na vida econômica ganhou força e se difundiu rapidamente ao longo das últimas décadas, o que, segundo Boltanski e Chiapello (2009), pode ser visto como parte do processo de legitimacão do novo espírito conexionista do capitalismo. São diversas as formas como essa literatura considera a influência das redes na vida social e na ação econômica. Seguindo Emirbayer e Goodwin (1994), é possível classificar essas abordagens de acordo com a forma como elas consideram que as redes moldam a estrutura social e à medida que os autores incorporam aspectos históricos e culturais em seu modelo de agência, de forma a explicar a própria configuração das redes.

Os autores apontam a existência de duas formas distintas por meio das quais os estudiosos das redes representam as estruturas sociais. A primeira, adotada por autores como Granovetter (1985) e Burt (1992), considera que as próprias conexões diretas é que compõem a estrutura social. Nesses casos, redes densas, com muitos vínculos fortes e relativamente isoladas (cliques) facilitam o desenvolvimento de culturas coesas, com identidades coletivas fortes. “Vínculos fracos” (GRANOVETTER, 1985) conectando grupos diferentes, de forma a preencher “buracos estruturais” (BURT, 2009), podem também ser cruciais para a compreensão da dinâmica social e acesso a informações não redundantes.

78 Outros autores, dentre os quais White, Boorman e Breiger, (1976) merecem destaque, apontam que a estrutura social deriva não das relações diretas entre os vínculos, mas da existência de equivalências estruturais nas posições entre atores das redes que possuem papéis semelhantes em relação a outros elos. A visualização dessas equivalências depende do mapeamento de redes mais amplas, que abarcam diferentes tipos de relações entre os atores (multiplex). Com base na identificação das equivalências estruturais é que esses autores analisam como certos formatos de rede, certas posições e certos tipos de vínculos geram configurações sociais distintas.

Quadro 7: Estrutura e ação na análise de redes. Concepções de

estrutura Determinismo Estrutural

Instrumentalismo Estrutural

Construtivismo estruturalista

Interacional

Estudos de redes que enfatizam o papel das interações diretas na constituição das estruturas, sem levar em consideração sua constituição histórica. Ex.: Rosenthal et al (1985)

Estudos que enfatizam interações diretas e consideram os processos históricos de conformação

das redes, mas que se apoiam implicitamente em

modelos de ação racionalistas. Ex.: Gould

(1991)

Enfatizam o papel das interações diretas na constituição da estrutura e incorporam concepções de agência e cultura na análise

dos processos históricos. Ex.: McAdam (1990)

Posicional

Enfatizam o papel das equivalências estruturais

na constituição da estrutura sem levar em

consideração sua constituição histórica. Ex.:

White et al (1976).

Enfatizam equivalências estruturais e consideram os

processos históricos de conformação das redes,

mas que se apoiam implicitamente em modelos de ação racionalistas. Ex.:

Bearman (1993).

Enfatizam o papel das equivalências estruturais na

constituição da estrutura e incorporam concepções de agência e cultura na análise

dos processos históricos. Ex.: Padget e Ansell (1993) Fonte: Baseado em Emirbayer e Goodwin (1994).

Emirbayer e Goodwin (1994) apontam ainda que essas duas concepções de redes como estruturas são geralmente combinadas de três formas distintas com noções de cultura e agência na análise dos processos históricos pelos analistas das redes. A primeira forma, que os autores denominam de “determinista estrutural”, negligencia a influencia dos atores e suas representações na configuração das redes. Em seus estudos, autores como Rosenthal et al (1985) apresentam “fotos” das redes em diferentes momentos do tempo e analisam as consequências dessas configurações, sem, entretanto, buscarem compreender como essas configurações foram geradas. Uma segunda abordagem é denominada de “instrumental-estruturalista”. Nela, tende-se a aceitar a influência dos atores na

79 construção das redes, mas também se concebe a ação de forma instrumental, como se os atores buscassem sempre maximizar sua utilidade. Estudos como o desenvolvido por Gould (1991) são assim caracterizados.

Uma última perspectiva é denominada de “estruturalismo construcionista”. Trabalhos como os desenvolvidos por McAdam (1990) e Padgett e Ansell (1993) servem como referência para essa que é considerada a mais sofisticada dentre as três perspectivas. Os autores buscam articular a ideia de rede com concepções de agência e a cultura, usando as redes para explicar os fenômenos históricos e sociais e buscando compreender como elas se formam. O Quadro 7 apresenta as diferentes concepções e abordagens.

Há, portanto, uma diferença entre perspectivas eminentemente estruturais, como as enfatizadas por Burt (1992), e as estruturais que incorporam aspectos culturais e históricos das relações. Para Emirbayer e Goodwin (1994), a articulação de concepções de agência e cultura com a de rede como estrutura é fundamental para evitar o determinismo estrutural. Se por um lado é importante considerar que a estrutura das interações diretas influencia o comportamento, por outro nos parece fundamental levar em conta que os elos das redes, sejam eles indivíduos ou organizações, são em si mesmos construções históricas e subjetivas.

Como sugerido por Fourcade (2007), uma compreensão mais refinada dos processos históricos por meios dos quais as redes se configuram depende da flexibilização do imperativo anticategórico adotados. Deve-se, portanto, levar em conta as características dos próprios atores na compreensão do comportamento e considerar que os elos das redes não são todos iguais, mas possuem uma história e propriedades que os distinguem socialmente. Também é necessário levar em conta como os aspectos simbólicos guiam o comportamento dos atores e, particularmente, como eles são decisivamente influenciados pela existência de hierarquias sociais. Não se pode “jogar a água do banho com o bebê

80 fora”, negligenciando categorias clássicas da sociologia que podem contribuir para compreender “quem é quem” nas redes.

Apesar da enorme influência da análise de redes, consideramos que ela é insuficiente para compreender como os mercados de reciclagem estão enraizados em estruturas mais amplas da sociedade brasileira. As características do caso estudado fazem com que seja muito difícil explicar a configuração das cadeias de reciclagem no Brasil sem considerar outras propriedades dos múltiplos atores envolvidos e a forma como elas configuram uma estrutura hierárquica, que, em grande medida, define as suas possibilidades de ação. É preciso que seja possível relacionar as múltiplas desigualdades existentes na sociedade brasileira e de outros países “em desenvolvimento”, por exemplo, com o fato de esses mercados serem abastecidos com base no trabalho informal de uma multidão de catadores, que se dispõem a coletar, sem nenhuma garantia social, os resíduos de bens de consumo espalhados pelas cidades ou nos lixões para sobreviver.

Consideramos que uma forma mais consistente de compreender as estruturas sociais nas quais a indústria da reciclagem de PET, os setores a ela adjacentes, que analisamos no capítulo seguinte e, de forma mais geral, toda a economia brasileira está enraizada é por meio da abordagem desenvolvida por Pierre Bourdieu para a análise dos processos diferenciações dos grupos ou das classes sociais, apresentada a seguir.