Chapter 3 Theory and design calculations of Drillbotics
3.4 Optimisation of drilling parameters
3.4.3 Final determinations of WOB and rotational speed
Figuras 45, 46, 47, 48, 49 e 50 – Velhas Mulheres gerando, alimentando e mantendo a vida, nos Encontros Ecológicos da RDSE – Ponta do Tubarão.
Nos Encontros Ecológicos da RDSE – Ponta do Tubarão, estivemos atentas aos movimentos das Velhas Mulheres e constatamos que, mesmo atarefadas, estavam sempre alegres. Em seus passos firmes, elas tinham algo peculiar que percebíamos, mas não conseguíamos identificar. As decisões que tomavam, sempre em grupo, não perdiam o foco central que era o bem estar da comunidade.
Nos afazeres “domésticos” dos Encontros Ecológicos, percebemos uma presença constante e “útil” dessas mulheres na condução dos trabalhos de organização, apoio, alimentação e de serviços gerais. Elas fazem o serviço pesado e apesar de trabalharem com afinco, em todo o processo, não participavam efetivamente do centro das discussões e das tomadas de decisões.
Pudemos perceber, assim, que a forte inserção que elas demonstram ter nas ações comunitárias, nos ritos de celebração religiosa, no imaginário das narrativas orais e nos serviços básicos de manutenção, não corresponde, na prática, à influência institucional que deveriam ter nos Encontros Ecológicos.
Após o II Encontro Ecológico, fomos convidadas pelas Velhas Mulheres a passar um fim de semana de lua cheia, na costa, junto a seus familiares. Na data marcada, uma sexta feira de lua cheia, chegamos à comunidade de Diogo Lopes no início da noite quando, a lua prateada iluminava o mar. Nesse clima de expectativas, unimos nossas famílias e embarcamos numa aventura para nós desconhecida.
A proposta que nós recebemos das Velhas Mulheres era passar dois dias na costa, hospedados no rancho (quatro estacas fincadas no chão batido com cobertura de palhas de carnaúba), construído um pouco distante da praia, próximo ao mangue. Explicaram-nos que, assim localizados, estávamos protegidos pela cobertura vegetal e da dissipação pelos ventos.
A proposição das senhoras nos instigou a uma ação dupla, complementar. Ao mesmo tempo em que nos aprofundávamos numa relação de afeto e intimidade, vimos esboçado o
percurso de uma observação direta e distanciada do viver concreto destas senhoras. Este procedimento nos colocou numa situação privilegiada para a pesquisa: ao mesmo tempo profunda, precisa, consciente, distanciada e crítica.
Ao atravessarmos o estuário em um barco a motor, afastando-nos da terra, o primeiro impacto que sentimos foi o da perda de contato com o espaço urbano que nos era familiar. A lua já estava alta quando chegamos à costa, entusiasmadas, deixamo-nos levar pela maravilhosa sensação que tomava conta de nós. Num misto de medo e felicidade, ajudamos a descarregar o barco. Parte da alimentação que iríamos consumir no final de semana já estava pronta, a outra parte iria ser cozida em um fogo à lenha, improvisado ao lado do rancho.
Iluminadas apenas pela luz da lua, sem água encanada, energia elétrica e celular, começamos a sentir uma paz intensa e uma alegria contagiante tomou conta de todos nós. Cantamos até tarde da noite um repertório de músicas antigas ao som do violão, ao redor de uma fogueira. Numa permanente observação, à luz da lua, começamos a perceber melhor a força intrínseca dessas Velhas Mulheres.
Nessa noite, não conseguimos dormir. Além da natural excitação, sentimos falta do conforto urbano, da proteção das paredes, da cama, pois tivemos que dormir no chão, na areia fofa da praia, na parte de dentro do rancho. Tínhamos apenas uma linha imaginária a nos separar da parte de fora do rancho. Este estar dentro, estando fora apavorou-nos e fascinou- nos, levando-nos a pensar na condição de ser da comunidade e de não-ser da comunidade; de ser mulher e de estar tentando investigar o que é ser mulher neste complexo emaranhado de significações. Esta condição reflexiva propiciou, pelo menos, pensar esta temática.
O céu, no entanto, estava límpido e, observando do canto em que nos encontrávamos, podíamos ver as estrelas, o Cruzeiro do Sul e as Três Maria, sem dificuldades, pelas brechas das palhas; sentimos vontade de registrar tudo que estávamos vendo.
Aos poucos, conquistando e sendo conquistadas, passamos a fazer parte de todos os Encontros Ecológicos e, durante seis anos, estávamos sempre, ao mesmo tempo, do lado de fora estando do lado de dentro daquele canto, dando apoio incondicional a esta comunidade.
A partir dessa proximidade social, escolhemos, dentre essas Velhas Mulheres, as que melhor representavam nossas suposições e começamos efetivamente a pesquisa, nas condições principais de uma “comunicação não violenta”.
Quando o interrogador está socialmente muito próximo daquele que ele interroga, ele lhe dá, por sua permutabilidade com ele, garantias contra a ameaça de ver suas razões subjetivas reduzidas a causas objetivas; suas escolhas vividas como livre, reduzidas aos determinismos objetivos revelados para análise. Por outro lado, encontra-se também assegurado neste caso um acordo imediato e continuamente confirmado sobre os pressupostos concernentes aos conteúdos e às formas da comunicação: esses acordos se afirmam na emissão apropriada, sempre intencional, de todos os sinais não verbais, coordenados com os sinais verbais, que indicam quer como tal o qual enunciado deve ser interpretado, quer como ele foi interpretado pelo interlocutor. (BOURDIEU, 1997, p. 697).
Quando resolvemos voltar nosso olhar para o fato social do rito da criação, foi de bom grado que todas as mulheres disponibilizaram-se a colaborar com nosso trabalho; estão sempre prontas a atender qualquer solicitação de esclarecimentos que precisarmos. O trabalho que desenvolvemos, cumpriu um caminho de diálogo entre “objeto” e “sujeito”; realizou um trajeto de experimentação, reflexão e discussão, que lhe foi necessário, tendo o DSC, por vezes, sido apresentado às informantes.