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Numa análise evolutiva ao processso de DSI comparativamente com o processo de DSIS Baskerville [1992, 1993] divide os métodos de DSI em três gerações de evolução: a geração das checklists, a geração dos métodos de engenharia mecanicista e a geração dos métodos transformacionais lógicos. Os métodos da primeira geração caracterizavam-se por não serem sistemáticos, utilizarem linguagem narrativa na descrição dos sistemas e nos requisitos dos utilizadores e estarem muito limitados face à tecnologia existente, que não conseguia providenciar respostas para a maior parte dos problemas [Baskerville 1992, 1993]. Um desenvolvedor, basicamente, possuía uma checklist com todas as possibilidades tecnológicas e

escolhia as possibilidades que se enquadravam com o problema em questão. Estes métodos talvez sejam mais conhecidos pela designação ad-hoc já que não possuíam nenhum processo de desenvolvimento formal [Baskerville 1993]. Como eram escolhidos numa base de checklist dos componentes que o desenvolvedor achava que eram importantes, era normal que fossem incluídos muitos componentes que não interessavam e que por isso não se traduziam em benefício para as organizações [Baskerville 1993].

A segunda geração de métodos, apelidada por Baskerville como métodos de engenharia mecanicista, caracterizava-se por ter como principal objectivo a partição do problema principal numa organização em problemas mais pequenos, considerando mais eficaz a identificação e resolução de cada um dos requisitos funcionais do sistema [Baskerville 1992, 1993]. Uma vez que a tecnologia já não limitava as escolhas dos desenvolvedores, estes ajustavam a diversidade tecnológica para criarem soluções específicas adaptadas aos problemas em questão [Baskerville 1993]. Estes métodos encaixam no tradicional ‘ciclo de vida’ de um projecto, também apelidados de abordagem em ‘cascata’ ou ‘bottom-up’ [Yourdon 1989 apud Baskerville 1993]. Estes métodos são dominados pelas fases de implementação e é muito comum terem abordagens que providenciem os requisitos físicos do sistema, uma vez que esta geração é caracterizada pela prototipagem, o que força os desenvolvedores a trabalharem nesses requisitos [Baskerville 1993]. Acredita-se que estes métodos ainda sejam amplamente utilizados [Baskerville 1993].

A terceira geração apontada por Baskerville é a dos métodos transformacionais lógicos. A principal característica desta geração é a abstracção do problema e do espaço, uma vez que o desenho do sistema passa a ser concebido num modelo abstracto que contém os atributos essenciais do problema informacional e da sua solução. O principal desafio nesta geração é precisamente a concepção desses modelos abstractos pelos desenvolvedores, uma vez que lhes é exigido um grande esforço intelectual, no sentido de escolherem quais os componentes do sistema que devem ser modelados [Baskerville 1993]. Outra característica importante é o afastamento dos requisitos funcionais físicos, já que os métodos desta geração se focam no desenho lógico e conceptual do sistema [Baskerville 1993]. Friedman [Friedman 1989 apud Baskerville 1993] caracteriza esta geração como a geração em que ‘produzir o sistema certo, em vez de produzir um certo sistema, tornou-se no primeiro critério para um sistema com sucesso’. Uma vez que existem diferentes perspectivas na natureza dos problemas organizacionais, a natureza dos modelos abstractos varia consideravelmente [Baskerville 1993].

Baskerville [1993] considera duas categorias para esses modelos: a lógica e a transformacional. Os modelos lógicos expressam o sistema num sentido funcional ou orientado aos dados. Os modelos transformacionais dão enfase à transformação da gestão do trabalho, teoria organizacional e filosofia social como um todo, olhando para além dos requisitos funcionais. Dado que toda a modelação abstracta providencia uma ligação próxima entre os problemas organizacionais e a solução do sistema, isso torna a análise custo-benefício menos importante, o que por sua vez limita bastante a probabilidade de o sistema conter partes redundantes ou desnecessárias. [Baskerville 1993].

Mais recentemente, Avison e Fitzgerald [2003] classificaram os métodos em quatro gerações: a era pré-metodológica, a era ante metodológica, a era metodológica e a era da reavaliação da metodologia. Crê-se que a nomenclatura utilizada para classificar estas eras de evolução não é muito adequada, dado que favorece a confusão. As expressões utilizadas tendem a apresentar poucas características identificativas das gerações. Parece algo redundante que uma determinada era de evolução seja classificada de pré ou pós metodologia, uma vez que isso não é indicativo nem caracterizador dessa etapa de evolução. No caso de Baskerville, por exemplo, as classificações das gerações representam intrinsecamente características de um dado conjunto de métodos que são criados num dado espaço de tempo, o que facilita na sua identificação e na sua caracterização. No entanto, a era pré-metodológica classifica-se como sendo a primeira do processo de DSI, em que um sistema de informação era desenvolvido e implementado sem a utilização de um método de desenvolvimento específico ou formal. Esta era é equivalente à primeira geração de métodos apontada por Baskerville.

A era ante metodológica corresponde às aproximações de construção de sistemas baseados em computadores e focava-se na identificação das fases e estados que se pensava favorecerem uma melhor Gestão de Sistemas de Informação (GSI). Esta era ante metodológica era dominada, como já havia sido referido anteriormente (as características identificativas da era ante metodológica correspondem ás da segunda geração de Baskerville [1992, 1993]) por abordagens com base no ciclo de vida dos sistemas, composta por um conjunto de fases de desenvolvimento que deveriam ser seguidas sequencialmente [Avison e Fitzgerald 2003].

A era metodológica evoluiu no seguimento das críticas apontadas aos métodos baseados no ciclo de vida, progredindo segundo um de dois paradigmas: desenvolvidas a partir da prática ou a partir da teoria [Avison e Fitzgerald 2003]. No primeiro caso, trata-se de métodos que foram sendo utilizados nas organizações e que depois evoluíram ate se tornarem um produto

comercial. No segundo caso, foram métodos que evoluíram nas universidades ou em centros de investigação. É nesta era que, segundo Avison e Fitzgerald [2003], existe a proliferação dos métodos de DSI que, na sua maioria, existem hoje.

A última era diz respeito à reavaliação da metodologia. Esta é a era que Avison e Fitzgerald [2003] acreditam ser a presente no DSI. Fundamentalmente, esta era caracteriza-se por uma reavaliação dos métodos existentes e na sua adequação às necessidades de negócio. Aqueles autores identificam ainda as abordagens metodológicas que as organizações estarão actualmente a aplicar: desenvolvimento ad-hoc, desenvolvimentos de métodos existentes, abordagens de contingência (em vez de tomarem uma solução tudo em um, trata-se de tomar uma solução que funcione) e o desenvolvimento outsource.

Já Hirchheim et al. [1995] classificam a evolução dos métodos de DSI em sete fases: aproximações formais ao ciclo de vida, aproximações estruturadas, aproximações de prototipagem e evolucionárias, aproximações sociotécnicas e participativas, aproximações de formulação do problema, aproximações trade-union e aproximações emancipatórias. No entanto, ao contrário das classificações apresentadas anteriormente (Avison e Fitzgerald [2003] e Baskerville [1993]), Hirchheim et al. [1995] não classificam a evolução do DSI em fases estruturadas de desenvolvimento, mas sim em tipos de métodos de DSI, consoante a altura no tempo em que estes surgiram. Contudo, antes destas sete fases, também Hirchheim et al [1995] reconhecem que houve uma era pré-metodológica. Esta era pré-metodológica era caracterizada por sistemas administrativos que surgiam através da implementação de um conjunto sistemático de práticas que eram reflexo dos avanços tecnológicos que se registavam na altura [Hirschheim et al. 1995]. Na Tabela 2 estão representadas as principais caracteristicas de cada uma das fases na classificação de Hirschheim et al. [1995]. Cada uma dessas fases surgiu no sentido de colmatar as falhas das anteriores. As aproximações estruturadas surgiram pois as aproximações ao ciclo de vida não permitiam a mudança dos requisitos por parte do cliente e não possuíam representações do sistema entendíveis. As aproximações de prototipagem e evoluvionárias vieram colmatar as necessidades de mudança rápida nas organizações que necessitavam de mudanças rápidas também nos requisitos do sistema. As aproximações sociotécnicas e participativas vieram colmatar as necessidades de um maior envolvimento das pessoas no processo de desenvolvimento, mudando o foco do desenvolvimento do técnico para o social. Para resolverem as deficiências na formulação dos problemas de desenvolvimento surgiram as aproximações de formulação do problema. Com a

crescente utilização dos SI nas organizações a classe de trabalhadores sentiu que o poder e o controlo do sistema de informação estavam demasiado concentrados na gestão e foi com esta preocupação que surgiram as aproximações trade-union. A última das aproximações, a emancipatória, caracteriza-se por não seguir nenhum método ou solução em particular, representando a adaptação existente dos métodos a determinadas situações ou contextos organizacionais.

Tabela 2 – As Sete Gerações de Métodos de Hirchheim et al. [1995]

Geração Principal problema organizacional Observações comparativas 1.Aproximações

formais ao ciclo de vida

Controlo do ciclo de vida do desenvolvimento, fornecendo um guia para os desenvolvedores

através depadrões.

Geralmente estas gerações implicam o controlo externo do processo de DSI e

assumem um modelo de equilíbrio através de regulamentos organizacionais. 2.

Aproximações estruturadas

Produtividade, sistemas com maior capacidade de manutenção e controlo dos desenvolvedores. 3.

Aproximações de prototipagem e evolucionárias

Rapidez e flexibilidade do processo de DSI, diminuição de problemas de comunicação de especificações técnicas entre os analistas e os utilizadores e ênfase em possuir o sistema mais

correcto em vez de ter o correcto sistema. 4.

Aproximações sociotécnicas e

participativas

Controlo do processo de DSI dos utilizadores através da comunicação, gestão de conflitos no DSI, optimização em conjunto, eficácia de custos

e melhor qualidade de trabalho através da tecnologia.

Tomam em consideração os conflitos existentes na organização e favorecem a

resolução de conflitos através de um compromisso entre os participantes no

processo de DSI e todos os que são afectados por esse processo. 5.

Aproximações de formulação do problema

Lidar com as múltiplas perspectivas no enquadramento dos problemas e

desenvolvimento de software. 6.

Aproximações

trade-union

Gestão dos conflitos no trabalho, direitos dos trabalhadores e democracia industrial.

Efectua uma tentativa de colocar o DSI nas mãos da classe trabalhadora, através

da participação directa destes ou de

trade-unions. 7.

Aproximações emancipatórias

Ultrapassar as barreiras da comunicação eficaz devido às diferenciações sociais e de poder, eliminar a repressão e os efeitos emancipatórios

do DSI.

Presume um modelo de conflito social nas organizações e favorece a resolução

Não se considera que haja uma versão mais ou menos correcta da forma como evoluiu o processo de DSI, até porque todas elas se apoiam nas visões dos seus autores acerca do próprio processo de DSI. No entanto, tal como notam Hirschheim et al. [1995], esta análise evolutiva é importante principalmente no que diz respeito aos fundamentos filosóficos presentes nos diversos métodos de DSI e que são importantes para o processo de DSI.