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5.1 Forhold som kan påvirke kandidatenes ansettbarhet

5.1.2 Kvalifikasjoner

No caso do nosso estudo, foram aplicadas entrevistas semidiretivas tanto a mulheres vítimas de violência conjugal, como a homens enquanto potenciais perpetradores desse ato. De acordo com Denzin & Lincoln (1994b), “a entrevista é uma conversação, a arte de perguntar e de escutar que não é neutral, porquanto o entrevistador cria as situações da entrevista. A entrevista produz situações e entendimentos específicos nos quais se desenrolam os episódios da interação entre o entrevistador e o entrevistado” (p. 353). Fontana & Frey (1994) concordam que “a entrevista pode ser usada para auscultar a opinião pública sobre temas políticos, sanitários ou para produzir dados de cariz académico, sendo aplicada individual ou coletivamente” (p. 361). Esta técnica permitiu o relacionamento estreito entre o entrevistador e os entrevistados, possibilitou formular e reformular as questões para o seu melhor entendimento e contribuiu para a obtenção de informações sobre o que os entrevistados sabiam, acreditavam, aspiravam, sentiam, ou pensavam acerca da violência contra a mulher.

A opção pelas entrevistas semidiretivas prendeu-se, assim, com a necessidade de diversificar a natureza da informação coletada, tendo como âncora o contexto em que os comportamentos violentos se manifestam (Gelles, 1987b). A aplicação deste tipo de entrevistas possibilitou a coleta sistemática de informações sobre as vítimas, permitindo, simultaneamente, aos homens a oportunidade de exprimirem os seus sentimentos na qualidade de agressores.

Em suma, através das entrevistas, pretendíamos compreender profundamente a violência em si mesma, os contextos em que ocorre, o seu desenvolvimento ao longo do tempo e o significado que tanto os agressores, como as vítimas atribuem a este problema social (Dobash & Dobash, 1983).

Alguns dos entrevistados não tinham qualquer domínio da língua portuguesa. Isso fez com que as entrevistas fossem conduzidas nas línguas maternas dos próprios entrevistados. Refira-se que o facto de o entrevistador ser conhecedor das línguas maternas dos entrevistados constituiu, em si mesmo, um valor acrescentado à prossecução das mesmas, acabando por suscitar mais confiança por parte dos entrevistados que de estranho, passava a ser visto como alguém próximo.

Pareceu-nos que durante o decurso das entrevistas alguns entrevistados minimizavam a gravidade dos episódios de violência e de angústia que nos iam

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revelando. Porém, a atitude de uma certa desconfiança e reserva, entre os homens e as mulheres, face ao papel do entrevistador acabou por ser superada graças às visitas domiciliárias nas quais se procurava ganhar a confiança das mulheres, através de conversas espontâneas, que permitissem partilhar as suas experiências, podendo-se com isso dissipar dúvidas e explorar questões pouco claras remanescentes de sessões anteriores.

Quanto aos homens, a sua falta de abertura fez com que tivessem que ser entrevistados exclusivamente nos Gabinetes de Atendimento, não favorecendo a exploração de visitas domiciliárias, ou de aprofundamento de questões adicionais.

A estrutura das entrevistas obedeceu a um formato que posicionou as perguntas mais genéricas no início e no fim do guião. Obviamente, as perguntas diretamente relacionadas como o tema da entrevista foram colocadas no meio do guião. A adoção desta estratégia prendia-se com a necessidade de ambientar e descontrair as entrevistadas, preparando-as para cada uma das etapas da própria entrevista.

Cada sessão de entrevista tinha sido inicialmente prevista para durar entre 90 e 120 minutos, mas no decurso das duas primeiras sessões notámos que para as entrevistadas, o discurso sobre as suas vivências e experiências de violência tinha uma função terapêutica, ou quando muito elaboradora das suas vivências subjetivas neste âmbito. A entrevista permitiu, assim, a estas mulheres a expressão de sentimentos e emoções que não se compadeciam com a nossa previsão inicial.

Com efeito, esta abordagem reforçou o nosso reconhecimento da importância das metodologias qualitativas, no nosso estudo, que“ […] com a sua ênfase na experiência vivida são fundamentalmente propícias para a localização dos significados nos lugares que as pessoas ocupam nos eventos, nos processos e nas estruturas das suas vidas” (Miles & Huberman, 1994, p. 10).

Foi neste sentido que, as entrevistas enquanto técnicas qualitativas de recolha de informações, acrescentaram a vantagem de convocar tanto homens, como mulheres independentemente de saberem, ou não, ler e escrever, implicando uma maior qualidade das informações recolhidas, bem como uma diversificação sociodemográfica da composição da amostra construída. Por outro lado, a natureza semidiretiva das entrevistas permitiu a formulação e a articulação de questões que, embora pertinentes à investigação, não estavam inicialmente previstas no guião.

Dada a perturbação e desassossego com que algumas mulheres expressavam as suas emoções, não conseguimos, por vezes, ficar indiferentes, acabando, sobretudo no final

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da entrevista, por desenvolvermos uma ação de apoio e orientação. Importa, igualmente, referir que, dado o estado emocional que certas mulheres manifestaram durante as sessões de entrevista, algumas tiveram que ser interrompidas e serem retomadas noutro dia. Outras foram definitivamente suspensas a pedido dessas mulheres. De qualquer modo, em todos os casos foi respeitada a vontade das entrevistadas, enfatizando-se sempre “[…]a importância de tomar as questões éticas em consideração desde o começo da investigação até à redação final” (Kvale, 1996, p.110).

Percebemos que dada a complexidade da técnica da entrevista e também do objeto de estudo que nos ocupa, precisaríamos de um treino que nos permitisse lidar com a intensidade da interação do entrevistador com os entrevistados sem, porém, negligenciar o processo de coleta de informações, nomeadamente através das próprias entrevistas.

Assim, para além das informações sociodemográficas, as entrevistas aplicadas a mulheres começaram com uma breve narrativa sobre as suas histórias de vida na família de origem, perguntando-se sobre as suas características, o historial de maus-tratos, bem como a idade com que saíram da casa dos pais. Seguiu-se um breve historial sobre a família de procriação que incluiu algumas perguntas sobre eventuais atos de violência durante o namoro, sobre o modo de gestão das despesas no lar até chegar aos comportamentos violentos.

De seguida, foram colocadas perguntas relacionadas com o conhecimento da legislação sobre a violência contra a mulher, e mais adente foram propostas perguntas sobre vivências e experiências de violência física, violação conjugal e outros tipos de violência que tendem a afligir as mulheres na relação conjugal.

Também, foram consideradas perguntas relativas às práticas conjugais tradicionais, designadamente o lovolo e a poligamia, ao mesmo tempo que se incluíram questões inerentes ao papel da religião na legitimação da violência contra a mulher. Por último, foram incorporadas questões relacionadas com o conhecimento e o acesso às instituições de apoio às vítimas, designadamente o Gabinete de Atendimento à Mulher e Criança Vítimas de Violência Doméstica, a LDH, o IPAJ, entre outas [ver o anexo-1].

O guião de entrevista a homens obedeceu à mesma sequência, mas com algumas adaptações adequadas à condição de agressores, sendo que essencialmente se centrou nas características sociodemográficas dos agressores, nas causas da violência, nas suas consequências individuais e conjugais, na definição e conhecimento das leis existentes em matéria de violência doméstica, nas experiências pessoais quotidianas, nas estratégias de dominação, na multiplicidade de comportamentos violentos, no papel que

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as instituições oficiais desempenham na intervenção e mitigação da violência contra a mulher, entre outros aspetos. Esse guião incluiu também uma pergunta genérica que pretendia aferir o sentimento do agressor em relação aos atos por si perpetrados [ver o anexo-2].

Depois da realização das entrevistas, foram transcritas e sujeitas a um tratamento que permitiu analisar as representações e manifestações de violência contra a mulher, através da interpretação dos excertos que exprimiam os casos mais críticos.