3.0 Lara er født (1996-2000)
3.0.1 Laras biografi (ca. 1996)
Em observação aos objetivos da pesquisa, inicialmente buscou-se identificar a forma como o tema da competitividade era tratado pelos entrevistados. Assim sendo, foi questionado aos mesmos o que cada um compreendia por competitividade de uma cidade.
O entrevistado 5 atribui a ideia de competitividade à capacidade de uma cidade em gerar benefícios, serviços e outros fatores econômicos que favoreçam a instalação de empresas na cidade. O entrevistado 6 verifica a existência de mais algumas questões relacionadas à competitividade, como as econômicas, políticas e sociais. Além disso, ele ressalta o contexto regional e o social nos quais as cidades estão inseridas, como grandes propulsores para a competitividade.
Em complemento, é salientada a importância da localização geográfica, os bens naturais, a facilidade de acesso e a possibilidade de coordenação de atividades junto às cidades próximas para o aproveitamento mútuo de potencialidades.
O entrevistado 7 observa a competitividade como “a capacidade da cidade em atrair investimentos e pessoas”, a exemplo do entrevistado 6, ele enfatiza a importância dos recursos naturais e as possibilidades de promoção da competitividade das cidades devido ao seu posicionamento geográfico em relação aos acessos rodoviários, ferroviários e fluviais. O entrevistado 8, como o entrevistado 7, acredita que a competitividade das cidades está na sua capacidade de atrair investimento e pessoas; contudo, acrescenta a capacidade de manter e desenvolver os investimentos e pessoas que já estão fixadas na cidade
O entrevistado 9, de acordo com o contexto da cidade na qual ele está sediado, verifica a competitividade como “a capacidade de desenvolver uma infraestrutura adequada para que as pessoas se fixem na cidade”. A ressalva apresentada pelo mesmo, é baseada na ideia de que a cidade em questão possui um excedente de empregos e, por isso precisa procurar formas de atrair e fixar as pessoas nessa cidade, o que inclui modos de integração de novas culturas, religiões, normas sociais, bem como outros fatores que contribuam para esse fim.
O entrevistado 10 ressalta a importância da localização geográfica da cidade como fonte de competitividade. Cabe ressaltar que a cidade em questão é uma cidade histórica e fronteiriça, a capacidade de diferenciação de uma cidade frente às demais, ou seja, a sua
capacidade de desenvolver suas potencialidades, sejam essas relacionadas à sua localização geográfica, identidade histórica, dinamismo comercial, turismo ou agropecuária, é que torna essa cidade mais competitiva que as demais, inclusive sob aspectos regionais ou ainda mais abrangentes (estado, nação, internacionalmente).
O entrevistado 11 observa a competitividade das cidades em consonância com a ideia de eficiência da gestão pública. Segundo sua opinião a competitividade depende da capacidade do poder executivo em incentivar a implantação de novos investimentos. Já o entrevistado 12 verifica a competitividade como “a capacidade do poder público em atrair investimentos para a cidade”, contudo ressalta a participação das empresas e dos empresários nesse contexto, baseando-se na ideia de aumento da competição entre as empresas e considerando que a atração de novos investimentos seria capaz de acirrar, ainda mais, a competição entre as empresas já sediadas na cidade.
De acordo com as abordagens dos entrevistados, é possível perceber uma relação entre a competitividade das cidades e as pessoas, empresas, investimentos e a capacidade da gestão pública. Dessa maneira, é possível compreender a competividade das cidades como uma forma de aproveitamento da localização geográfica e sinergia com o patrimônio natural, para que, em conjunto com o oferecimento de benefícios, incentivos e serviços, a cidade seja capaz de agregar, desenvolver e manter novas pessoas, empresas e investimentos, propiciando, assim, uma melhor qualidade de vida para as pessoas que estão sediadas em determinadas cidades.
A definição exposta pela reunião das abordagens dos atores sociais está em consonância com a utilizada no presente trabalho (Capacidade de articulação de fatores com o objetivo de atrair e desenvolver uma estrutura adequada para a promoção do desenvolvimento, item 2.2.1). Além disso, é possível compreender as abordagens apresentadas pelos atores sociais como um complemento à noção de competitividade utilizada. A fim de melhor compreender o tema da competitividade exposto pelos atores sociais, os entrevistados foram questionados a respeito de quais fatores interferem na competitividade das cidades.
Neste sentido o Quadro 37 (Percepção dos atores sociais sobre a competitividade, p.95) demonstra a intepretação dos atores sociais entrevistados a respeito da competitividade, permite verificar as relações entre as respostas e apresenta os fatores apontados.
Com base na exposição dos fatores apontados pelos atores sociais, é possível perceber que alguns se tornam mais expressivos que outros, como no caso da Infraestrutura, Economia e Emprego, que foram citados por 4 entrevistados.
Quadro 37 - Percepção dos atores sociais sobre a competitividade das cidades.
Entr. Foco Meios Fatores
5 Instalação de
empresas.
Geração de benefícios e serviços.
Infraestrutura, questão econômica, a questão cultural e social. 6 Benefícios econômicos, políticos e sociais. Contexto regional,
aproveitamento de bens naturais, capacidade logística,
coordenação com outras cidades.
Política econômica não só da cidade como da região, Localização geográfica, Infraestrutura, logística de transporte seja ele ferroviário seja ele rodoviário ou fluvial. Vocação da região,
formação de pessoal, geração de energia, cultura no município, cultura da região e elementos naturais de que cada cidade dispõe.
7
Atração de investimentos e pessoas
Fornecimento de condições estruturais para a atração de pessoas e empresas.
Emprego, saúde, educação, energia, localização, infraestrutura, logística, recursos naturais, empresas já instaladas. 8 Atração, manutenção e desenvolvimento de investimentos e pessoas.
Autossustentação para promover maior qualidade de vida para as pessoas que habitam a cidade.
Emprego, renda, formação profissional, gestão pública eficiente, novos Investimentos e qualidade de vida. 9 Atração, manutenção e desenvolvimento de investimentos e pessoas.
Formas de integração cultural e
social. Emprego, empresas já instaladas, infraestrutura.
10 Diferenciação frente
às demais.
Localização geográfica, contexto histórico, capacidade comercial, turística e agropecuária.
Localização, economia, patrimônio histórico e arquitetônico, cultura, emprego, possuir um diferencial em relação as cidades da região.
11 Eficiência da gestão
pública.
Oferecimento de incentivos para a promoção de investimentos.
Malha viária, incentivos fiscais, atração de novos investimentos, qualificação da mão-de-obra e localização.
12
Eficiência da gestão pública e do contexto empresarial local.
Acirramento da competição entre as empresas.
Eficiência da Gestão pública, Empresas já instaladas, PIB e Promoção da concorrência entre as empresas da cidade.
Fonte: Elaborado pelo autor com base no instrumento de pesquisa utilizado.
Os fatores Cultura, Localização Geográfica, Logística de transportes, Formação profissional e Empresas já instaladas foram citados por 3 entrevistados. Já os fatores Energia, Elementos naturais, Gestão pública e Novos investimentos foram citados por 2 entrevistados.
A quantidade de entrevistados que citaram o mesmo elemento é capaz de determinar a relevância de cada fator, pois considera-se que cada respondente possui como embasamento o seu próprio contexto social e o contexto da cidade em que está inserido. Os demais fatores apesar de terem sido citados apenas por um dos entrevistados, demonstram sua relevância na medida em que são capazes de complementar os outros fatores que foram citados mais vezes. A Figura 9 (Elementos da competitividade pelos atores sociais, p.96) apresenta a relação de elementos conforme a quantidade de citações pelos entrevistados.
Figura 9 - Elementos da competitividade pelos atores sociais
Fonte: Elaborado pelo autor