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10. Oppgavefordeling og regelverk

10.8 Kunnskapsdepartementet

Foi sem dúvida uma experiência marcante. Não só pela resposta social em que se desenvolveu o estágio, que trouxe inicialmente dúvidas sobre que tipo de trabalho se poderia efetuar, uma vez que só via o público-alvo ir à cantina nos períodos estipulados para levantamento das refeições, mas sobretudo pelo tipo de clientes que me esperava. Clientes com histórias e experiências de vida complicadas e associadas a problemáticas graves, que sabia que não seria fácil lidar, bem como seria bastante complicado ganhar a confiança deles para se relacionarem comigo no sentido de conseguirem desabafar, pedir ajuda, conversar sobre o que quisessem.

Existiram várias situações que me marcaram bastante e que me fizeram crescer e saber agir de uma outra forma. Situações em que por vezes a nossa maneira de ser e impulsividade nos leva a querer agir de imediato, mas que o melhor é nos colocarmos afastados e termos atitudes defensivas. Houve situações de conflito com clientes que entravam na cantina já alterados e não respeitavam as regras, sendo necessária intervenção. Isso muitas vezes alterava-os ainda mais, levando-os a pronunciar palavras ameaçadoras, o que nem sempre foi fácil de ouvir. Foi necessário ter uma atitude forte, sem medo e de controlo emocional. Por outro lado, houve situações que me preencheram bastante no sentido positivo, e que me deixaram orgulhosa do trabalho que estava a desenvolver. Por vezes o trabalho pode ser árduo, mas se nos empenharmos e fizermos as coisas com gosto, recolhemos os seus frutos. Estas palavras surgem por um acontecimento que me marcou que deve-se ao facto de ter tido um cliente que tem o sonho de editar um livro sobre a realidade que ele foi conhecendo. Uma realidade associada a furtos, a estabelecimentos prisionais diversos, que conta histórias muito complicadas e chocantes. Nunca pedi para ler o livro, ele foi-me falando aos pouco dele e quando ganhou confiança foi mostrando alguns capítulos, explicando algumas descrições graves que lá fazia e como funcionavam algumas prisões. Até que chegou o dia em que ela chega ao pé de mim e me entrega o livro para eu ler. Fiquei bastante

contente por aquelo gesto porque mostrou que tinha conseguido atingir a confiança máxima naquele cliente. Poderia ter fotocopiado o livro, mas não o quis fazer por questões éticas e deontológicas, e acima de tudo não queria trair a confiança que me tinha sido dada. Mas sem dúvida que era um livro que se alguma vez saísse para as bancas iria dar bastante que falar!

Numa palavra, posso dizer que foi um estágio da vida. Um estágio da vida que me abriu os olhos para a grande realidade que tinha pela frente, uma realidade que todos falamos e que nos dias de hoje é bastante anunciada, mas que poucos realmente a conhecem. Ou seja, eu falava de pobreza, via programas televisivos sobre essa temática, mas atuar com ela e conhecer de perto situações de pobreza e exclusão social graves, é uma realidade bastante dura e diferente do que pensamos, e que nos faz repensar bastante sobre a vida e o consumismo, sobre o que realmente é importante para uma pessoa estar feliz com o mínimo de bens e apoios. Muitas vezes via e ouvia a palavra sobreviver e não viver. E sem dúvida que muitos tentam sobreviver, que um dia passado minimamente bem, é uma grande vitória, e olhar isso de perto, nem sempre foi fácil, porque nós que ainda estamos numa fase inicial de carreira, achamos que é possível mudar tudo, que conseguimos fazer tudo, mas infelizmente não é assim, e por vezes temos que aceitar o modo como a pessoa quer viver e o nosso trabalho passar apenas por saber escutar muito e tentar dar uma melhor qualidade de vida ao indivíduo respeitando as suas vontades.

Em suma desta conclusão pessoal, foi um estágio que aprendi bastante a todos os níveis. Cresci enquanto pessoa e profissional. Nem sempre podemos fazer as coisas como pensamos, é necessário ter um grande conhecimento da realidade e por vezes as coisas demoram a concretizar- se, o importante é não desistirmos e acreditarmos sempre em nós e nas nossas capacidades.

6.2.2. A nível institucional

A nível institucional foi um estágio que teve impacto, no sentido que trouxe melhorias não só a nível espacial, mas também na melhoria do serviço da cantina e nas relações entre clientes, e de clientes com técnicos.

Relativamente ao espaço houve alterações significativas, nomeadamente a nível da decoração, no sentido em que foram aplicados um placar informativo e uma caixa de sugestões, bem como afixados trabalhos desenvolvidos pelos clientes. Deu-se uma nova luz àquele espaço, tornando-o mais alegre.

Relativamente à melhoria do serviço, foi sem dúvida uma grande melhoria, uma vez que trouxe mais organização e diminuiu conflitos existentes entre clientes quando iam levantar a

refeição. O facto de a estagiária estar sempre dentro da cantina na hora de levantamento da refeição para dar reforços, foi bastante importante a nível institucional, visto que os clientes ao verem alguém da equipa responsável pela cantina, mesmo sendo estagiária, levava-os a terem mais respeito pelas funcionárias da cozinha, bem como sentiam que os bens distribuídos eram feitos de modo mais equitativo.

De um modo geral, houve inovação no trabalho que vinha sendo desenvolvido, na medida em que foram introduzidas novas metodologias de trabalho e uma maior dinâmica na cantina social, que conduziu a uma nova definição desta reposta social, ou seja, não ser vista apenas como um espaço onde se levantam e efetuam refeições, mas também como uma espaço aberto a atividades que contribuam para o bem-estar dos seus clientes.

6.2.3. A nível de conhecimento na área de especialização

Tratando-se de uma área que nunca tinha tido contacto de forma tão próxima, foi sem dúvida um estágio que me trouxe bastante conhecimento, não só a nível teórico, mas sobretudo prático. Muitas vezes, a prática sobrepõe-se à teoria, tudo depende do contexto e da realidade que nos é apresentada. No nosso caso, não houve matéria teórica sobre cantinas sociais, o que levou a que houvesse um maior esforço por entender melhor como funcionavam as cantinas sociais e que tipo de trabalho era efetuado. Sobre o público-alvo desta resposta social, existe bastante teoria, no entanto é necessário saber enquadrá-la às situações para que se desenvolva uma intervenção adequada ao local e às carências encontradas em todo o seu contexto.

Reflexividade, polivalência, criatividade, adaptabilidade e dinamismo, são caraterísticas que devem estar sempre presentes no saber profissional dos educadores, sendo seu dever efetuar uma boa interpretação da realidade que lhe é apresentada, que pode ser problemática e multifacetada.

A educação de adultos nesta resposta social, foi efetuada tendo em conta o indivíduo como ser uno, ou seja, que apresenta caraterísticas específicas, que o diferem de outros indivíduos e que não devem ser comparadas a outros sujeitos. Cada ser é especial, e o educador deve ter um olhar especial para cada um de forma individualizada. É e foi importante saber distinguir as faculdades de cada indivíduo, bem como os seus interesses e motivações, pois em contextos problemáticos, é a partir desses benefícios que conseguimos chegar mais perto do cliente, ganhando a sua confiança e trabalhando com ele com vista à diminuição ou erradicação das suas necessidades.

Como desenvolvimento comunitário, o procedimento foi baseado na mediação socioeducativa, que pretendeu melhorar a qualidade de vida dos clientes da cantina social, através da prática de atividades que os ocupassem nos tempos livres, e consequentemente diminuíssem os seus hábitos de consumo. A promoção da socialização foi outro fator importante e que considero por bem registar, uma vez que foram efetuadas conversas a diversos níveis, relacionadas com temas sociais, pessoais, entre outros, de modo a que fosse possível provocar empatia entre os clientes e verificassem que há mais histórias e opiniões iguais às deles.

Sendo um desafio contante que muito se deve à heterogeneidade da população, o educador deve ser versátil e ter a capacidade de intervir em diversos contextos, criando redes de parceria. Como já dissemos anteriormente, muitas vezes a primeira intervenção do educador neste tipo de valência é baseada muito num carater assistencialista de modo a diminuir a situação de privação dos indivíduos. Não é sem dúvida um trabalho fácil, sendo necessário tempo para intervir e diminuir as carências registadas, mas sobretudo tempo para conquistar o indivíduo e levá-lo a querer outra opção e estilo de vida, ou seja, levá-lo a ter mais autoestima, autoconfiança, autonomia, entre outras caraterísticas fundamentais para o seu bem-estar pessoal e social.

Cabe ao educador mostrar que existem vários caminhos e oportunidades que não se podem deixar escapar, sendo necessário ter sempre uma atitude proactiva.

Em jeito de conclusão de todo o trabalho efetuado, a pobreza e exclusão social apresentam-se a como um fenómeno em constante mutação, uma vez que estão ligadas a diversas transformações, nomeadamente sociais, políticas e económicas. O desenvolvimento da sociedade, deve ser pensado para todos e não apenas para uma elite, devendo proporcionar as mesmas oportunidades a todos os cidadão, sejam de que condição for. A sociedade de hoje, apesar de ser uma sociedade da informação, do conhecimento, da modernidade, apresenta-se como uma sociedade velha em questões políticas e sociais. Uma sociedade em que a população está envelhecida, e em que não há oportunidade para se viver no país de origem, mas sim para sobreviver. Torna-se portanto imperioso efetuar ajustes que visem a minimização de todas as consequências que estas transformações acarretam, devendo as desigualdades serem combatidas com base num projeto de sociedade ligado à democracia, eficiência económica e justiça social.