• No results found

Kjønnsperspektiv

In document Rebooting feminism (sider 18-21)

O Quadro 35 (Caracterização das cidades pesquisadas, p.88) apresenta a caracterização das cidades pesquisadas. As informações deste quadro são baseadas na reunião de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) do ano de 2007 e FEE (Fundação de Economia e Estatística) do ano de 2010

Quadro 35 - Caracterização das cidades pesquisadas.

CIDADE LOCALIZAÇÃO No Estado do RS POPULAÇÃO (IBGE, 2007) PIB (R$ 1 mil) (FEE 2010)

PIB (per capta R$1,00) (FEE 2010)

Estrutura do Valor Adicionado Bruto (%) (FEE 2010)

Agropecuária Indústria Serviços A Campanha 8.771 hab. 322.688 36.769 8,46 59,84 31,7 B Sul 53.259 hab. 597.312 11.213 25,11 8,29 66,6 C Sul 27.931 hab. 427.919 15.315 30,42 8,79 60,79 D Sul 6.227 hab. 78.560 12.608 22,11 29,17 48,73 E Serra 8.840 hab. 385.445 43.602 12,87 56,12 31,02 F Sul 7.811 hab. 90.700 11.603 30,48 10,78 58,74 G Sul 328.275 hab. 4.564.464 13.925 3,18 19,05 77,77 H Sul 12.780 hab. 187.240 14.643 22,91 24,54 52,55 Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do IBGE (2007) e FEE (2010)

Além da observação do contexto econômico das cidades pesquisadas, cabe ressaltar a importância de algumas questões históricas e culturais, tais como a origem das pessoas que as habitam, as necessidades comerciais, de serviços e demais questões estruturais para as quais as atividades realizadas nessas cidades visam oferecer suporte.

Conforme abordado, uma região é um composto formado por vários aspectos como os naturais, econômicos, sociais, culturais e históricos. Com isso, Bassan e Siedenberg (2008) definem uma região como um local com características naturais específicas, onde, ao longo do

processo de formação histórico-cultural, concebeu-se uma identidade regional própria, influenciada por identificações sociais, econômicas e políticas.

Com esse embasamento, é possível analisar a metade sul do Estado do Rio Grande do Sul sob características naturais, sociais e culturais específicas que estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento econômico da região e ao seu atual estado de estagnação, assim como as mesmas características, em seus devidos contextos, são capazes de determinar o desenvolvimento das cidades da metade norte do Estado.

Nessa corrente, compete ressaltar que a ocupação do território gaúcho teve início com os grupos indígenas pré-históricos que viviam nessa região há cerca de 10.000 a.C. A partir do século XVI, ocorreram as primeiras investidas de Portugal e Espanha nessa região e, com isso, a colonização desse território, que se deu com o estabelecimento de diferentes culturas e grupos étnicos, os quais trouxeram consigo características relacionadas a suas nações de origem (atividades econômicas, densidade demográfica, tamanho das propriedades, sistemas produtivos, identidades culturais e outras), estabelecendo, assim, diferentes formas de exploração do território e determinando a diversidade cultural que marca a identidade gaúcha nos dias atuais.

O início da exploração do território gaúcho deu-se pelos jesuítas a serviço da coroa espanhola. Eles se fixaram na região conhecida hoje como Missões. Os missioneiros jesuítas agregaram as comunidades indígenas em reduções, onde praticavam a agricultura, posteriormente, foram introduzidos os gados bovino e ovino. Nesse período, os bandeirantes, na busca por escravos para as empresas e para a agricultura de São Paulo, sentiram-se atraídos pelo surgimento desse novo centro econômico. Como consequência dessa busca, a sociedade estabelecida na região das missões foi dizimada.

Um século após, os portugueses, embasados em sua estratégia militar de ocupação dos territórios ao sul da colônia, passaram a aplicar o sistema de doação de sesmarias nas áreas fronteiriças entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, com o objetivo de apossarem-se da região e defender as terras ao sul da colônia das investidas espanholas. A apropriação militar da terra, como se assistiu, foi acompanhada da expansão econômica da pecuária sulina, oportunizando o enriquecimento de sua camada senhorial. O fortalecimento dessa camada de pecuaristas tendeu a se expressar também no plano político-administrativo (PESAVENTO, 1985).

O norte do Rio Grande do Sul foi explorado basicamente através da ampliação das áreas coloniais alemãs e italianas, e da chegada de novos grupos étnicos a partir de 1900, como russos, poloneses e suíços. A produção diversificada das pequenas propriedades criou

uma distribuição de renda menos concentrada, resultando em uma rede urbana formada por pequenos núcleos próximos entre si. Assim, a colonização ítalo-alemã se concentrou na Metade Norte do Estado, ocupada principalmente por agricultores familiares e artesãos a partir de meados do século XIX e, posteriormente, por seus descendentes, caracterizando uma estrutura fundiária baseada na agricultura familiar em pequenos lotes (BROSE, 2000).

Costa (1988) informa que os municípios maiores caracterizam-se também por serem os mais antigos do Estado. Associando densidade demográfica, estrutura fundiária e vegetação, é possível evidenciar contrastes muito nítidos entre as duas metades do Estado do Rio Grande do Sul: Metade Sul, com grandes e poucos municípios, contrapondo-se à Metade Norte, que apresenta uma malha municipal repleta de pequenas unidades territoriais a partir do norte de Porto Alegre e por todo o centro-norte do Estado.

Além das formas de ocupação do território, o capital social, conjunto de relações e redes de auxílio mútuo, que podem ser efetivamente mobilizados para favorecer o indivíduo ou sua classe social, também colaborou para as desigualdades regionais no Estado do Rio Grande do Sul. Conforme Bourdieu (2000), o capital social é propriedade do indivíduo e de um grupo, é a base e a acumulação de um processo de união que possibilita às pessoas mais bem dotadas e situadas terem êxito na competição social.

Becker e Bandeira (2000) identificam que os traços culturais são relevantes para que os membros de uma localidade tornem-se propensos a colaborarem na solução de problemas de interesses em comum. Desse modo, observa-se que, na mesorregião sul, os traços sociais e culturais, marcados pela estrutura fundiária e o dinamismo demográfico, tornam o capital social com características diferenciadas da mesorregião nordeste.

Em sequência, Becker e Bandeira (2000) afirmam que a identidade regional e o capital social são resultado de interações políticas, sociais e culturais ocorridas ao longo da história, e são eles (identidade regional e o capital social) que geram a consciência nos habitantes de um território, no sentido de que, apesar das diferenças e divergências que os dividem, eles possuem afinidades e interesses em comum. A reunião de vários fatores (históricos, culturais, econômicos, políticos, naturais e outros) é capaz de evidenciar as formas de desenvolvimento aplicadas nas cidades e, dessa maneira, ditar uma maneira de pensar a respeito do papel dos governos, empresas e sociedade civil na competitividade e sustentabilidade dessas cidades.

Entretanto, a agregação de fatores propostos neste estudo, em observação aos potenciais fatores de interferência das formas de articulação de elementos para a promoção da competitividade nas diferentes cidades, tem por objetivo explorar a influência dos elementos

apontados na competitividade e sustentabilidade das cidades, bem como as possíveis relações existentes entre eles.

Assim sendo, esses fatores de influência, potenciais interventores no modo de verificar, ou de pensar, dos entrevistados sobre a importância dos elementos abordados na pesquisa, apresentam-se como uma forma de fortalecer a análise dos elementos propostos, tendo em vista que, apesar das diferentes maneiras de abordar os temas elencados pelos atores sociais e especialistas, a reunião das abordagens dos entrevistados é capaz de evidenciar a relevância e a relação entre esses elementos, mesmo, em contextos diferentes.

In document Rebooting feminism (sider 18-21)