Como foi delineado anteriormente, acredito que uma das características que marcaram o campo da literatura brasileira contemporânea foi o surgimento, a partir do final do milênio, de empreendimentos editoriais agenciados por produtores recém-chegados ao campo que conseguiram estabelecer suas posições com grande eficácia.
Esta não é a via única de entrada no campo, ou sequer a via mais segura, mas pode ser considerada como uma característica dominante do seguimento dominado que é ação dos recém-chegados no campo. A inovação contida nesta estratégia também não deve ser entendida como exclusivamente dizendo respeito ao fato de que autores recém-chegados construam um pequeno empreendimento editorial com o intuito de inserir seus produtos (sua posição de autor e suas obras) dentro do campo, uma vez que pode ser identificada, em outros momentos históricos, tal dinâmica. O dado novo, referente ao ciclo contemporâneo, está na relação dialética entre tais empreendimentos, as condições de produção contemporâneas e as expectativas do campo, que agora parecem favorecer e celebrar tais empreendimentos de modo muito distinto daquele encontrado em outros ciclos históricos.
Como tentamos demonstrar até agora, se quisermos realizar uma análise da ação destes autores tornados editores, devemos levar em consideração a própria estrutura editorial por eles montadas, uma vez que os discursos, práticas e produtos gerados por esses empreendimentos estão todos imersos em um sistema simbólico coerente, que constrói um dispositivo de atribuição de identidades aos produtos e produtores, caracterizando o todo dessa agência como um artefato cultural (cf. JAMESON, 1992 [1981], p.89). Poderíamos dizer que, sob essa perspectiva, o nexo de coerência entre os agentes pode ser encontrado no aspecto mais material da literatura, pois, para os propósitos desta análise, os processos editoriais podem ser considerados como estratégias que formatam tanto objetiva quanto subjetivamente os produtos gerados, sejam eles obras ou autores.
Inicialmente podemos identificar, internamente ao campo da literatura, uma discussão acerca das ações específicas e das regras que regem o campo quanto ao seus aspectos considerados orgânicos ou programáticos. Por um lado, não podemos mais, na atualidade, tomar a sério o paradigma romântico do autor como gênio isolado, considerado como fonte única de seu produto literário, um paradigma que teve início com a revolução industrial, como bem analisa Raymond Williams, sob o qual “a representação do escritor como criador independente, como gênio autônomo, torna-se uma espécie de regra” (1960, p. 35). Mesmo assim, parece haver espaço para a criação de condições de autonomia restrita, que permitem o surgimento de alternativas ou modificação das regras estabelecidas dentro do jogo do campo.
Neste sentido, poderíamos colocar a questão que estamos abordando, referente às incubadoras literárias e sua construção de legitimidade, como sendo um desenvolvimento que ocorre sob a coordenação das condições de possibilidade do campo, e cujos parâmetros de ação acabam por serem percebidos como “orgânicos”, ou seja, como o resultado de determinações individuais que almejam a ação dentro do campo e que se valem de motivações que poderiam ser consideradas privativas dos indivíduos envolvidos no empreendimento. Nesse sentido, quando há o apagamento daquela coordenação, a fundação de qualquer casa editorial pode ser considerada, em seus primeiros momentos, como um exemplo de desenvolvimento orgânico de um empreendimento. O caso das incubadoras, que é permitido dentro das condições de produção da literatura na atualidade, é identificado com esse “investimento particular” de um produtor para a publicação de seu produto, não por um simples expediente de autopublicação (sempre acessível em todos os
ciclos históricos), mas pela configuração e manutenção de um empreendimento editorial que permita o estabelecimento do recém-chegado em uma posição de destaque dentro do campo. Essas estratégias, por mais que sejam percebidas como um ato de autonomia que parte da intenção individual dos agentes, são, na verdade, condições de existência já presentes no campo.
Essa percebida organicidade tem como reverso aqueles empreendimentos que têm como lastro a presença de um dos dispositivos legítimos da instituição literária, com status reconhecido e posição estabelecida dentro do campo. Tomemos rapidamente, como exemplo, o caso da Coleção Amores Expressos, da Companhia das Letras. Tal coleção teve como pressuposto a escolha de um certo número de autores que tiveram a oportunidade de passar uma temporada em uma capital do mundo com o intuito de colher material para a escritura de um romance cujo tema principal deveria versar sobre o tema Amor3. Esse expediente é percebido como programático pelos agentes, pois suas condições de realização estão explicitamente sobredeterminadas pela mediação de uma faceta estabelecida e consagrada do campo literário (no caso, a editora Companhia das Letras).
Outro exemplo válido de empreendimento considerado programático é a produção de antologias por parte de Oficinas Literárias. O processo de formação de produtores por essas oficinas é geralmente coroado com a produção de uma antologia na qual os participantes tem a possibilidade de dar visibilidade aos seus produtos tendo como lastro o capital simbólico específico da Oficina e seu reconhecimento dentro do campo de trocas e valoração.
Em última instância, é possível afirmar que a diferença principal entre um empreendimento orgânico e um empreendimento programático se encontra concentrada na percepção da diferença de status (ou seja, de maior ou menor estabelecimento) entre as condições iniciais do empreendimento: quanto menos explícitas forem estas condições, mais orgânico será o modo pelo qual o empreendimento é percebido pelos agentes do campo.
Como já explicitado anteriormente, a presente tese é uma continuação da pesquisa empreendida em minha dissertação de mestrado, na qual foi realizada a análise de um destes empreendimentos editoriais que podem ser considerados orgânicos, a editora Livros do Mal. Naquele momento, devido às circunstâncias do discurso presente no campo da
3 As polêmicas em torno da criação e realização dessa coleção serão analisadas com maior atenção mais adiante.
literatura brasileira contemporânea, identifiquei uma dinâmica específica quanto ao problema da definição de tais empreendimentos. Ora tais empreendimentos eram referidos como pequena editora, ora como editora independente. Entretanto, para retomar a discussão apresentada naquela dissertação, e aprofundar a definição do fenômeno aqui investigado, se faz necessária uma análise crítica de tais conceitos, em busca de uma melhor adequação à discussão que agora proponho como tese.
Inicialmente, podemos afirmar que tais termos têm sido utilizados de modo intercambiável, tanto nas análises teóricas quanto no discurso crítico e jornalístico, aparecendo por vezes com a chancela autoritativa dos próprios componentes dos grupos a que se referem. Os termos em questão (pequena, independente) utilizam como lastro a oposição constituída entre os agentes estabelecidos no campo e os agentes recém-chegados que almejam sua inserção no campo, e partem da prerrogativa de que a distinção entre uma posição e outras tem como base o acúmulo e a disposição do capital monetário que possibilita sua agência. Deste modo, o adjetivo pequena faz referência ao tamanho do aparato empresarial que dá suporte ao empreendimento, enquanto que o adjetivo independente se refere às relações estabelecidas, seja com o campo mercadológico, seja com o campo do poder. Em matéria4 para Zero Hora, “Manual de sobrevivência da pequena editora” 5, a jornalista Patrícia Rocha realiza a seguinte tentativa de definição:
Não há definição exata para o que seja uma editora pequena. Mas há um consenso informal de que um dos critérios possíveis é avaliar a média anual de lançamentos: seriam consideradas pequenas as editoras que lançam no máximo um livro por mês. Para comparar, a L&PM lançou neste ano uma média de 10 livros por mês. Assim, partindo de indicações baseadas nas listas de associados do Clube de Leitura e da Câmara Riograndense do Livro, estima-se que há pelo menos 18 pequenas editoras em atividade em Porto Alegre. [grifo meu]
A adição do critério de títulos lançados por mês pode ajudar no entendimento relativo do tamanho do empreendimento, entretanto acredito que tais características não sejam suficientes à especificação do fenômeno, pois há editoras estabelecidas (simbólica e monetariamente) cujo tamanho do aparato empresarial se assemelha, em sua relação com
4 Todas as referências relativas a objetos publicados na internet (data da publicação, data do último acesso, veículo de publicação, autoria) podem ser encontradas no Anexo desta tese, bem como uma reprodução integral do objeto em questão, em ordem de ocorrência. Com o intuito de facilitar o acesso, o endereço eletrônico do objeto será reproduzido em nota na página em que ocorrer a citação, com indicação da página referente à reprodução no Anexo.
as grandes casas editoriais, ao tamanho das editoras ditas pequenas, apresentando igualmente lançamentos esparsos com tiragens tímidas, sem que sua relativa pequenez diminua o espaço ocupado por seu capital simbólico no campo.
De modo semelhante, a independência referida entra em xeque quando são objetivadas as relações estabelecidas entre as editoras independentes e o capital de giro público captado mediante leis de incentivo cultural e, de outro lado, o julgamento de valor simbólico conquistado por tais editoras com o sucesso na circulação de seus produtos no campo mercadológico, o que inclui o estabelecimento de relações funcionais e proveitosas com os agentes disseminadores que atuam no campo, tais como distribuidores, livreiros, críticos e jornalistas.
O panorama se complica ainda mais quando levamos em consideração o modo pelo qual a Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) se define, em seu site6, como sendo
[...] uma rede de editoras independentes, que trabalham cooperativamente, pelo fortalecimento de seus negócios, do mercado editorial e da bibliodiversidade. É uma associação de interesse público, sem fins lucrativos, filiação político-partidária, livre e independente de órgãos públicos e governamentais, constituída em 01 de agosto de 2002, de duração indeterminada, entidade máxima de representação das editoras independentes de todo o Brasil. [grifo meu]
Dentre as editoras associadas7 à LIBRE, podemos encontrar empreendimentos consagrados no campo literário brasileiro, de grande capital simbólico, como as editoras Cosac Naify, Iluminuras, Editora 34, Boitempo Editorial e Ouro Sobre Azul. Essas editoras poderiam ser consideradas independentes se comparadas aos conglomerados editoriais representados pelo Grupo Editorial Record ou Editora Objetiva, que contam atualmente com capital e estrutura transnacional. Contudo, não acredito que seja cabível utilizar o mesmo conceito para referenciar empreendimentos editoriais como Jovens Escribas, Livros do Mal e Não Editora, para citar alguns dos objetos de análise desta tese. Uma perspectiva semelhante a de Angélica Brum é avançada por Marília de Araujo Barcellos, em sua tese O sistema literário brasileiro atual: pequenas e médias editoras, que, ao analisar o panorama das associadas à LIBRE, chega a esta constatação sobre tais editoras:
6 http://www.libre.org.br/quem_somos.asp – Anexo, p. 171 7 http://www.libre.org/editoras.asp – não reproduzido no Anexo.
Grande número delas se caracteriza por um faturamento anual inferior a R$ 1 milhão, o que por si só indica o porte de pequena editora. Sem embargo, reúne- se a essa categoria aquele editor que se inclui ele próprio dentro do grupo de pequenos editores, por se arrogar o direito de merecer a imagem que essa classificação oferece: prestígio, exemplares bem produzidos, obras especializadas, etc. ou, ainda, por ter participado inicialmente de algumas das atividades inovadoras específicas desses pequenos e médios editores, como a Primavera dos Livros, por exemplo. [grifo meu]
(BARCELLOS, 2006, p. 103) Importa destacar na análise de Barcellos o autorreferenciamento de editores como pequenos ou independentes, no que tange a sua postura estratégica de distinção simbólica. Ser um pequeno editor, neste sentido, significa denegar as determinações mercadológicas as quais estão submetidos os grandes conglomerados editoriais, e sinaliza uma escolha de agência que busca maximizar o impacto simbólico de sua atuação resgatando os dividendos simbólicos de uma posição considerada de autonomia ou de organicidade. Trata-se de uma tentativa de distinção baseada no investimento em exemplares bem produzidos e obras especializadas, que passariam ao largo das estruturas consagradas pelas grandes editoras. Entretanto, como nota Barcellos no seguimento de sua análise, estas pequenas editoras têm um catálogo devotado, em sua maioria, a títulos de não-ficção, circunstância que permite delimitar com mais precisão o caso específico das editoras aqui analisadas como incubadoras literárias. Por seu investimento exclusivo em ficção de recém-chegados, estas editoras se distanciam ainda mais da dinâmica destas editoras pequenas e independentes, tal como definidas por Barcellos ou pela LIBRE.
Sugiro aqui que a ideia que conforma as incubadoras industriais, tecnológicas e empresariais criadas por algumas instituições de ensino parece possuir uma melhor adequação explicativa em relação ao fenômeno investigado. Tais incubadoras são um espaço experimental de pequena escala, que auxilia o desenvolvimento inicial de um empreendimento, fornecendo as condições materiais iniciais até o momento em que haja a possibilidade de um desenvolvimento mais autônomo, desatrelado deste primeiro passo experimental. A ressalva é que, no caso dos grupos tomados como objeto, a autonomia conseguida ao final do experimento não é necessariamente a da estrutura empresarial da editora, mas a de alguns autores que conseguem, por seus méritos formais e sociais, inserir sua produção, primeiro, no campo e, posteriormente, no mercado literário. Ao fim do experimento, a editora pode mesmo desaparecer ou permanecer em estado de latência,
lançando novos títulos com ímpeto reduzido se comparado aos primeiros momentos de sua atividade.
Por estes motivos, podemos dizer que ao invés de pequenez ou independência, o que parece ser o critério mais definidor desses empreendimentos é a reunião temporária de autores com interesses literários afins, dispostos a trabalhar conjuntamente na formação de uma estrutura que permita a publicação e divulgação de suas obras com maior agilidade do que a permitida pelos entraves (sociais e formais) do grande mercado editorial. Portanto, vamos considerar tais empreendimentos como sendo uma espécie de incubadora literária que funcionaria como um laboratório para os agentes recém-chegados realizarem sua adequação às condições de produção dentro do campo literário.
Isso não quer dizer, entretanto, que o conceito de incubadora literária seja estritamente delimitável. Há muitos desenvolvimentos possíveis para um empreendimento deste tipo, sendo essa descrição apenas uma tentativa esquemática de estabelecer limites teóricos. Cabe ressaltar, então, que o conceito de incubadora literária aqui construído não pretende ter uma adequação explicativa absoluta, capaz de dar conta de todas as manifestações concretas encontradas na prática histórica e social dos empreendimentos. Tratamos aqui de uma redução estrutural que tem como objeto a multiplicidade de facetas apresentadas pelos empreendimentos, cujo intuito é auxiliar a compreensão das tendências presentes na prática material contemporânea.
Uma das características mais importantes apresentadas por uma configuração de incubadora literária é seu papel de conversor de capital específico: ao investir na criação e manutenção de uma incubadora, os participantes demonstram, frente ao campo, sua habilidade no reconhecimento e aceitação das regras do jogo que estruturam o campo literário, colocando em evidência não apenas seus produtos culturais, como também a incorporação e exposição das disposições que conformam o habitus específico do campo. Além disso, poderemos perceber, no decorrer da análise, como os agentes recém-chegados que são sócios-fundadores de uma incubadora adquirem um capital simbólico maior do que aqueles que apenas tem suas obras publicadas por uma incubadora. Mais do que uma facilitadora e expositora do produto cultural, uma incubadora bem sucedida é uma marca sensível de aptidão, que demonstra objetivamente a adequada acumulação de capital simbólico exigida à inserção no campo pelas regras que estruturam o campo, circunstância
que permite, inclusive, uma maior facilidade na aproximação simbólica entre o recém- chegado e o editor-estabelecido que porventura venha a editar esse recém-chegado.
No atual estado do campo literário brasileiro, parece haver indícios que permitem afirmar que a estratégia representada pela criação de uma incubadora literária tenha sido incorporada às regras de funcionamento de tal campo, o que torna uma incubadora um estágio legítimo do processo de inserção no campo contemporâneo. Como anteriormente mencionado, se este for o caso, tal incorporação é um dado novo apresentado pelo campo literário brasileiro, sendo este dado uma das características que conferiria especificidade ao estado contemporâneo do campo, a partir da qual podemos avaliar a diferença entre o ciclo atual e outros ciclos históricos. Podemos perceber que para o discurso de alguns agentes do campo contemporâneo, este já é de fato o caso, o que leva o reconhecimento de tais empreendimentos como fonte de ações determinantes na constituição do próprio campo, circunstância evidenciada em avaliações8 deste tipo:
Essas editoras merecem toda a atenção. E os prêmios já estão começando a perceber a importância do papel das editoras independentes no mercado. Apesar da distribuição modesta, do modelo de negócios às vezes ainda nem tão bem resolvido, eles desenvolvem muito mais proximidade com o autor do que uma grande editora, e isso permite que arrisquem mais. Além de tudo, têm mostrado livros belíssimos – nota Marianna Teixeira Soares, agente literária de escritores espalhados em muitas editoras com este perfil [...] [grifo meu]
Com esse estado de coisas em mente, podemos estabelecer com maior precisão o mapeamento dos parâmetros que conformam as incubadoras no campo da literatura brasileira contemporânea, pois as características específicas das incubadoras aparecem como indícios mesclados nas tentativas de investigação discursiva do fenômeno que partem dos próprios agentes que constituem o campo. Como exemplo dessa dinâmica, vamos selecionar a matéria9 para o Portal Literal, intitulada “Pequenas editoras, grandes sonhos”, de Angélica Brum, na qual é realizado um apanhado do que, na época da publicação em 2003, era considerada uma tendência dentro do campo literário: a multiplicação de incubadoras. 8 http://oglobo.globo.com/cultura/pequenas-editoras-se-destacam-com-titulos-nas-listas-dos-principais- premios-literarios-do-pais-12967698 – Anexo, p. 173 9 http://www.literal.com.br/acervodoportal/pequenas-editoras-grandes-sonhos-1002/ – Anexo, p. 176
Facilidades tecnológicas e segmentação do mercado abrem portas para o surgimento de inúmeros selos domésticos, tocados por uma ou duas pessoas e nos quais o profissionalismo convive com uma grande dose de romantismo. Algumas dessas editoras têm provocado boas surpresas com lançamentos ou relançamentos ousados.
A avaliação de Angélica Brum inicia com a constatação de duas circunstâncias do contexto sócio-histórico que serviriam de condições de produção de incubadoras: facilidades tecnológicas e segmentação do mercado. O primeiro termo tem como pressuposto o advento da Internet no Brasil, que tem como ponto de partida o início da exploração comercial em 1995. Vamos investigar melhor essa condição.
Podemos considerar que a aquisição de um computador por um agente de uma incubadora literária não se dá, num primeiro momento, com a intenção de facilitar o trabalho de editoração. O que temos, de fato, é uma readequação do uso de uma máquina polivalente, que serve, em grande medida, como plataforma de acesso à Internet. A partir desta presença prévia de um computador conectado à rede informacional global, o agente tem as condições de formatar um produto com o intuito de participar do campo literário.
O problema do discurso de Angélica Brum, que é subproduto de uma constante discursiva repetida de modo naturalizado, parece ser essa ênfase excessiva no caráter libertador da informática, que se estabelece quase como um parâmetro universal na análise da agência dos recém-chegados ao campo contemporâneo, sem que haja uma reflexão crítica sobre o papel específico que tal condição assume frente a estes agentes. É o caso, por exemplo, de uma passagem encontrada no artigo Pequenas editoras e Internet: ação cultural com tecnologia para a difusão da nova literatura10, apresentado no I Seminário Brasileiro sobre Livro e História Editorial, realizado em 2004 pela Fundação Casa de Rui Barbosa e pela