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Mindre gode besvarelser i TIMSS 1995

6. RESULTATER

6.2 TIMSS 1995

6.2.2 Mindre gode besvarelser i TIMSS 1995

Nesta seção, sintetizamos as ideias discutidas neste capítulo que segue uma lógica de pensar as bases do pensamento do Círculo de Bakhtin, partindo das reflexões sobre Ciências Humanas ao discurso de outrem:

1. Ciências humanas

 Quanto às Ciências humanas, ratificamos que Bakhtin se via como um pensador e não como um cientista, preso à positividade e à modelização formal, mas se colocava fora de uma racionalidade propriamente científica e desenvolvia um pensar mais livre, transcendendo as fronteiras de disciplinas e metodologias estabelecidas. Os textos do Círculo de Bakhtin, em nenhum momento, apresentam uma formalização de método científico, porém diretrizes para conhecermos melhor o objeto estudado. Nesse sentido, requer atenção ao investigador de não

transformar categorias filosóficas em categorias científicas, em categorias de método, em especial a polifonia, o diálogo, a carnavalização.

 O objeto das ciências humanas é o “ser expressivo e falante”, ou seja, o objeto da pesquisa é objeto falado, é o próprio texto fazendo um duplo movimento: como resposta ao já dito e também sob o condicionamento da resposta ainda não dita, mas solicitada e prevista, assim o objeto também é falante ao explicar e compreender.

 As bases do pensamento do Círculo são construídas a partir da crítica às duas tendências vigentes nos anos vinte do século passado: a estilística clássica que se baseia no idealismo e o estruturalismo situado nos estudos do sistema abstrato. Bakhtin/Volochínov (1929/1981, p. 124) defenderam que “a língua vive e evolui historicamente na comunicação verbal concreta, não no sistema linguístico abstrato das formas da língua nem no psiquismo individual dos falantes”. Fatores históricos, sociais, situações e condições em que ocorrem a fala são incluídos nessa teoria sobre o funcionamento da linguagem. Os autores elaboram o primado do dialogismo na linguagem, que passa a ser vista como sócio-ideológica, cuja unidade fundamental é o diálogo.

 A palavra assume um sentido em cada contexto, fato que mostra o caráter polissêmico e plurivalente que ela comporta pela natureza dialógica da linguagem. Para Bakhtin, são tantas as significações quantos forem os contextos, que não estão prontos, mas sempre em situação de interação.

 Bakhtin define o texto como um tecido de muitas vozes que se entrecruzam, completam-se e respondem uma às outras ou polemizam entre si no seu interior e o coloca no centro de suas investigações sobre o homem. O enunciado é um todo inseparável, um ato, em uma cadeia discursiva, o texto é um encadeamento discursivo. Essa visão que vincula os enunciados às esferas de atividade humana evidencia não só o dialogismo da linguagem, como explica a multiplicidade de gêneros e, consequentemente, de sentidos que um texto apresenta.

2. Concepção dialógica de Linguagem

A concepção de linguagem bakhtiniana – entendida como processo de interação social – fundamentada em três princípios essenciais:

 Diálogo com o outro: relaciona-se à ideia de sujeito social, histórica e ideologicamente situado, que se constitui na interação com o outro.  A unidade das diferenças: noção de que a linguagem é heterogênea e,

por isso, marcada pela presença do outro. Nesse caso, essa heterogeneidade é marcada de forma sutil pelo locutor, que fará com que o texto adquira uma determinada unidade, seja pela harmonia das vozes (polifonia) ou pelo apagamento das vozes discordantes (monofonia).

 Discursividade – simples e complexa: essa terceira questão refere-se aos gêneros do discurso e é consequência das duas primeiras, pois sua definição pressupõe também uma concepção de linguagem assentada no princípio da interação social.

3. Gênero e cultura acadêmica

 Quanto ao gênero discursivo, são igualmente determinados pela especificidade de um determinado campo da comunicação que elabora “seus tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN, 2010a, p. 262), com predomínio do coletivo, do social sobre o individual e o subjetivo. Quanto maior for o conhecimento das formas discursivas na academia, maior será a liberdade de uso dos gêneros, o que representa uma postura ativa do graduando para efeitos comunicativos e expressivos, que depende muito mais do contexto comunicativo e da cultura do que da própria palavra.

 A escrita acadêmica responde a um conjunto de critérios de aceitabilidade que definem, muitas vezes, o estilo do gênero dentro dos padrões que buscam dar uma unidade à escrita das pesquisas, pensados em uma escala comunicacional que se estende para além da interação do dito e envolve o não dito da enunciação concreta social e culturalmente configurada.

 Entender a cultura acadêmica como desestabilizadora de uma ordem cultural; a linguagem como uma manifestação viva de uma rede de vozes que vive do presente, mas recorda o seu passado e se projeta para um futuro. Em cada esfera, há um repertório de gêneros que se desenvolve e se complexifica à própria esfera, formando uma cultura híbrida e plural, mas que busca através das normas uma unidade, que facilita a comunicação entre os membros de uma esfera, como também os limita em busca de uma impessoalidade, silenciando as vozes que deviam ressoar no processo de escrita.

 O conceito de exotopia é fundamental para o trabalho em Ciências Humanas, a respeito de não se fazer uma fusão dos dois pontos de vista – do pesquisador e do pesquisado – e mantenha o caráter dialógico, revelando sempre as diferenças e as tensões. A exterioridade do pesquisador deve ser manifestada de forma a ser revelado no pesquisado algo que ele não pode ver.

 Quando pensamos no ensino dos gêneros acadêmicos, essas questões sobre as relações com o objeto e os outros que fazem parte do texto são inquietações legítimas. Apontamos também uma necessidade de se refletir a relação que se dá no processo pedagógico para a compreensão do próprio gênero, do conhecimento do objeto, das convenções acadêmicas, da interação com o docente e os discentes. Essas relações estão ligadas diretamente ao processo de leitura e escrita, em uma competência que se dá pelo processo de compreender e avaliar.

 Ao deparar com a cultura acadêmica no primeiro ano de graduação, o corpo discente se sente em uma cultura estrangeira, contradizendo o ato de compreender que se estima ser plural e polissêmico. Conhecendo

pouco as convenções acadêmicas, as práticas e como se dá esse processo de inter-relação, de separação de duas consciências, parece- nos que podemos investir para que a inserção dos alunos em uma nova cultura possa ser um processo menos doloroso para professores e, principalmente para os próprios discentes, que não assimilam essas fronteiras entre as palavras alheias, uma luta dialógica constante.

 Tempo e espaço (cronotopo) são indissolúveis e concretos, ou seja, o aspecto geográfico corresponde a um acontecimento histórico, portanto o tempo é histórico e a imagem do homem em formação. A atualidade, para ele, se manifesta como uma essencial diversidade de tempos, tanto na natureza como na vida humana, o presente é como remanescentes ou relíquias dos diferentes graus e formações do passado e como embriões de um futuro mais ou menos distante. Na grande temporalidade, as vozes nos gêneros continuarão a ecoar entre nós e para além de nós.

 A normatização exprime-se nas combinações que o enunciado realiza, enquanto a individualidade resulta da livre concepção, pelo locutor, do seu projeto discursivo. A norma gramatical, as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas – Brasil) ou qualquer outra, a ISO (Internacional Organization for Standardization), por exemplo, não são apenas referências para aceitação social, mas processo e coação do pensamento do que é permitido ou não em uma esfera de comunicação.

4. O discurso de Outrem

 Bakhtin/Volochinov ([1929], 2009) considera que as construções sintáticas são de enorme relevância para se compreender a língua e seu processo de evolução, pois, entre as formas linguísticas (fonéticas, morfológicas e sintáticas), as sintáticas são as que mais se aproximam da enunciação, isto é, das condições reais da fala. Assim sendo, esses autores acentuam que o estudo da sintaxe só é viável no bojo de uma

teoria da enunciação e a elucidação dos problemas mais elementares da sintaxe só é possível também sobre a base da comunicação verbal.  Entre os problemas sintáticos, o autor especifica o discurso citado

(discurso direto, indireto e indireto livre), as modificações desses esquemas e as variantes dessas modificações que encontram na língua como um fenômeno “nodal” e produtivo, pois a composição desse fenômeno serve para a transmissão das enunciações de outrem e para a integração dessas enunciações, enquanto enunciações de outrem, em um contexto monológico coerente.

 À dimensão monológica estão associadas os conceitos de monologismo, autoritarismo, acabamento; à de polifônico, os conceitos de realidade em formação, inconclusibilidade, não acabamento, dialogismo, polifonia.  A alteridade sob a forma do diálogo e da citação é o traço fundamental

da linguagem. Não há linguagem sem que haja um outro a quem eu falo e que é ele próprio falante/respondente; também não há linguagem sem a possibilidade de falar do que um outro disse, sendo as figuras do diálogo e da citação centro da problemática do texto de pesquisa, sempre considerando que a palavra se dirige.

 Nas formas habituais de dialogismo, a resposta efetiva do outro é um dos elementos, entre outros, de construção de sentido; a representação e a antecipação da resposta suposta do outro devem integrar a própria estrutura do enunciado.

5. Olhar além do espelho: para uma construção de uma concepção político-cultural de sociedade

Como vimos até aqui, para construir uma sociedade mais justa é preciso sempre olhá-la na fronteira da interação verbal. No próximo capítulo, discutiremos sobre a formação do ser humano a partir da arquitetônica da alteridade: eu-para-mim, eu-para-o-outro, o outro-para-mim.

A seguir, assinalamos a obra The Psyché, de Berthe Morisot, como uma apreciação da construção da alteridade. Essa pintora foi a primeira mulher a se

juntar ao grupo dos Impressionistas franceses, e, em suas obras, sempre destacou a figura da mulher em situações do cotidiano. Apreciar essa obra nos permite relembrar a metáfora do espelho a que Bakhtin se refere quando afirma que o próprio homem não consegue perceber de verdade e assimilar integralmente nem sua própria imagem externa, nem o espelho ou foto o ajudará, mas poderá ser visto e entendido apenas por outras pessoas, motivo suficiente para buscarmos olhar além do espelho e tratarmos sobre um ser humano responsável e ético.

Contemplar a mim mesmo no espelho é um caso inteiramente específico de visão da minha imagem externa. [...] vemos o reflexo da nossa imagem externa, mas não a nós mesmos em nossa imagem externa; a imagem externa não nos envolve ao todo, estamos diante e não dentro do espelho; o espelho só pode fornecer o material para a auto-objetivação, e ademais um material não genuíno. De fato, nossa situação diante do espelho sempre é meio falsa: como não dispomos de um enfoque de nós mesmos de fora, também nesse caso nos compenetramos de um outro possível e indefinido, com cuja ajuda tentamos encontrar uma posição axiológica em relação a nós mesmos; também aqui tentamos vivificar e informar a nós mesmos a partir do outro; daí a expressão original e antinatural de nosso rosto que vemos no espelho [e] que não temos na vida. (BAKHTIN, 2010a, p. 30)

Figura 9 – The Psyché 1876.

Berthe Morisot. The Cheval-Glass, 1876.

Oil on canvas, 65 x 54cm. Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid. INV. Nr. 686 (1977-1987). Fonte: <www.wikipaintings.org/en/berthe-morisot/the-cheval-glass>.

4. AS DIRETRIZES DE ENSINO DO PROJETO SESA: A CONSTRUÇÃO DE