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Kapittel 3: Teoretisk grunnlag. Simone de Beauvoir og kroppen som situasjon

3.2 Kroppen er en situasjon

Os instrumentos de construção dos dados do presente estudo são: (a) entrevista semiestruturada, objetivando um diálogo construtivo, participativo e integrado com nossas participantes da pesquisa; (b) a observação das aulas do 4º ano do Ensino Fundamental na sala em que estuda a aluna Alice, objetivando compreender as práticas das professoras e seu dia a dia; e, por fim, (c) análise documental, objetivando complementar nossa interpretação dos dados por meio de documentos relacionados à prática pedagógica desses professores.

As formas de registros das observações ocorreram por meio de registros de observações31 e diário de bordo32, registros nos quais tais observações são detalhadas

31 O registro de observação é um método utilizado pelas pesquisadoras e refere-se ao detalhamento dos acontecimentos durante as observações escritos logo após a realização de cada observação em um arquivo de edição de textos no computador.

32 O diário de bordo refere-se a um método utilizado pelas pesquisadoras no qual foram registrados os acontecimentos diários durante as visitas à escola, as impressões das pesquisadoras, bem como

conforme dias, horários, locais e participantes envolvidas. As formas de registros das entrevistas são por meio de gravações de áudio33 e transcrição das gravações de áudio34, registros nos quais os detalhes das entrevistas foram descritas conforme participantes envolvidas, dias e horários.

A seguir, detalhamos cada instrumento.

a. Entrevistas

Lüdke e André (1986, p.34) apontam uma vantagem importante da utilização deste instrumento de construção de dados. Para essas autoras, a entrevista “permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”. Além disso, a entrevista, para González Rey (2005, p. 89), objetiva converter-se em diálogo e a comunicação, portanto, seria uma “via privilegiada para conhecer as configurações e os processos de sentido subjetivo que caracterizam os sujeitos individuais e que permitem conhecer o modo como as diversas condições objetivas da vida social afetam o homem”.

As entrevistas para o presente estudo consolidaram-se como um diálogo entre entrevistadora e professoras participantes, com planejamento sistematizado e flexível. Lüdke e André (1986, p.34), sobre essa flexibilidade, pontuam que:

Parece-nos claro que o tipo de entrevista mais adequado para o trabalho de pesquisa que se faz atualmente em educação aproxima-se mais dos esquemas mais livres, menos estruturados. As informações que se quer obter, e os informantes que se quer contatar, em geral professores, diretores, orientadores, alunos e pais, são mais convenientemente abordáveis através de um instrumento flexível.

Desta forma, para as entrevistas deste estudo, primeiramente utilizamos dois roteiros, um para a entrevista com a professora regente (Apêndice A, “Roteiro de entrevista com professora regente”) e um para a entrevista com as professoras de apoio informações pontuais como datas, horários, responsáveis e locais da realização de cada instrumento de coleta de dados (entrevistas, observações e análise documental). Esses registros foram escritos e organizados em um programa de edição de textos no computador.

33 As gravações de áudio referem-se a um método utilizado pelas pesquisadoras durante as entrevistas, cujo diálogo foi gravado utilizando-se de programa de gravação de áudio em um aparelho de celular, após o ciente das participantes.

34 A transcrição das entrevistas é um método utilizado pelas pesquisadoras visando à transposição do áudio para o texto escrito. Após a gravação do áudio, é realizada a transcrição de todas as informações contidas neste áudio, na íntegra, utilizando programa de edição de texto no computador.

(Apêndice B, “Roteiro de entrevista com professora de apoio”). Foi necessária a construção desses dois roteiros de entrevistas diferentes devido às práticas de trabalho dessas duas profissionais se diferenciarem, como destacamos nas seções anteriores. As perguntas foram elaboradas conforme os objetivos do trabalho, buscando investigar tanto detalhes da sua prática e metodologia pedagógica, quanto aspectos da sua formação e desenvolvimento profissional. Além destes aspectos, ainda foram elaboradas perguntas que buscavam investigar aspectos relacionados ao referencial teórico construído, principalmente no que se refere às concepções sobre a educação especial, sobre a educação inclusiva e sobre a deficiência intelectual. Foram, ainda, investigadas situações cotidianas e do contexto escolar destas profissionais. Em um momento posterior, após a realização da primeira entrevista com cada professora, identificamos a necessidade de complementarmos a entrevista com outras perguntas, tendo em vista que o contexto complexo educacional demandou novas perguntas investigativas e, portanto, construímos outro roteiro de entrevista (Apêndice C, “Roteiro de entrevista complementar”) e a realizamos posteriormente com as participantes da pesquisa Cecília, Lygia e Clarice.

As sete entrevistas (TABELA 05, p. 108) foram agendadas com antecedência com todas as professoras, gravadas em áudio, transcritas e, posteriormente, organizadas em categorias de análises. Quatro destas entrevistas não foram gravadas: uma da professora Clarice e uma da professora Lygia, tendo em vista o desconforto quanto à gravação relatado pelas professoras, e duas da professora Cecília, pois configurava informações confidenciais e particulares referentes à aluna e a presença do gravador demonstrou incomodar a profissional. Entretanto, nestes casos, foram registrados tópicos durante a entrevista para posterior descrição detalhada. Cada entrevista durou entre 25 a 50 minutos. Em alguns momentos, foi necessário finalizar a entrevista e continuá-la em outra ocasião, devido a outras demandas dessas profissionais. Após a realização da entrevista com cada participante, em um momento posterior, agendamos uma segunda entrevista complementar, tendo em vista que identificamos a necessidade de complementar alguns dados que ficaram omissos, pouco claros ou incompletos durante nossas análises. Com os registros e as transcrições das entrevistas de cada participante, organizamos as categorias de análises de dados.

A tabela 5 sintetiza a organização das entrevistas realizadas durante a pesquisa. Os números das entrevistas (primeira linha da tabela) serão citados nas análises de dados.

TABELA 5: INFORMAÇÕES SOBRE AS ENTREVISTAS SEMIESTRUTURADAS.

Entrevista 01 02 03 04 05 06 07

Data 11/05/15 11/05/15 14/05/15 14/08/15 20/08/15 02/07/15 20/08/15

Professora Agatha Cecília Clarice Clarice Lygia Cecília Cecília

Duração

(minutos) 30 50 35 30 25 40 30

Gravação

de áudio Sim Sim Sim Não Não Não Não

Fonte: Anotações das pesquisadoras.

b. Observações

De acordo com Lüdke e André (1986), consideramos que a utilização da observação pode apresentar características pessoais do pesquisador que compõem a construção dos dados, como sua história de vida, aptidões, bagagem cultural, grupo social etc. Isso significa que nosso olhar como pesquisador pode ser seletivo, priorizando observar alguns aspectos e ignorar outros. Entretanto, para Lüdke e André (1986, p.25), “a existência de um planejamento cuidadoso do trabalho e uma preparação rigorosa do observador” são imprescindíveis para possibilitar um controle e sistematização da utilização deste instrumento.

Considerando essas ponderações e sistematizações, a observação, para o presente estudo, apresenta-se como um importante instrumento de construção de dados, tendo em vista que, segundo Lüdke e André (1986, p.26) permite que nos aproximemos da perspectiva dos participantes, já que podemos acompanhar “in loco as experiências diárias dos sujeitos [para] tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e as suas próprias ações”. No nosso caso, tendo em vista que as práticas cotidianas das professoras participantes são nosso objeto de estudo, o instrumento de observação torna-se uma ferramenta imprescindível para a concretização da pesquisa.

Para a construção dos dados da referida pesquisa utilizamos um roteiro/guia das observações (Apêndice D, “Roteiro-guia das observações”), com o objetivo de orientarmos e organizamos nossas observações e os respectivos registros. Os tópicos

deste roteiro/guia de observações, conforme apêndice D, foram organizados a partir dos objetivos do presente estudo e do levantamento bibliográfico apresentado. Importante salientar que os tópicos foram utilizados apenas como um guia. Entretanto, durante as observações e os respectivos registros, os tópicos abordados extrapolaram os do roteiro/guia, tendo em vista a complexidade de acontecimentos durante as observações.

Todas as observações foram registradas em diário de campo, conforme um exemplo no apêndice E.

As observações foram realizadas uma ou duas vezes por semana ao longo de quatro meses, totalizando 16 dias de observações, durante todo o horário de aulas da aluna do estudo de caso (TABELA 6, p. 112), abordando aulas de ensino regular, que envolveram aulas de Português, Geografia, Ensino Religioso e Educação Física, bem como o referido apoio realizado pelas professoras de AEE durantes estes horários no ensino regular. Realizamos observações durante o trabalho de AEE no contraturno (período da tarde), entretanto, devido à ausência da referida aluna, durante a pesquisa, nos trabalhos do contraturno, por dificuldades de a família levá-la à escola nesse turno, os dados foram em menor quantidade (totalizando dois) que os durante o turno de ensino regular (totalizaram 16). As observações estenderam-se, também, aos intervalos, recreio e demais momentos de diálogos informais entre as professoras. Algumas observações (n. 01, 02, 04, 08, 12 e 16) não contaram com a presença de Alice, pois envolviam espaços diferentes dos da sala de aula ou de AEE com a presença da aluna e/ou aconteceu em momento que Alice não foi à aula no referido dia.

Todas as observações foram acompanhadas de registros escritos após cada observação, onde foram relatadas detalhadamente as ocorrências. Em um momento posterior, estes relatos foram analisados conforme categorias de análises (especificadas em outro tópico).

A tabela 6 organiza as informações sobre as observações e os números de observações (primeira coluna da tabela) serão citados nas análises de dados

TABELA 6: INFORMAÇÕES SOBRE AS OBSERVAÇÕES. Diário de

bordo

Data Local Período

01 04/05/15 Pátio, direção e supervisão Manhã

02 05/05/15 Pátio, direção e supervisão Manhã

03 11/05/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã e tarde

04 12/05/15 AEE e pátio Manhã

05 13/05/15 Ensino regular e pátio Manhã

06 14/05/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã e tarde

07 21/05/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

08 28/05/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

09 04/06/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

10 11/06/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

11 18/06/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

12 02/07/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

13 09/07/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

14 06/08/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

15 13/08/15 AEE, ensino regular e pátio Manhã

16 20/08/15 AEE e pátio Manhã

Fonte: Anotações das pesquisadoras.

c. Análise documental

Conforme Bell (1993), a análise documental pode ser um instrumento central para as pesquisas ou um instrumento completar aos dados obtidos por outros métodos. No caso do presente estudo, a análise documental tem o objetivo de complementar os dados construídos nas entrevistas e nas observações, tendo em vista que nosso objetivo de estudo é a prática pedagógica de professores que trabalham com uma aluna com deficiência intelectual e, portanto, os instrumentos de entrevistas e observações são centrais na construção dos dados e a análise documental torna-se instrumento completar. Bell (1993) alerta sobre a seleção dos documentos a serem analisados, sugerindo planejamento no momento da seleção. Para o presente estudo, considerando essas sugestões, os documentos analisados foram selecionados conforme nosso objetivo de estudo, ou seja, a prática pedagógica do professor do aluno com deficiência intelectual.

Garcia (2007, p. 137), aponta que as fontes de documento são “históricas, constituídas sob um conjunto de condições e, portanto, deve-se extrair delas os elementos relacionados a cada objeto de investigação”. Em nosso caso, extraímos dos documentos analisados os elementos relacionados à prática pedagógica do professor participante, que foram: (1) os cadernos da aluna onde havia vários exercícios em papéis colados passados pelas professoras. Registramos as informações que constavam nos cadernos e os registros das informações foram organizados nas categorias das análises; (2) folhas de exercícios específicos para a aluna, os quais, em alguns casos, a professora nos cedeu cópias. Da mesma forma, as folhas compuseram os registros das observações e dos diários de campo para posterior análise e organização nas categorias de dados; (3) a pasta da aluna contendo seu Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) específico. Tendo em vista a não autorização de cópias destes dados, por questões éticas, realizamos registros sobre eles para melhor compreensão do contexto da aluna, bem como dos planejamentos paralelos das professoras em relação àquele contexto.