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2 Marco teórico

2.2.5. La implementación del AICLE en las Islas Baleares

Nesta seção, entrar-se-á, efetivamente, na análise das introduções das teses de doutorado, pois, coube ao primeiro momento situar a gênese institucional dos espaços

pós-graduados em que produziram suas teses e consolidaram sua formação de pesquisadores.

É de considerável importância que se tenha em vista alguns conceitos, primeiro, O que é uma tese? O que a difere da dissertação? Tendo em vista, que ambas são produtos de pesquisas elaboradas na Pós-Graduação Stricto Sensu. Umberto Eco (2008), autor italiano, elaborou uma obra intitulada Como se faz uma tese aos pesquisadores, aos docentes pesquisadores e aqueles que se percebem envolvidos por essa prática. Sua leitura traz contribuições atuais e significativas. Embora, a classificação que o autor elabora acerca do que é uma tese seja bastante consensual: Uma tese consiste num trabalho datilografado, com extensão média variando entre cem e quatrocentas laudas, no qual o estudante aborda um problema relacionado com o ramo de estudos em que pretende formar-se (ECO, 2008, p.1).

Na visão do autor não se identifica ainda o que difere esse produto científico da dissertação desenvolvida nos Cursos de Mestrado e a tese nos Cursos de Doutorado. Severino (2009) segue nessa empreitada:

Pode-se identificar algumas diferenças entre a tese de doutorado e a dissertação de mestrado, em que pese tratar-se, no caso de ambas, de um mesmo processo demonstrativo, de cunho científico e monográfico. Espera-se, no entanto, da tese de doutorado uma contribuição suficientemente original a respeito do tema pesquisado, representando um avanço na área. O mestrado, tratando-se, em nosso contexto, de trabalho ainda vinculado a uma fase de formação científica, sendo um exercício diretamente orientado, primeira manifestação de trabalho pessoal sistemático de pesquisa, admite trabalhos sob a forma de monografias de base, trabalhos de sistematização de idéias. (p. 24)

Os argumentos descritos por Severino (2009), possivelmente, remetem ao fato de autores como Saviani (2000) considerarem o Doutorado a consolidação da formação dos pesquisadores, o que é muito coerente, para os níveis de exigência e maturidade intelectual exigida nos diferentes graus.

Na segunda edição do grande clássico Metodologia do Trabalho Científico Severino já atribui à tese a noção de monografia científica:

Tanto a tese de doutorado como a dissertação de mestrado são, pois, monografias científicas que abordam temas únicos delimitados, servindo-se de um raciocínio rigoroso, de acordo com as diretrizes lógicas do conhecimento humano, em que há lugar tanto para a argumentação puramente dedutiva, como para o raciocínio indutivo baseado na observação e na experimentação. Há, portanto monografias para obtenção do grau de doutor, monografias para a

obtenção do grau de mestre e monografias de conclusão de curso de graduação. (2000, p. 152).

Para Severino (2000), a análise temática é a compreensão do texto, determinando o tema-problema, logo, sua delimitação decorre de um raciocínio que se ancora na lógica do conhecimento humano que vai se esquematizando na seqüencia das idéias construídas. Portanto, neste momento, interessa identificar a temática escolhida pelos pesquisador quando da elaboração de suas teses.

Além disso, Eco (2008) afirma que: trabalhando-se bem, não existe tema que seja verdadeiramente estúpido. Ou seja, todo o tema tem seu valor se trouxer conclusões úteis e pertinentes para o campo eleito com a sua contribuição.

Foram coletadas as dezoito introduções das teses dos sujeitos em observância, mas apenas dezessete serão analisadas, uma vez que se optou pela não tradução da tese em francês defendida na Université Dês Sciences et Tecnologies de Lille – France no ano de 1994. Essa decisão fica respaldada por dois extremos, primeiro, a proficiência de língua estrangeira da pesquisadora em formação é em inglês e não francês, não podendo assim ler o material com total clareza e compreensão, segundo, entende-se que a tradução feita por outrem poderia produzir limitações para a análise, bem como para o que diz de fato o texto original, ainda sobre isso, Eco (2008) afirma que Tradução não é fonte: é uma prótese, como a dentadura ou os óculos, um meio de atingir de forma limitada algo que se acha fora do alcance. Para não incorrer no risco de não apreender a introdução como se pretende, optou-se então por não analisá-la considerando essas razões.

Portanto, para efeito de análise, considerar-se-á uma classificação para a identificação dos pontos relevantes para a dissertação, ainda nesse tópico o que importa é a captura das temáticas escolhidas pelos pesquisadores. Tendo em vista significativo número de dezessete introduções, elas foram ordenadas em duas categorias: categoria A’ (introduções dos pesquisadores da Linha de Currículo e Formação de Professores), categoria B’ (introduções dos pesquisadores da Linha Políticas Públicas Educacionais).

Para a categoria A‟ têm-se dez introduções, e para a categoria B‟ sete. Desse modo, a temática de cada tese, ficou identificada nas tabelas 5 e 6:

TABELA 5. Temática das introduções categoria A‟ INTRODUÇÃO TEMÁTICA 1A Políticas Curriculares 2A Representações Sociais 3A Subjetividades, Gênero e Sexualidade

4A Discurso narrativo da criança

5A Políticas curriculares

6A Corpo

7A Política Educacional

8A Cultura e Educação

9A Educação Física Escolar

10A Formação de Professores

Nas dez introduções analisadas, os autores apresentam as mais variadas temáticas, o pesquisador 1A e 6A indicam as políticas curriculares como tema de suas teses, além deles o décimo pesquisador informa que a sua produção vem compor aquelas na área da formação de professores, os demais sujeitos expõe uma diversidade de abordagens que os consolida no campo de estudos de Currículo e Formação de Professores. Na tabela 6, essa variedade de temática identifica uma linha de trabalho que relativiza a produção de cada pesquisador dentro de algumas abordagens, pois a consolidação de um estudo dentro de um tema, retrata a incidência de estudos anteriores no mesmo.

TABELA 6. Temática das introduções categoria B‟

INTRODUÇÃO TEMÁTICA 1B Trabalho e Educação

2B Educação e Sustentabilidade Ambiental

3B Política Educacional

4B Pedagogia das Competências

5B Financiamento da Educação Básica

6B Gestão Escolar

7B Políticas da Educação Superior

A tabela 5 e 6 representam as temáticas prediletas de pesquisa desses pesquisadores, a partir dessa classificação por tema e as temáticas/campos de atuação desses docentes dispostas no Currículo Lattes, depreende-se que a produtividade científica gira em torno dessas temáticas e de outras que se aproximam delas. Em algumas introduções, os pesquisadores narram que a opção por dada temática traduz a continuidade de estudos concluídos anteriormente no Mestrado, o que reforça a idéia de consolidação não só de formação, mas de excelência e aprofundamento em uma área científica direcionada aos fenômenos educacionais, mesmo quando se observa os três

casos que realizaram os seus doutorados em outras áreas, notou-se que eles direcionam o objeto de estudo para a educação.

A identificação da temática exigiu idas e vindas na leitura e análise das introduções, pois, assim como outros aspectos que devem compor este momento da tese, não foram identificados numa primeira análise. Tratando-se de outros pontos em algumas introduções deixaram de ser percebidos por não constar de fato ao longo dos textos examinados, uma observação, diga-se de passagem, minuciosa que desencadeou muito tempo e cuidado da pesquisadora em formação para o tratado com a fonte.

As temáticas prediletas identificadas em suas teses compõem a linha de pesquisa que esses sujeitos desenvolvem e orientam como professores do Programa. A consolidação de uma formação também revela o encantamento por um campo temático dentro do universo de estudos desenvolvidos pelos pesquisadores educacionais.

Embora, tenha-se visualizado em outros momentos que o trabalho do docente na Pós-Graduação vem se delineando desde meados da década de 1960 por prescrições oficiais como o Parecer Sucupira de 1965, observa-se que a Linha de Pesquisa assumida e consolidada como frente de trabalho desses sujeitos revela um grau de autonomia dentro desse cenário constituído por marcos regulatórios.