Kapittel 6: Sammenligning og avslutning
6.2 Avslutning
Segundo Schmitz (2005), em princípio, parece fácil conjugar a literatura sobre as aglomerações produtivas locais e a abordagem das cadeias globais de valor. Enquanto a primeira enfatiza a importância dos relacionamentos de empresas locais, a segunda abordagem sublinha a importância das relações de empresas locais com os seus clientes globais. Ambas enfatizam a importância de upgrading (atualização tecnológica) para sustentar a renda diante da crescente competição nos mercados globais, mas os caminhos para esse mesmo fim são distintos.
A literatura sobre aglomerações produtivas focaliza principalmente na questão da qualidade dos relacionamentos locais, defendendo que os recursos necessários para a atualização são provindos principalmente da localidade. Essa abordagem enfatiza a necessidade de melhorar a cooperação e governança em nível local para atingir níveis mais elevados de competitividade no mercado. Ligações com o mundo externo são
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Como já ressaltado na introdução, o termo “abordagem da cadeia global de valor” refere-se aos trabalhos de Gereffi (1994;1995;1999a) e aqueles de Hopkins e Wallerstein (1987; 1994), anteriores à interação elaborada por Humphrey e Schmitz (2000).
frequentemente lembradas, porém pouco é teorizado sobre tais ligações. De fato, esta literatura não se preocupa com a relação entre a governança do cluster e os canais de distribuição, porque o comprador surge como um mero escoamento para os produtos locais ou um desafiante que exige maiores qualidade e flexibilidade e preços mais baixos. Não há avaliação sobre a estrutura do mercado em que as empresas competem (Schmitz, 2005).
Quando a discussão perpassa sobre o papel dos consórcios de venda e a provisão de serviços de exportação se foca principalmente em questões como: a provisão de informações sobre as regulações em mercados distantes ou a transferência de tendências anunciadas em países estrangeiros. Esses são tipos de serviços que facilitam transações reguladas pelo mercado e que permitem que as firmas do distrito conformem seus produtos com as necessidades de mercados particulares. Deve-se prestar atenção a essa argumentação porque esta resulta na defesa de que os sistemas de aprendizagem e de geração de conhecimento estão retidos dentro do distrito (Humphrey, 2003).
Segundo Humphrey, essa idéia de que os distritos industriais são processos produtivos completos, ou quase completos, é freqüente na literatura sobre distritos industriais italianos. “É a completude do sistema local de produção, abrangendo ambos os sistemas de processos de produção e de conhecimento, que dão suporte à inovação dentro dos distritos. Isso é essencial para o upgrading e a competitividade contínuos” (2003:3).
Mesmo quando as análises de distritos industriais reconhecem que “a divisão do trabalho entre as firmas internas e externas dos distritos está se tornando mais complexa (...) afirma-se que o aumento da subcontratação de firmas em outras partes da Itália e mesmo de firmas em outros países não envolve perdas das atividades estratégicas”. Essa descentralização não é necessariamente ruim, desde que as atividades de alto valor e estrategicamente importantes do ciclo de produção sejam mantidos localmente (Humphrey, 2003: 4).
Desta forma, os distritos industriais italianos, em particular, se encontram em uma posição privilegiada para competir no mercado internacional. O fato de seu posicionamento nesse mercado estar baseado em conhecimento tácito, confiança e estrutura institucional difícil de ser replicada significa que suas competências não estão disponíveis aos
competidores. Nesse sentido, a globalização faz do conhecimento local um elemento de competitividade ainda mais importante.
Essa ênfase na importância do local dentro do global se foca principalmente nos nós centrais de redes globais de produção particulares. No entanto, à medida que os nós centrais passam a organizar redes de produção muito mais abrangentes, devido à dispersão das atividades manuais, ou com baixo valor agregado, então quais são as possibilidades disponíveis às firmas e às aglomerações produtivas especializadas da periferia do sistema?
De fato, de acordo com Humphrey (2003), é importante diferenciar a forma de inserção de aglomerações produtivas especializadas européias daquela disponível aos
clusters de países menos desenvolvidos. Segundo o autor, é certamente possível encontrar
nesses países aglomerações de pequenas empresas, cooperação inter-firma e divisão do trabalho e instituições locais nutrindo o seu desenvolvimento. Contudo, quando analisada a estrutura de governança que recai sobre esses clusters, a diferença entre os distritos industriais e aglomerações produtivas dos países em desenvolvimento surge ao referir-se à posição das firmas e aglomerações produtivas de países em desenvolvimento na divisão internacional do trabalho. O papel dos países em desenvolvimento nas atividades econômicas internacionalmente dispersas e funcionalmente integradas é a questão chave para entender suas possibilidades de desenvolvimento. Portanto, é necessário olhar com cautela a possibilidade de, pelo menos alguns clusters de países em desenvolvimento, promoverem um upgrading sustentável e melhorar sua renda.
Controvérsias com relação ao caráter positivo ou negativo da influência dos vínculos externos “para frente” e “para trás” da cadeia produtiva impulsionaram estudos que visam o aprofundamento dessa questão. Um exemplo desse tipo de estudo é aquele elaborado por Gereffi (1994) sobre a cadeia global de valor.
Contudo, a abordagem da cadeia de valor, liderada por Gereffi (1994), ignora os recursos e a governança locais, supõe-se que todos os recursos se originam de dentro da cadeia. Dessa forma, a atualização tecnológica resulta do “learning by exporting”, da promoção do comprador em capacitações dos produtores de países em desenvolvimento ou ao conseguir entrar em uma cadeia de valor cujos consumidores são mais exigentes. (Humphrey; Schmitz, 2000).
Diante dessa comparação surge uma contradição quando atenta-se para as características do mercado: enquanto a literatura sobre clusters desconsidera a estrutura de mercado, a literatura sobre cadeias globais de valor, em contraste,
demonstra que o mercado internacional de exportações é extremamente estruturado, e que empresas globais coordenam as cadeias nas quais as empresas exportadoras locais operam. Em outras palavras, [na teoria das cadeias globais de valor] destacam-se os temas como poder e desigualdade existentes nas cadeias globais – que presumivelmente afetam as possibilidades de atualização tecnológica das empresas locais (Schmitz, 2005: 322).
Humphrey e Schmitz (2000) apontam que a ênfase da abordagem das cadeias globais de valor – liderada por Gereffi (1994) – cobre as ligações externas das atividades produtivas sem prestar atenção ao papel das associações patrimoniais locais e das relações locais inter-firmas para a promoção da competitividade e os processos de modernização. O próprio Gereffi (1994), afirma que uma das dificuldades metodológicas que surgem da abordagem de cadeia global de valor é que os estados nacionais não são as unidades de análise ideais para estabelecer a trajetória de contratação global, já que países individuais estão amarrados à economia-mundo através de uma variedade de papéis exportadores. Atualmente a produção ocorre em regiões específicas, dentro de um país, essas regiões apresentam características sociais e econômicas muito diferentes uma das outras. Onde as diferentes cadeias de valor “encostam” em cada país é um importante determinante do tipo de relação de produção que é estabelecida com o varejista. Portanto, pode haver infinitas formas de contratação internacional em um mesmo país (Gereffi, 1994). O Quadro abaixo resume as diferenças descritas acima.
Quadro 1 – Governança e upgrading: clusters versus cadeias de valor
Cluster Cadeia global de valor
Governança dentro da localidade
Forte governança local caracterizada por cooperação inter-fima próxima e instituições públicas e privadas ativas. Riscos atenuados pelos mecanismos locais de compartilhamento de risco.
Não é discutido. Cooperação local inter-firma e política local largamente ignorada.
Relação com o mundo externo
Relações externas não teorizadas ou assumidas como baseadas em transações de mercado.
Forte governança dentro da cadeia. Comércio internacional crescentemente administrado através de redes inter-firmas baseada em relações quase hierárquicas
Atualização tecnológica
Ênfase em upgrading incremental (learning by doing) e disseminação de inovações através de
interações dentro do cluster. Para upgrading descontínuo, centros de inovação locais jogam um papel importante.
Upgrading incremental se torna possível
devido ao learning by doing e pela alocação,
organizada pelas firmas líderes, de novas tarefas. Upgrading descontínuo é possibilitado
pela sucessão organizacional que permite a entrada em cadeias de valor mais complexas. Desafios
competitivos chave
Promover a eficiência coletiva através da interação dentro do cluster.
Ganhar acesso a cadeias e desenvolver ligações com os consumidores majoritários.
Fonte: Humphrey e Schmitz (2000).
O quadro sobrepuja as diferenças e concomitantemente ressalta a existência de claras limitações de ambas as análises. Com relação à governança, a questão chave de pesquisa está ligada à interação entre a literatura de cluster e a abordagem da cadeia de valor. Deve-se reconhecer que os agentes locais chave, frequentemente, operam também em cadeias globais. Com relação ao upgrading, a análise de cluster subvaloriza a função dos consumidores estrangeiros como fonte de inovação, enquanto a literatura sobre cadeias de valor desconsidera o papel dos sistemas locais de inovação. Finalmente, as duas linhas de análises subestimam os limites para a promoção da atualização tecnológica: se tal atualização é tão fácil de ser realizada, porque não é permissiva em países em desenvolvimento?
Sendo assim, a interação entre as abordagens das cadeias globais de valor e a das aglomerações produtivas especializadas surgiu da preocupação de Humphrey e Schmitz (2000) em cobrir a lacuna existente entre os estudos sobre as relações intra-cluster e aqueles sobre as ligações globais. Nessa linha, os autores fazem a interação entre as duas abordagens, distinguindo as diferentes formas de governança da cadeia de valor e, então, as diferentes formas possíveis de upgrading disponíveis para as aglomerações produtivas dos países em desenvolvimento.