O próximo questionamento feito aos especialistas é a respeito da possibilidade de uma cidade ser competitiva e sustentável ao mesmo tempo. O entrevistado 1 pensa que é possível, para ele, se uma cidade se torna competitiva e possui responsabilidade com as questões sociais e ambientais, cada vez mais ela se torna mais atrativa para que novas pessoas
e empresas se instalem, gerando, com isso, um ciclo capaz de manter a cidade competitiva por mais tempo. De acordo com ele “a sustentabilidade preserva a competividade”.
O entrevistado 2 acredita que, além de uma possibilidade, a união da competitividade e da sustentabilidade nas cidades é o desejável. Segundo ele: “O que se espera é que as cidades sejam sustentáveis, e que essa sustentabilidade seja capaz de atrair e reter investimentos”.
O entrevistado 3 observa essa questão em similaridade ao entrevistado 2. De acordo com ele, “a cidade, sendo sustentável, ela vai ser mais competitiva”. O mesmo ocorre com o entrevistado 4, para ele, “se a cidade não for competitiva e sustentável, ela não estará cumprindo o papel dela”.
A análise conjunta das abordagens dos especialistas sobre a da competitividade e sustentabilidade das cidades permite concluir que ambas, no contexto das cidades, estão relacionadas mutuamente, seja como forma de autor reforço, uma promovendo a outra, ou como forma de oferecimento de condições para o desenvolvimento de ambas.
As abordagens dos especialistas colaboram com o enfoque do estudo em tela, visto que o mesmo destina-se a observar os elementos que influenciam na competitividade e na sustentabilidade de forma conjunta, ou seja, se as noções de competitividade e sustentabilidade estão relacionadas entre si. Como exposto pelos especialistas, é possível, então, realizar verificações que busquem analisar elementos comuns aos dois temas e, assim, observa-los de maneira conjugada.
O Quadro 54 (Competitividade e sustentabilidade pelos especialistas entrevistados, p.155) reúne as citações dos entrevistados acerca da possibilidade de uma cidade ser competitiva e sustentável ao mesmo tempo.
Quadro 54 - Competitividade e sustentabilidade pelos especialistas entrevistados.
Entrevistado Resposta Meios
1 Sim “A sustentabilidade preserva a competividade”
2 Sim “O que se espera é que as cidades sejam sustentáveis, e que essa sustentabilidade seja capaz de atrair e reter investimentos”
3 Sim “A cidade sendo sustentável ela vai ser mais competitiva”
4 Sim “Se a cidade não for competitiva e sustentável, ela não estará cumprindo o papel dela”
4.4.1.4 Dimensão sistêmica
Em continuidade ao roteiro de entrevistas, os especialistas foram questionados a respeito das vinte e seis categorias reunidas em cinco dimensões. A primeira dimensão de análise é a Sistêmica, que reúne as categorias Economia interna e Economia externa.
A respeito da economia interna, o entrevistado 1 acredita que ela influencia na competitividade e na sustentabilidade das cidades porque, de acordo com ele, as condições de para que os projetos sejam aplicados nas cidades partem da premissa econômica, principalmente da observação da economia interna da cidade.
Acerca da economia externa, o entrevistado verifica que esta também é uma categoria importante pelo mesmo motivo. Contudo, para ele, a economia externa está atrelada ao potencial dos relacionamentos dos gestores das cidades com os gestores das outras cidades, do Estado e da nação.
O entrevistado 2 afirma que a economia interna determina a capacidade da cidade em manter seus níveis de competitividade e sustentabilidade. Apenas cidades que possuem economia suficientemente estruturada, podem ser capazes de realizar investimentos.
Conforme esse entrevistado, a economia externa influencia na competitividade e sustentabilidade das cidades porque ela é capaz de interferir na economia interna das cidades.
O entrevistado 2 exemplifica seu ponto de vista, utilizando o caso do produtor rural da metade sul do Estado do Rio Grande do Sul.
Para ele, quando barreiras internacionais são impostas aos produtos dessa região, os produtores rurais que estão nas cidades, são afetados. Logo, a economia externa, ou seja, que está fora da cidade e, nessa situação a internacional, realiza interferências na economia da cidade, portanto, na economia interna.
O entrevistado 3 observa que a capacidade de articulação de fatores para a promoção do desenvolvimento da cidade está condicionada a uma avaliação econômica interna da cidade. Por esse motivo, ele acredita que a categoria em apreciação interfere no contexto proposto.
Sobre a economia externa, o entrevistado verifica que ela é importante, por apresentar os fatores que podem interferir na economia da cidade. O entrevistado 3 acrescenta que a relevância da dimensão Sistêmica está na necessidade de realizar verificações internas a respeito da economia da cidade e, também, na necessidade de verificar as possíveis interferências ambientais nessa questão.
O entrevistado 4 pensa que a análise da economia interna deve ser baseada no resultado econômico que a cidade gera, para poder reinvestir no desenvolvimento social ou na preservação ambiental. Desse modo ele observa que a economia interna é a condição básica para manter a competitividade e a sustentabilidade das cidades.
Sobre a economia externa, o entrevistado 4 acredita que a lógica empregada leva ser a mesma. Para ele, enquanto a economia interna mostra o resultado da cidade na eficiência em criar recursos, a economia externa ajuda a cidade na alavancagem de seus recursos ou em alguns casos, a proíbe.
O entrevistado exemplifica seu ponto de vista, citando a região do Pará. Segundo ele no Pará, existem muitos recursos naturais relacionados à extração de minério.Com isso a economia interna daquela região é bem desenvolvida, dada a atividade realizada, porém, conforme o entrevistado 4, é preciso verificar até que ponto os agentes externos, que possuem a capacidade de exportação, não expoliam e realizam o extrativismo na região, ou seja, a interferência da economia externa na economia interna das cidades se dá de forma positiva ou negativa. Por essa razão as categorias influenciam na competitividade e na sustentabilidade das cidades.
A reunião das abordagens dos entrevistados permite observar que a economia interna de uma cidade é importante para o contexto de análise proposto, visto que ela é capaz de apoiar o desenvolvimento econômico, social e ambiental de uma cidade. Já, a economia externa deve ter influência, na medida em que sua interferência na economia interna acontece de forma direta.
Assim sendo, a dimensão Sistêmica tem relevância para a competitividade e sustentabilidade das cidades porque, além de permitir a análise da conjuntura econômica da cidade, ela proporciona a averiguação da interferência de questões econômicas que estão fora das cidades.
Todos os especialistas entrevistados foram questionados quanto à da necessidade de inserir novas categorias na dimensão Sistêmica. Nesse sentido, o entrevistado 1 verifica a necessidade de inserir considerações a respeito da capacidade de inovação nas cidades. Para ele, a capacidade de inovação e a criatividade das pessoas de uma comunidade, incluindo os gestores da mesma, é capaz de oferecer ganhos econômicos para as cidades.
Os demais entrevistados não verificaram a necessidade de inserir novas categorias nessa dimensão. Destaca-se que o entrevistado 2 ressalta a interferência das questões culturais na economia da cidade, observando a existência dessa categoria em outra dimensão de análise, ele descarta a inserção dela nessa dimensão.
A reunião das abordagens dos especialistas entrevistados a respeito da dimensão Sistêmica pode ser observada no Quadro 55 (Dimensão Sistêmica de acordo com os especialistas entrevistados, p.158).
Quadro 55 - Dimensão Sistêmica de acordo com os especialistas entrevistados
Entrevistado Influência Meios Influência Meios
1 Sim
As condições para que os projetos sejam aplicados nas cidades partem da premissa econômica.
Sim
A economia externa está atrelada ao potencial dos relacionamentos dos gestores das cidades com os gestores das outras cidades, do Estado e da nação.
2 Sim
Determina a capacidade da cidade em manter seus níveis de competitividade e
sustentabilidade.
Sim É capaz de interferir na economia interna das cidades.
3 Sim
A capacidade de articulação de fatores para a promoção do desenvolvimento da cidade está condicionada a uma avaliação econômica interna da cidade.
Sim Ela apresenta os fatores que podem interferir na economia da cidade.
4 Sim
É a condição básica para manter a competitividade e a sustentabilidade das cidades.
Sim Ajuda a cidade na alavancagem de seus recursos ou, em alguns casos, a proíbe.
Fonte: Elaborado pelo autor com base no instrumento de pesquisa utilizado.