Chapter 5: Drillbotics testing results
5.3 Leakage and overpressure scenarios
OBJETIVO: Saber quais são os graus de consciência que as velhas senhoras possuem acerca da problemática ambiental e das atitudes de criação da RDSE - PONTA DO TUBARÃO.
3.3.1.3 Procedimentos para a escolha dos sujeitos 1) A escolha dos sujeitos dos discursos, deve:
a) constituir um universo limitado de ação da pesquisa, onde seja possível o conhecimento de todos os elementos que o compõem;
b) permitir o conhecimento aprofundado das características de todo ou de quase todo o universo a ser pesquisado;
c) ser uma escolha intencional desses sujeitos a serem pesquisados, levando em conta suas características pessoais e ideológicas.
3.3.1.4 Aplicação (escolha dos sujeitos)
A escolha dos sujeitos representou o primeiro momento prático de aplicação do método. Essa escolha se deu pela opção de trabalharmos com mulheres de mais de sessenta anos, levando em conta suas características pessoais, ideológicas e suas práticas comunitárias as quais se integram à problemática do fato social a fim de privilegiar seus discursos sobre o tema em estudo.
3.3.1.5 Procedimentos para a realização das entrevistas
Conforme o método do DSC os procedimentos para a realização das entrevistas são os seguintes:
1) preparo do ambiente:
• considerar que a entrevista busca atender a uma pesquisa de representação social, portanto, devemos resgatar a linguagem e os pensamentos que movem as ações; que movem o mundo cotidiano e, termos cuidado para que as entrevistas não se percam. Uma entrevista não pode ser aplicada ao mesmo sujeito entrevistado, isto pode acarretar um efeito-aprendizagem;
• garantir a privacidade das entrevistas, considerando um lugar fechado, para a proteção do entrevistado e do entrevistador;
• garantir questões de qualidade técnica do material produzido, evitando ruídos e turbulências;
2) preparo do equipamento:
• o equipamento deve ser previamente testado; 3) clima da entrevista:
• como se trata de pesquisa de representação, o clima deve ser o mais informal possível;
• devemos manter o entrevistado à vontade, para que fale livremente sobre os temas propostos;
• evitar, mesmo com o clima de descontração, que a entrevista se torne uma conversa, onde emergem gestos de concordância ou discordância, ou qualquer outro tipo de indução ao sujeito entrevistado;
• o entrevistador deve manter o controle da entrevista, inclusive cumprindo, com certa facilidade, o roteiro que planejou;
3.3.1.6 Aplicação (realização das entrevistas)
As entrevistas das Velhas Mulheres foram gravadas em audiovisual (sistema digital em MINIDV), realizadas durante o VI Encontro Ecológico da RDSE – Ponta do Tubarão, no mês de julho de 2006.
Marcamos encontro com as senhoras, cada um com data precisa, em suas residências. Na preparação do ambiente da entrevista, foi perguntado a cada senhora o lugar de sua preferência para dar seu depoimento. Apenas Dodóia foi entrevistada no “rancho”, enquanto trabalhava na preparação da comida do Encontro, por sua própria decisão. As demais foram ouvidas em suas casas, cada uma em seu canto. Ao serem perguntadas, todas preferiam falar na cozinha, com exceção de Mãezinha que preferiu o terraço da entrada de sua casa. Não foram para a cozinha Dona Bebé que tem 97 anos, foi entrevistada em seu quarto e, Livinha, pois sua cozinha estava em obras.
Em cada local de entrevista, acomodamos a entrevistada no lugar de sua escolha, localizávamos a câmera, o mais discretamente possível, em sua direção e, quando a ambiência não favorecia a captação de som de qualidade pela própria câmera, acoplávamos um microfone de lapela na entrevistada. Antes de iniciarmos as perguntas e, portanto, a gravação, solicitávamos que assinassem os termos de concordância com o uso de seu depoimento nesta pesquisa científica e conversávamos sobre amenidades do cotidiano, para deixá-las à vontade. Todas assinaram os documentos, com exceção de Dona Bebé que foi representada por sua filha Lelé As senhoras, no momento das entrevistas, estavam vestidas conforme seus cotidianos, sem nenhuma produção prévia.
3.3.2 Procedimentos – tabulação dos dados
A seguir, apresentamos de modo direto e sistemático, o processo de análise do DSC, conforme o propõe Ana Maria LEFÈVRE e Fernando LEFÈVRE (2003, pp. 46-55).
Os componentes de leitura das respostas dadas ao questionário geram, por identificação, os Instrumentos de Análise de Discurso (IAD), contendo:
• Expressões-Chave (ECH) – que têm a função de destacar a essência dos depoimentos;
• Idéias Centrais (IC) – são os temas dos depoimentos, sobre os quais o sujeito está
falando: o que sente e pensa;
• Ancoragens (AC) – a manifestação lingüística de uma dada teoria ou ideologia ou
crença que aparece no discurso do informante, mas que se ancora em outra fonte, muitas vezes, contraditoriamente posta ao que pensa o sujeito do discurso.
As Ancoragens, diferentemente das Idéias Centrais que estão sempre presentes nos depoimentos, somente serão consideradas quando estiverem concreta e explicitamente presentes nesses depoimentos, o que nem sempre acontece. É importante notar que tanto a Idéia Central quanto as Ancoragens vêm das mesmas Expressões-Chave. A diferença entre a
Idéia Central e a Ancoragem é que a mesma Expressão-Chave remete tanto para o sentido mais direto do discurso, representado pela IC, quanto para a teoria, a ideologia ou a crença subjacente, representadas pela AC.
Realizada esta tabulação dos dados, temos o agrupamento dos discursos que é a condição necessária para produzir conhecimento ou entendimento, através da variabilidade individual.
3.3.3 Aplicação – tabulação dos dados
A tabulação dos dados válidos desta pesquisa obedeceu às diretrizes do método, sem alterações. No entanto, tendo sido grande o volume de textos produzidos nas entrevistas transcritas, ou seja, nas nove respostas (nove senhoras) dadas a cada uma das seis perguntas, optamos por não apresentar o IAD 1, contendo a cópia integral das entrevistas em formato de tabela como os demais. A transcrição integral destas entrevistas, de onde retiramos as Expressões-chave, será disponibilizada, nos Apêndices desta dissertação, em formato de texto.
Inicialmente, transcrevemos as entrevistas que haviam sido coletadas e gravadas e dividimos o trabalho em três etapas:
1ª) o texto foi transcrito do oral para o impresso, sem preocupações gramaticais ou formais – apenas considerando as palavras;
2ª) o texto escrito sofre uma correção a partir de uma leitura acompanhada pela assistência do vídeo. Nesta etapa, a gramática básica (ortografia e coesão textual) é considerada;
3ª) o texto corrigido é novamente submetido à leitura acompanhada, buscando-se respeitar as pausas respiratórias e a prosódia particular das entrevistadas e os regionalismos de sua fala.
É importante ressaltar que não houve nenhuma correção gramatical, no sentido de aplicação da Norma Culta da Língua Portuguesa à fala das senhoras. Não providenciamos, no momento das transcrições, nenhuma adulteração do fluxo do texto ou do sentido de algumas palavras os quais apresentem incorreções ou equívocos, de acordo com as exigências da Lingüística brasileira. Assim, consideramos que este nível de respeito às falas das senhoras, além de ético, corresponde à necessidade de aproximação com o discurso, conforme o modo material como se apresenta, para a montagem eficaz do DSC e de sua posterior análise.
3.3.3.1 Procedimentos (montagem dos IADs)
Tendo sido todas as entrevistas coletadas, gravadas e transcritas, para a tabulação dos dados, seguimos rigorosamente os seguintes passos:
1º) Analisamos isoladamente as respostas de todas as Velhas Mulheres entrevistadas. Dessa forma, o primeiro passo consistiu em copiar, integralmente, o conteúdo de todas as respostas referentes a todas as questões no IAD 1 – Instrumento de Análise de Discurso 1 que nesta dissertação aparece em formato de texto, no Apêndice 1, consoante explicação anterior;
2º) Imprimimos o IAD 1 e recolhemos as Expressões-chave de todas as respostas das seis perguntas, no texto transcrito das entrevistas, utilizando-nos do recurso gráfico do marca- texto em cor rosa, no material impresso. Para tanto, obedecemos à seguinte ordem: primeiro destacamos as Expressões-chave da questão 1, de todas as informantes, depois, da questão 2, em seguida da questão 3, e assim por diante. Com essas Expressões-chave, montamos a tabela do IAD 1 das Expressões-chave;
3) A partir da tabela do IAD 1 das Expressões-chave, identificamos em cada uma das